Paulo e demais colegas...
Abri outro e-mail porque naquele eu já me confundi todo, rsrs...
Assim, não vejo nenhuma possibilidade do(a) sociólogo(a) tratar/atender um surtado, esquizofrênico ou até mesmo um depressivo. Concordo contigo que não temos formação para isso. Eu prefiro deixar isso, por enquanto, com meus amigos e amigas psicólogos(as), rs.
Penso que o que a gente pode contribuir é teoricamente, epistemologicamente, com suas intervenções clínicas e, principalmente, atuando em Políticas Públicas de Saúde Mental. Penso que a nossa capacidade crítica, reflexiva sobre o social, político, econômico e cultural é muito grande e pode problematizar o conhecimento daqueles profissionais (psiquiatras, neurologistas, psicólogos, psicanalistas, terapeutas ocupacionais, pedagogos) que trabalham diretamente com pacientes, compreende?
A manchete diz: "Cresce influência da indústria sobre manual de psiquiatria".
Sem problematização social NENHUMA, logo mais, o novo manual da Psiquiatria, o DSM-5 pode incluir como "depressão" o luto! Isto é, se você perde alguém amado ou amada, você agora terá depressão. Tem mais: homens que em 75% dos encontros sexuais não sentir prazer, está doente! E a mulher (bem a mulher, ainda objeto nesta sociedade machista), se durante seis meses de encontro com seu parceiro não sentir prazer, também, agora, informa o novo manual de psiquiatria, está DOENTE! A mulher tem até um "prazo" para ficar doente, vejam que interessante...
Eis o nascimento de doenças mentais! Em nosso dia-a-dia, somos forçados a tomar remédios sem a oportunidade de darmos conta do que realmente a gente sente - uma vez que nossos sentidos, pertencem a uma parcela de profissionais, a uma parte da ciência, a ciência que diz "a verdade", e que se chama psiquiatria.
E essas questões, ao meu ver, REFLETEM DIRETAMENTE NA PRÁTICA "PSI", nos hospitais psiquiátricos, nos hospitais-dias, nos CAPS e nas clínicas! Não somente nisso, mas também na academia que formam estes profissionais que vão atuar diretamente com a clientela.
A demanda por estes serviços estão aumentando, e vejo a grande importância de problematizar o que está acontecendo, e bem longe de métodos biológicos, psiquiátricos, psicologizantes! Tais métodos estão intrinsecamente vinculados a dispositivos de poder (como aos interesses privados, como mostra esta reportagem).
Considero questão da ordem do dia uma crítica a tais metodologias!! Uma crítica a essa forma de conceber o "anormal", o "desvio", o comportamento, a nossa cultura contemporânea.
Eu, honestamente, vejo a grande importância de problematizar tudo isto que a psiquiatria, a farmacologia, a neurociência, a biologia, vem colocando! Pois caso contrário, meus amigos e amigas, viveremos na Itaguaí, no "asilo ilimitado" de Simão Bacamarte, criação de Machado de Assis (conto, aliás, escrito há 100 anos, cada vez mais atual... gênio esse Machadão! Rsrs).
Abraços!!
Pedro Meinberg.