APDS a todos,
Puxa, gente, passou a semana inteira e ninguém comentou... já estou achando que ninguém sabe.
Primeira coisa a entender é a função do equalizador gráfico. Ela varia de acordo onde está instalado.
No PA, ele serve para corrigir imperfeições acústicas da sala, deixando a resposta do conjunto caixas acústicas + ambiente plana ou próximo disso. Ou seja, você corta o que está "sobrando" (por causa da acústica) e coloca o que está faltando (este em relação às caixas acústicas). Sobre isso, é mamão com açúcar se você tiver como fazer análise RTA no seu ambiente. Descobre-se e ajusta-se, e pronto. Não é necessário reajustar enquanto as condições permanecerem as mesas (mesmoambiente, mesmas caixas, mesmo posicionamento de caixas (sim, isso mesmo: o equalizador é ajustado 1 única vez e fica assim por anos, em alguns casos). Sem o RTA, por outro lado...
No monitor, não há mais influencia da acústica. Então, podemos tanto corrigir a resposta das caixas de monitor como também cortar frequências que podem gerar microfonia. Por exemplo, se o mic costuma dar realimentação em 630Hz, podemos cortar no equalizador esses 630Hz, diminuindo a chance de microfonia por causa dos retornos, mas preservando o som no PA.
Insertado em um canal, nos dá mais controle que os ajustes de equalização do canal.
Devemos lembrar que um sistema de sonorização em que temos uma boa acústica ambiente, boas caixas, tudo corretamente alinhado, a necessidade de equalização será muito, muito pequena. Isso é importante: se temos que equalizar muito (atenuar/aumentar muito) e muita coisa (quantidade de frequências), é porque tem algo de errado no nosso sistema: acústica, caixas, etc.
Vemos equalizadores de +/- 6dB, +/- 12 dB, +/- 18dB de atuação. Em geral, para um sistema bem feito, não se necessitará de mais que 6dB e não mais que atuar em cima de 5 ou 6 faixas, das 31 faixas disponíveis. Agora, nossos Anfiteatros infelizmente estão longe de terem boa acústica.
Entendido este ponto, é necessário entender como cada frequência afeta o som que ouvimos. Se aumentar os valores de 20Hz até 100Hz, o que vai acontecer como nosso som, com um instrumento ou com a voz, por exemplo. Para tanto, existem várias tabelas sobre o assunto, aconselho esta:
Elas ajudam a identificar em que faixa de frequências está o problema. O som está "sem brilho"? Então a região do equalizador que temos que mexer é X. O som está "embolado"? Então vamos trabalhar na região Y.
Finalmente, precisamos conhecer cada frequência para saber especificadamente qual está ruim. Pessoas muito experientes já vão direto: atuam diretamente sobre a frequência problemática. Trabalho complicado, que demanda treino, muito treino. Neste caso, aconselho a investir no sistema de treinamento EASY, do Eng. Luiz Fernando Cysne, que é vendido no site da Backstage:
www.backstage.com.br. Custa 200,00, mas o objetivo é exatamente este: treinar o ouvido, e é muito bom.
Um macete que aprendi em um curso: quando você acha que alguma coisa está ruim, não vá atenuando, mas sim aumente. Aumente frequência por frequência em 6dB até encontrar o problema. O que estava irritando vai ficar muito mais irritante, e é exatamente o que você terá que atenuar. Claro que isso é feito ANTES do evento começar.
Um abraço a todos,
Fernando