SubNews [07]

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hernani dimantas

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Sep 1, 2007, 2:04:44 PM9/1/07
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SubNews [07]

Índice

1. Movimento silencioso
2. Falso debate
3. Power Laws
4. Sealand
5. Suporte Opensource
6. Radio Revolution
7. Donos de nada

[Movimento silencioso]

As vezes passo horas pensando nas minhas próprias idéias. E esqueço que outras pessoas também tem idéias. Se outras pessoas tem idéias. Boas idéias. Por que não utilizá-las para destrinchar o emaranhado de complexidades do meu pensar. Conhecimento livre é um atalho para o sucesso do coletivo.

Mas qual é o significado disso para o meu cotidiano? Continuo vivendo num mundo que valoriza o material antes do humano. Frases como: Não é possível viver sem dinheiro ou o dinheiro move o mundo são contrapontos fortíssimos ao conhecimento livre. Uma sociedade mercantilista, capitalista, financista e conformista aponta para o direito de propriedade como um norte magnético. A direção da agulha é sempre a mesma. Bala na cabeça da sociedade marginal.

É nesse ponto que enxergo as diferenças. Um mundo proprietário tende a desmoronar. Num desandar coeso. Um movimento silencioso rumo ao declínio do império americano.

Com tantos baluartes contrários, minha teimosia emerge do caos interno. A revolução reformata a vida. Liberdade para inovar. Liberdade para teimar.

[Falso debate]

Um debate entitulado "Responsabilidade e Conteúdo Digital" promovido pelo estadão só pode ser considerado piada. O estadão fez uma campanha furada contrapondo o conteúdo responsável publicado, redigido e editado por profissionais (normalmente, jornalistas recém formados) e os blogs. Alguns se sentiram ofendidos. Talvez pelo fato que estão buscando no mesmo espaço informacional a repercussão das vozes. Um debate esquizofrênico onde um quer ser o outro e o outro quer ser um blogueiro.

Edney Souza, do blog InterNey.net, diz "Quando alguém faz piada de português, o português não acha graça", A apresentação de Edney como um blogueiro que vive de blog há dois anos não acrescenta nada a esse debate. O Edney é um cara legal. Blogueiro desde quando a blogosfera era alegre. Ou, como diz Mr. Manson... o blog moleque, onde a arte da criação era mais importante que os tostões. Edney virou um case. E, talvez por isso tenha uma responsabilidade de se manter como tal. Eu, particularmente, acho que o Edney escolheu o pior dos caminhos pois transformou o interney num mar de publicidade, de adsense e links para o mercado livre.

Não vou nem comentar a afirmação do Carlos Merigo - "Acho saudável a discussão sobre a qualidade da informação" (...) "Mas a campanha reforça o estereótipo de que blog é coisa de adolescente ocioso. Lutamos todo dia para ganhar credibilidade. A mensagem que eu percebi foi: não leiam os blogs, porque o blogueiro é um macaco que só copia informações." - Essa afirmação é completamente datada. A afirmação é contrária, a grande imprensa busca nos blogs uma fonte de inspiração.

O mais engraçado dessa estória é ver o João Levi, da Talent dizer que "Não tem porque não corrigir alguns detalhes da campanha, mas a essência é essa mesma", pois se fosse meu fornecedor de propaganda eu buscaria outro. A talent vendeu a sutileza de um elefante furioso.

Outra afirmação pamonha foi do presidente do Interactive Advertising Bureau Brasil, Osvaldo Barbosa de Oliveira, que disse que existe uma espécie de seleção natural na internet, que, com o tempo, acaba criando a credibilidade. "Se seu conteúdo é ruim, seu blog vai morrer." Cara, você precisa ler um pouco mais. Talvez o Taz, do Hakim Bey pode te trazer alguma luz. Blog convive com a impermanência. Os blogs são criados para morrer. Não existe o objetivo da sobrevivência eterna.

Outra afirmação que se deve ignorar é do professor Gilson Schwartz. Sinceramente, não sei exatamente o que ele fazia no debate. Simpático não é aplacar os macacos raivosos, alias, esse debate de macacos está sendo tema na blogosfera desde a publicação do livro The Cult of the Amateur, de Andrew Keen, que critica a blogosfera e suas raízes amadoras. Creio que esse tema foi a fonte inspiradora do João Levi. Ele, no entanto, mirou o lado errado da estória. A blogosfera emerge. É o poder da multidão ecoando as vozes das pessoas comuns.

Bem, a única manifestação lúcida vem de Pedro Doria, colunista do Estadão: "Falta impacto e relevância na internet brasileira", Ele destacou que, em outros países, a blogosfera é capaz de derrubar integrantes importantes do governo. "Essas coisas ainda não acontecem no Brasil." Pois é, estamos preocupados em fazer da blogosfera um remendo da mídia de massa. O importante não é se bancar como blogueiro. A importância dos blogs está no protagonismo e nas possibilidades que se abrem na criação de projetos pessoais.

[Power Laws]

Bem, não adianta apenas criticar. Nos comentários o Edney me chamou para a conversa HD, queria convidá-lo a aproveitar o espaço do Metapub no InterNey Blogs e falar qual seria o melhor dos caminhos pra um blog Achei ótimo. O Edney é aliado.

O interney.net é um caso importante. O Edney conseguiu o que todo blogueiro quer, viver de blog. Ele é um hub no sistema. A pergunta do Clay Shirky é pertinente: Is the inequality fair? Ele aponta 4 motivos que explicam que esse desequilibrio de forças na rede são quase sempre justos.

1. The first, of course, is the freedom in the weblog world in general. It costs nothing to launch a weblog, and there is no vetting process, so the threshold for having a weblog is only infinitesimally larger than the threshold for getting online in the first place.

2. The second is that blogging is a daily activity. As beloved as Josh Marshal(TalkingPointsMemo.com) or Mark Pilgrim (DiveIntoMark.org) are, they would disappear if they stopped writing, or even cut back significantly. Blogs are not a good place to rest on your laurels.

3. Third, the stars exist not because of some cliquish preference for one another, but because of the preference of hundreds of others pointing to them. Their popularity is a result of the kind of distributed approval it would be hard to fake.

4. there is no real A-list, because there is no discontinuity. Though explanations of power laws (including the ones here) often focus on numbers like "12 percent of blogs account for 50 percent of the links", these are arbitrary markers. The largest step function in a power law is between the
Number One and Number Two positions, by definition. There is no A-list that is qualitatively different from their nearest neighbors, so any line separating more and less trafficked blogs is arbitrary.

Essa topologia de rede explica a atração do pessoal de marketing. Na verdade, esse é um debate que começa em 1999. Bem, é aquele papo dos mercados são conversações. Essas conversações em rede formam nós, hubs e linkania. E, quem quiser sobreviver vai ter que aprender as regras desse novo mercado.

Estamos vendo no caso de interney uma novidade. Um blog se torna um canal de marketing importante. Imagine 1000, 10.000, 100.000 blogs vendendo propagandas. O adsense é isso. Apreveita o canal que emerge na rede.

No entanto, esse hub só é considerado hub quando ele cria uma reputação nessa rede. A tendência para aqueles que exageram na propaganda, ou seja, banner de adsense, mercado livre e o escumbau por todo o site, inclusive entre comentários, vão gastar a reputação conquistada. Reputação essa que ajudou o blog a ser um hub. Não digo que o interney está perdendo reputação. Pelo contrário, o Edney tem sido íntegro. E, sendo o primeiro goza de uma reputação extra. Eu me preocupo com os seguidores.

[Sealand]

Um projeto pirata: A história do "principado soberano" de Sealand está cheia de episódios rocambolescos e até hoje o território continua a ser um caso problemático de Direito Internacional Público no âmbito de disputas territoriais. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha decidiu estabelecer uma série de fortalezas marítimas ao longo da costa leste da Inglaterra com vista a defender-se dos ataques aéreos alemães. Estas plataformas eram capazes de abrigar um número suficiente de tropas e armas para atacar os aviões e mísseis alemães. Uma dessas bases chamava-se Roughs Tower(...) Em 1968, depois de tentativas da Marinha britânica no sentido de demolir a Roughs Tower, um tribunal daquele país sentenciou que não tinha soberania fora do território nacional britânico, não podendo forçar Bates e a sua família a abandonar o local. Deste modo, o Principado de Sealand constituiu-se a partir de uma situação de facto, a partir de um facto consumado e sem o reconhecimento legal (situação de jure). Em 1975 Bates elaborou uma constituição para Sealand. Nos anos seguintes, a micro-nação adquiriu hino, bandeira, moeda e passaporte próprios.(...) Mais recentemente, Sealand ficou famoso porque a empresa HavenCo, especializada no alojamento de servidores, adquiriu em 2000 a posse e o controle do principado a Roy Bates. Os fundadores da HavenCo, um grupo de cypherpunks libertários defensores da privacidade, pretendiam criar o único abrigo seguro de dados em todo o mundo para proprietários de sites bastante ciosos da sua segurança. O Sealand funcionaria assim como um data haven, disponibilizando privacidade e anonimato absolutos em troca de pelo menos 1500 dólares mensais. A companhia, que ganhou projecção pública com um artigo na Wired que foi até capa da revista em Julho de 2000, garantia a liberdade de expressão para todos os utilizadores dos seus servidores, apenas proibindo que estes fossem empregues para spam, ataques contra redes e pornografia infantil.

[Suporte Opensource]

Jonathan rocks. He replied within minutes to a question I had posted on drupal.org, and when we contracted him to customize a module for us, he delivered the results within one working day. His speed, professionalism, and friendly attitude were impressive. I'd love to have the opportunity to work with him in the future. - Tobias Ratschiller, creator of phpMyAdmin

Essa abordagem sobre o suporte opensource é importante quando pensamos num modelo de gestão autônomo e descentralizado. Ou, o que costumo chamar de operação pirata. O suporte técnico de softwares ou de projetos colaborativos são operacionados de forma diferente do que as empresas estão acostumadoas. Pois, lidar com redes sociais pressupõe-se uma visão da comunidade que é invisível para quem está fora. É muito sútil esse relacionamento. Exige confiança, compromisso e reputação.

Clay Shirky, nesse vídeo, faz uma apresentação do que significa o suporte opensource. Explica como o impacto das redes sociais modificam a dinâmica básica dos negócios e da criatividade coletiva.


[Radio Revolution]

Para quem trabalha com projetos de tecnologia social, inclusão digital e webeducação vale a pena ler Radio Revolution. Paper de 2003, de Kevin Werbach; Radio Revolution (New America Foundation working paper, December 2003)

"Internet access opens the door to educational, informational, job-related, benefits, health, and other materials. However, the costs of wiring lowincome facilities such as public housing complexes Radio Revolution has traditionally been prohibitive, given that most residents cannot afford to pay typical monthly broadband prices. WiFi is one answer." Kevin Werbach | Radio Revolution

[Donos de nada]

Não somos donos de nada. O conhecimento é livre. O ser humano que é besta. Pensa que pode mais do que o corpo. Logo, esse debate sobre propriedade, direitos autorais não está acontecendo por acaso. Estamos no limite. A entrada da internet vem romper exatamente o paradigma do poder. Descentralizar o poder é muito mais efetivo do que a noção da democracia. O caos e a incerteza são variáveis reais. Precisamos saber conviver com esse desconhecido. A descentralização não é uma equação de segundo grau. Exige o reconhecimento de que somos humanos, que amamos, que odiamos, que erramos e acertamos. E continuamos humanos nas nossas idiossincrasias. Reconhecer que somos tudo isso já é um grande passo. Perceber que nossas idéias não são tão verdades, que somos esquizofrênicos. Acordamos um e dormimos outros. E, como diz Toni Negri temos uma multidão dentro de nós. Entender isso, e entender como essa multidão se relaciona internamente nos facilita reconhecer o outro.

SubNews [a zine do subcomandante]
de Hernani Dimantas

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Hernani Dimantas
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