SubNews 14 - no enclave pirata
1.
Cena 1 - Rock_the_casbah.mp3
2.
Cena 2 - da história_da_bandeira_negra
3.
Cena 3 - Pela grande justiça
4.
Cena 4 - Corte, Recorte e Cole.
5.
Cena 5 - A resistência é uma realidade inequívoca.
6.
Excerpts - This is piracy.
Cena 1 – musica ao fundo Rock_the_casbah. mp3 -
torrents
O sol está baixando no horizonte. Dia, quase noite. É no lusco-fusco
que os piratas navegam em busca do ouro. Moedas, comida, pilhagem em
geral. Uma sociedade que se contrapõe ao império mercantilista. Uma
forma de sobrevivência que denuncia as injustiças e contradições do
sistema imperial. Ou, como sugere Mano Brown, são comerciantes. Não é
possível fazer um julgamento daquilo que emerge de uma dessas
contradições. Hollywood só existe como tal porque os 'piratas' da
indústria cinematográfica buscaram se desenvolver num enclave longe da
garra dos cobradores de patentes de Thomas Edison.
Uma viagem que o tempo não curou. Hoje Hollywood esqueceu seu passado
rebelde. Hollywood é sistema. Uma máquina de arrecadação. Que pilham da
consciência à última flor da aurora. Agora, os outros são piratas. Que
tiram dos ricos e, que distribuem entre os piratas da vida, que
cercados pelo oceano do conhecimento, lançam tiros de festim contra os
alvos imóveis do poder imperial.
Piratas eram vistos como rebeldes, espíritos livres, e muitas vezes
como assassinos sangue frio. Cabe dizer que a vida num navio pirata
era, com certeza, muito mais democrática do que na Marinha da época --
sem contar navios marcantes.
Piratas, hoje, são vândalos cibernéticos. Sabe, aquele garotinho de de
9 anos, que gosta de ouvir músicas do High School Music, da Disney
(empresa que tem na sua origem a apropriação dos contos dos irmãos
Grimm). Esse garotinho comete um crime quando baixa uma música em mp3
pelo kazaa, emule, torrents ou qualquer outra ponta da rede. No
entanto, esse ato pode ser chamado de compartilhamento.
Cena 2 –
All Your Base ao fundo. Som alto na caixa.
Uma caravela navega. Bandeira hasteada. Preta com o símbolo da caveira.
Para piratas a bandeira negra um símbolo de morte; a reprensentação
sendo a caveira e os ossos no preto. Um sinal equivalente há "se renda
ou morra!" A intenção era assustar as vítimas fazendo-as se renderem
sem luta. Isso funcionava de forma muito parecida nos exercitos de
Genghis Khan.
(...) Enquanto Khan, Quantril ou Santa Anna não eram conectados com
anarquia de jeito algum -- piratas, ao contrário, são mais complicados,
eles eram vistos como rebeldes sem um estado, tendo aliança a nenhum
código de lei exceto aquele que eles improvisam entre sí mesmos.
Certamente piratas não eram concientemente anarquistas e as vezes agiam
como bárbaros. Mas o importante é como eles eram vistos. Seu símbolo
era a encorporação da falta de lei e rebelião, eles eram odiados pelos
dominantes. E continuam sendo. Piratas cibernéticos (não estou fazendo
referência as máfias que copiam CDs e DVDs e revendem pela trama de
camelôs sobreviventes) buscam nos becos da rede uma forma de
compartilhar arquivos. Estão mais empolgados na catalisação do
conhecimento livre, na ruptura do sistema capitalista do que encontrar
o seu botim.
A bandeira preta é a negação de todas as bandeiras. É a negação da
nação, que bota a raça humana contra ela mesma e recusa a união de toda
a humanidade. Preto é o humor da raiva e odio a todos os crimes contra
a humanidade feitos no nome de um estado ou outro. É raiva e odio ao
insulto à inteligencia humana feitos em pretências, hipocrisias e
baratas caridades dos governos. Então preto é negação, é raiva, é odio,
é lamentação, é beleza, é esperança, é o nascimento de novas formas de
vida e o relacionamento com a mãe terra. A bandeira negra significa
tudo isso, estamos orgulhosos de carrega-las, e olhar para o dia em que
esse símbolo não vai mais ser necessário
copy & paste & remix:
história_da_bandeira_negra
Cena 3 –
Psyco Killer
Computador na ativa. Um geek tecla rapidamente. Havia descoberto um bug
no sistema. Sua curiosidade descomunal faz dele um explorador de novos
mundos. Busca o conhecimento escondido nas linhas criptografadas de
programação. Pela grande justiça.
'Cibernética ' vem do grego, 'kubernetes', piloto. A origem helênica
dessa palavra é importante enquanto reflete as tradições
socrático-platônicas de independência e autoconfiança individual.
Quando traduzida para o latim, porém, a palavra grega surge como
'gubernaetes'. O verbo básico 'gubernare' significa controlar as ações
ou conduta, dirigir, exercitar a autoridade, submeter, comandar. Esse
conceito romano é obviamente muito diferente da noção helênica do
'piloto'. A palavra 'cibernética ' foi cunhada em 1948 por Norbert
Wiener, que escreveu: 'Decidimos chamar todo o campo da teoria do
controle e da comunicação, que se trate de máquina ou animal, pelo nome
de cibernética , que formamos a partir da palavra grega 'timoneiro'.
Wiener e os engenheiros romanos corromperam o significado da palavra
'ciber'. A palavra grega 'piloto' transforma- se em 'governador' ou
'diretor', o termo 'guiar' se torna 'controlar'. Cumpre libertar o
termo, reetimologizá-lo, redirigi-lo a um conceito auto-poético. A
palavra 'governética' se refere a uma atitude de controle-obediência em
relação a si próprio e aos outros. Os termos 'pessoa cibernética ' ou
'cibernauta' nos fazem retornar ao significado original de 'piloto'.
Essas palavras (e mais o termo pop 'ciberpunk') se referem à
personalização da tecnologia de informação-conhecimento, ao pensamento
inovativo da parte do indivíduo. Tais expressões podem descrever um
novo tipo de modelo de ser humano e uma nova ordem social.
'Ciberpunk' é uma terminologia popular, que pode ser aceita num sentido
tolerante de humor 'high-tech', uma granada-significado atirada contra
as barricadas conservadoras da linguagem. O cibernauta ou 'ciberpnk' é
o piloto que pensa claa e criativamente, usando aplicações
quântico-eletrônicas e know-how cerebral, o novo, atualizado modelo de
ponta do século 21. Homo sapiens sapiens ciberneticus. O modelo
clássico do Velho Mundo ocidental para o 'ciberpunk' é Prometeu, um
gênio tecnológico que 'roubou' o fogo dos deuses e deu- o à humanidade
(...) Os 'ciberpunks' são os inventores, escritores inovadores,
artistas tecnofronteiriços, diretores de filmes de risco, compositores
da mutação icônica, livre-cientistas tecnocriativos, visionários dos
computadores, 'hackers' elegantes, videomagos, todos aqueles que
ousadamente armazenam e guiam idéias para lá onde os pensamentos nunca
chegaram antes 'through seas never sailed before' [Timothy Leary em Do
caos ao espaço liberal, por Augusto de Campos, Mais! - caderno da Folha
de São Paulo. p.10-11, 09 nov. 2003.]
Cena 4 - Corte. Recorte. Cole uma frase de efeito
"More than any time in history mankind faces a crossroad. One path
leads to despair and utter hopelessness; the other to total extinction.
Let us pray that we have the wisdom to choose correctly." [Woody Allen]
Cena 5 - Música de supermercado (qualquer uma)
Existe um ponto cego nessa estória de pirataria. As empresas de
software sempre utilizaram a pirataria como canal de marketing para a
difusão de seus produtos. Isto é claro na estratégia da M$. Pirataria
significa atalho para a padronização.
Logo, os maiores piratas são aqueles que se valem dos mercados para a
imposição de regras e softwares. São as gravadoras que miram os lucros
apenas e não percebem que a revolução do MP3 é uma via sem retorno.
Será que não percebem que os mercados estão em mutação?
Debater a pirataria é perda de tempo. Temos opções mais inteligentes
para forçar as empresas a trabalharem com mais transparência e justiça.
Afinal, o poder está migrando para as mãos das pessoas comuns. A
resistência é uma realidade inequívoca.
Excerpts:
This is from an email that was purported to be a transcript of a speech by Courtney Love. If it's not, it's still enlightening.
What is piracy? Piracy is the act of stealing an artist's work without
any intention of paying for it. I'm not talking about Napster-type
software.
The system's set up so almost nobody gets paid.
That's great. I own my name, and should be able to do what I want with my name.
Story after story gets told about artists -- some of them in their 60s
and 70s, some of them authors of huge successful songs that we all
enjoy, use and sing -- living in total poverty, never having been paid
anything. Not even having access to a union or to basic health care.
Artists who have generated billions of dollars for an industry die
broke and un-cared for.
And they're not actors or participators. They're the rightful owners,
originators and performers of original compositions. This is piracy.
SubNews
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sub...@googlegroups.com
--
Hernani Dimantas
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