Caros seguidores de nosso grupo,
Conforme mencionamos em mensagens anteriores - e conforme resposta de
muitos ao nosso questionário- seremos mais breves nas mensagens ( anexando "papers" ou indicando "links" de detalhes maiores ) e voltaremos a alguns assuntos abordados nas primeiras
mensagens.
Sobre paradigmas da pedologia muito se tem discutido; alguns autores
mencionam que a pedologia enfrenta uma "má fase" ( ou mesmo uma “crise”
ou “decadência”) e sugerem uma mudança para novos paradigmas para solucionar isso. Esse assunto foi discutido
por Ibañèz e Boixadera em um artigo que pode ser acessado no link:
No nosso grupo, por nos interessar mais levantamentos (detalhados) de
solos, discutimos sobre dois paradigmas aparentemente bem contrastantes:
Taxonomia versus Levantamento
de Solos, o último descrito por Hudson (1992)
Segundo Hudson ( 1992) o paradigma do lev. de solos baseia-se na
pressuposição de que populações de solos similares existem dentro de cada
feição específica da paisagem as quais podem ser identificadas e delineadas em
mapas por um pedólogo que tenha adquirido conhecimentos teóricos e tácitos
sobre relações solo-geomorfologia /estratigrafia/hidrologia". O
artigo de Hudson pode ser acessado na net:
Swanson (1993) fez várias considerações
sobre o artigo de Hudson (1992) sugerindo algumas razões pelas quais o da
Taxonomia negligencia o do Lev. de Solos ( no anexo a carta original publicada
no SSSAJ). Destacamos abaixo alguns trechos:
"O
paradigma solo-paisagem é de fato a base para dos levantamentos de solos (
Hudson, 1992). Como Hudson ressalta a natureza tácita de nosso
conhecimento sobre pedopaisagens é a maior causa da ineficiência em
levantamentos de solos...."
E
(não traduzindo, dada a importância do texto: )
“The soil-landscape model, on which the soil survey
is based, is an operative paradigm. An extreme reliance on tacit knowledge, the
knowledge gained by experience, creates serious inefficiencies, both in
learning the soil landscape paradigm and in disseminating the information
resulting from its application”
One major reason why the soil-landscape paradigm
has been neglected is that there is a competing and currently dominant paradigm
— the Taxonomy paradigm. That paradigm views soils as individuals (pedons or
profiles are the individuals) that can be abstracted from their setting and
joined in a branching, hierarchical classification system.
É isso
que estamos assistindo: um experiente pedólogo quando escreve o relatório de
seu levantamento de solos usa apenas uma meia dúzia de palavras para descrever a paisagem (
"suave ondulada", por exemplo) e quase uma centena de palavras para
descrever o perfil do solo. Ele não sabe como expressar em palavras como
fez os delineamentos que coloca no mapa. Daí a ineficiência de
comunicar suas descobertas a outros colegas ( os menos experientes, ou
que não fizeram um curso de geomorfologia, se “agarram" ao livro da
Classificação de Solos”, onde pouquíssimo existe sobre a terceira,
e mais importante, dimensão do solo: sua superfície).Em qualquer mapa de solos a superfície é que esta sempre mais "à amostra" equanto o interior só é amostrado em áreas relativamente reduzidíssimas. Muitos chegam a afirmar
que basearam os delineamentos dos tipos de solos nas classes do SiBCS
( correto seria se afirmassem que nomearam os solos com base nesse sistema de classifcação mas, mapear NÃO)
Bem, não vamos nos alongar mais mas, antes de encerrar gostaria de
copiar algumas frases de um dos últimos artigos publicado no Boletim
Informativo da SBCS ( vol. 39, No. 3, 2014 pg. 32 autoria de Coelho et
al.):
" ...ao contrário das árvores de
uma floresta que são indivíduos, os solos variam gradualmente e de maneira
contínua na paisagem, o que muitas vezes torna-se difícil de separá-los e
compará-los. Para resolver esse problema desenvolveram-se vários sistemas de
classificação de solos em todo mundo que utilizam características comuns para agrupá-los
em categorias e classes"
Creio que é um bom exemplo de texto referente ao paradigma da taxonomia tão criticado por
Swanson. Será que esse tal "paradigma da taxonomia" não tem contribuído
também para a tão falada "crise da pedologia" ? ( em especial aos
levantamentos detalhados de solos pois
vemos cada vez menos colegas se especializarem nesse assunto)
Concordam ? Comentários ?
Um abraço
Igo
PS: uma descrição do que é um paradigma e de sua importância pode ser vista no link abaixo: