SubNews [11]
1.
Círculo quadrado - é a imagem do inimaginável
2.
Links, redes sociais e a imensidão da web - temos pistas. muitas pistas, boas pistas...
3.
homem_máquina_protocolo - o impacto na dicotomia do controle e da liberdade.
4.
Tomanocu Day - soltar a voz até o puro desafogo emocional
5.
Abstract hacktivism - construção de novos mundos e novas possibilidades
[Círculo quadrado]
o mistério real reside no fato que o mundo existe, e não o vazio
--
Heidegger
Quero gerar confusão. O mundo onde convivemos é louco, é anárquico, é
utópico. É uma busca incessante pela liberdade humana. Nem que seja
apenas na ficção. Nem que seja pela perspectiva de uma classe
dominante. O sujeito busca no poder a salvação, mas tem como objetivo a
libertação das garras autoritárias. Uma tensão constante do sujeito com
a sociedade conservadora (ou aquela que quer preservar o poder). Será
que não poderíamos viver sem essa balela? Numa sociedade
caos-organizada? Homens devem ser comandados pelas forças espúrias dos
poderosos? Muitas perguntas para poucas palavras. O sujeito tem
discernimento do certo e do errado. E a partir desse conceito o homem
deveria ser educado. Desde pequeno tínhamos que aprender a colaboração.
Acho que estou sendo ingênuo demais! As notícias dos jornais me
contradizem a cada instante. Mas se não mudarmos o âmago, não
expurgaremos os noticiários sensacionalistas... A mídia faz a hora.
Afinal, a experiência virtual é pessoal. A apropriação tecnológica
também é pessoal. Cada um tem uma viagem diferente. Uns brincam com
computadores, outros preferem devices mais enxutos. No entanto, todos
brincam a sério. E com essa seriedade encaro a rede como um consciente
coletivo que funciona com regras diferentes das idiossincrasias
convencionais. Não faz sentido tentar particionar a vida em containers
do saber. Containers, aliás, estão sendo destruídos pela dinâmica da
sociedade em rede.
A experiência viral brota na rede, ressalta os movimentos informais. De
baixo para cima, sem descaracterizar o caos das comunidades
interlinkadas. É uma escolha das pessoas comuns. E o engajamento destas
pessoas faz a ponte à condução colaborativa dos projetos. Elas podem
influenciar, recriar e modificar a idéia original, numa verdadeira
euforia.
Esta é a proposta Hacker. Uma maior interação entre e inter comunidades
de interesse. Aproveitar o fluxo de idéias para incentivar a
criatividade e ordenar o caos em redes de inteligências coletivas. Mas,
para isso acontecer, a comunidade tem que participar e promover o seu
próprio desenvolvimento. As pessoas precisam estar engajadas em
projetos de sua comunidade.
O círculo quadrado é a imagem do inimaginável. Um quebra cabeça
desmontado. Peças jogadas, desmontadas. O céu se mistura com a água. A
construção vira lama. As imagens recriam um novo desenho. Montam uma
nova realidade. Na Web, a onda é a bricolage, a gambiarra.
Desconstruímos o conhecimento em partes desconexas. E conectamos pela
apropriação da plataforma tecnológica. Cada um busca sua verdade. E,
essa verdade não é real. É apenas um caminho, um percurso para encontrar aquilo que nunca se imaginou. Não existe limite para o círculo quadrado.
[Links, redes sociais e a imensidão da web]
Quando pensamos em redes sociais logo nos vem à cabeça o
Orkut.
Não estamos aqui para fazer apologia e nem desprezar o que significa o
Orkut para os internautas brasileiros. Os números dizem por si. O
Brasil tomou conta dessa rede. E, isso é inegável.
O Orkut é legal? O Orkut funciona. Estamos apenas vivendo a vida
eletrônica, horizontalista, sem hierarquia e autocrática com mais
intensidade que os países do chamado primeiro mundo. Estamos bem
preparados para a mudança de paradigma que está lentamente mudando a
cara de tudo. É interessante observar a rede crescendo. Não só os
amigos, mas os amigos dos amigos. Um monte de gente que costumamos
encontrar em listas de debates, em blogs ou na imensidão do espaço
informacional.
No entanto, linkar pessoas para estabelecer uma rede não é, exatamente,
a promessa da Internet. O fato de conhecer alguém não significa muita
coisa. A rede é dialética. E, isso significa que ela privilegia o
debate, as conversas e a ação comum. O Orkut é muito parado.
Estabelecer redes sociais implica em criar links de opiniões, idéias,
pensamentos e ações.
PS.
drica: Pontuo uma questão:
drica: essa descrição: Estabelecer redes sociais implica em criar links de opiniões, idéias, pensamentos e ações.
me: ahammmmm
drica: é tudo que o sistema
captalista cognitivo quer. isso significa que ao fazer isso, não
estaremos rompendo, ou criando outro e sim alargando. isso, é útil para
o sistema
me: sim... ao alargar vc entra na contradição do proprio capitalismo.
drica: é útil, hoje em dia, fazer redes dessa maneira, pois o maior valor gerado esta mesmo na "mercadoria conhecimento
"criatividade, exposição". Por outro lado, a linkania também se utiliza
dessas definições. mas produz efeitos outros, não esta querendo extrair
uma mais valia, mas produzir autonomia... produzir inteligência
coletiva, aberta, livre e que entra num outro paradigma.. a grande
QUESTÂO da qual nao temos respostas, mas temos posturas é:
O que vai, ou, como podemos trabalhar a favor da linkania (e seus
efeitos) e não na manutenção do sistema (e das suas desigualdades)?
Pois é, estamos no meio disso.. não temos ainda a resposta pronta,
alias, é esse o "chão próprio" que precisamos cosntruir.
me: pois eh.. temos pistas. muitas pistas, boas pistas...
[homem_máquina_protocolo]
Estive estudando um pouco de Flusser. Relembrei do McLuhan e das máquinas como extensão do homem. Flusser tem um insight legal.
as
fábricas são lugares onde sempre são produzidas novas formas de homens:
primeiro, o homem-mão, depois o homem-ferramenta, em seguida, o
homem-máquina e, finalmente, o homem-aparelhos-eletrônicos. Repetindo:
essa é a história da humanidade. A máquina distende a mão do homem
ao ponto do homem se tornar a máquina, ou a máquina se torna o homem.
Oras, tanto faz. Somos homem_computadores, homem_celulares,
homem_agendas_eletrônicas... somos homens.
Na verdade, nossa experiência no
MetaReciclagem
faz um link importante com esse pensamento. Pois, o limite da
apropriação tecnológica, numa abordagem mais conceitual, é a
constatação de que o desafio de lidar com a máquina (seja máquina
qualquer device) é ser a máquina. Brincamos com os games, desafiamos os
limites como se fôssemos os heróis. Programadores tem como objetivo
apenas criar um percurso rítmico para as mentes em ação.
Logo, o desafio está em romper a caixa preta. Quebrar os códigos que
nos desafiam. Decifrar os protocolos que controlam o sistema. É como se
estivéssemos em Matrix e, como um bom hacker, libertado pela pílula
vermelha. Somos livres para descobrir a arquitetura do sistema, estamos
livres para dominar os sistemas...
all your base are belong to us.
Parece que este é um insight utópico. Nossa! esse cara não percebeu que
a sociedade do controle tomou conta das nossas ações? Cadê a
privacidade? Nossos dados estão disponíveis na rede. E, a cada momento,
a sociedade se torna refém de um sistema homem_máquina_protocolo.
A promessa da Internet é o retorno da voz. Esse retorno se dá pela
apropriação da tecnologia e pelas inúmeras possibilidades de usar o
sistema homem_máquina_protocolo em benefício do sujeito e da
comunidade. O caminho do controle é o mesmo do que aquele proposto pela
liberdade. Temos, então, que mudar a abordagem, ou olhar de viés.
Guattari aponta para a relação paradoxal da sociedade de controle e da
liberdade. Ambas caminham no mesmo sentido, uma é contradição da outra.
Uma inércia entrópica:
La
société de contrôle est dominée par une sorte de pulsion déterministe
collective qui, paradoxalement, n'en est pas moins minée de l'intérieur
par une nécessité impérieuse de préserver un minimum de degrés de
liberté.
Este é o paradoxo. Explorar nas contradições do sistema. Pois, pela
necessidade de enfrentar a escassez do capitalismo, o sistema procura
aumentar a velocidade e a eficiência das suas relações, ou melhor, os
bancos precisam cada vez mais da rede para sobreviver, assim como, os
conglomerados de comunicação. Esse sistema é paradoxal e provoca a sua
própria contradição. Cria espaço para catalisar a liberdade.
Por outro lado, temos uma multidão que se alimenta destas contradições
e, que encontra na rede um ambiente propício para expressar a sua
potência. A multidão hiperconectada só se faz possível quando
entendemos a ruptura dos containeres que estabelecem o ser como um
sujeito múltiplo e engajado. A apropriação tecnológica possibilita o
compartilhamento de interesse comuns. As pessoas se aproximam. Criam e
recriam comununidades. As pessoas se juntam, estão linkadas pela ação
comum. Essa é a lógica da linkania.
A experiência da linkania tem ação descentralizadora. Possibilita o
link, ou o relacionamento, entre as multidões influenciando a
descentralização e a fragmentação do poder. Essa multidão é dialógica.
Conversa com o sistema homem_máquina_protocolo porque é também parte
desse sistema. A multidão emerge das relações entre pessoas. E, numa
sociedade em rede, as pessoas se interconectam e conversam entre si. As
pessoas se reconhecem nesse ambiente rompendo, assim, as hierarquias de
valores que impactam na dicotomia do controle e da liberdade.
[Tomanocu Day]
Tomanocu Day:
um dia de manifestações públicas de enorme desagrado com os
representantes arcaicos de instituições mofadas. O objetivo principal é
de recolher assinaturas suficientes para encaminhar um projeto de lei
que proíba o exercicio de mandato parlamentar a quem tenha uma
condenação na justiça. Os outros objetivos secundários são inúmeros e
diversos, que vão desde o soltar a voz até o puro desafogo emocional.
Vamos mandar tomar no cu o máximo possível de aproveitadores e
sanguessugas. Claramente inspirado, ou melhor, deslavadamente copiado
do Vaffanculo Day italiano.
via:
Lelex e pra quem não tem preconceito:
comunidade orkut
[Abstract hacktivism]
Indicação do
Miguel Caetano:
abstract hacktivism
- Este livro promete ser indispensável. Tem muito a ver com o que eu
escrevi na minha tese de mestrado. Para quem se interessa por
hacktivismo enquanto construção de novos mundos e possibilidades e não
tanto como desconstrução... sobre:
In recent years, designers, activists and businesspeople have started
to navigate their social worlds on the basis of concepts derived from
the world of computers and new media technologies. According to Otto
von Busch and Karl Palmås, this represents a fundamental cultural
shift. The conceptual models of modern social thought, as well as the
ones emanating from the 1968 revolts, are being usurped by a new
worldview.
Using thinkers such as Michel Serres, Gilles Deleuze and Manuel DeLanda
as a point of departure, the authors expand upon the idea that everyday
technologies are profoundly interconnected with dominant modes of
thought. In the nineteenth century, the motor replaced the clockwork as
the universal model of knowledge. In a similar vain, new media
technologies are currently replacing the motor as the dominant
'conceptual technology' of contemporary social thought. This
development, von Busch and Palmås argue, has yielded new ways of
construing politics, activism and innovation.
The authors embark on different routes to explore this shift. Otto von
Busch relates the practice of hacking to phenomena such as
shopdropping, craftivism, fan fiction, liberation theology, and Spanish
social movement YOMANGO. Karl Palmås examines how publications like
Adbusters Magazine, as well as business theorists, have adopted a
computer-inspired worldview, linking this development to the
dot.com
boom of the late 1990s. Hence, the text is written for designers and
activists, as well as for the general reader interested in cultural
studies.
[SubNews]
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Current email address:
sub...@googlegroups.com
--
Hernani Dimantas
WebLab | LIDEC | Escola do Futuro - USP
3091 6366 | 3091 9107
http://weblab.futuro.usp.br/
http://comunix.orghttp://del.icio.us/hdhd