SubNews [12] - redes, subjetividade e pílulas vermelhas

3 views
Skip to first unread message

hernani dimantas

unread,
Oct 7, 2007, 8:37:01 PM10/7/07
to web...@googlegroups.com, sub...@googlegroups.com

SubNews [12] - redes, subjetividade e pílulas vermelhas

0. Os dividuais - Depois de Freud o ser não é mais uno. Ele se divide em múltiplos
1. As redes são por demais reais - virtual e atual se misturam. Tudo é real!
2. Tecnologia maquínica - a informática e a tecnociência não são nada mais do que formas hiperdesenvolvidas da própria subjetividade.
3. Subjetividade - a polifônia nas relações.
4. Controle e liberdade - O controle e liberdade se fazem pela interação e em rede
5. Transformação - Não é necessário pedir permissão
5. Rizoma - o rizoma nos mostra o comportamento das redes
7. Produção biopolítica - contra os zubis prisioneiros
8. Bem-vindo ao Matrix - ... e por incrível que pareça é real também.



0. os indivíduos tornaram-se 'dividuais', divisíveis, e as massas tornaram-se amostras, dados, mercados ou bancos
-- Gilles Deleuze

1. As redes são por demais reais

Redes sempre tiveram o poder de produção de subjetividade e pensamento. A sociedade, o capital, o mercado, o trabalho, a arte, a guerra são hoje, definidos em termos de rede.

O fato de que pensar é pensar em rede.

Para Deleuze: Pensar é experimentar, é problematizar. O saber, o poder e o si são a tripla raiz de uma problematização do pensamento. E, primeiramente, considerando-se o saber como problema, pensar é ver e é falar, mas pensar se faz no entremeio, no interstício ou na disjunção do ver e do falar. É, a cada vez, inventar o entrelaçamento, lançar uma flecha de um contra o alvo do outro, fazer brilhar um clarão de luz nas palavras, fazer ouvir um grito nas coisas visíveis. Pensar é fazer com que o ver atinja seu limite próprio, e o falar atinja o seu, de tal forma que os dois estejam no limite comum que os relaciona um ao outro separando-os.

Heidegger pergunta: O que é pensar? E, responde: Nós nunca chegamos aos pensamentos eles vem a nós. É a hora conveniente para a conversação. Isto nos dispõe para a meditação em comum, esta nem considera o opinar contraditório, nem tolera o concordar condescendente. O pensar permanece firme ao vento da coisa. De uma tal maneira convivência talvez alguns surjam como companheiros no oficio do pensar. A fim de que inesperadamente um deles se torne mestre.

Pensar em rede não é apenas pensar na rede, que ainda remete à idéia de social ou a idéia de sistema, mas sobretudo pensar a comunicação como lugar da inovação e do acontecimento, daquilo que escapa ao pensamento da representação.

A rede apresenta um lado voltado para a construção de modelos que constituem como totalidades das relações imanentes e outro para a singularidade e paisagens irredutíveis. De fato, máquinas infocomunicacionais estariam engedrando profundas transformações nos dispositivos de produção das subjetividades. Vivemos um tempo de mudanças.

A relação é paradoxal. Onde a mistura, a miscigenação cultural resulta num processo de enriquecimento e empobrecimento, singularização e massificação, desterritorilização e reterritorialização, potencialização e despotencialização da subjetividade em todas as dimensões.


2. Tecnologia maquínica

Guatarri, em Caosmose, denomina maquínico o estrato de sentido formado por matérias expressivas heterogêneas, não-linguisticamente formadas, mas ainda assim de natureza semiótica. Substâncias de expressão heterogêneas como as codificações biológicas ou as formas de organização própria ao socius - como aquelas derivadas de instituições como a família ou a escola - atravessam, transversalmente, os domínios de sentido propriamente linguísticos. [Caosmose, p.35-38].

Para Guatarri, a informática e a tecnociência não são nada mais do que formas hiperdesenvolvidas da própria subjetividade. Aqui entram fatores subjetivos das atualidades históricas (componentes semiológicos significantes que se manifestam através da família, educação, esporte, cultura, meio ambiente, arte e religião,) o desenvolvimento em escala das produções maquínicas de subjetividade (elementos fabricados pela indústria das mídias, cinema, máquinas lingüísticas etc. e por último, os aspectos etológicos e ecológicos relativos a subjetividade humana, a ecologia social e a ecologia mental. E, são trabalhado por agenciamentos coletivos de enunciação.

Uma máquina que não fosse investida de desejo e alimentada de subjetividade seria um corpo sem vida. Todo corpo tem sua artificialidade e toda máquina tem sua virtualidade. A tecnologia é, portanto, a prótese [DELEUZE. Conversações, 1998.p.122]. É o corpo sem orgãos, que para Deleuze é como o mecânico supõe uma máquina social. O próprio organismo supõe um corpo sem órgãos definido por suas linhas, seus eixos e seus gradientes. Todo um funcionamento maquínico distinto das funções orgânicas sociais tanto quanto das relações mecânicas.

Nesse contexto, podemos perceber que é a primeira vez na história da humanidade que a realidade do aqui e agora se encontra imersa nas tramas de uma temporalidade maquínica. A tecnologia como fato cultural multitemporal. Heidegger diz que a finitude do tempo só se tornava plenamente visível, quando o tempo sem fim se explicitava, por contraposição à finitude. Vivemos, então, nesta contraposição. E assim, percebemos a desconteneirização não só do tempo, mas do espaço, do ser e do conhecimento. Serres diz, o tempo multitemporal passa e não passa. ele percola.

Segundo Serres, o tempo funciona como um filtro, que ora faz passar, ora impede a passagem. É desta forma que as tecnologias remetem ao duplo movimento de aceleração e desaceleração, inovação e tradição, desterritorialização e territorialização. A contemporaneidade se caracteriza cada vez mais pela edição ou a forma como as partes do sistema são montadas ou articuladas. Esta é a cultura do remix.

E, nessa cultura remixada, misturada e miscigenada. Uma cultura que se desenvolve em rede exige o reconhecimento por parte da consciência.. A partir de então, a filosofia ficou diferente, não pôde mais ignorar o estar-com-os-outros. Não se pode ignorar as relações em rede.

Podemos nos lembrar das teses de Leibniz e dos muitos caminhos possíveis que podem ser percorridos. São diferentes os percursos para cada indivíduo. Diferentes, portanto, a forma como cada um pode perceber onde vive, como vive e, escolher seu tempo. Se somarmos todos os percursos, teremos reconstituído uma pluralidade de mundos dentro de um mesmo e único mundo.

O fato de estar trilhando por caminhos obscuros, pela bifurcação da vida nos faz um experimentador de diferentes sentidos. ...eu sentia que o mundo é um labirinto, do qual era impossível fugir, pois todos os caminhos, ainda que fingissem ir ao norte ou ao sul, iam realmente à Roma [Jorge Luis Borges]. Cá está o paradoxo!

3. Subjetividade

Subjetividade, segundo Houiass, é realidade psíquica, emocional e cognitiva do ser humano, passível de manifestar-se simultaneamente nos âmbitos individual e coletivo, e comprometida com a apropriação intelectual dos objetos externos; O campo conceitual de subjetivação surge no trabalho de Foucault e é retomado por Deleuze e Guatarri. A subjetividade é engendrada, produzida, pelas redes e campos de força social (aqui entra o conceito de multidão, de Hardt e Negri);

Por subjetividade entendemos um conjunto de condições que torna possível que instâncias individuantes e/ou coletivas estejam em posição de emergir como território existencial auto-referencial em adjacência ou em relação com uma alteridade ela mesma subjetiva''. [GUATTARI. Caosmose, p.19]. A subjetividade, de fato é plural, polifônica, para retomar uma expressão de Mikhail Bakhtine. O que importa aqui não é unicamente o confronto com uma nova matéria de expressão. É a constituição de complexos de subjetivação: indivíduo-grupo-máquina-trocas múltiplas, que oferecem a pessoa possibilidades diversificadas de recompor uma corporeidade existencial, de sair de seus impasses repetitivos, e de, alguma forma, se re-singularizar.

Guatarri coloca, mesmo que provisoriamente, que a definição da própria subjetividade é o conjunto das condições que torna possível que instâncias individuais e/ou coletivas estejam em posição de emergir como território existencial auto-referencial, em adjacência ou em relação de delimitação comum a alteridade, ela mesma subjetiva.

4. Controle e liberdade

Deleuze aponta para a sociedade de controle; a passagem da sociedade disciplinar para a sociedade de controle, pois não precisamos mais da forma de enclausuramento das instituições disciplinares, o controle pode ser exercido ao ar livre, sobre os fluxos. Isso significa que não precisamos mais de muros para controlar. O controle se faz pela interação e em rede.

A pergunta é: Será que a sociedade não estaria engendrando uma espécie de prisão ainda mais aperfeiçoada do que todas as outras, por intermédio da conexão ao ciberespaço, pela virtualização das relações humanas, pela ubiqüidade, ou por qualquer outra tecnologia que nos permite ir a todos os lugares sem sair do lugar?

Para Virílio, isso é a geração da inércia polar, para Serres a pantopia (todos os lugares em um só lugar e cada lugar em todos os lugares). Para Virílio esse movimento é negativo. Para Serres, é positivo.

Se o espaço do enclausuramento tende a migrar para as relações com o ciberespaço, para Virílio significa o fim do espaço. Pois, 'chegaremos ao tempo em que não haverá mais campo de tênis, mas um campo virtual; não haverá passeio de bicicleta, mas exercícios em um home-trainer (...) o espaço não se estenderá mais'.

Essa idéia que ciberespaço é o fim do espaço, ou que a ubiqüidade absoluta anule todo o espaço é uma utopia tecnológica. David Weinberger, inspirado em Heidegger, aponta para a desconteinerização da metafísica padrão. A internet rompe com espaço, com o tempo, com a individualidade e com o conhecimento. Logicamente que isto não nos torna mais humanos, mas numa simples navegação pelos sites e blogs podemos perceber que essa ruptura nos leva a um novo bom senso. Muito mais humanista, que potencializa a colaboração entre as pessoas. Pois, a conexão e a preocupação nos fazem humanos.

Para Serres a relação de mistura e conexão que a rede forma cria um espaço diferente. A reconfiguração do espaço que iguala o físico e o virtual: todos os lugares num só lugar e cada lugar em todos os lugares. Na Internet, a informação é o mundo, se a informação é mundo e se este mundo está em rede, então temos tanto a possibilidade de ter todos os lugares quanto a de estar em todos os lugares. Pantopia remete tanto à utopia quanto ao espaço heterotópico, que em Foucault aparece como o diversos agrupamentos dos diferentes tempos e espaços.

Para Latour: 'Infelizmente os fenômenos circulam através do conjunto que compõe as redes, e é unicamente sua circulação que nos permite verificá-los, assegurá-los validá-los'. O ciberespaço, ou o espaço informacional não significa anulação do espaço, mas apenas a realização tecnológica do espaço topológico. Ou seja, no ciberespaço vivemos relações de vizinhança, espaço de conexões, heróptico e pantópico. O espaço, segundo Foucault, passa a ser definido pelas relações de vizinhança entre pontos e elementos, e forma séries, tramas, grafos, diagramas, redes.

Remixando Espinosa: Liberdade é uma conquista, não um direito.

5. Transformação

A rede sociotécnica de grande complexidade é composta da riqueza dos nossos sentidos e faculdades, como também dos objetos, suportes, dispositivos e tecnologias.

O importante é pensar não na tecnologia em si, como prótese ou extensão, mas como um processo contínuo de delegação e distribuição das atividades cognitivas que formam uma rede com os diversos dispositivos não humanos. Em outras palavras, uma rede de aprendizado, de circulação da informação.

A informação permite resolver de forma prática - por meio de operações de seleção, de extração, de redução e de inscrição - o problema da presença e da ausência em um lugar. A informação estabelece uma interação material entre o centro e a periferia.

Como qualquer um pode interagir com a informação da maneira que quiser a partir da sua ponta, sites de busca competem entre si, o que significa escolha para os usuários e inovações constantes. Não é necessário pedir permissão para estabelecer essa interação. Se você tem uma idéia, basta executá-la. E toda vez que você faz isso, o valor da Internet (rede) aumenta. Todo o valor da Internet cresce na sua periferia. [www.worldofends.com]

A circulação da informação estabelece uma "zona de comunidade", isto é, a descoberta daquilo que nos outros corpos convém ao nosso. Aquilo que nos afeta. Que nos é relevante. Este é o primeiro patamar de uma relação consistente. Naturalmente, por mais raro que tenha se tornado, este ainda é o patamar mais fácil de alcançarmos e aquele que, talvez, nos dará a força necessária para conhecer o que é mais difícil: aquilo que nos outros é diferente e corresponde a sua "zona de singularidade". Porque é preciso uma potência ainda maior para se conhecer, nos outros corpos, aquilo que não nos convém. [corposem.org/rizoma/redeafetiva.htm]

6. Rizoma

Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo "ser", mas o rizoma tem como tecido a conjunção "e... e... e..." Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser.
Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio. [Deleuze, Guatarri, Mil Platos, v1, 36]

Deleuze e Guatarri contrapõem rizoma a árvore. A metáfora das ramificações arborescentes nos ajuda a entender uma espécie de programa mental, nos plantam árvores na cabeça: a da vida, a do saber, etc. E o poder, na sociedade, é sempre arborescente – a metáfora visualiza, comunica melhor o sentido dessa estrutura que representa a hierarquia. Mas na organização do saber, quase todas as disciplinas passam por esquemas de arborescência: a biologia, a informática, a lingüística (os autômatos ou sistemas centrais). Na realidade, não se trata de uma simples metáfora (no sentido lingüístico) e sim o que nos faze entender essa metáfora é que existe todo um aparato que se planta no pensamento, um programa de funcionamento para obriga-lo a ir pelo "bom" caminho, das idéias "justas". A metáfora da árvore clareia a maneira de como se articulam, na comunicação social, os esquemas de poder: A contraposição "árvore" / "rizoma" pode assim se valer da revisão crítica das estruturas de poder vigentes na sociedade.

Essas características das redes podem ser aplicadas aos organismos, às tecnologias, aos diispositivos, mas também à subjetividade. Somos uma rede de redes (multiplicidade), cada rede remetendo a outras redes de natureza diversa (heterogênese), em um processo auto-referente (autopoésis).

Esse rizoma se regenera continuamente por suas interações e transformações. A subjetividade é como a cognição, o advento, a emergência de um afeto e de um mundo a partir de suas ações no mundo.

Pensamos rizomas. Não só nas raízes que se bifurcam, crescem aleatoriamente sem comando e controle. O rizoma nos mostra o comportamento das redes, onde a trama de nós não mais identifica o ser, o corpo, o autor. Somos um produto rizomático. Multidões dentro de todos nós. Dentro e fora, fora e dentro. O corpo não tem limite. Distende-se para o infinito e para o além.

É complicado? Bem, esqueça aquilo que te faz se enxergar como ser humano. Estamos nos referindo a uma outra tradição filosófica. Isso implica na maneira de sentirmos a vida. Para que tanto racionalismo? Por que pensar no homem como centro do mundo? E para que tanto esforço? O corpo se distende para um todo. As relações corpo- máquina (e todas as relações que derivam dessas aproximações) nos fazem entender que não mais importa diferenciar as partes. O ser natural, aquele desprovido dos males tecnológicos, jamais existiu. Ou melhor, não existe desde que as funções do homem se distendem na relação com o ambiente. E isso data da idade da pedra lascada. Nossa cultura é hibrida (e miscigenada?).

7. Produção biopolítica

Biopolítico foi o termo forjado por Foucault para designar uma das modalidades de exercício do poder sobre a população enquanto massa global. Negri e Lazzarato propõem uma pequena inversão conceitual. Biopolítica deixa de ser a perspectiva do poder sobre o corpo da população e suas condições de reprodução, sua vida. A própria noção de vida deixa de ser definida apenas em termos dos processos biológicos que afetam a população.

É preciso insistir sobre o fato que a atividade implicada no trabalho imaterial permanece, ela mesma, material – ela engaja nosso corpo e nosso cérebro, como todo trabalho. O que é imaterial é seu produto. E, desse ponto de vista, nós admitimos que a expressão 'trabalho imaterial' é bastante ambígua. Talvez, por isso, seja preferível falar de 'trabalho biopolítico', isto é, um trabalho que cria não somente bens materiais, mas também relações e, em última instância, a própria vida social. [Hardt & Negri, Empire, 2004}. Vida significa afeto, inteligência, desejo e cooperação.

O campo de luta da comunicação está em conter (ou não abandonar) o monstro das mídias de das redes de comunicação que tornam a maioria da sociedade zumbis prisioneiros.

8. Bem-vindo ao Matrix

Jean Baudrillard diz: 'Livre do real, você pode fazer algo mais real que o real: o hiper-real'. Entender o mundo que vivemos. Assim como Matrix. Com um distanciamento descolado da realidade nos faz compreender a vida. Creio que só podemos enxergar a verdade quando está não nos pertence. Não está dentro da gente. Pois, Minha verdade não é real. É apenas a minha verdade. Matrix é uma simulação do mundo que vivemos. Matrix é demônio no espelho. Onde enxergamos o desespero. E o aprisionamento que vivemos. O simples fato de tocar nessa emoção é o caminho para a liberdade. Entender, questionar, destruir e recontruir é uma tarefa humana para a sua própria sobrevivência.

As pílulas vermelhas nos levam para uma outra realidade. Longe das idiossincrasias viciadas do enclausuramento psíquico. Uma voz canta ao longe. Não era mais aquele canto das sereias. É Rock and Roll... é a via de escape das frustrações e da angústia. É arte pura que escorre pelas mãos... e volatiliza por cada poro.

O velho sistema não vale mais. Internet é nova... é o renascimento da voz... conversação. Aliás, os mercados são conversações e nada mais maluco do que estar aberto para este bate papo. Bem vindo ao novo sistema... e por incrível que pareça é real também.

SubNews
Current web address:
http://groups.google.com/group/subnews


Current email address:
sub...@googlegroups.com



--
Hernani Dimantas
WebLab | LIDEC | Escola do Futuro - USP
3091 6366 | 3091 9107
http://weblab.futuro.usp.br/
http://comunix.org
http://del.icio.us/hdhd

Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages