REPRESSÃO NA PUC (3)

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cri...@ibm.net

não lida,
26 de nov. de 1997 03:00:0026/11/1997
para

DOCUMENTOS SOBRE AS VIOLÊNCIAS NA PUC-RIO
(Cartas de Olavo de Carvalho em defesa dos editores do jornal "O
Indivíduo")


"Se pudéssemos apontar qual o maior exemplo que o Brasil dá à
humanidade,
ele está na convivência inter-racial e multicultural. Só aqui, na TV,
passa
comercial de programa árabe durante o programa judeu. Só aqui todo mundo
convive muito bem, sem Ku-Klux-Klan e sem odio 'étnico'."

POR TER ESCRITO ISSO, O ESTUDANTE PEDRO SETTE CÂMARA É ACUSADO DE...
RACISTA, AGREDIDO, HUMILHADO PUBLICAMENTE E AINDA PERSEGUIDO PELO REITOR
DA
PUC, UM TAL JESUS HORTAL.


1. A CÓLERA E A FARSA ( Carta publicada na "Folha de S. Paulo"
em 23 de novembro de 1997)

Olavo de Carvalho

(Escritor, autor de "O Imbecil Coletivo", "O Jardim das Aflições" e
"Aristóteles em Nova Perspectiva".)

Na última quarta-feira, dia 19, os estudantes Pedro Sette Câmara,
Álvaro de
Carvalho e Sérgio Coutinho de Biasi distribuíam exemplares de seu jornal
"O
Indivíduo" na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, quando
foram cercados por uma centena de militantes encolerizados que,
desfechando
tapas e cuspidas nos seus rostos, ameaçavam surrá-los e depois queimar
os
exemplares da publicação junto com os corpos dos editores.
O pretexto para justificar as violências foi que o jornal era
"racista".
Mas li a publicação inteira e tudo o que encontrei foram críticas ao
colonialismo cultural que inspira alguns líderes do movimento negro;
críticas manifestamente mais brandas do que aquelas que, em pessoa,
venho
publicando em livros e jornais, entre os quais a Folha S. Paulo, o
Jornal da
Tarde e O Globo, que nesse caso hão de ser muito mais racistas do que O
Indivíduo.
No entanto, a reitoria da PUC, em vez de punir os agressores, castigou
as
vítimas, apreendendo seu jornal e ameaçando-as de sanções disciplinares.
Depois, elevando o cinismo a alturas de grande arte, anunciou ainda,
orgulhosamente, seu propósito de incentivar novas perseguições no
campus.
Porém o mais revoltante, o mais asqueroso em todo o episódio é o tom
hipócrita e santarrão com que os fanáticos, arrogando-se o monopólio do
anti-racismo, carimbam com a pecha de racista quem quer que se oponha às
suas estratégias totalitárias e às suas táticas criminosas. Terá de
haver
necessariamente uma e uma única maneira certa de assegurar direitos
iguais
às pessoas de todas as raças? Todas as outras seriam racismo disfarçado?
Quem deu a esses arrogantes o monopólio do bem, junto com uma
autorização
para cuspir e pisotear quem se afaste de sua grotesca ortodoxia?
Será preciso ser muito inteligente para perceber que esses líderes
autonomeados não amam o igualitarismo racial em geral, mas apenas uma de
suas variantes em particular, isto é, aquela que traz às suas pessoas a
maior dose de proveito político e lhes dá autorização para instaurar a
barbárie em nome da civilização, a tirania em nome da liberdade? Será
preciso ser muito esperto para perceber que seu fingido amor ao povo
negro
não passa, no fundo, de amor aos próprios interesses, de uma insaciável
fome
de poder?
As conseqüências da barbaridade que perpetraram na PUC são previsíveis:
se
seu exemplo for seguido em escala nacional, se críticas tão leves quanto
as
apresentadas em O Indivíduo puderem ser proibidas e punidas como
"racistas",
se agredir seus autores se tornar mérito em vez de crime, logo este país
estará sob o tacão da mais presunçosa ditadura de quantas já tentaram
reprimir pela força o pensamento humano.

21/11/97


2. CARTA ABERTA A JESUS HORTAL, REITOR DA PUC

Olavo de Carvalho

Acabo de ler, estarrecido, a mensagem que você enviou aos alunos da
PUC.
Você manda apreender um jornal, arrogando-se ilegalmente poder de
censura, e
em seguida afirma com a maior cara de inocência que "não pretende negar
a
liberdade de expressão". Que pode ser isso senão hipocrisia?
A prova mais mínima e corriqueira de sinceridade você teria dado se,
antes
de distribuir essa deplorável circular, devolvesse aos editores os
jornais
que lhes tomou. Mas você os conserva em seu poder, impedindo que sejam
distribuídos, ao mesmo tempo que alardeia um falso amor à liberdade de
expressão. Isto já diz tudo sobre o tipo de gente que você é.
Os três meninos atuaram apenas no campo das idéias, sem outra arma
senão
palavras e argumentos. Em resposta, foram cuspidos, estapeados,
ameaçados de
morte e desprovidos, à força, de bens de sua propriedade pessoal. E
agora
vem você dizer que os violentos são eles? Na sua mensagem, não vejo uma
palavra sequer contra os agressores: toda a carga de insinuações
maliciosas
vai sobre as vítimas, com a finalidade explícita de jogar contra elas os
pais de seus condiscípulos, de criar em torno delas um ambiente de
opressão
e intrigas no qual jamais poderão ter uma vida normal de estudantes. Com
leviandade igual à dos desordeiros que as agrediram, você chega ao
cúmulo de
acusá-las de racistas pelo simples fato de se oporem a uma determinada
corrente dentro do movimento negro - justamente aquela que, a pretexto
de
anti-racismo, semeia o ódio e a suspeita entre pessoas de raças
diferentes.
"O insulto não se justifica", diz você. Mas receber tapas e cusparadas e
ainda ver a autoridade apadrinhar os agressores não é, então, ser
insultado?
E quem comete o insulto, senão você e seus truculentos protegidos?
Como explicar que um homem da Igreja proceda de maneira tão
evidentemente
digna de Anás e Caifás? Não há em você um pingo de consciência moral? Ou

começa a cumprir-se a profecia: "Dia virá em que aqueles que vos
trucidarem
acreditarão servir a Deus"?
Seus atos, Hortal, desmentem da maneira mais ostensiva o seu belo
discurso
em prol das minorias. Numa briga de cem contra três, quem é maioria,
quem a
minoria? Este é o fato, esta é a verdade, que suas belas palavras não
podem
ocultar, pouco importando o quão lindo e cristão você se imagine por
dentro.
Afinal, como disse William Blake, "Kaipha was, in his own mind, a
benefactor
of mankind".
É fácil para você, do alto de seus poderes, perseguir meninos e afetar,
em
linguagem melífua, as mais santas intenções. O nome disso é farisaísmo.
DESAFIO VOCÊ A, EM VEZ DE SE FAZER DE VALENTE PARA CIMA DE MENINOS, VIR
DISCUTIR PUBLICAMENTE O EPISÓDIO COMIGO, SE FOR HOMEM PARA TANTO.

PS - Chamei-o pelo pronome usual por não saber se, como reitor, você
tem o
direito a tratamento de "Vossa Excelência". Caso tenha, considere
trocados
os pronomes, com a ressalva de que a excelência do cargo não se
transmite
necessariamente à alma de seu ocupante.

22/11/97


3. RESPOSTA AO MANIFESTO DO DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES DA PUC

Vocês fazem bem em dizer que a defesa das opiniões deve ser feita no
campo
das idéias e não no da violência.
Por que não esclarecem também qual dos dois lados expressou idéias e
qual
recorreu à violência física?

Olavo de Carvalho


JORNAL "O INDIVÍDUO" TEM SUA PRÓPRIA HOME-PAGE, ONDE TODOS PODERÃO
VERIFICAR
QUE A ACUSAÇÃO DE RACISMO, VEICULADA POR AGRESSORES TRUCULENTOS E
ENDOSSADA
PELO AFOITO REITOR DA PUC, É UMA CALÚNIA SÓRDIDA E MAL INTENCIONADA.
VERIFIQUE VOCÊ MESMO:

http://www.geocities.com/Athens/Olympus/5806/


Pela transcrição.

Janer Cristaldo
cri...@ibm.net

histo...@history.net

não lida,
26 de nov. de 1997 03:00:0026/11/1997
para

In article <347C6...@ibm.net>, cri...@ibm.net says...
>

etc...

>"Se pudéssemos apontar qual o maior exemplo que o Brasil dá à
>humanidade,
>ele está na convivência inter-racial e multicultural. Só aqui, na TV,
>passa comercial de programa árabe durante o programa judeu. Só aqui todo mundo
>convive muito bem, sem Ku-Klux-Klan e sem odio 'étnico'."
>
>POR TER ESCRITO ISSO, O ESTUDANTE PEDRO SETTE CÂMARA É ACUSADO DE...
>RACISTA, AGREDIDO, HUMILHADO PUBLICAMENTE E AINDA PERSEGUIDO PELO REITOR
>DA PUC, UM TAL JESUS HORTAL.

etc...

>Pela transcrição.
>
>Janer Cristaldo
>cri...@ibm.net


Cristaldo,


Ainda não entendi o porque desta sua "empunhação de bandeira" neste tópico. O
Pedro 7 é macaco velho da scb, conforme vc. pode constatar lendo as mensagens
abaixo. Ele já é crescidinho e pode falar por si mesmo. Não precisa de
porta-voz. Que tal mandar um recadinho para ele aparecer e dar a "sua" versão
para os fatos?

No meu entender, tudo não passou de um tapão na orelha, igual aqueles que se
leva em baile funk quando se azara a noiva do vocalista da banda. E vamos parar
com o nhenhenhen!

Ou existiriam outras razões?

Respeitosamente,

H.


some time ago Pedro7 wrote:


Subject: Procuro Igreja Ortodoxa/Maronita no Rio de Janeiro
From: pse...@nyc.pipeline.com(Pedro Sette Camara e Silva)
Date: 1996/05/13
Message-ID: <4n7uv8$f...@news1.t1.usa.pipeline.com>
Newsgroups: soc.culture.brazil


Salve!

Estou procurando uma Igreja Catolica Ortodoxa ou Maronita no Rio de Janeiro.
Maronita e o nome dado as Igrejas que retornaram a comunhao com a Santa Se de
Roma apos o cisma no seculo XI, mas que preservam o rito oriental.

Quem souber de endereco, telefone e horarios de missa(ou qualquer um dos tres)
por favor poste aqui uma resposta ou me mande um
e-mail(pse...@nyc.pipeline.com). E que estou voltando a morar no Rio daqui ha um
mes e preciso saber disso... Bem, ficaria profundamente agradecido por qualquer
tipo de ajuda.
--

Pedro Sette Camara e Silva

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Subject: Educação ou Adestramento? Ou Entretenimento?
From: pse...@nyc.pipeline.com(Pedro Sette Camara e Silva)
Date: 1996/05/05
Message-ID: <4mis45$l...@news1.t1.usa.pipeline.com>
Newsgroups: soc.culture.brazil

Quero questionar o sistema educacional Brasileiro, especialmente o de segundo
grau. Começo afirmando que acredito que talvez só haja uma escola(sem qualquer
perversão do termo) no Rio de Janeiro, minha cidade natal. Essa escola deve ser
o São Bento; um julgamento que eu faço sem ter estudado lá e proveniente das
minhas leituras dos monges de lá. Não sei; mas é a única de que ainda guardo boa
impressão.

O resto? De resto, só temos cursinhos preparatórios para o vestibular. Incluindo
os outros colégios com nome de santo(Inácio, Agostinho), que nada mais são do
que cursinhos melhores. Neste ano, por exemplo, o Santo Agostinho terminou com a
divisão de áreas(sou a favor), mas nessa também cancelou as aulas de Filosofia
para o pessoal de Humanas. O pessoal de outras áreas não tinha Filosofia e agora
é que não vai ter mesmo; eu me pergunto o que torna outra matéria mais
importante que Filosofia, e a resposta que tenho é que Filosofia não cai no
Vestibular. No entanto, é tão ou mais importante na formação do ser humano
quanto qualquer outra. Mas não é cobrada no sublime teste de adestramento das
universidades - aliás, alô, ministro! Que tal incluir uma prova para ver quem
deita e rola melhor?

Ok, é culpa dessa atrofia máxima do sistema educacional Brasileiro,
mas as escolas(com ou sem aspas?) não podem se submeter a isso dessa forma.

As escolas não podem se tornar cursinhos que capitalizam em cima do
vestibular e acreditar que educação é passar de ano ou para a faculdade tal.
Estudei no Princesa Isabel, um colégio que é na verdade um cursinho(com algumas
honrosas exceções entre os professores, que faziam questão de ensinar mesmo, e
não adestrar). Os jovens brasileiros estão sujeitos a um sistema que apenas lhes
enche a cabeça de coisas inúteis porque é incapaz de lhes mostrar a validade
dessas coisas.

Desse ponto, podemos partir para uma série de problemas específicos. A validade
ou não da "Nova Matemática"; o excesso do currículo escolar Brasileiro; a
própria existência do vestibular; a entrada de uma cultura pop na sala de
aula(vide recente polêmica no Rio sobre a inclusão de Caetano Veloso e Chico
Buarque no currículo), que daria à educação um ar de entretenimento, afinal,
quem precisa de Fernando Pessoa e Manuel Bandeira,e outras? Minha afirmação
básica nesse momento é: o sistema educacional privado do Brasil é composto de
escolas de adestramento que só variam na sua eficiência. Umas, inclusive(as
católicas, principalmente) ainda assumem
uma postura toyotista e conseguem que o aluno ainda ache que está num lugar
muito bem e fique orgulhoso!

Sinceramente, eu espero que os contraargumentos a mim sejam bastante bons. É
melhor acreditar que pelo menos o sistema privado ainda funciona de alguma
maneira em busca de verdadeira educação.
--

Pedro Sette Camara e Silva
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Subject: A direita que eu tanto amo
From: pse...@nyc.pipeline.com (Pedro Sette Camara e Silva)
Date: 1996/03/03
Message-ID: <4hdk1a$j...@pipe11.nyc.pipeline.com>
Newsgroups: soc.culture.brazil


Aos senhores todos direitosos:

Nao inclui este comentario no meu outro posting porque la a discussao e
diferente. Aqui tocarei em outro assunto, a partir dos comentarios do senhor
Marcelo Bruno no dia 26/02.

O que e a "esquerda retrogada"? O senhor sabe que ser de "esquerda" significa
ser oposto ao governo vigente e aos ideais que ele representa? De uma olhada na
historia da Revolucao Francesa, que o termo vem de la. Bem, por acaso se opor a
algo significa ser retrogado? Perdoe-me entao por recusar a modernidade das
vacas de presepio.

Concordo com o argumento de que e burro insistir em retratar o Brasil sempre
como o Brasil da miseria, do pobre, do preto que sofre como racismo, embora tudo
isso seja verdade. Porem, como disse em meu posting sobre "O Quatrilho", este e
um problema da arte, e nao social. A arte nao tem necessariamente um compromisso
com a realidade.

Agora, o que me espanta e ver tanta gente com os dedos em riste
apontando as pessoas que nao aderem ao "sistema", ao capitalismo da grande
empresa, da corporacao,como se fossemos datadas so porque a URSS acabou.

Isso, sob um primeiro angulo, so demonstra que esses inquisidores nao
entendem nada do que vem a ser ter uma posicao de oposicao. Estar oposto ao
capitalismo nao significa estar necessariamente a favor daquilo que ate alguns
anos era a outra face de um dualismo, ou o "comunismo".

E o que me espanta mais ainda e ver que tantos estao louquinhos para abracar o
Mickey Mouse cegamente. O senhor Marcelo Bruno, ao falar em "cultura
'imperialista' americana", demonstra no minimo uma certa ingenuidade por querer
ignorar o fato de que a cultura americana e imperialista sim (sao o que suas
aspas em volta de "imperialista"
demonstram, nao?). Provavelmente acha saudavel tambem entregar a Amazonia ao Tio
Sam, um pais bonzinho que tem todo interesse no desenvolvimento dos menos
afortunados...

E engracado... Nao vejo porque acusar a esquerda de "retrogada" so por
mencionarmos o imperialismo norte-americano ainda hoje(afinal, ele não acabou,
nao e?) seria diferente de chamar de "retrogado" alguem que acusasse o governo
nazista alemao dos crimes que cometeu.
--

Pedro Sette Camara e Silva

--------------------------------------------------------------------------------

Subject: Brasil, globalizacao e Oswald de Andrade(quem?)
From: pse...@nyc.pipeline.com (Pedro Sette Camara e Silva)
Date: 1996/03/13
Message-ID: <4i5nhm$m...@pipe9.nyc.pipeline.com>
Newsgroups: soc.culture.brazil

Axe, povao lindo e maravilhoso!

No topico "Brasil e a globalizacao" foram discutidos alguns aspectos
pertinentes ao problema. Agora e minha vez de meter o bedelho.

Devo concordar com a galera que diz quer por globalizacao se deve
entender americanizacao. O mundo globalizado e o mundo que fala ingles, e e por
causa desse maravilhoso mundo globalizado e internetado que eu nao
consigo usar acento aqui. Alias, como voces conseguem? Eu adoraria poder tambem.

Mas eu devo contestar minha propria afirmacao. Se o sistema
educacional brasileiro funcionasse, nos saberiamos filtrar o que ha de
melhor na cultura americana(Stevie Wonder e bom com ou sem imperialismo) e
jogar fora as porcarias. Poderiamos viver como no "Manifesto Antropofagico" de
uma maneira quase utopica, comendo o que vem do estrangeiro e devolvendo de uma
maneira brasileira. Ja fazemos isso, mas como ao falar em educacao no Brasil
incorremos num paradoxo, tambem se pode criar um argumento para a dominacao
cultural. Que e um produto da dominacao economica, e nao da "imbecilidade" do
povo brasileiro.

Outra questao que da pra levantar e sobre a propria identidade
nacional de alguem. Sou contra a ideia de "aldeia global" porque a maior parte
da populacao mundial vive na miseria(nao doi lembrar que os EUA tem 2% da
populacao mundial e 20% da riqueza mundial, alias) e nunca ouviu falar dessa tal
de Internet. Mas nos aqui sabemos o que e, e creio ainda que a maior parte
daqueles que se derem ao trabalho de me ler mora no exterior, ou e Portugues, ou
Angolano ou... Para nos, existe o tal "mundo globalizado", e temos a opcao de
escolher o que sera a nossa propria identidade("Manifesto Antropofagico" de
novo?), porque temos acesso a varios livros, falamos mais de uma lingua e
sabemos brincar com Netscape. O que define o Brasileiro? No nosso caso, nos
definimos como Brasileiros primeiro porque o nosso passaporte nos foi dado pelo
governo Brasileiro, e segundo por uma identificacao cultural.

A questao esta nesse segundo ponto: eu escuto tanto Marvin Gaye quanto Gil, e
tambem sou chegado num Pino Daniele(Italia) e num Fito
Paez(Argentina). Leio fluentemente em duas linguas; nutro um interesse pelo que
acontece no globo porque tenho os meios para isso. Sou brasileiro? Sei cantar o
hino nacional. Mas minha atriz favorita e Isabelle Adjani. Adoro comida chinesa
e especialmente a italiana. Amo Jobim e Gershwin, Caca Diegues e Almodovar,
cuscuz e croissant. Tenho paixao por mulheres gregas.
Sou brasileiro? O que e ser brasileiro alem de ter nascido la?

(Pelo amor de Deus, eu sei que tem gente que vai me interpretar como se eu fosse
anti-nacionalista. Mas se quiserem saber se eu acredito nessa historia de
"patria-mae", aviso logo que nao. Embora ame o meu Rio de Janeiro.)

Bem, pessoal, perdoem por eu ter escrito tanto.
--

Pedro Sette Camara e Silva

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