SubNews 14 - no enclave pirata

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hernani dimantas

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Oct 28, 2007, 3:13:13 PM10/28/07
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SubNews 14 - no enclave pirata

1. Cena 1 - Rock_the_casbah.mp3
2. Cena 2 - da história_da_bandeira_negra
3. Cena 3 - Pela grande justiça
4. Cena 4 - Corte, Recorte e Cole.
5. Cena 5 - A resistência é uma realidade inequívoca.
6. Excerpts - This is piracy.

Cena 1 – musica ao fundo Rock_the_casbah. mp3 - torrents

O sol está baixando no horizonte. Dia, quase noite. É no lusco-fusco que os piratas navegam em busca do ouro. Moedas, comida, pilhagem em geral. Uma sociedade que se contrapõe ao império mercantilista. Uma forma de sobrevivência que denuncia as injustiças e contradições do sistema imperial. Ou, como sugere Mano Brown, são comerciantes. Não é possível fazer um julgamento daquilo que emerge de uma dessas contradições. Hollywood só existe como tal porque os 'piratas' da indústria cinematográfica buscaram se desenvolver num enclave longe da garra dos cobradores de patentes de Thomas Edison.

Uma viagem que o tempo não curou. Hoje Hollywood esqueceu seu passado rebelde. Hollywood é sistema. Uma máquina de arrecadação. Que pilham da consciência à última flor da aurora. Agora, os outros são piratas. Que tiram dos ricos e, que distribuem entre os piratas da vida, que cercados pelo oceano do conhecimento, lançam tiros de festim contra os alvos imóveis do poder imperial.

Piratas eram vistos como rebeldes, espíritos livres, e muitas vezes como assassinos sangue frio. Cabe dizer que a vida num navio pirata era, com certeza, muito mais democrática do que na Marinha da época -- sem contar navios marcantes.

Piratas, hoje, são vândalos cibernéticos. Sabe, aquele garotinho de de 9 anos, que gosta de ouvir músicas do High School Music, da Disney (empresa que tem na sua origem a apropriação dos contos dos irmãos Grimm). Esse garotinho comete um crime quando baixa uma música em mp3 pelo kazaa, emule, torrents ou qualquer outra ponta da rede. No entanto, esse ato pode ser chamado de compartilhamento.

Cena 2All Your Base ao fundo. Som alto na caixa.

Uma caravela navega. Bandeira hasteada. Preta com o símbolo da caveira.

Para piratas a bandeira negra um símbolo de morte; a reprensentação sendo a caveira e os ossos no preto. Um sinal equivalente há "se renda ou morra!" A intenção era assustar as vítimas fazendo-as se renderem sem luta. Isso funcionava de forma muito parecida nos exercitos de Genghis Khan.

(...) Enquanto Khan, Quantril ou Santa Anna não eram conectados com anarquia de jeito algum -- piratas, ao contrário, são mais complicados, eles eram vistos como rebeldes sem um estado, tendo aliança a nenhum código de lei exceto aquele que eles improvisam entre sí mesmos. Certamente piratas não eram concientemente anarquistas e as vezes agiam como bárbaros. Mas o importante é como eles eram vistos. Seu símbolo era a encorporação da falta de lei e rebelião, eles eram odiados pelos dominantes. E continuam sendo. Piratas cibernéticos (não estou fazendo referência as máfias que copiam CDs e DVDs e revendem pela trama de camelôs sobreviventes) buscam nos becos da rede uma forma de compartilhar arquivos. Estão mais empolgados na catalisação do conhecimento livre, na ruptura do sistema capitalista do que encontrar o seu botim.


A bandeira preta é a negação de todas as bandeiras. É a negação da nação, que bota a raça humana contra ela mesma e recusa a união de toda a humanidade. Preto é o humor da raiva e odio a todos os crimes contra a humanidade feitos no nome de um estado ou outro. É raiva e odio ao insulto à inteligencia humana feitos em pretências, hipocrisias e baratas caridades dos governos. Então preto é negação, é raiva, é odio, é lamentação, é beleza, é esperança, é o nascimento de novas formas de vida e o relacionamento com a mãe terra. A bandeira negra significa tudo isso, estamos orgulhosos de carrega-las, e olhar para o dia em que esse símbolo não vai mais ser necessário

copy & paste & remix: história_da_bandeira_negra

Cena 3Psyco Killer

Computador na ativa. Um geek tecla rapidamente. Havia descoberto um bug no sistema. Sua curiosidade descomunal faz dele um explorador de novos mundos. Busca o conhecimento escondido nas linhas criptografadas de programação. Pela grande justiça.

'Cibernética ' vem do grego, 'kubernetes', piloto. A origem helênica dessa palavra é importante enquanto reflete as tradições socrático-platônicas de independência e autoconfiança individual. Quando traduzida para o latim, porém, a palavra grega surge como 'gubernaetes'. O verbo básico 'gubernare' significa controlar as ações ou conduta, dirigir, exercitar a autoridade, submeter, comandar. Esse conceito romano é obviamente muito diferente da noção helênica do 'piloto'. A palavra 'cibernética ' foi cunhada em 1948 por Norbert Wiener, que escreveu: 'Decidimos chamar todo o campo da teoria do controle e da comunicação, que se trate de máquina ou animal, pelo nome de cibernética , que formamos a partir da palavra grega 'timoneiro'. Wiener e os engenheiros romanos corromperam o significado da palavra 'ciber'. A palavra grega 'piloto' transforma- se em 'governador' ou 'diretor', o termo 'guiar' se torna 'controlar'. Cumpre libertar o termo, reetimologizá-lo, redirigi-lo a um conceito auto-poético. A palavra 'governética' se refere a uma atitude de controle-obediência em relação a si próprio e aos outros. Os termos 'pessoa cibernética ' ou 'cibernauta' nos fazem retornar ao significado original de 'piloto'. Essas palavras (e mais o termo pop 'ciberpunk') se referem à personalização da tecnologia de informação-conhecimento, ao pensamento inovativo da parte do indivíduo. Tais expressões podem descrever um novo tipo de modelo de ser humano e uma nova ordem social.

'Ciberpunk' é uma terminologia popular, que pode ser aceita num sentido tolerante de humor 'high-tech', uma granada-significado atirada contra as barricadas conservadoras da linguagem. O cibernauta ou 'ciberpnk' é o piloto que pensa claa e criativamente, usando aplicações quântico-eletrônicas e know-how cerebral, o novo, atualizado modelo de ponta do século 21. Homo sapiens sapiens ciberneticus. O modelo clássico do Velho Mundo ocidental para o 'ciberpunk' é Prometeu, um gênio tecnológico que 'roubou' o fogo dos deuses e deu- o à humanidade

(...) Os 'ciberpunks' são os inventores, escritores inovadores, artistas tecnofronteiriços, diretores de filmes de risco, compositores da mutação icônica, livre-cientistas tecnocriativos, visionários dos computadores, 'hackers' elegantes, videomagos, todos aqueles que ousadamente armazenam e guiam idéias para lá onde os pensamentos nunca chegaram antes 'through seas never sailed before' [Timothy Leary em Do caos ao espaço liberal, por Augusto de Campos, Mais! - caderno da Folha de São Paulo. p.10-11, 09 nov. 2003.]

Cena 4 - Corte. Recorte. Cole uma frase de efeito

"More than any time in history mankind faces a crossroad. One path leads to despair and utter hopelessness; the other to total extinction. Let us pray that we have the wisdom to choose correctly." [Woody Allen]

Cena 5 - Música de supermercado (qualquer uma)

Existe um ponto cego nessa estória de pirataria. As empresas de software sempre utilizaram a pirataria como canal de marketing para a difusão de seus produtos. Isto é claro na estratégia da M$. Pirataria significa atalho para a padronização.

Logo, os maiores piratas são aqueles que se valem dos mercados para a imposição de regras e softwares. São as gravadoras que miram os lucros apenas e não percebem que a revolução do MP3 é uma via sem retorno. Será que não percebem que os mercados estão em mutação?

Debater a pirataria é perda de tempo. Temos opções mais inteligentes para forçar as empresas a trabalharem com mais transparência e justiça. Afinal, o poder está migrando para as mãos das pessoas comuns. A resistência é uma realidade inequívoca.

Excerpts: This is from an email that was purported to be a transcript of a speech by Courtney Love. If it's not, it's still enlightening.

What is piracy? Piracy is the act of stealing an artist's work without any intention of paying for it. I'm not talking about Napster-type software.

The system's set up so almost nobody gets paid.

That's great. I own my name, and should be able to do what I want with my name.

Story after story gets told about artists -- some of them in their 60s and 70s, some of them authors of huge successful songs that we all enjoy, use and sing -- living in total poverty, never having been paid anything. Not even having access to a union or to basic health care. Artists who have generated billions of dollars for an industry die broke and un-cared for.

And they're not actors or participators. They're the rightful owners, originators and performers of original compositions. This is piracy.

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Hernani Dimantas
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