Copio abaixo a resposta que dei noutra lista de
discussão:
Já li uns três artigos do Diego. Me pareceu um
cara bem erudito na área, bastante consistente. De certa forma, esse artigo dele
segue essa regra, mas cabem algumas observações.
O título: "Seja Inteligente e não use Agile". É perigoso, não
reflete o conteúdo do artigo, mas gostei. Gosto de títulos provocativos.
No primeiro parágrafo, ele fala dos "agilistas". O que são esses agilistas?
São os signatários do Manifesto? São os proponentes de métodos ágeis? São
os autores reconhecidos? São os praticantes de métodos ágeis? São os defensores
dos métodos ágeis? Falta essa definição.
Não sei se os colegas perceberam, mas no mesmo parágrafo o próprio
Diego se intitula um agilista, na silepse canônica. Um aparte, aliás: silepse
elegantíssima, apesar de corajosa, já que normalmente é empregada com muito mau
gosto.
Outra coisa que talvez tenha passado despercebida é a estratégia
morde-e-assopra: "Em outro post depois [vou] falar dos pontos positivos..."
Achei legal.
"Hoje em dia muitos colocam como os métodos ágeis
sendo a única solução que funciona para o desenvolvimento de software, será que
isso é verdade, será que não existem outras opções?"O engraçado
dessa passagem é que o
Yosha talvez
seja o agilista brasileiro que mais se alinha com a lógica do Diego, mas fala
justamente o contrário: "
Só
Agilidade funciona". Estou com o Yosha.
Na passagem sobre palavras mágicas, um pecado: já
que pede evidências, devia dá-las quando diz que os agilistas se referem às
metodologias ruins, caras, lentas, pesadas e falhas. Aliás, todo o artigo contém
essa falha: faltam referências. Ele diz que os agilistas falam isso e aquilo,
mas nunca cita referências. Esse é o maior pecado do artigo.
"métodos ágeis não são a solução para a
cascata a solução é desenvolver de forma iterativa incremental, e isso ja exite
a muito tempo e foi criando muito antes do agile."
Existe uma clara diferença com o advento dos métodos ágeis: o tamanho
das iterações, bem mais reduzido. Por exemplo, conheço poucas empresas que
utilizam o RUP de forma (quase?) certa, e a menor iteração que vi nesses
casos foi de dois meses, e normalmente de três a seis meses.
"Então o pessoal pega a uma solução que já existia e já solucionada
e vende isso como uma solução nova para um problema velho, mas que na verdade é
a única solução, pelo menos é o que os caras dizem."
"XP frightens or angers some people who encounter it for the frist time.
However, none of the ideas in XP are new. Most are as old as programming. There
is a sense in wich XP is conservative - all its techniques have been proven over
decades (for the implementation strategy) or centuries (for the manager
strategy).
The innovation is
- Putting all these practices under one umbrella.
- Making sure they are practiced as thoroughly as possible.
- Making sure the practices support each other to the greatest possible
degree."
"Defina métodos ágeis, me de um escopo"
Simples. Qualquer método que siga os valores e princípios do Manifesto. A
sensação que tenho é que o Diego não entendeu direito o que se chama de
Agilidade. É uma corrente. É uma resposta ao que nossa indústria estava se
transformando. Um exemplo: CMM(I) estava se popularizando. Era tido como a pedra
de salvação da nossa indústria. A criação do
MPS.BR é uma evidência disso. Só
que quase todas as implementações desses modelos são muito burocráticas,
pesadas, guiadas por documentação, com fases e papéis rígidos. Foi assim aqui na
Fortes e foi assim em quase todos os casos que tive conhecimento. Uma turma
percebeu o risco a que nossa indústria estava se submetendo e resolveu criar uma
peça "publicitária" para alertar a todos.
" Lean\Kanban ... não tem nada a ver com agile"
Não sei de onde ele tirou isso. Mary e Tom Poppendieck, os criadores do
Lean Software Development, são frequentadores assíduos das conferências ágeis.
Num dos livros do Beck, acho que o XP 2nd Edition, Mary dá um depoimento
positivo a respeito.
"Em determinados cenários agile não funciona, com equipes muito
verdes, com requisitos complexos e equipes que não tem disciplina não
funciona."
Vamos quebrar.
"equipes muito verdes"
Há alguma metodologia que funciona nesse caso?
"requisitos complexos"
XP é especialmente recomendada nesses casos. Um processo mais prescritivo é
justamente menos recomendado nesse cenário.
"equipes que não tem disciplina"
De novo: há alguma metodologia que funciona nesse caso?
"Pessoal estimar não ruim, isso não é errado"
Não conheço qualquer metodologia ágil que não trabalhe com estimativas.
Scrum e XP, por exemplo, tem nas estimativas um dos pilares de seus processos de
priorização.
"ter um gerente não significa ter um capataz"
Um dos papéis formalmente definidos em XP é justamente "Gerente de
Projeto".
"nem todo o projeto vai ser de equipes colocadas"
Colocado da forma que foi, parece que métodos ágeis não funcionam para
equipes distribuídas. Já há diversos relatos comprovando o contrário. A
ThoghtWorks por exemplo é repleta desses casos.
Peguei só alguns pontos para comentar. Há vários outros. Mas a crítica
maior que faço ao artigo já fiz no início desta mensagem: faltam referências.
Quem são os agilstas que fazem essas afirmações? Que afirmações são essas?
Giovano
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