OS TRÊS ASPECTOSDA SALVAÇÃO
Dr. Anibal Pereira dos Reis (ex-padre)
À falta de entendimento destes aspectos ou etapas, levantam-se objeções infundadas contra o precioso ensino das Escrituras quanto à eternidade da salvação.
Por ignorá-lo, muitos supõem o risco do crente vir a, como resultado dos seus pecados, perder a salvação. E exigem obras para sustentá-la, temendo o perigo de “cair da graça”.
Distingamos e examinemos esses aspectos ou etapas, a fim de evitarmos sustos ao nos depararmos com certas passagens bíblicas, como, por exemplo, Filipenses 2.12: “Operai a vossa salvação com temor e tremor”.
Os três aspectos ou fases são: instantâneo, progressivo e final.
PRIMEIRO: A salvação é INSTANTÂNEA, passada ou acontecida, que corresponde à regeneração quando da justificação. É a redenção do pecado. “E acontecerá que todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo” (Atos 2.21). “Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se confessa para a salvação... Porque todo o que invocar o Nome do Senhor será salvo” (Romanos 10.10, 13).
Os crentes JÁ FORAM SALVOS DA PENALIDADE DO PECADO. “Na
verdade, na verdade vos digo que quem ouve a Minha Palavra, e crê nAquele que Me enviou tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).
O caso da salvação do malfeitor crucificado é típico. Ao proclamar sua confiança em Jesus, foi, de imediato, salvo. Jesus o salvou no instante em que ele nEle confiou. E o salvou de uma vez e para sempre!
Esta ideia de livramento da pena do pecado é uma experiência sobrevinda imediatamente à conversão. É um resultado fixo expresso na noção da perseverança dos santos, pois todos quantos são verdadeiramente salvos permanecerão firmes até ao fim.
É um fato a que Jesus Cristo, em Sua palestra com Nicodemos, chama de “nascer de novo” (João 3.3-7).
Consoante Paulo Apóstolo, a salvação ou regeneração ou novo nascimento é pela graça, sem o concurso das obras (Efésios 2.8-9).
Por essa regeneração a pessoa se torna filho de Deus (João 1.12). E essa filiação é perpétua porque ela é resultado da vida eterna.
A vida eterna é, pois, instantânea nesse sentido de ser concedida no exato momento em que o pecador, arrependido, confia evangelicamente em Jesus Cristo. Recebida a SALVAÇÃO ETERNA, jamais se perde. Torna- se salvo. Salvo DE UMA VEZ e PARA SEMPRE.
SEGUNDO: A salvação PROGRESSIVA é o desenvolvimento ou o crescimento do já salvo, do já regenerado, do já nascido de novo, na graça, no conhecimento e no serviço de Cristo e em Cristo (2ª Pedro 3.18; Filipenses 2.12; 2ª Coríntios 1.6).
Já salvos da penalidade do pecado, agora os crentes ESTÃO SENDO SALVOS DO DOMÍNIO DO PECADO.
Destarte, a salvação progressiva é uma atividade incessante sob o fluxo do Espírito Santo, sempre operoso no crente (Tito 2.11; Gálatas 5.22-25).
É sob este enfoque que Paulo apela aos filipenses: “Operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2.12).
Salvação aqui tem o significado de santificação, que é a salvação progressiva ou contínua.
O salvo deve trabalhar, operar, o dom inefável recebido quando da sua regeneração, crescendo nela.
Se a justificação é completa e, portanto, prescinde de escalas ou graus, em contrapartida, a santificação, a ser operada com temor e tremor em virtude da remanescente pecaminosidade da carne (Romanos 7.24), é gradual e susceptível de constante aumento.
Este operar ou trabalhar a salvação é ainda inculcado pelo Apóstolo quando enaltece as obras como resultado da salvação: “Porque somos feitura Sua [de Deus], criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2.10).
Ninguém é salvo PELAS obras, mas é salvo PARA as obras. Estas não produzem a salvação instantânea. São efeitos da salvação e desenvolvem a santificação ou salvação progressiva.
Ao rematar a sua Segunda Carta, Pedro recomenda: “Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (3.18), como num fecho magnífico de sua anterior exortação em que demonstra o desenvolvimento progressivo da vida cristã: “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência temperança, e à temperança paciência, e à paciência piedade, e à piedade amor fraternal, e ao amor fraternal caridade. Porque, se em vós houver e abundar estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” (2ª Pedro 1.5-8).
TERCEIRO: É o aspecto da salvação FINAL, ou ulterior, ou glorificação celestial “a se revelar no último tempo”, quando o salvo receberá, no processo redentor, em plenitude pela ressurreição (João 5.28; 6.40; 11.25) todos os benefícios da Obra de Cristo (Hebreus 9.28; Romanos 8.11) na proporção da fidelidade ao serviço do Senhor e do desenvolvimento espiritual de cada um (Romanos 8.17; 1ª Coríntios 2.7-9).
Esta etapa acontecerá no céu quando o crente SERÁ SALVO, em definitivo, da PRESENÇA do pecado, de conformidade com o esclarecimento
de Hebreus 9.28: “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O esperam para a salvação”.
A essa etapa terminal alude Paulo Apóstolo em Romanos 13.11: “E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”. Em 1ª Tessalonicenses 5.8-9, lemos: “Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”. E em Hebreus 1.14: “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”.
Pedro também é assaz explícito na referência a esta terceira etapa quando diz: “Mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes a se revelar no último tempo” (1ª Pedro 1.5).
É a sua plena realização, quando na realidade, se apossa definitivamente da visão de Deus.
Essa posse é definitiva em plenitude, na sua verdadeira e total medida, com a gloriosa ressurreição corpórea. “Porque, se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da Sua morte, também o seremos na da Sua ressurreição” (Romanos 6.5). “Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus” (2ª Coríntios 4.14). O capítulo 15 inteiro de 1ª Coríntios discorre com inexcedível profundidade acerca desse assunto e sua leitura, agora, é de todo recomendável.
Com o entendimento da diferença dessas três fases da salvação compreender-se-ão muitas passagens das Escrituras, solucionando-se, outrossim, sem quaisquer dificuldades muitas objeções à segurança eterna dos salvos. Objeções, aliás, fictícias porque oriundas da falta de esclarecimento referente às três etapas ou aspectos agora estudados.

