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Ibama e PF descobrem 'esquema' de venda de animais silvestres
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Milton Rodrigues
Assessoria
Operação Eleutheros combate desvio de animais silvestres do Ibama
A Polícia Federal (PF) anunciou, na manhã desta quarta-feira (11), durante coletiva de imprensa realizada na sede do próprio órgão, o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão por membros de uma quadrilha que desviavam animais silvestres do Centro de Triagem (Cetas), pertencente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (IBAMA).
De acordo com informações passadas pela PF, as pessoas contratadas eram terceirizadas (tratadores e vigilantes) e os animais eram desviados para serem vendidos nas feiras livres pelo valor de até R$ 5 mil. Cinco pessoas estão nesse momento na PF acusadas de participação no crime.
A denúncia que levou a desarticulação da quadrilha surgiu do próprio instituto, que suspeitava da ação há cerca de um ano e oito meses. “Vai completar quase dois anos que denunciamos essa irregularidade. De lá para cá fomos orientados há não alterar nossa rotina para facilitar a obtenção de provas”, diz Sandra Menezes superintendente do Ibama.
Para dar o flagrante no bando, a Polícia Federal posicionou câmeras de segurança que flagraram a entrada e saída de animais dentro do Centro de Triagem. Para evitar maiores suspeitas quanto ao sumiço, os envolvidos simulavam a morte da ave ou justificavam a soltura. A PF identificou no sistema de controle do Cetas a liberação de 11 animais à natureza, entre jiboias, iguanas, graúnas e xéxeus, quando somente dois foram libertados de fato.
As espécies de graúnas e xexéus são consideradas pela polícia como os mais rentáveis no comércio ilegal. As aves possuem uma capacidade de canto apreciada por comerciantes.
De acordo com a PF, na casa de dois acusados foram encontrados animais dessas espécies e que estavam sem identificação.
O número de animais desviados do centro ainda não foi apurado pela PF. A tendência do órgão é finalizar as investigações nos próximos 30 dias. Não está descartada a participação de algum funcionários do Ibama, além dos vigilantes.
“Caso fique comprovado pela Polícia Federal que houve a participação de servidores do instituto, será aberto um processo administrativo e eles serão expulsos. Vamos realizar agora um aumento na segurança para controlar a entrada de pessoas estranhas no Centro de Triagem”, diz Sandra.
Segundo o delegado Renato Marques, da Divisão de Repressão de Crimes ao Meio Ambiente da PF, os acusados podem responder por três crimes: formação de quadrilha, crime contra o meio ambiente e peculato.
Como funciona o Ceta
O Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) tem por finalidade receber, identificar, marcar, triar, avaliar, recuperar, reabilitar e destinar animais silvestres provenientes da ação da fiscalização, resgates ou entrega voluntária de particulares. Todo animal silvestre que é levado para o CETAS tem sua espécie identificada, é avaliado e, caso necessário, é tratado para ser destinado preferencialmente para programas de soltura. Nos casos em que o animal não tem mais condições de ser solto na natureza, ele poderá ser destinado para zoológicos, mantenedores ou criadouros científicos. Animais silvestres só podem ser criados se forem adquiridos de criadores autorizados e possuírem documentação de comprovação de origem.