SubNews [13] - na marcha lenta
1.
Domingo, 14 de outubro - o contexto para uma nova era
2.
Back to the 60's - careca ao vento
3.
Common Sense - encontrei esse textinho
4.
HeadMap - manifesto sobre o futuro
Domingo, 14 de outubro]
Domingo, 14 de outubro. Uma promessa de chuva prevalece no céu. O dia tá cinza.
Domingo, 14 de outubro. Véspera de segunda feira. Promessa de muito trabalho. Enfim, vencemos o medo.
Domingo, 14 de outubro. Promessa de ressaca. Estive em Piracicaba...
dia do agrônomo. No jubileu de prata. Turma de 82 ou 25 da formatura.
Foi bom! Muito bom, muito engraçado. Flashback... revival, bizarrice,
pouco choro, muita cerveja... churrasquinho tipo mimi... areie e
gradeie... encontrei uma mistura de emoção, amizade, velhos amores,
sentimentos que apontam para quem sou hoje. Legal é perceber que mesmo
após uma distância de tempo somos capazes de atualizar e conectar
conversas atuais; A memória se atualiza. A evolução criadora. Palavra
para Bergon
Com
efeito, falo de cada um dos meus estados como se formasse um bloco.
Digo, e com razão, que mudo, mas a mudança parece-me residir na
passagem de um estado a um estado seguinte: de cada estado, considerado
isoladamente, quero acreditar que continua sendo o que é durante todo o
tempo que se produz. Não obstante, um ligeiro esforço de atenção
revelaria-me que não há afecto, representação nem volição que não se
modifique a todo o momento; se um estado de alma deixa-se de variar, a
sua duração deixaria de transcorrer. Tomemos o mais permanente dos
estados internos, a percepção visual de um objecto exterior imóvel. O
objecto pode permanecer idêntico, e eu posso vê-lo desde o mesmo lado,
debaixo do mesmo ângulo, com a mesma luz: a visão que dele tenho difere
da que acabo de ter, nem que seja porque a visão envelheceu um
instante. Aí está a minha memória, que insere algo desse meu passado
neste presente. O meu estado de alma, ao avançar na rota do tempo,
cresce continuamente com a duração que recolhe; por outras palavras,
faz bola de neve consigo mesmo Pois é, meu velho!
Domingo, 14 de outubro. Reconectado... na marcha lenta.
[Back to the 60's]
Por que será que estamos tão anos 60?
A Internet é Hippie. Careca ao vento. As idéias fluem ao ritmo da
dietilamina do ácido lisérgico. É psicodélico.
Tenho uma teoria. Bem, não é uma teoria propriamente dita. Uma idéia. O
movimento Hippie é fruto do pensamento libertário que tomou conta do
século 20. A
cultura Hacker
faz parte deste pensamento, e nasceu efetivamente nas universidades
americanas. Onde o movimento se alastrou como fogo em palha. Nomes
diferentes para idéias semelhantes. E viva a contra cultura.
E mais, a Web é altamente artística. O trabalho do artesão se espalha
no HTML. Juntando as novidades, peças do quebra cabeças que se reúnem
numa nova forma e significado. Tudo colado pela imaginação. Imagens,
poesias, contos, fatos e fotos. Mostrando caminhos tortuosos do
espirito humano. Realçando o belo, o romântico e o diferente.
Voltamos 40 anos.
Negroponte
explica isso muito bem. A tecnologia que usamos massivamente atualmente
foram, na verdade, criadas pelos idos de 1960/70. Então, revivemos o
pretérito do presente. E percebemos que a tendência é real. Nos
próximos anos repercutiremos o conhecimento adquirido nesta fase de
transformação. Dá pra imaginar um mundo melhor. Não dá?
[Common sense]
Felipe Fonseca enviou um email sobre a
SubNews 12. Ele diz:
Só
não sei quanto ao Weinberger. Quando ele fala em common sense, é
americanismo demais. Não a expressão em si, mas a mitologia do Thomas
Paine: Common Sense Pamphlet.
Realmente, do ponto de vista do velho panfleto, a idéia de common sense
se faz pela institucionalização de idéias, regras e, palavras de ordem.
O pensamento do Weinberger vai por outro caminho. Uma outra forma para
lidar com essa idéia de comum. Encontrei esse
textinho:
By "common sense" I mean the set of values and rules that are so
obvious that we don't even think about them. For example, if your
rocking chair has caught a dog's tail under the runner, you lean
forward to free the tail. If someone wants to argue about this --
seriously argue -- we will think, quite properly, that this person is
significantly out of step with our culture.
Now, take our current world, viewed through common sense, and remove
space and matter, and thus many of the laws of physics. Change the
rules of the world and what was once common sense now makes no sense.
That's why the Web is so puzzling so often. It's lacking common sense.
Elements of the new common sense include:
* Content ought to be free.
* Strangers are fun.
* We are fallible.
* Be generous with advice.
* Be direct.
* Real genius requires a group.
* Humorlessness is pathological.
* Digressions are essential.
Da minha parte, esses conceitos me atendem. Mas não me completa. Negri e Hardt tratam desse tema:
The
production of ideas, images, and knowledges is not only conducted in
common - no one really thinks alone, all thoughts is produced in
collaboration with the past and present thought of others - but also
each new idea and image invites and opens new collaborations. The
production of languages, finally, both natural languages and artificial
languages, such a computer languages and various kinds of code, is
always collaborative and always creates new means of collaboration. In
all these ways, in immaterial production the creation of cooperation
has become internal to labor and thus external to capital. [Negri &
Hardt, Multitude, 147] Isso faz o link, não?
Vivemos o paradigma da emergência de uma nova genealogia. Conceitos
como comum e moral estão em ebulição. Não é mais necessário uma
instituição levantar alguma bandeira. Existem formas mais produtivas de
estabelecer novas relações. O presente é passagem, transição,
movimento. Não há mais necessidade de operar a mudança social, ela se
faz permanente... em rede.
[HeadMap]
O manifesto Headmap não é apenas uma idéia geek sobre o futuro das
conexões... É uma particular combinação entre redes wifis livres e
abertas para a ser usado por qualquer aparelhinho. Não é apenas uma
inovação tecnológica. É uma inovação social.
O site original do manifesto deve estar desativado. Encontrei parte manifesto
aqui. São 115 páginas de muita conectividade...
SubNews
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Hernani Dimantas
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