SubNews 16

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May 13, 2009, 10:23:50 AM5/13/09
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SubNews 17
zine do subcomandante
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[Índice]

1. [Por um pouco de preguiça]
2. [Pensador selvagem]
3. [O fim da caixa preta]
4. [Atores en rede]
4. [Dica de leitura]
5. [Disclaimer]

versão web: SubNews [16]


[Por um pouco de preguiça]

Em que Medida o Homem Ativo é Preguiçoso? "a preguiça, que jaz no
fundo da alma do homem ativo, impede-o de tirar água do seu próprio
poço." (1) O preguiçoso morre de sede. E, talvez, a sede seja o que
impulsiona o homem ativo a buscar a sua potência. Efeito 'tostines'
que não nos leva a lugar algum.

O que me levou a pensar na preguiça? Sinto-me preguiçoso! Não blogo
com tanta frequência. Não tenho o twitter como algo muito além do
jardim. Mais uma ferramenta que ajuda a coisificar o que deveria ser
apenas chamado de conversação. A web é sobre isso: conversação entre
seres humanos, criação de espaços informacionais, emergência de
comunidades, facilitação da relação do homem com o sistema e
participação pública.

Bem, eu creio que conversação seja o modo de agir das pessoas na rede.
Cada um de uma maneira diferente. Respeita-se a multiplicidade,
respeita-se a calda longa. Os espaços informacionais são muitos. Somos
livres para escolher como e onde conversar. E o mais importante, somos
livres para escolher com quem conversar. Somos multidões
hiperconectadas, somos links.

Pois é: "dominar o mundo é fácil, difícil é fazer o relatório"! A
revolução está estabelecida. Tudo dominado. A multidão já consolidou o
espaço do software livre na sociedade informacional. A multidão
dominou a enciclopédia, a multidão tomou conta da blogosfera, do
twitter, do orkut; a multidão se mostra como uma classe de comuns que
se dissolve nas nuances da rede. Colaboração pelo comum. Mas que tem
na impermanência sua forma de constituição.

Essa é tal linkania. Pessoas falando com pessoas, organizando-se;
tomando decisões. Esse é o campo de estudo da cibercultura, entender
como as pessoas estão trocando crenças e desejos na rede que a cada
momento se estabelece. Sinto-me preguiçoso para essa redação, prefiro
a conversa.

1. Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

[Pensador selvagem]

Então, o que pode o corpo? Espinosa parte da idéia que estamos no
mundo para compor. Logo, a idéia de corpo é a de corporificação ou uma
relação de implicação. Corpo é estar em relação. Aliás, estamos todos
condenados a estar em relação. Mas, o que pode o corpo? Espinosa
entende a essência como a força de existir. O apetite. Então, para ele
é impossível o desejo de morrer. Esta é uma idéia inadequada. O que
'pode' está intimamente ligado, por um lado a idéias inadequadas. Mas,
por outro, pode significar potência. Qual é a potência das relações?

Espinosa inaugura uma filosofia da expressão. Que se expressa de todos
os modos... virtual e atual.

[Fim da caixa preta]

A proposta é pela ruptura. O estar em rede é a dissolvência. O ser
existe apenas na relação. A virtualização do ser é o fim da caixa
preta. Estive estudando um pouco de Flusser. Relembrei do McLuhan e
das máquinas como extensão do homem. Flusser tem um insight legal. as
fábricas são lugares onde sempre são produzidas novas formas de
homens: primeiro, o homem-mão, depois o homem-ferramenta, em seguida,
o homem-máquina e, finalmente, o homem-aparelhos-eletrônicos.
Repetindo: essa é a história da humanidade. A máquina distende a mão
do homem ao ponto do homem se tornar a máquina, ou a máquina se torna
o homem. Oras, tanto faz. Somos homem_computadores, homem_celulares,
homem_agendas_eletrônicas... somos homens.

O desafio está em romper a caixa preta. Quebrar os códigos que nos
desafiam. Decifrar os protocolos que controlam o sistema. É como se
estivéssemos em Matrix e, como um bom hacker, libertado pela pílula
vermelha. Somos livres para descobrir a arquitetura do sistema,
estamos livres para dominar os sistemas... all your base are belong to
us.

Parece que este é um insight utópico. Nossa! esse cara não percebeu
que a sociedade do controle tomou conta das nossas ações? Cadê a
privacidade? Nossos dados estão disponíveis na rede. E, a cada
momento, a sociedade se torna refém de um sistema
homem_máquina_protocolo.

A promessa da Internet é o retorno da voz. Esse retorno se dá pela
apropriação da tecnologia e pelas inúmeras possibilidades de usar o
sistema homem_máquina_protocolo em benefício do sujeito e da
comunidade. O caminho do controle é o mesmo do que aquele proposto
pela liberdade. Temos, então, que mudar a abordagem, ou olhar de viés.

A experiência da linkania tem ação descentralizadora. Possibilita o
link, ou o relacionamento, entre as multidões influenciando a
descentralização e a fragmentação do poder. Essa multidão é dialógica.
Conversa com o sistema homem_máquina_protocolo, porque é também parte
desse sistema. A multidão emerge das relações entre pessoas. E, numa
sociedade em rede, as pessoas se interconectam e conversam entre si.
As pessoas se reconhecem nesse ambiente rompendo, assim, as
hierarquias de valores que impactam na dicotomia do controle e da
liberdade.

[Atores em rede]

por Hernani Dimantas e Drica Guzzi

É por meio daquilo que há de comum que compreendemos as redes sociais,
o que as movimenta e as formas de compartilhamento de interesses e
saberes. A tecnologia aponta para o incremento do estado de relações
entre as pessoas. A rede só existe por causa das relações. As pessoas
estão conversando na rede de uma forma muito peculiar. Usamos e-mails,
blogs, twitter e orkut para reverberar as palavras. A sedução
espiritual da Web é a promessa do retorno da voz. Queremos resgatar a
capacidade de comunicação.

Mas o que é a Web? Sabemos do rádio, do telefone e da televisão. Mas a
internet é um ambiente ainda misterioso. Cheio de meandros,
perversidades e maravilhas. Espelha a vida em todos os sentidos
repetindo digitalmente as mazelas da nossa sociedade. No momento em
que estamos vivendo, a vida acontece na rede. Trata-se da nossa
experimentação em ser a partir de uma realidade sociotécnica onde
nossas ações acontecem em um mundo não qual não há mais como vigorar o
modelo epistemológico de separação entre os campos das disciplinas
proposto pelo antigo projeto da modernidade. Ciência, técnica,
filosofia e o agir social, crítica e construção de pensamento estão
imbricados entre si, de maneira que a rede permeia nossas formas de
conhecimento e se configura no plano em que produzimos e
compartilhamos o saber.

Oa atores se misturam nos espaços informacionais. Espaços híbridos,
agora não mais estéreis uma vez que apropriados, tornam-se campos
produtíveis. Uma troca generosa de links que catalisa a conversação,
provoca e solidifica o engajamento. As pessoas tem novas
possibilidades. Novas ferramentas e novas idéias emergem da
organização desses atores. A rede passa a ser vista como redes,
múltiplas, nas quais a expressão de subjetividade é a realidade
social. Um processo comunicativo que resulta em conseqüências
sociais.


[Dica de Leitura]

A Cidade e as Serras - Eça de Queirós
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=1790

"E nada mais instrutivo e doloroso do que este supremo homem do século
XIX, no meio de todos os aparelhos reforçadores dos seus órgãos, e de
todos os fios que disciplinavam ao seu serviço as Forças Universais, e
de todos os seus trinta mil volumes repletos de saber dos séculos -
estacando, com as mãos derrotadas no fundo as algibeiras, e
exprimindo, na face e na indecisão mole de um bocejo o embaraço de
viver."

[Disclaimer]

O pintor traz seu corpo para olhar o que não é ele, o músico traz seu
corpo para ouvir o que ainda não tem som... na rede o corpo é
esquizofrênico. Multiplas interfaces consolidam aquilo que pode o ser
em movimento. A luz no fim do túnel é o caminho da multidão
hiperconectada

[zine do subcomandante]

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