Muita gente inocente dormiu na cadeia. Uma dela foi o capit�o Alfred
Dreyfus.
Em 1894, o jovem oficial da artilharia francesa foi condenado � pris�o
perp�tua. O motivo: a suposta revela��o de segredos militares aos
alem�es.
Dreyfus era inocente. Dois anos depois, comprovou-se que o culpado era
Ferdinand Esterhazy, um major do ex�rcito franc�s.
Mas Dreyfus continuou detido. Foi acusado novamente, com base em
falsos documentos produzidos por um oficial da contra-intelig�ncia,
Hubert-Joseph Henry.
A campanha de cal�nia tinha como um de seus principais l�deres um
jornalista, Edouard Drumont, publisher do La Libre Parole, uma
publica��o claramente identificada com o anti-semitismo.
Dreyfus contou, sobretudo, com a defesa apaixonada de �mile Zola, cujo
artigo "J'accuse", no L'Aurore, foi fundamental para colocar �s claras
a farsa oficial reacion�ria.
Em 1906, depois de longa luta, Dreyfus foi reabilitado. Jamais foi
indenizado pelos anos na cadeia.
Muitos criminosos, entretanto, jamais passaram perto do c�rcere.
� o caso, por exemplo, do propriet�rio de jornal que, em S�o Paulo,
colaborava com os torturadores e assassinos empregados pelo Regime
Militar.
Esse elemento nunca dormiu num banco de concreto atr�s das grades,
nunca comeu feij�o estragado, tampouco tomou sofreu em sess�es de
eletrochoque.
Impune, p�de educar seu herdeiro para a iniquidade.
Criou um lagarto de rasteiro car�ter, invejoso e fraco, capaz de
valer-se da cal�nia e da difama��o para atingir seus objetivos.
Esse dubl� de jornalista, falso intelectual, despreza a lei e escarra
nos mais b�sicos c�digos de civilidade.
A acusa��o a Lula no epis�dio "estupro" agrega mais uma n�doa � ficha
do empres�rio canalha da desinforma��o. O interesse? Derrubar a
candidatura daquela que rotularam de terrorista.
A imprensa paulistana poderia citar oito verdades, ou n�o, por
eleg�ncia:
- que o tal Benjamin n�o merece a confian�a dos pr�prios parentes,
tido como vil, trai�oeiro e dado a mentir por capricho;
- que o pr�prio publisher golpista assediava jovens rapag�es no
ambiente profissional;
- que a companheira ocasional do tal o ridicularizava entre as mesas
da reda��o, apontando nele a psicopatia violenta e a aus�ncia da
virilidade;
- que a malta reacion�ria de "�ia" pratica todo tipo de pervers�o, a
exemplo do capo que se diverte excentricamente nos hot�is engordurados
do Centro paulista, e que carrega o trauma de um largo pepino
resistente;
- que o august�ssimo articulista de "�ia", t�o interessado no elogio a
Benjamin, imita a Arno e aspira o p� nos banheiros das reda��es que
dirige;
- que o major tucano carateca do golpe � o mesmo que aprecia "carnes
novas" e livrou seu comparsa amazonense da CPI da Explora��o do Menor;
- que um ex-presidente da Rep�blica esconde seus rebentos por a�, em
esquemas pagos pelos bar�es da m�dia monopolista;
- que o tal rep�rter do niuiorquitaimes brincava lascivamente com
jovens �ndias na Amaz�nia.
O fim de novembro poderia brindar o pa�s com celas frias para quem
realmente merece.
Uma sombria para o Edouard Drumont paulistano, por exemplo.
Outra imperial ao canalha ressentido e desqualificado. Pois se d� a
Cesar o que � de Cesar.
Mas o que esperar da suprema justi�a? L� no alto, pois, vale mais o
mimo dantesco.
E o honesto Dreyfus, aqui, continuaria detido pelo resto da vida.
Mauro Carrara