<a href="http://meta.comunix.org/node/355">SubNews [Web]</a>
Assinar <a href="http://groups.google.com/group/subnews">SubNews [Zine]</a>
[Hola]
Seja bem-vindo a Web. Onde as pessoas esquecem do monólogo implantado
na mente, da alienação do trabalho pelo prazer do dinheiro e começam a
florescer num diálogo inconstante como o vôo de uma borboleta. Acorde
para essa nova vida. Todas as pessoas (num futuro não tão longínquo)
estão à distancia de um hiperlink. Qual será o impacto desta
aproximação? Qualquer pessoa tem e terá oportunidade de começar uma
conversação global. A força da voz pode ser reverberada em todo o
planeta. Seja como uma borboleta, encontre sua própria voz e se
hiperlinke num futuro não linear. A festa já começou!!!"
hdhd - 21.6.01
[Críticas e debates]
Hermano Vianna deu uma entrevista para a <a
href=http://revistatrip.uol.com.br/157/negras/01.htm>Trip</a>. Parte
dessa entrevista correu em listas de debates. A impressão que fica é
que ele se acha o cara.
<em>"[...] Tem um livro que dei pro Gil e virou uma espécie de livro
de cabeceira dele, de um filósofo francês chamado François Julien, Um
Sábio não tem idéia, ele fala que a virtude é ocupar os dois extremos
ao mesmo tempo. Por isso fico na Rede Globo e no software livre:
ocupar os extremos sem escolher. Quando você escolhe uma posição,
apaga uma parcela da comlexidade da vida... Quando você acredita muito
em alguma coisa se torna escravo, sem humor. Você tem que ser infiel
as idéias que acredita, tem que se auto-sacanear..."</em>
Não li esse tal filósofo. Mas me parece que ocupar extremos tão
diferentes é mais do que contraditório. Não acredito em infidelidadede
ideologias. Eu penso <a
href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo_gonzo">gonzo</a>. O
engajamento faz sentido quando se procura interferir e provocar
mudanças. Vejo isso como desculpa esfarrapada.
Mesmo porque nos programas da Globo que interfaceiam com a cultura da
periferia, com a emergência de conhecimentos mostram apenas o caráter
midiático dessa aproximação. A Globo colabora para o social abrindo
alguns minutos do espaço proprietário para que a periferia seja um
teatro de fantoches para a Regina Casé se deliciar.
<em>"[...] Cada vez mais surgem espaços onde essa mediação é feita,
como os grupos do Nós do Morro, o AfroReggae. Eu dou aula num ponto de
cultura de vargem grande - exatamente um ponto de cultura pensado
sobre essa primeira idéia de ensinar a usar o computador pra produzir
e editar vídeo e música. E aí a gente começa a chamar esses garotos
pra fazer estágio na globo. a gente tem que encontrar canais novos
como o próprio Instituto Criar do Luciano Huck..." </em>
Isso é tosco. Instituto criar 'mão de obra' para a globo e cultura
livre... Sem comentários!!!
<em>"[...] Falando em ego, você não tem vontade de se meter mais com
política? De jeito nenhum. Eu sou muito ingênuo..."</em>
Apelar para ingenuidade é tolo. Reputação emerge da rede. Não dá para
se esconder por trás de meia verdades: <a
href=http://br.br101.org/overmundo.html>... o Overmundo foi concebido
e é realizado pelo núcleo de idéias Movimento (formado por Hermano
Vianna, José Marcelo Zacchi, Alexandre Youssef e Ronaldo Lemos),
contando para tanto com o patrocínio da Petrobras, por meio do
Programa Petrobras Cultural e dos mecanismos de incentivo fiscal do
Programa Nacional de Apoio à Cultura / Lei Federal de Incentivo à
Cultura (Lei Rouanet), do Ministério da Cultura.</a>. BTW, o Hermano
faz parte do comitê julgador.
[Dobra da Comunidade]
O poder da multidão em criar relações sociais
em comum coloca-se entre a soberania e a anarquia,
com isto apresentando uma nova possibilidade
de fazer política.
(Hardt e Negri)
por Drica Guzzi e Hernani Dimantas; com a colaboração de toda a equipe
do <a href="http://lidec.futuro.usp.br">Lidec - Laboratório de
Inclusão Digital e Educação Comunitária</a> - Escola do Futuro - USP -
projeto aprovado no FILE - Festival Internacional de Linguagem
Eletrônica;
O desafio de um programa de inclusão digital não é calcado no acesso
ao computador. Hoje a interface de estar na rede é o computador. A
interface está se adaptando rapidamente para outras máquinas. No
processo de inclusão digital temos que pensar na maneira que as
pessoas se apropriam das tecnologias e, principalmente, como se
relacionam com a informação. Uma via de mão dupla se abre. As pessoas
tem que se enxergar nessa nova perspectiva.
Chamamos de Dobras da Comunidade quando a comunidade "se vê". Um
dispositivo que opera como registro de uma determinada atividade ou de
um grupo e que ao ser revelado para este mesmo grupo, afeta a sua
própria constituição, identificação e dinâmica. Os efeitos são a
própria produção dessa identidade comunitária, ou desse corpo
coletivo. Utilizamos uma metodologia de intervenção social baseada na
antropologia visual combinada com técnicas de facilitação de grupos e
metodologia de projetos. O projeto de webvídeos no <a
href="http://lidec.futuro.usp.br">Lidec</a> foi críado pensando nesse
cenário.
Um dos exemplos é o <a
href="http://www.acessasp.sp.gov.br/wiki/index.php/Projeto_Mulheres_On_Line
">Mulheres Online</a>. Este projeto está vinculado a <a href="
http://www.acessasp.sp.gov.br/wiki/">Rede de Projetos</a>, uma
iniciativa do Programa Acessa São Paulo que objetiva uma maior imersão
do cidadão às tecnologias sociais e ao uso qualificado dos
computadores e da internet em beneficio pessoal e da comunidade.
O Mulheres Online nasceu de uma idéia simples de Anderson Douglas da
Silva, 21 anos e estudante de pedagogia. Ele percebeu que algumas
mulheres de Iepê, uma pequena cidade perto do Paraná, estavam com
dificuldades para começar a usar os computadores e a tão falada
Internet.
Anderson, então, montou um curso e deu o nome de Mulheres Online. A
idéia era formar um grupo de mulheres com o mesmo interesse e a partir
daí descortinar os mistérios da informática e do mundo digital.
A Rede de Projetos funciona assim. A pessoa tem uma idéia que envolva
a internet ou informática, e os moderadores do Lidec – Laboratório de
Inclusão Digital e Educação Comunitária da Escola do Futuro - USP
ajudam a estruturá-la no formato de projeto utilizando um ambiente
colaborativo (wiki) e listas de discussão. E, é a partir da
necessidade e desejo local que a experiência de aprendizagem e
apropriação da tecnologia é construída.
Na primeira versão do Mulheres Online havia 98 mulheres inscritas.
Essa primeira turma durou cerca de 5 meses. O grupo era composto só
por mulheres e com diferentes perfis, empregadas domésticas,
cortadoras de cana, professoras, aposentadas, até a mulher do
prefeito encarou o desafio.
Com o tempo o projeto Mulheres Online começou a se destacar dos outros
projetos pela intensa participação nos debates e nas listas . As
'alunas' eram muito aplicadas e o curso estava trazendo uma grande
alegria e satisfação em suas vidas.
Foi quando decidimos que seria importante ver essa experiência de
perto. Parte da equipe da Rede de Projetos foi ate Iepê, e registrou
através de entrevistas e mídia áudio visual a vida cotidiana dessas
mulheres e qual o impacto da tecnologia em suas vidas.
Dessa visita foi feito um <a
href=http://www.acessasp.sp.gov.br/blog/index.php?itemid=265
>documentário</a> de curta duração, menos de 5 minutos, chamado
Mulheres Online. O vídeo Mulheres Online esta disponível no blog do
AcessaSP e em todos os repositórios de vídeos, como o Youtube, Google
Vídeo, MySpace e etc. Para poder visualizar pode acessar o link:
Dobras da Comunidade
Todos sabemos das enormes dificuldades por que passam projetos
envolvendo grupos e comunidades. Camila Alves, monitora e professora,
comentou: 'O projeto Mulheres Online foi uma das melhores coisas,
acredito eu que aconteceram esse ano na nossa cidade, Ver essas
mulheres trabalhando tanto e depois ainda tendo tempo e cabeça para
pensar em melhorar seus conhecimentos e ampliar seus horizontes
através do computador é maravilhoso, pois provam a elas e a nós mesmos
que existe uma vida melhor é só querer, a força de vontade dessas
mulheres é incrível e a capacidade delas e interesse de aprender
também, espero que cada vez mais mulheres consigam ter essa força de
vontade e essa esperança de que o mundo é você quem faz, afinal com o
término desse projeto garanto a elas que aparecerão muitas
oportunidades de conseguirem uma vida melhor e cada vez mais
aumentarem seus méritos.'
Merielem Soares da Cruz diz que 'Estou muito admirada como a internet
mudou muito a vida dessas mulheres, espero que esse projeto continue
por muito mais tempo.'
Pesquisas desenvolvidas no cruzamento da economia com a sociologia têm
apresentado resultados importantes para a reflexão sobre a ação
coletiva. Como assinala o professor e filosofo Rogério da Costa (
http://www.pucsp.br/linc) "Elas tratam da forma como os indivíduos
atuam em grupo e de como suas preferências e interesses pessoais podem
não ser determinantes para sua ação na dimensão do coletivo." Esse é
um dado importante para nosso trabalho, pois sociólogos e economistas
clássicos acreditam, como o senso comum, num prolongamento natural dos
interesses individuais no contexto de grupos. Desta forma, o
comentário de Marisa Batista de Souza Luiz é emblemático: 'O projeto
mulheres online está sendo de grande valia a todas nós, por dar mais
uma oportunidade à nossa vida.' Ou seja, o benefício para o sujeito e
o benefício à comunidade.
Como já foi dito, a Antropologia Visual é operativa e sistêmica. Os
comentários feitos a partir do vídeo retroalimentam e co-produzem o
contexto inicial. Inês Aparecida de Oliveira Campos concluiu: 'Eu
gostei muito porque não tenho nunca tive vergonha de qualquer trabalho
que fiz ou que faço porque sempre faço com muita dignidade e
honestidade e vai ai uma frase: Lutar sempre desistir jamais.'
Rogério da Costa diz que os estudos como os de Howard Rheingold, por
exemplo, vêm comprovando que a sinergia entre as pessoas via web,
dependendo do projeto em que estejam envolvidas, pode ser multiplicada
com enorme sucesso. As diversas formas de comunidades virtuais, a
estratégia P2P, as comunidades móveis, a explosão dos blogs são prova
de que a infra-estrutura de telecomunicações constitui uma fator
potencial no incremento do capital social e cultural disponível.
A comunidade ao dobrar-se em si mesma, ou seja, a dobra da comunidade,
como a comunidade se enxerga após a distribuição do vídeo e como ela
se reconhece ao se perceber como participante do mundo digital,
contribuiu para que o projeto Mulheres Online aumentasse em sua
segunda edição para 115 mulheres e mais 120 mulheres na lista de
espera.
Mulheres Online começou com uma 1 turma. Atualmente são 19 turmas.
Começou com dois professores. Hoje são cinco. Uma das novas
professoras foi inclusive aluna da primeira turma.
Impacto
Após o vídeo, as mulheres participantes do projeto montaram uma
espécie de associação para vender salgados pela web. Com o dinheiro da
venda já organizaram uma excursão (o que para muitas significou sair
pela primeira vez da cidade numa viagem turística)
Mulheres Online é um exemplo de comunidade dinâmica, da estimulação
pela comunicação boca a boca, pela vontade de romper com as amarras da
desinformação. Exemplo de um grupo de pessoas que optou afirmar a
potência de seus recursos e não ficar em contato apenas com a falta
deles.
A grande aposta é a possibilidade de desenvolvermos modelos que
possam explicar e estabelecer novas formas de participação e que nos
leve, quem sabe, a uma democracia mais participativa e inteligente. É
impossível imaginar mudanças fundamentais como crescimento de um país
com mais justiça social e melhoria na qualidade de vida, numa
sociedade sem a ação coletiva e a união das pessoas em torno e na
construção de interesses comuns. Nesse sentido, o uso das novas
tecnologias de comunicação e informação, em especial, a internet,
deverão ter grande influência e impacto.
[Marketing]
<a href="http://buzzfeed.com/buzz/The_Mullet_Strategy">The Mullet
Strategy</a>: The biggest sites on the web are all embracing the
"mullet strategy" - business up front, party in the back! User
generated content is all the rage but most of it totally sucks. That
is why sites like YouTube, MySpace, CNN, and HuffPost are all
embracing the mullet strategy. They let users party, argue, and vent
on the secondary pages, but professional editors keep the front page
looking sharp. The mullet strategy is here to stay because the best
way for web companies to grow traffic is to let the users have
control, but the best way to sell advertising is a slick, pretty front
page where corporate sponsors can wistfully admire their brands.
Esse é um modelo de negócios que tende a dar certo. Pois, por um lado
catalisa a emergência de projetos individuais, de espaços
colaborativos e outros conhecimentos. E, por outro, garante ao
'patrocinador' o retorno do investimento. Bem, capitalismo não existe
sem esse tal de ROI. Quando penso nas idéias do marketing hacker
imagino o hacking do sistema pelo compartilhamento e ocipação dos
espaços informacionais.
[Google e Sprint]
A Parceria do Google e Sprint é mais uma jogada do Google rumo ao
domínio do espaço informacional. A "Sprint/Nextel is the third largest
wireless carrier in the U.S. (...) About a year ago, Sprint announced
that it would "invest up to three billion dollars over the next few
years in a joint venture with Intel, Motorola, and Samsung in the
development of a mobile Worldwide Interoperability for Microwave
Access, or WiMAX network." Sprint has been hard at work on the
standard for mobile WiMAX, which is an IEEE 802.16e standard. (...)
Mobile WiMAX is a big deal (if it could work) because it would allow a
lot more data to move much more quickly than it does over traditional
wireless networks. It's slower than DSL or cable modem service, but
it's mobile and much faster than what our cellphones can offer now.
Veja o anúncio dessa parceria: Sprint network bandwidth, location
detection and presence capabilities will be matched with Google's
popular communications suite – Google AppsTM – that combines the
GmailTM, Google CalendarTM and Google TalkTM services. Customers will
be able to experience a new form of interactive communications, high
speed Internet browsing, local and location-centric services, and
multimedia services including music, video, TV and on-demand products.
Bem, não vou tentar explicar os acertos dessa parceria. Mesmo porque a
<a href="http://scrawford.blogware.com/blog/_archives/2007/7/27/3123558.html">Susan
Crowford faz uma análise interessante no seu blog</a> Fica a
impressão que o Google precisa de um distribuidor para o <a
href=http://meta.comunix.org/node/357>Google Phone</a>.
[Links úteis]
Interessante o movimento da Kodak. Dois blogs abrem espaços
conversacionais: <a href="http://1000nerds.kodak.com/">A Thousand
Nerds is a place for ideas and knowledge sharing from the people of
Kodak about technology</a> e <a href="http://1000words.kodak.com/">A
Thousand Words is a place for stories from the people of Kodak</a>;
[Redes sociais]
Artigo do Clay Shirky sobre o uso das tecnologias da informação e
comunicação em redes sociais.
<a href="http://www.shirky.com/writings/group_user.html">Group as
User: Flaming and the Design of Social Software</a>
First published November 5, 2004
When we hear the word "software," most of us think of things like
Word, Powerpoint, or Photoshop, tools for individual users. These
tools treat the computer as a box, a self-contained environment in
which the user does things. Much of the current literature and
practice of software design -- feature requirements, UI design,
usability testing -- targets the individual user, functioning in
isolation.
And yet, when we poll users about what they actually do with their
computers, some form of social interaction always tops the list --
conversation, collaboration, playing games, and so on. The practice of
software design is shot through with computer-as-box assumptions,
while our actual behavior is closer to computer-as-door, treating the
device as an entrance to a social space. <a
href="http://www.shirky.com/writings/group_user.html">Leia Mais</a>
[Sugestão de leitura]
<a href="http://www.zephoria.org/thoughts/archives/2007/08/02/history_of_soci.html">history
of social network sites (a work-in-progress)</a>
As many of you know, Nicole Ellison and I are guest editing a special
issue of JCMC. As a part of this issue, we are writing an introduction
that will include a description of social network sites, a brief
history of them, a literature review, a description of the works in
this issue, and a discussion of future research. We have decided to
put a draft of our history section up to solicit feedback from those
of you who know this space well. It is a work-in-progress so please
bear with us. But if you have suggestions, shout out.
history of social network sites (a work-in-progress)
In particular, we want to know: 1) Are we reporting anything
inaccurately? 2) What are we missing?
[Disclaimer]
Esta foi uma semana inspirada pela dicotomia paradoxal. A incerteza
está encravada nas relações. Logo, o discurso sem contexto não cria
referencial. A relevância se dá na construção da reputação, ou seja, a
validação das trocas num ambiente comum. A única coisa que podemos
afirmar é que com seres humanos temos emoções de verdade...
<em>Verdade , Mentira
Alberto Caeiro
Verdade , mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade , mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.</em>
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Current email address:
sub...@googlegroups.com
--
Hernani Dimantas
LIDEC | Escola do Futuro - USP
3091 6366 | 3091 9107
http://lidec.futuro.usp.br
http://meta.comunix.org
http://del.icio.us/hdhd
0. [Hola]
1. [Críticas e debates]
2. [Dobra da Comunidade]
3. [Marketing]
4. [Google e Sprint]
5. [Links úteis]
6. [Redes sociais]
7. [Sugestão de leitura]
8. [Disclaimer]
[Hola]
Seja bem-vindo a Web. Onde as pessoas esquecem do monólogo
implantado na mente, da alienação do trabalho pelo prazer do dinheiro e
começam a florescer num diálogo inconstante como o vôo de uma
borboleta. Acorde para essa nova vida. Todas as pessoas (num futuro não
tão longínquo) estão à distancia de um hiperlink. Qual será o impacto
desta aproximação? Qualquer pessoa tem e terá oportunidade de começar
uma conversação global. A força da voz pode ser reverberada em todo o
planeta. Seja como uma borboleta, encontre sua própria voz e se
hiperlinke num futuro não linear. A festa já começou!!!"
hdhd - 21.6.01
[Críticas e debates]
Hermano Vianna deu uma entrevista para a Trip. Parte dessa entrevista correu em listas de debates. A impressão que fica é que ele se acha o cara.
"[...] Tem um livro que dei pro Gil e virou uma espécie de livro de cabeceira dele, de um filósofo francês chamado François Julien, Um Sábio não tem idéia, ele fala que a virtude é ocupar os dois extremos ao mesmo tempo. Por isso fico na Rede Globo e no software livre: ocupar os extremos sem escolher. Quando você escolhe uma posição, apaga uma parcela da comlexidade da vida... Quando você acredita muito em alguma coisa se torna escravo, sem humor. Você tem que ser infiel as idéias que acredita, tem que se auto-sacanear..."
Não li esse tal filósofo. Mas me parece que ocupar extremos tão diferentes é mais do que contraditório. Não acredito em infidelidadede ideologias. Eu penso gonzo. O engajamento faz sentido quando se procura interferir e provocar mudanças. Vejo isso como desculpa esfarrapada.
Mesmo porque nos programas da Globo que interfaceiam com a cultura da periferia, com a emergência de conhecimentos mostram apenas o caráter midiático dessa aproximação. A Globo colabora para o social abrindo alguns minutos do espaço proprietário para que a periferia seja um teatro de fantoches para a Regina Casé se deliciar.
"[...] Cada vez mais surgem espaços onde essa mediação é feita, como os grupos do Nós do Morro, o AfroReggae. Eu dou aula num ponto de cultura de vargem grande - exatamente um ponto de cultura pensado sobre essa primeira idéia de ensinar a usar o computador pra produzir e editar vídeo e música. E aí a gente começa a chamar esses garotos pra fazer estágio na globo. a gente tem que encontrar canais novos como o próprio Instituto Criar do Luciano Huck..."
Isso é tosco. Instituto criar 'mão de obra' para a globo e cultura livre... Sem comentários!!!
"[...] Falando em ego, você não tem vontade de se meter mais com política? De jeito nenhum. Eu sou muito ingênuo..."
Apelar para ingenuidade é tolo. Reputação emerge da rede. Não dá para se esconder por trás de meia verdades: ... o Overmundo foi concebido e é realizado pelo núcleo de idéias Movimento (formado por Hermano Vianna, José Marcelo Zacchi, Alexandre Youssef e Ronaldo Lemos), contando para tanto com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural e dos mecanismos de incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Cultura / Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), do Ministério da Cultura.. BTW, o Hermano faz parte do comitê julgador.
[Dobra da Comunidade]
O poder da multidão em criar relações sociais
em comum coloca-se entre a soberania e a anarquia,
com isto apresentando uma nova possibilidade
de fazer política.
(Hardt e Negri)
por Drica Guzzi e Hernani Dimantas; com a colaboração de toda a equipe do Lidec - Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária - Escola do Futuro - USP - projeto aprovado no FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica;
O desafio de um programa de inclusão digital não é calcado no acesso ao computador. Hoje a interface de estar na rede é o computador. A interface está se adaptando rapidamente para outras máquinas. No processo de inclusão digital temos que pensar na maneira que as pessoas se apropriam das tecnologias e, principalmente, como se relacionam com a informação. Uma via de mão dupla se abre. As pessoas tem que se enxergar nessa nova perspectiva.
Chamamos de Dobras da Comunidade quando a comunidade "se vê". Um dispositivo que opera como registro de uma determinada atividade ou de um grupo e que ao ser revelado para este mesmo grupo, afeta a sua própria constituição, identificação e dinâmica. Os efeitos são a própria produção dessa identidade comunitária, ou desse corpo coletivo. Utilizamos uma metodologia de intervenção social baseada na antropologia visual combinada com técnicas de facilitação de grupos e metodologia de projetos. O projeto de webvídeos no Lidec foi críado pensando nesse cenário.
Um dos exemplos é o Mulheres Online. Este projeto está vinculado a Rede de Projetos , uma iniciativa do Programa Acessa São Paulo que objetiva uma maior imersão do cidadão às tecnologias sociais e ao uso qualificado dos computadores e da internet em beneficio pessoal e da comunidade.
O Mulheres Online nasceu de uma idéia simples de Anderson Douglas da Silva, 21 anos e estudante de pedagogia. Ele percebeu que algumas mulheres de Iepê, uma pequena cidade perto do Paraná, estavam com dificuldades para começar a usar os computadores e a tão falada Internet.
Anderson, então, montou um curso e deu o nome de Mulheres Online. A idéia era formar um grupo de mulheres com o mesmo interesse e a partir daí descortinar os mistérios da informática e do mundo digital.
A Rede de Projetos funciona assim. A pessoa tem uma idéia que envolva a internet ou informática, e os moderadores do Lidec – Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária da Escola do Futuro - USP ajudam a estruturá-la no formato de projeto utilizando um ambiente colaborativo (wiki) e listas de discussão. E, é a partir da necessidade e desejo local que a experiência de aprendizagem e apropriação da tecnologia é construída.
Na primeira versão do Mulheres Online havia 98 mulheres inscritas. Essa primeira turma durou cerca de 5 meses. O grupo era composto só por mulheres e com diferentes perfis, empregadas domésticas, cortadoras de cana, professoras, aposentadas, até a mulher do prefeito encarou o desafio.
Com o tempo o projeto Mulheres Online começou a se destacar dos outros projetos pela intensa participação nos debates e nas listas . As 'alunas' eram muito aplicadas e o curso estava trazendo uma grande alegria e satisfação em suas vidas.
Foi quando decidimos que seria importante ver essa experiência de perto. Parte da equipe da Rede de Projetos foi ate Iepê, e registrou através de entrevistas e mídia áudio visual a vida cotidiana dessas mulheres e qual o impacto da tecnologia em suas vidas.
Dessa visita foi feito um documentário de curta duração, menos de 5 minutos, chamado Mulheres Online. O vídeo Mulheres Online esta disponível no blog do AcessaSP e em todos os repositórios de vídeos, como o Youtube, Google Vídeo, MySpace e etc. Para poder visualizar pode acessar o link:
Dobras da Comunidade
Todos sabemos das enormes dificuldades por que passam projetos
envolvendo grupos e comunidades. Camila Alves, monitora e professora,
comentou: 'O projeto Mulheres Online foi uma das melhores coisas,
acredito eu que aconteceram esse ano na nossa cidade, Ver essas
mulheres trabalhando tanto e depois ainda tendo tempo e cabeça para
pensar em melhorar seus conhecimentos e ampliar seus horizontes através
do computador é maravilhoso, pois provam a elas e a nós mesmos que
existe uma vida melhor é só querer, a força de vontade dessas mulheres
é incrível e a capacidade delas e interesse de aprender também, espero
que cada vez mais mulheres consigam ter essa força de
vontade e essa esperança de que o mundo é você quem faz, afinal com o
término desse projeto garanto a elas que aparecerão muitas
oportunidades de conseguirem uma vida melhor e cada vez mais
aumentarem seus méritos.'
Merielem Soares da Cruz diz que 'Estou muito admirada como a internet mudou muito a vida dessas mulheres, espero que esse projeto continue por muito mais tempo.'
Pesquisas desenvolvidas no cruzamento da economia com a sociologia têm apresentado resultados importantes para a reflexão sobre a ação coletiva. Como assinala o professor e filosofo Rogério da Costa ( http://www.pucsp.br/linc) "Elas tratam da forma como os indivíduos atuam em grupo e de como suas preferências e interesses pessoais podem não ser determinantes para sua ação na dimensão do coletivo." Esse é um dado importante para nosso trabalho, pois sociólogos e economistas clássicos acreditam, como o senso comum, num prolongamento natural dos interesses individuais no contexto de grupos. Desta forma, o comentário de Marisa Batista de Souza Luiz é emblemático: 'O projeto mulheres online está sendo de grande valia a todas nós, por dar mais uma oportunidade à nossa vida.' Ou seja, o benefício para o sujeito e o benefício à comunidade.
Como já foi dito, a Antropologia Visual é operativa e sistêmica. Os comentários feitos a partir do vídeo retroalimentam e co-produzem o contexto inicial. Inês Aparecida de Oliveira Campos concluiu: 'Eu gostei muito porque não tenho nunca tive vergonha de qualquer trabalho que fiz ou que faço porque sempre faço com muita dignidade e honestidade e vai ai uma frase: Lutar sempre desistir jamais.'
Rogério da Costa diz que os estudos como os de Howard Rheingold, por exemplo, vêm comprovando que a sinergia entre as pessoas via web, dependendo do projeto em que estejam envolvidas, pode ser multiplicada com enorme sucesso. As diversas formas de comunidades virtuais, a estratégia P2P, as comunidades móveis, a explosão dos blogs são prova de que a infra-estrutura de telecomunicações constitui uma fator potencial no incremento do capital social e cultural disponível.
A comunidade ao dobrar-se em si mesma, ou seja, a dobra da comunidade, como a comunidade se enxerga após a distribuição do vídeo e como ela se reconhece ao se perceber como participante do mundo digital, contribuiu para que o projeto Mulheres Online aumentasse em sua segunda edição para 115 mulheres e mais 120 mulheres na lista de espera.
Mulheres Online começou com uma 1 turma. Atualmente são 19 turmas. Começou com dois professores. Hoje são cinco. Uma das novas professoras foi inclusive aluna da primeira turma.
Impacto
Após o vídeo, as mulheres participantes do projeto montaram uma espécie de associação para vender salgados pela web. Com o dinheiro da venda já organizaram uma excursão (o que para muitas significou sair pela primeira vez da cidade numa viagem turística)
Mulheres Online é um exemplo de comunidade dinâmica, da estimulação pela comunicação boca a boca, pela vontade de romper com as amarras da desinformação. Exemplo de um grupo de pessoas que optou afirmar a potência de seus recursos e não ficar em contato apenas com a falta deles.
A grande aposta é a possibilidade de desenvolvermos modelos que possam explicar e estabelecer novas formas de participação e que nos leve, quem sabe, a uma democracia mais participativa e inteligente. É impossível imaginar mudanças fundamentais como crescimento de um país com mais justiça social e melhoria na qualidade de vida, numa sociedade sem a ação coletiva e a união das pessoas em torno e na construção de interesses comuns. Nesse sentido, o uso das novas tecnologias de comunicação e informação, em especial, a internet, deverão ter grande influência e impacto.
[Marketing]
The Mullet Strategy: The biggest sites on the web are all embracing the "mullet strategy" - business up front, party in the back! User generated content is all the rage but most of it totally sucks. That is why sites like YouTube, MySpace, CNN, and HuffPost are all embracing the mullet strategy. They let users party, argue, and vent on the secondary pages, but professional editors keep the front page looking sharp. The mullet strategy is here to stay because the best way for web companies to grow traffic is to let the users have control, but the best way to sell advertising is a slick, pretty front page where corporate sponsors can wistfully admire their brands.
Esse é um modelo de negócios que tende a dar certo. Pois, por um lado catalisa a emergência de projetos individuais, de espaços colaborativos e outros conhecimentos. E, por outro, garante ao 'patrocinador' o retorno do investimento. Bem, capitalismo não existe sem esse tal de ROI. Quando penso nas idéias do marketing hacker imagino o hacking do sistema pelo compartilhamento e ocipação dos espaços informacionais.
[Google e Sprint]
A Parceria do Google e Sprint é mais uma jogada do Google rumo ao domínio do espaço informacional. A "Sprint/Nextel is the third largest wireless carrier in the U.S. (...) About a year ago, Sprint announced that it would "invest up to three billion dollars over the next few years in a joint venture with Intel, Motorola, and Samsung in the development of a mobile Worldwide Interoperability for Microwave Access, or WiMAX network." Sprint has been hard at work on the standard for mobile WiMAX, which is an IEEE 802.16e standard. (...) Mobile WiMAX is a big deal (if it could work) because it would allow a lot more data to move much more quickly than it does over traditional wireless networks. It's slower than DSL or cable modem service, but it's mobile and much faster than what our cellphones can offer now.
Veja o anúncio dessa parceria: Sprint network bandwidth, location detection and presence capabilities will be matched with Google's popular communications suite – Google AppsTM – that combines the GmailTM, Google CalendarTM and Google TalkTM services. Customers will be able to experience a new form of interactive communications, high speed Internet browsing, local and location-centric services, and multimedia services including music, video, TV and on-demand products.
Bem, não vou tentar explicar os acertos dessa parceria. Mesmo porque a Susan Crowford faz uma análise interessante no seu blog Fica a impressão que o Google precisa de um distribuidor para o Google Phone.
[Links úteis]
Interessante o movimento da Kodak. Dois blogs abrem espaços conversacionais: A Thousand Nerds is a place for ideas and knowledge sharing from the people of Kodak about technology e A Thousand Words is a place for stories from the people of Kodak;
[Redes sociais]
Artigo do Clay Shirky sobre o uso das tecnologias da informação e comunicação em redes sociais.
Group as User: Flaming and the Design of Social Software
First published November 5, 2004
When we hear the word "software," most of us think of things like Word, Powerpoint, or Photoshop, tools for individual users. These tools treat the computer as a box, a self-contained environment in which the user does things. Much of the current literature and practice of software design -- feature requirements, UI design, usability testing -- targets the individual user, functioning in isolation.
And yet, when we poll users about what they actually do with their computers, some form of social interaction always tops the list -- conversation, collaboration, playing games, and so on. The practice of software design is shot through with computer-as-box assumptions, while our actual behavior is closer to computer-as-door, treating the device as an entrance to a social space. Leia Mais
[Sugestão de leitura]
As many of you know, Nicole Ellison and I are guest editing a special issue of JCMC. As a part of this issue, we are writing an introduction that will include a description of social network sites, a brief history of them, a literature review, a description of the works in this issue, and a discussion of future research. We have decided to put a draft of our history section up to solicit feedback from those of you who know this space well. It is a work-in-progress so please bear with us. But if you have suggestions, shout out.
history of social network sites (a work-in-progress)
In particular, we want to know: 1) Are we reporting anything inaccurately? 2) What are we missing?
[Disclaimer]
Esta foi uma semana inspirada pela dicotomia paradoxal. A incerteza está encravada nas relações. Logo, o discurso sem contexto não cria referencial. A relevância se dá na construção da reputação, ou seja, a validação das trocas num ambiente comum. A única coisa que podemos afirmar é que com seres humanos temos emoções de verdade...
Verdade , Mentira
Alberto Caeiro
Verdade , mentira, certeza, incerteza...
Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade , mentira, certeza, incerteza o que são?
O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos e as minhas mãos.
Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.
SubNews [a zine do subcomandante].
SubNews
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