1.
Estranhos são bons - Para ver o caminho temos que usar os nossos próprios olhos
2.
Conectar pessoas é uma arte - é fácil é dizer que tudo é lixo
3.
Lógica colaborativa - Colaboração é um processo emergente
4.
Do cidadão ao linkadão - Linkania é a expressão de cidadania na internet.
5.
Pensata - o sentido construído pelo autor...
6.
Blogueiros da comunicação - valeu pela lista da vizinhança.
7.
Que é isto: a Filosofia - Heidegger diz que a questão é penetrar na filosofia
[Estranhos são bons]
Acordei de mau humor. Mas mesmo assim resolvi escrever. Meu interior
ácido não está muito afins de perdoar este cotidiano de merda. A vida é
boa, mas viver é complicado.
Sinto me sozinho nesta floresta de bytes. Apesar da imensa ocupação.
Pessoas falando e jogando na rede é paradoxal. Acabamos ficando todos
escondidos atrás de um monitor de 17 polegadas.
Penso que os estranhos são bons. Na verdade, as pessoas que não
conhecemos são as mais participativas. Tudo de bom. As melhores tiradas
sempre vieram de pessoas que não conheço. E poucos tenho vontade real
de conhecer.
Sinceramente, não me sinto a vontade de transportar pessoas virtuais
para o meu mundo real. Com exceção de alguns poucos amigos que me
relaciono porque temos interesses comuns. Amigos de bilhar, de mesa de
bar.
Bahhh, nem sei porque estou falando isso. Mau humor é foda. Nem tanto!
Mas parece que tenho absorvido uma nova visão. Parafraseando
Schopenhauer - Para ver o caminho temos que usar os nossos próprios
olhos. E assim é a Web, cada caminho é diferente, cada viagem tem suas
cicatrizes e cada desamor pode ser medido nas estatísticas do dia.
Ufa! cansei... de esperar que o maremoto inunde a razão. A tempestade
existe num copo de água. E a beleza está pronunciada nas xerocópias
descoloridas dos hyperlinks. Luz de verão, frio fora de hora... mais
um dia. Mais algumas horas. Pressão escaldante queimando o cérebro.
Mas, apesar de tudo... estou mais livre.
[Conectar pessoas é uma arte]
Achei essa frase nos meus alfarrábios:
Conectar computadores é um trabalho.
Conectar pessoas é uma arte.
--
Eckart Wintzen
A frase é bonitinha. E, realmente, conectar pessoas tem muito a ver com
conversas. Na web, conversas significam assincronidade, cluetrain,
blogosfera, cultura hacker e outras formas de narrativas hiperlinkadas.
Eu gosto dessa comparação com a arte. Fazer arte.
Bem, a frase é legal. Mas quem é esse Eckart Wintzen?
Tá na wikipedia... mas em holandês. Existe, menos mal. Achei o
Linkedin dele e outras
informações
pertinentes.
Tentei colocar algumas tags para identificar o cara pelo google e
encontrar a fonte dessa frase brilhante. Algumas pistas indicam que o
cara tá ligado (We want to get people in the mood to be creative. ...
All I ask is that people think this through with an open mind. ... The
idea was to fund ideas that would allow people to be creative or have
... Eckart Wintzen, who tells us how companies might change and how the
interactions between people might evolve with the new technology.
(Tech Nation podcast on IT Conversations)
)
Parei de procurar. É uma frase, apenas uma frase. Que poderia ser
remixada, reaproveitada, reutilizada... Mas é importante linkar o
autor. Acho que sem esse ato de gentileza blogar não vale a pena. Qual
seria o motivo das pessoas se aperfeiçoarem, buscar o estado da arte, a
explosão de criatividade? O exercício da linkania. Um movimento
cyber - punk - anarquista - emergente - radical - hippie - rasta - livre - filosofico - hacker
que desponta a partir da conversação das pessoas conectadas. Vale a
pena seguir rastros. Vale a pena pesquisar... O conteúdo da rede é
fantástico para quem quer trazer para o trabalho a expressão da arte.
Fácil é dizer que tudo é lixo
[Lógica colaborativa]
Não conhecer o que é a linkania faz qualquer crítica se esvair na
mesmice do marketing tradicional, ou seja, desconsiderar que na
Internet a comunicação de massa não funciona. O grande segredo é
repercutir as idéias como legado à humanidade. Construindo um projeto
de qualidade. Tratando cada leitor com a importância que merece. Assim,
uns linkam os outros e os outros linkam os uns. De forma anárquica e
bagunçada. O hiperlink subverte a hierarquia.
Essa é a nova mídia. Pessoas conversando com pessoas. Afinal, os
mercados são conversações. E nesse caos coletivo surgem grandes
projetos. O Linux nasceu assim. E todo o conhecimento que está sendo
catalisado pela rede é fruto da conversação de um monte de pessoas. Os
blogs são projetos pessoais de caráter coletivo. É um processo de
bricolage, juntamos partes do trabalho de uns, tratamos as idéias de
outros e criticamos uns aos outros. Fortalecendo o debate que
implementa a revolução digital.
No mundo real as pessoas são separadas pela distância. Por causa da
vastidão da terra diferentes culturas se desenvolveram. Pessoas vivem
em países separados, divididos por fronteiras e, as vezes, por muros
com soldados e armas. Na Web as pessoas caminham juntas - se conectam -
pois estão interessadas nas mesmas coisas. Eles se preocupam com as
mesmas coisas [David Weinberger].
Colaboração é um processo emergente. De baixo para cima. Encontramos a
colaboração as margens de qualquer modo de produção. Colaborar e
cooperar são palavras distintas. Colaboração é a palavra de ordem da
nova economia. Não é apenas uma partilha ou uma cooperação. Colaboração
vai além. Significa engajamento das pessoas aos projetos. De baixo para
cima e sem controle específico. Um processo de criação onde pessoas
conversam com pessoas.
Colaborar é criar para a sociedade; O processo de criação, combinado
ao desenvolvimento tecnológico e mais especificamente com a internet,
tem se apresentado como uma forma de expressão da sociedade para a sua
auto evolução.
Este modo de produção, que me refiro, é o entorno econômico para
produção de riqueza. E, neste sentido, o colaborativismo vem substituir
(mesmo que seja numa parcela da economia) o paradigma da produção.
O impacto da revolução digital não é absorvido pela sociedade da forma
que esta revolução se constrói. Não é uma ruptura do capitalismo por um
outro modelo. A ruptura está em
hackear
o capitalismo. Usar e abusar das suas contradições. Acho importante se
atentar para essa diferença. Estou me referindo a um processo de cima
para baixo. E para os lados. Revoluciona pela linguagem, pela ocupação
dos espaços, pela oferta de recursos. Compartilhar interesses faz com
que as pessoas se aproximem. Se juntem. Essa é a lógica da linkania.
[Do cidadão ao linkadão]
Linkania é a expressão de cidadania na internet. Tem uma ligação direta com as idéias de
Cluetrain.
O link é a forma de ligação social, relacionamento social, da nossa
"extensão tecno-natural da mente e corpo" na internet. É a cidadania
sem cidades. Para exercer a linkania precisamos compreender algumas
definições:
Cidadania
[De cidadão + -ia1, seg. o padrão erudito.]
S. f.
1. Qualidade ou estado de cidadão: 2
cidadão - [De cidade + -ão2.]
S. m.
1. Indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este.
2. Habitante da cidade.
3. Pop. Indivíduo, homem, sujeito: 2
fonte: Aurélio
Linkania
[De link + o padrão da vizinhança.]
1. Pessoas são inteligentes. Máquinas são ferramentas.
2 . Linkania pressupõe banda livre.
3. Conhecimento deve ser livre
4. O debate nunca termina.
5. Conversar sempre é possível. Mesmo quando você acredita que não mais existe diálogo.
6. O conhecimento é qualitativamente mensurado pela reputação.
7. Linkar é essencial.
8. Linkania é a cidadania sem cidades.
9. Publicar é repercutir a voz.
10. Linkar, linkar e linkar.
fonte:
Marcelo Estraviz /
Marketing Hacker
[Pensata]
...quando o produtor cultural liberta-se de seu ego, liberta-se de seu
nome, liberta-se da pretensão inócua de entrar para a história e,
então, ao se desterritorializar pode participar de um plano mais
complexo, onde o sentido construído pelo autor é substituído pelas
estratégias de múltiplos sentidos em co-autoria com seus interagentes;
quando o produto cultural deixa de ser linear e analógico e passa a ser
um sistema ubíquo de complexidade interativa enfatizando seus aspectos
imersivos e bioculturais, tornando-se portanto máquina de transformação
cultural..."
-- Ricardo Barreto e Paula Perissinotto
[Blogueiros da comunicação]
Encontrei no blog do
Rogério Christofoletti uma
lista de blogueiros que conversam, pesquisam, atuam nos estudos da comunicação e, principalmente, no impacto da rede nesta mediação.
Acho muito legal essa empreitada do Rogério. Pois, enquanto algumas mentes suspeitas falam da
lixolândia
e
comparam os blogueiros aos macacos, o Rogério lista uma vizinhança (entre muitas) que tem feito a diferença.
[Que é isto: a Filosofia]
Heidegger pergunta: Que é isto — a filosofia?, e diz:
falamos
sobre a filosofia. Perguntando desta maneira, permanecemos num ponto
acima da filosofia e isto quer dizer fora dela. Porém, a meta de nossa
questão é penetrar na filosofia, demorarmo-nos nela, submeter nosso
comportamento às suas leis, quer dizer, "filosofar". O caminho de nossa
discussão deve ter por isso não apenas uma direção bem clara, mas esta
direção deve, ao mesmo tempo, oferecer-nos também a garantia de que nos
movemos no âmbito da filosofia, e não fora e em torno dela. O caminho
de nossa discussão deve ser, portanto, de tal tipo e direção que aquilo
de que a filosofia trata atinja nossa responsabilidade, nos toque, e
justamente em nosso ser.
É um texto curto, somente com 16 páginas, mas que vale a pena ser lido.
Que é isto — a filosofia?
HEIDEGGER, Martin
[SubNews]
SubNews - a zine do subcomandante
de Hernani Dimantas
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