SubNews [11]

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hernani dimantas

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Sep 29, 2007, 6:29:37 PM9/29/07
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SubNews [11]

1. Círculo quadrado - é a imagem do inimaginável
2. Links, redes sociais e a imensidão da web - temos pistas. muitas pistas, boas pistas...
3. homem_máquina_protocolo - o impacto na dicotomia do controle e da liberdade.
4. Tomanocu Day - soltar a voz até o puro desafogo emocional
5. Abstract hacktivism - construção de novos mundos e novas possibilidades


[Círculo quadrado]

o mistério real reside no fato que o mundo existe, e não o vazio
--
Heidegger


Quero gerar confusão. O mundo onde convivemos é louco, é anárquico, é utópico. É uma busca incessante pela liberdade humana. Nem que seja apenas na ficção. Nem que seja pela perspectiva de uma classe dominante. O sujeito busca no poder a salvação, mas tem como objetivo a libertação das garras autoritárias. Uma tensão constante do sujeito com a sociedade conservadora (ou aquela que quer preservar o poder). Será que não poderíamos viver sem essa balela? Numa sociedade caos-organizada? Homens devem ser comandados pelas forças espúrias dos poderosos? Muitas perguntas para poucas palavras. O sujeito tem discernimento do certo e do errado. E a partir desse conceito o homem deveria ser educado. Desde pequeno tínhamos que aprender a colaboração. Acho que estou sendo ingênuo demais! As notícias dos jornais me contradizem a cada instante. Mas se não mudarmos o âmago, não expurgaremos os noticiários sensacionalistas... A mídia faz a hora.

Afinal, a experiência virtual é pessoal. A apropriação tecnológica também é pessoal. Cada um tem uma viagem diferente. Uns brincam com computadores, outros preferem devices mais enxutos. No entanto, todos brincam a sério. E com essa seriedade encaro a rede como um consciente coletivo que funciona com regras diferentes das idiossincrasias convencionais. Não faz sentido tentar particionar a vida em containers do saber. Containers, aliás, estão sendo destruídos pela dinâmica da sociedade em rede.

A experiência viral brota na rede, ressalta os movimentos informais. De baixo para cima, sem descaracterizar o caos das comunidades interlinkadas. É uma escolha das pessoas comuns. E o engajamento destas pessoas faz a ponte à condução colaborativa dos projetos. Elas podem influenciar, recriar e modificar a idéia original, numa verdadeira euforia.

Esta é a proposta Hacker. Uma maior interação entre e inter comunidades de interesse. Aproveitar o fluxo de idéias para incentivar a criatividade e ordenar o caos em redes de inteligências coletivas. Mas, para isso acontecer, a comunidade tem que participar e promover o seu próprio desenvolvimento. As pessoas precisam estar engajadas em projetos de sua comunidade.

O círculo quadrado é a imagem do inimaginável. Um quebra cabeça desmontado. Peças jogadas, desmontadas. O céu se mistura com a água. A construção vira lama. As imagens recriam um novo desenho. Montam uma nova realidade. Na Web, a onda é a bricolage, a gambiarra. Desconstruímos o conhecimento em partes desconexas. E conectamos pela apropriação da plataforma tecnológica. Cada um busca sua verdade. E, essa verdade não é real. É apenas um caminho, um percurso para encontrar aquilo que nunca se imaginou. Não existe limite para o círculo quadrado.

[Links, redes sociais e a imensidão da web]

Quando pensamos em redes sociais logo nos vem à cabeça o Orkut. Não estamos aqui para fazer apologia e nem desprezar o que significa o Orkut para os internautas brasileiros. Os números dizem por si. O Brasil tomou conta dessa rede. E, isso é inegável.

O Orkut é legal? O Orkut funciona. Estamos apenas vivendo a vida eletrônica, horizontalista, sem hierarquia e autocrática com mais intensidade que os países do chamado primeiro mundo. Estamos bem preparados para a mudança de paradigma que está lentamente mudando a cara de tudo. É interessante observar a rede crescendo. Não só os amigos, mas os amigos dos amigos. Um monte de gente que costumamos encontrar em listas de debates, em blogs ou na imensidão do espaço informacional.

No entanto, linkar pessoas para estabelecer uma rede não é, exatamente, a promessa da Internet. O fato de conhecer alguém não significa muita coisa. A rede é dialética. E, isso significa que ela privilegia o debate, as conversas e a ação comum. O Orkut é muito parado. Estabelecer redes sociais implica em criar links de opiniões, idéias, pensamentos e ações.

PS.
drica: Pontuo uma questão:
drica: essa descrição: Estabelecer redes sociais implica em criar links de opiniões, idéias, pensamentos e ações.
me: ahammmmm
drica: é tudo que o sistema captalista cognitivo quer. isso significa que ao fazer isso, não estaremos rompendo, ou criando outro e sim alargando. isso, é útil para o sistema

me: sim... ao alargar vc entra na contradição do proprio capitalismo.

drica: é útil, hoje em dia, fazer redes dessa maneira, pois o maior valor gerado esta mesmo na "mercadoria conhecimento
"criatividade, exposição". Por outro lado, a linkania também se utiliza dessas definições. mas produz efeitos outros, não esta querendo extrair uma mais valia, mas produzir autonomia... produzir inteligência coletiva, aberta, livre e que entra num outro paradigma.. a grande QUESTÂO da qual nao temos respostas, mas temos posturas é:

O que vai, ou, como podemos trabalhar a favor da linkania (e seus efeitos) e não na manutenção do sistema (e das suas desigualdades)? Pois é, estamos no meio disso.. não temos ainda a resposta pronta, alias, é esse o "chão próprio" que precisamos cosntruir.

me: pois eh.. temos pistas. muitas pistas, boas pistas...

[homem_máquina_protocolo]

Estive estudando um pouco de Flusser. Relembrei do McLuhan e das máquinas como extensão do homem. Flusser tem um insight legal. as fábricas são lugares onde sempre são produzidas novas formas de homens: primeiro, o homem-mão, depois o homem-ferramenta, em seguida, o homem-máquina e, finalmente, o homem-aparelhos-eletrônicos. Repetindo: essa é a história da humanidade. A máquina distende a mão do homem ao ponto do homem se tornar a máquina, ou a máquina se torna o homem. Oras, tanto faz. Somos homem_computadores, homem_celulares, homem_agendas_eletrônicas... somos homens.

Na verdade, nossa experiência no MetaReciclagem faz um link importante com esse pensamento. Pois, o limite da apropriação tecnológica, numa abordagem mais conceitual, é a constatação de que o desafio de lidar com a máquina (seja máquina qualquer device) é ser a máquina. Brincamos com os games, desafiamos os limites como se fôssemos os heróis. Programadores tem como objetivo apenas criar um percurso rítmico para as mentes em ação.

Logo, o desafio está em romper a caixa preta. Quebrar os códigos que nos desafiam. Decifrar os protocolos que controlam o sistema. É como se estivéssemos em Matrix e, como um bom hacker, libertado pela pílula vermelha. Somos livres para descobrir a arquitetura do sistema, estamos livres para dominar os sistemas... all your base are belong to us.

Parece que este é um insight utópico. Nossa! esse cara não percebeu que a sociedade do controle tomou conta das nossas ações? Cadê a privacidade? Nossos dados estão disponíveis na rede. E, a cada momento, a sociedade se torna refém de um sistema homem_máquina_protocolo.

A promessa da Internet é o retorno da voz. Esse retorno se dá pela apropriação da tecnologia e pelas inúmeras possibilidades de usar o sistema homem_máquina_protocolo em benefício do sujeito e da comunidade. O caminho do controle é o mesmo do que aquele proposto pela liberdade. Temos, então, que mudar a abordagem, ou olhar de viés. Guattari aponta para a relação paradoxal da sociedade de controle e da liberdade. Ambas caminham no mesmo sentido, uma é contradição da outra. Uma inércia entrópica: La société de contrôle est dominée par une sorte de pulsion déterministe collective qui, paradoxalement, n'en est pas moins minée de l'intérieur par une nécessité impérieuse de préserver un minimum de degrés de liberté.

Este é o paradoxo. Explorar nas contradições do sistema. Pois, pela necessidade de enfrentar a escassez do capitalismo, o sistema procura aumentar a velocidade e a eficiência das suas relações, ou melhor, os bancos precisam cada vez mais da rede para sobreviver, assim como, os conglomerados de comunicação. Esse sistema é paradoxal e provoca a sua própria contradição. Cria espaço para catalisar a liberdade.

Por outro lado, temos uma multidão que se alimenta destas contradições e, que encontra na rede um ambiente propício para expressar a sua potência. A multidão hiperconectada só se faz possível quando entendemos a ruptura dos containeres que estabelecem o ser como um sujeito múltiplo e engajado. A apropriação tecnológica possibilita o compartilhamento de interesse comuns. As pessoas se aproximam. Criam e recriam comununidades. As pessoas se juntam, estão linkadas pela ação comum. Essa é a lógica da linkania.

A experiência da linkania tem ação descentralizadora. Possibilita o link, ou o relacionamento, entre as multidões influenciando a descentralização e a fragmentação do poder. Essa multidão é dialógica. Conversa com o sistema homem_máquina_protocolo porque é também parte desse sistema. A multidão emerge das relações entre pessoas. E, numa sociedade em rede, as pessoas se interconectam e conversam entre si. As pessoas se reconhecem nesse ambiente rompendo, assim, as hierarquias de valores que impactam na dicotomia do controle e da liberdade.

[Tomanocu Day]

Tomanocu Day: um dia de manifestações públicas de enorme desagrado com os representantes arcaicos de instituições mofadas. O objetivo principal é de recolher assinaturas suficientes para encaminhar um projeto de lei que proíba o exercicio de mandato parlamentar a quem tenha uma condenação na justiça. Os outros objetivos secundários são inúmeros e diversos, que vão desde o soltar a voz até o puro desafogo emocional. Vamos mandar tomar no cu o máximo possível de aproveitadores e sanguessugas. Claramente inspirado, ou melhor, deslavadamente copiado do Vaffanculo Day italiano.
via: Lelex e pra quem não tem preconceito: comunidade orkut



[Abstract hacktivism]

Indicação do Miguel Caetano: abstract hacktivism - Este livro promete ser indispensável. Tem muito a ver com o que eu escrevi na minha tese de mestrado. Para quem se interessa por hacktivismo enquanto construção de novos mundos e possibilidades e não tanto como desconstrução... sobre:

In recent years, designers, activists and businesspeople have started to navigate their social worlds on the basis of concepts derived from the world of computers and new media technologies. According to Otto von Busch and Karl Palmås, this represents a fundamental cultural shift. The conceptual models of modern social thought, as well as the ones emanating from the 1968 revolts, are being usurped by a new worldview.

Using thinkers such as Michel Serres, Gilles Deleuze and Manuel DeLanda as a point of departure, the authors expand upon the idea that everyday technologies are profoundly interconnected with dominant modes of thought. In the nineteenth century, the motor replaced the clockwork as the universal model of knowledge. In a similar vain, new media technologies are currently replacing the motor as the dominant 'conceptual technology' of contemporary social thought. This development, von Busch and Palmås argue, has yielded new ways of construing politics, activism and innovation.

The authors embark on different routes to explore this shift. Otto von Busch relates the practice of hacking to phenomena such as shopdropping, craftivism, fan fiction, liberation theology, and Spanish social movement YOMANGO. Karl Palmås examines how publications like Adbusters Magazine, as well as business theorists, have adopted a computer-inspired worldview, linking this development to the dot.com boom of the late 1990s. Hence, the text is written for designers and activists, as well as for the general reader interested in cultural studies.

[SubNews]
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Hernani Dimantas
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