SubNews [09]

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hernani dimantas

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Sep 16, 2007, 2:51:43 PM9/16/07
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SubNews [09]

1. Estranhos são bons - Para ver o caminho temos que usar os nossos próprios olhos
2. Conectar pessoas é uma arte - é fácil é dizer que tudo é lixo
3. Lógica colaborativa - Colaboração é um processo emergente
4. Do cidadão ao linkadão - Linkania é a expressão de cidadania na internet.
5. Pensata - o sentido construído pelo autor...
6. Blogueiros da comunicação - valeu pela lista da vizinhança.
7. Que é isto: a Filosofia - Heidegger diz que a questão é penetrar na filosofia

[Estranhos são bons]

Acordei de mau humor. Mas mesmo assim resolvi escrever. Meu interior ácido não está muito afins de perdoar este cotidiano de merda. A vida é boa, mas viver é complicado.

Sinto me sozinho nesta floresta de bytes. Apesar da imensa ocupação. Pessoas falando e jogando na rede é paradoxal. Acabamos ficando todos escondidos atrás de um monitor de 17 polegadas.

Penso que os estranhos são bons. Na verdade, as pessoas que não conhecemos são as mais participativas. Tudo de bom. As melhores tiradas sempre vieram de pessoas que não conheço. E poucos tenho vontade real de conhecer.

Sinceramente, não me sinto a vontade de transportar pessoas virtuais para o meu mundo real. Com exceção de alguns poucos amigos que me relaciono porque temos interesses comuns. Amigos de bilhar, de mesa de bar.

Bahhh, nem sei porque estou falando isso. Mau humor é foda. Nem tanto! Mas parece que tenho absorvido uma nova visão. Parafraseando Schopenhauer - Para ver o caminho temos que usar os nossos próprios olhos. E assim é a Web, cada caminho é diferente, cada viagem tem suas cicatrizes e cada desamor pode ser medido nas estatísticas do dia.

Ufa! cansei... de esperar que o maremoto inunde a razão. A tempestade existe num copo de água. E a beleza está pronunciada nas xerocópias descoloridas dos hyperlinks. Luz de verão, frio fora de hora... mais um dia. Mais algumas horas. Pressão escaldante queimando o cérebro. Mas, apesar de tudo... estou mais livre.

[Conectar pessoas é uma arte]

Achei essa frase nos meus alfarrábios:

Conectar computadores é um trabalho.
Conectar pessoas é uma arte.
--
Eckart Wintzen

A frase é bonitinha. E, realmente, conectar pessoas tem muito a ver com conversas. Na web, conversas significam assincronidade, cluetrain, blogosfera, cultura hacker e outras formas de narrativas hiperlinkadas. Eu gosto dessa comparação com a arte. Fazer arte.

Bem, a frase é legal. Mas quem é esse Eckart Wintzen? Tá na wikipedia... mas em holandês. Existe, menos mal. Achei o Linkedin dele e outras informações pertinentes. Tentei colocar algumas tags para identificar o cara pelo google e encontrar a fonte dessa frase brilhante. Algumas pistas indicam que o cara tá ligado (We want to get people in the mood to be creative. ... All I ask is that people think this through with an open mind. ... The idea was to fund ideas that would allow people to be creative or have ... Eckart Wintzen, who tells us how companies might change and how the interactions between people might evolve with the new technology. (Tech Nation podcast on IT Conversations) )

Parei de procurar. É uma frase, apenas uma frase. Que poderia ser remixada, reaproveitada, reutilizada... Mas é importante linkar o autor. Acho que sem esse ato de gentileza blogar não vale a pena. Qual seria o motivo das pessoas se aperfeiçoarem, buscar o estado da arte, a explosão de criatividade? O exercício da linkania. Um movimento cyber - punk - anarquista - emergente - radical - hippie - rasta - livre - filosofico - hacker que desponta a partir da conversação das pessoas conectadas. Vale a pena seguir rastros. Vale a pena pesquisar... O conteúdo da rede é fantástico para quem quer trazer para o trabalho a expressão da arte. Fácil é dizer que tudo é lixo

[Lógica colaborativa]

Não conhecer o que é a linkania faz qualquer crítica se esvair na mesmice do marketing tradicional, ou seja, desconsiderar que na Internet a comunicação de massa não funciona. O grande segredo é repercutir as idéias como legado à humanidade. Construindo um projeto de qualidade. Tratando cada leitor com a importância que merece. Assim, uns linkam os outros e os outros linkam os uns. De forma anárquica e bagunçada. O hiperlink subverte a hierarquia.

Essa é a nova mídia. Pessoas conversando com pessoas. Afinal, os mercados são conversações. E nesse caos coletivo surgem grandes projetos. O Linux nasceu assim. E todo o conhecimento que está sendo catalisado pela rede é fruto da conversação de um monte de pessoas. Os blogs são projetos pessoais de caráter coletivo. É um processo de bricolage, juntamos partes do trabalho de uns, tratamos as idéias de outros e criticamos uns aos outros. Fortalecendo o debate que implementa a revolução digital.

No mundo real as pessoas são separadas pela distância. Por causa da vastidão da terra diferentes culturas se desenvolveram. Pessoas vivem em países separados, divididos por fronteiras e, as vezes, por muros com soldados e armas. Na Web as pessoas caminham juntas - se conectam - pois estão interessadas nas mesmas coisas. Eles se preocupam com as mesmas coisas [David Weinberger].

Colaboração é um processo emergente. De baixo para cima. Encontramos a colaboração as margens de qualquer modo de produção. Colaborar e cooperar são palavras distintas. Colaboração é a palavra de ordem da nova economia. Não é apenas uma partilha ou uma cooperação. Colaboração vai além. Significa engajamento das pessoas aos projetos. De baixo para cima e sem controle específico. Um processo de criação onde pessoas conversam com pessoas.

Colaborar é criar para a sociedade; O processo de criação, combinado ao desenvolvimento tecnológico e mais especificamente com a internet, tem se apresentado como uma forma de expressão da sociedade para a sua auto evolução.

Este modo de produção, que me refiro, é o entorno econômico para produção de riqueza. E, neste sentido, o colaborativismo vem substituir (mesmo que seja numa parcela da economia) o paradigma da produção.

O impacto da revolução digital não é absorvido pela sociedade da forma que esta revolução se constrói. Não é uma ruptura do capitalismo por um outro modelo. A ruptura está em hackear o capitalismo. Usar e abusar das suas contradições. Acho importante se atentar para essa diferença. Estou me referindo a um processo de cima para baixo. E para os lados. Revoluciona pela linguagem, pela ocupação dos espaços, pela oferta de recursos. Compartilhar interesses faz com que as pessoas se aproximem. Se juntem. Essa é a lógica da linkania.


[Do cidadão ao linkadão]

Linkania é a expressão de cidadania na internet. Tem uma ligação direta com as idéias de Cluetrain. O link é a forma de ligação social, relacionamento social, da nossa "extensão tecno-natural da mente e corpo" na internet. É a cidadania sem cidades. Para exercer a linkania precisamos compreender algumas definições:


Cidadania
[De cidadão + -ia1, seg. o padrão erudito.]
S. f.
1. Qualidade ou estado de cidadão: 2

cidadão - [De cidade + -ão2.]
S. m.
1. Indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este.
2. Habitante da cidade.
3. Pop. Indivíduo, homem, sujeito: 2

fonte: Aurélio

Linkania
[De link + o padrão da vizinhança.]
1. Pessoas são inteligentes. Máquinas são ferramentas.
2 . Linkania pressupõe banda livre.
3. Conhecimento deve ser livre
4. O debate nunca termina.
5. Conversar sempre é possível. Mesmo quando você acredita que não mais existe diálogo.
6. O conhecimento é qualitativamente mensurado pela reputação.
7. Linkar é essencial.
8. Linkania é a cidadania sem cidades.
9. Publicar é repercutir a voz.
10. Linkar, linkar e linkar.

fonte: Marcelo Estraviz / Marketing Hacker

[Pensata]

...quando o produtor cultural liberta-se de seu ego, liberta-se de seu nome, liberta-se da pretensão inócua de entrar para a história e, então, ao se desterritorializar pode participar de um plano mais complexo, onde o sentido construído pelo autor é substituído pelas estratégias de múltiplos sentidos em co-autoria com seus interagentes; quando o produto cultural deixa de ser linear e analógico e passa a ser um sistema ubíquo de complexidade interativa enfatizando seus aspectos imersivos e bioculturais, tornando-se portanto máquina de transformação cultural..."
-- Ricardo Barreto e Paula Perissinotto

[Blogueiros da comunicação]

Encontrei no blog do Rogério Christofoletti uma lista de blogueiros que conversam, pesquisam, atuam nos estudos da comunicação e, principalmente, no impacto da rede nesta mediação.

Acho muito legal essa empreitada do Rogério. Pois, enquanto algumas mentes suspeitas falam da lixolândia e comparam os blogueiros aos macacos, o Rogério lista uma vizinhança (entre muitas) que tem feito a diferença.

[Que é isto: a Filosofia]

Heidegger pergunta: Que é isto — a filosofia?, e diz: falamos sobre a filosofia. Perguntando desta maneira, permanecemos num ponto acima da filosofia e isto quer dizer fora dela. Porém, a meta de nossa questão é penetrar na filosofia, demorarmo-nos nela, submeter nosso comportamento às suas leis, quer dizer, "filosofar". O caminho de nossa discussão deve ter por isso não apenas uma direção bem clara, mas esta direção deve, ao mesmo tempo, oferecer-nos também a garantia de que nos movemos no âmbito da filosofia, e não fora e em torno dela. O caminho de nossa discussão deve ser, portanto, de tal tipo e direção que aquilo de que a filosofia trata atinja nossa responsabilidade, nos toque, e justamente em nosso ser.

É um texto curto, somente com 16 páginas, mas que vale a pena ser lido.

Que é isto — a filosofia?
HEIDEGGER, Martin



[SubNews]

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Hernani Dimantas
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