Ora, se admitirmos (e dizermos poder constatar) que existe um bem
absoluto (entendendo-se, natural e obviamente, absoluto como
invariável), então, assim como o tempo e o espaço, o mal é relativo.
Sendo assim, o mal só acontece temporariamente no tempo e espaço e,
consequentemente, não pode ser absoluto, pois, se o bem é absoluto, o
mal também não pode igualmente ser ou vice-versa. Ou seja, neste caso,
o mal jamais será eterno.
Enfim, ou o bem é absoluto ou o mal o é. Se o bem é absoluto, esta sua
condição elimina automaticamente um provável estado absoluto do mal.
Se partirmos da premissa de que o bem é absoluto, então, o mal não tem
existência permanente nem sobrevida nos planos espirituais, portanto.
Isto implica deduzir que não existe o mal nos planos espirituais (da
mente pura ou absoluta). Sendo assim, não pode existir, por exemplo,
um “senhor das trevas”, comandante supremo do mal, apesar de toda
crença que afirme tal existência.
O dualismo só aparece quando o absoluto se manifesta no universo da
relatividade. Ou melhor, quando a consciência enxerga o absoluto de
forma fracionada, submetida que estar às referências do tempo e
espaço.
A polaridade é o princípio básico de toda e qualquer manifestação. A
polaridade ocorre na referência presença e ausência. Consideramos
positivo ou negativo tal ou qual condição.
A presença de algo indica a ausência do seu oposto ou vice-versa.
Esta oposição bem x mal é resultante da consciência (presença) ou de
sua falta (ausência). Ou seja, o dualismo existe em virtude da
oposição conhecimento x ignorância.
Dizemos que o mal é a falta de consciência, ou seja, é resultante da
ignorância e que o bem é justamente o contrário, o conhecimento (ou
consciência). Mais adequada é a palavra oriental para tal condição da
apreensão do conhecimento: iluminação.
O mal, portanto, é a ausência do bem. A ignorância, como diria o
filósofo grego Sócrates, é a raiz de todo mal. Usando uma alegoria, o
escuro (a ignorância) existe até que a luz (o conhecimento) o elimine.
O maior impedimento ao conhecimento, ou seja, a expansão da luz é a
crença.
A crença, portanto, em demônios, por exemplo, não passa de fruto da
ignorância. Bom lembrarmos a Idade Média e as fogueiras da
inquisição.
O melhor exorcismo, que eliminou de vez nas pessoas de bom-senso a
crença em demônios, foi feito por Galileu Galilei, Nicolau Copérnico,
René Descartes, Isac Newton, etc, na Idade Moderna, através do
conhecimento, apesar desta tolice resistir até os dias de hoje,
obviamente amparada pela ignorância.
Enfim, onde existe o bem não existe o mal.
Em outras palavras, se existe um Deus absoluto, então, não pode
existir uma sua oposição, por exemplo, como o diabo.
Sendo absoluto, tudo é Deus e Deus é tudo.
O que, neste caso, dizemos ser um mal, trata-se de uma violação das
Leis Cósmicas (as leis naturais) e suas conseqüentes reações
negativas. Ou seja, o mal é uma desarmonização, ou melhor, o bem
opostamente é a harmonia com os princípios absolutos.
A conclusão deste raciocínio é de que o demônio representa
alegoricamente apenas a falta de consciência (a ignorância) e, assim,
de fato não tem nenhuma existência efetiva.
Afinal, o absoluto existe (ou não?).
Hideraldo Montenegro
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