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Como funciona uma sociedade comuno-socialista

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lean...@bluewin.ch

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Jun 3, 2003, 7:57:48 PM6/3/03
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Como funciona uma sociedade comuno-socialista

Parte III

Policymaker
dav...@hotmail.com

23 de fevereiro de 2002

"Não há razão, sem dúvida, para que os novos totalitarismos se
assemelhem aos antigos. Governos baseados no porrete e no pelotão de
fuzilamento, na miséria artificial, não são apenas desumanos(hoje
ninguém se preocupa muito com isso); são ineficientes por
demonstração."

Aldous Huxley

O pai da perestroika é o teórico comunista italiano Antonio Gramsci
(1891-1937). Ele havia compreendido que a revolução bolchevique,
querendo modificar em primeiro lugar as condições da vida econômica,
era demasiado violenta para obter a aprovação de um consenso
generalizado, e preconizava, em conseqüência, efetuar primeiro uma
revolução ideológica, isto é, mudar antes de tudo as maneiras
habituais de pensar. Gramsci propõe criar uma nova civilização com uma
revolução ideológica na educação.

Sabemos hoje que a modificabilidade cognitiva é um fato. Podemos
intervir no desenvolvimento cognitivo, nomeadamente no desenvolvimento
da inteligência e de competências metacognitivas: aprender a pensar,
aprender a aprender, pensar sobre o pensar, estas newspeaks significam
nunca chegar a uma verdade definitiva ou relativizar absolutamente
tudo, relativismo absoluto; "superar" significa destruir
comportamentos tradicionais através de situações de conflito. Pascal
Bernardin em "Machiavel pedagogue ou le ministère de la réforme
psychologique" (Paris, Éditions Notre-Dame des Graces, 1995), mostrou
que técnicas desenvolvidas em laboratórios de psicologia para a
manipulação de clientelas comerciais ou políticas se dissemiram na
educação de crianças(1).

Segundo a pedagoga Maria Inês Fini, mestre em Psicologia da Educação e
coordenadora do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), escola não é
mais o lugar onde uma geração passa para outra um acervo de
conhecimentos. "Ela agora tem outro papel: é o espaço onde as relações
humanas são moldadas", avalia. "Deve ser usada para aprimorar valores
e atitudes, além de capacitar o indivíduo na busca de informações,
onde quer que elas estejam, para usá-las no seu cotidiano". Maria Inês
Fini destaca "A motivação é criada a partir da geração de conflitos.
Resolver um desafio estimula a classe". Para ela, é mais importante
que a criança saiba lidar com a informação do que simplesmente
retê-la.

Os documentos do MEC que orientam os professores têm cada vez menos
informação e cada vez mais doutrinação política e métodos de controle
social baseados na dissonância cognitiva. O desequilíbrio provocado
pelo aparecimento de algo que não se encaixa nas estruturas
cognitivas que o sujeito possui gera nele o conflito cognitivo - que
não é mais que "o confronto do sujeito com o seu mundo interno, com os
outros e com as situações externas"- que se prolonga no tempo
provocando dissonância cognitiva (Festinger,1957) e pondo em marcha a
"atividade criadora do sujeito" e o mecanismo de
assimilação/acomodação, até contruir a resposta que lhe serve. Esta
terapia de choque emocional tornou-se padrão nas escolas de todo o
mundo. As situações de conflito produzem dissonância cognitiva,
confusão mental e moral.

Marc Tucker, pedagogo amigo de Hillary clinton, nos diz que "Nosso
objetivo requer mudança de cultura, de atitudes, valores e normas". O
HR 1385, programa de desenvolvimento da força de trabalho, está sendo
implementado em todos os estados americanos. Trabalhando com líderes
globalistas, ele clama por uma "mudança de paradigma, uma total
transformação do modo de pensar das pessoas e de percepção da
realidade".

O HR 1385(2) foi assinado em 1998 pelo presidente Clinton que ameaçou
vetá-lo se o texto original do projeto de lei fosse modificado. O
projeto se baseou nos seguintes pontos:

controle sobre crenças e atitudes,

aconselhamento psico-social

treinamento, retreinamento, correção

consetimento da força de trabalho em conformar-se com novas
competências politicamente corretas baseada na percepção
governamental.

A dissonância cognitiva é um vantajoso método indireto de influência
social que produz mudanças de atitudes mais duráveis porque as pessoas
manipuladas por dissonância tem a ilusão de fazer uma "free-choice",
livre escolha, na mudança de suas atitudes. Isto pode ser contrastado
com os métodos mais diretos de influência social que geralmente tem um
curto impacto sobre o manipulado, se tiver algum. Quando as pessoas se
sentem obrigadas elas se rebelam contra a coersão porque falta a
"free-choice". Como nos diz Pascal Bernardin "O exercício do controle
é uma técnica toda diferente, que consiste em colocar as pessoas num
quadro tal que elas desfrutarão de um sentimento de liberdade, às
vezes de grande liberdade, ao tempo em que esta liberdade será, na
realidade, estreitamente canalizada num quadro fixado pelos
governantes"(3).

Esta nova pedagogia requer um projeto político pedagógico uma vez que
sua finalidade é formar cidadãos. Outro aspecto político é a
autonomia, autonomia como livre escolha ou "free-choice", que nasce
com o projeto escolar e "que não pode ser confundida com soberania"
como diz Avelino Romero S. Pereira, coordenador-geral de ensino médio
do MEC. O projeto político pedagógico deve ser flexível o suficiente
para permitir correções. E como sua função é a de projetar a escola
para diante, ele nunca estará pronto.

Modelos de planejamento estratégico variam por definição. No entanto,
a maioria deles envolve ajustes constantes entre os objetivos,
recursos, ações e limitações. A nível nacional, os objetivos são
comumente expressos em termos gerais, ocorrendo o mesmo com respeito
aos recursos do governo central, enquanto que as ações são executadas
a nível local. Assim, planos locais divergirão naturalmente, quando
num mesmo contexto, não apenas quanto ao seu alcance, mas também
quanto ao conteúdo. Desta maneira os planos locais podem especificar
os tipos de competência requeridos para implementar o plano.

Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos
cognitivos (saberes, capacidades, informações etc) para solucionar com
pertinência e eficácia uma série de situações, saber gerenciar e
superar conflitos. A formulação de competências se afasta, então, das
abstrações ideologicamente neutras e aparece a idéia de que os
objetivos da escolaridade dependem de uma escolha da sociedade, ou
free-choice. Este é o processo de criação do consenso dentro das
organizações que tem o mesmo significado e objetivo dos programas de
qualidade total.

Estamos diante de um inimigo que não é mais comunista, mas é sobretudo
socialista e coletivista imerso na cultura liberal procurando realizar
a síntese do " socialismo de mercado". Uma descrição mais científica
da lógica deste movimento revolucionário articula-se em torno da
teoria dos sistemas e da teoria do caos. Se admitimos uma hierarquia
sistêmica de universos caóticos, podemos manipulá-los com forças muito
fracas em cada nível. Conciliar um liberalismo aparente com um
construtivismo sempre real(4).

Notas

1- Ver Pascal Bernardin,
http://www.euro92.org/edi/biblio/bernardin2.htm,
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm. Voltar

2- Ver Berit Kjos, http://www.crossroad.to/text/articles/hr1385.html.
Voltar

3- Ver Pascal Bernardin,
http://www.euro92.org/edi/biblio/bernardin2.htm,
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm. Voltar

4- Ver Pascal Bernardin,
http://www.euro92.org/edi/biblio/bernardin2.htm,
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm. Voltar


Fonte: http://www.geocities.com/policymake/comofunciona3.htm

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Jun 3, 2003, 8:00:28 PM6/3/03
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Como funciona uma sociedade comuno-socialista

Parte II

Policymaker
dav...@hotmail.com

01 de janeiro de 2002

"Essa revolução realmente revolucionária está para se processar, não
no mundo exterior, mas na alma e na carne dos seres humanos."

Aldous Huxley

Muitas idéias são postas em circulação só em vista do efeito que
advirá de seu conflito com outras idéias concorrentes, isto porque
existem coisas como a "engenharia comportamental" e o "gerenciamento
de conflitos". Ao interagir com idéias estranhas ao seu mundo interno,
o sujeito procede a uma ação de pesagem entre aquilo que já conhece e
aquilo que é estranho às suas estruturas cognitivas, que é novo e não
se encaixa nessas mesmas estruturas. Gera-se desequilibrio, o sujeito
sente tensão e continua a agir sobre os objetos esforçando-se por
reencontrar o equilíbrio perdido. O esforço de manter uma base de
indispensável realismo que torna possível a vida social é dificultado
pelo esforço de não enxergar uma determinada área, circunscrita como
tabu. O conhecimento técnico deste mecanismo permitiu a sua utilização
sistemática nos processos de lavagem cerebral e "reforma do
pensamento", nos campos de prisioneiros da China e da União Soviética.
Porém, o mesmo fenômeno, atenuado ou disfarçado, observa-se
disseminado na vida social contemporânea(1).

Um dos exemplos no Brasil é a Escola Sagarana, documento de política
educacional do Estado de Minas Gerais "tal como aprovado na Carta dos
Educadores Mineiros (2.9.1998), subscrita pelo Governador Itamar
Franco, então candidato às eleições que o conduziram ao cargo máximo
do Estado de Minas Gerais (quadriênio 1999-2002)"(2), onde o
secretário da educação diz explicitamente que, abro aspas, "é
indispensável que haja uma reforma no modo de pensar e, portanto, na
educação. Apontando quatro objetivos fundamentais do ensino:

"Mais vale uma cabeça bem feita que uma cabeça bem cheia" (Montaigne).
"Eu quero ensinar-lhe a condição humana" (Rousseau).
"Eu quero que ele aprenda a viver" (Rousseau).
O cidadão do mundo deve estar consciente de sua dupla relação:
nacional e planetária.
O conflito cognitivo pode ser deliberadamente provocado pelos
professores, na sala de aula, quando eles apelam à exploração de
materiais. Situações de aprendizagem consistem em envolver os
discípulos em situações fictícias propositadamente montadas para
desorientá-los por estimulação contraditória, até que, atingindo o seu
limite, eles abandonem toda resistência e se entreguem passivamente
aos comandos mais estapafúrdios ou prejudiciais(3). Mudanças devem
ocorrer pelo conflito, esta é a base da dialética hegeliana.

A guerra pelas mentes e corações deve ser total e a ação política deve
ser precedida pela ação na mente alheia que, já domesticada,
absorveria sem questionamentos o que se desejasse nela gravar.
Vigotsky, guru do MEC e das professorinhas, já em seus estudos,
datados de 1934 procurou criar uma psicologia em função do
materialismo histórico de Karl Marx ressaltando que os fatores sociais
e históricos deviam se combinar para produzir, na linguagem, um
instrumento que, inexoravelmente, guiaria o pensamento. Pura
doutrinação. Vigotsky não era o preferido do partido comunista
soviético porque ainda reconhecia a consciência individual o que é
inadmissível para os soviéticos. Esta nova onda do pensamento Marxista
é a socio-psicologia. É surpresa para muitas pessoas descobrirem que
os pilares da moderna psicologia foram os humanistas utópicos que
acreditaram que a espécie humana deve ser manipulada e que todos os
problemas sociais podem ser resolvidos reprogramando o ser humano.
Eles visam mudar a natureza humana e não a sociedade.

Um desses grupos foram os Fabianos, que derivaram seu nome do general
romano Fabius. Fabius é lembrado pela estratégia que usou para vencer
Hannibal. Hannibal tinha superioridade de forças mas estava longe de
seus suprimentos. Ao invés de confrotar o inimigo frontalmente, Fabius
adotou a estratégia de bater-e-retirar. É uma estratégia que visa
minar as forças do inimigo pouco a pouco sem correr o risco de perder
a batalha num confronto direto. Fabius venceu a batalha. Os socialista
fabianos adotaram a mesma estratégia na sua luta pelo comunismo. Em
similar modo os Marxistas Gramscianos advogam uma "lenta marcha para
dentro das instituições" numa guerra de posições onde o campo de
batalha não é o tradicional com armas e canhões mas são a mente das
pessoas e a cultura. Gramsci ganhou o ódio dos soviéticos quando disse
que eles estavam errados.

Notas

1- Ver Olavo de Carvalho, O abandono dos ideais. Voltar

2- Ver Educação para a vida com dignidade e esperança, 2a edição,
agosto 2001, governo do estado de Minas Gerais. Voltar

3- Ver Olavo de Carvalho, Como vencer um debate sem precisar ter
razão, Rio de Janeiro, Toopbooks, p. 244. Voltar

Fonte: http://www.geocities.com/policymake/comofunciona2.htm


lean...@bluewin.ch

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Jun 3, 2003, 8:01:40 PM6/3/03
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Como funciona uma sociedade comuno-socialista

Parte I

Policymaker
dav...@hotmail.com

30 de novembro de 2001

"Os mais importantes projetos Manhattan do futuro serão amplos
inquéritos patrocinados pelo governo com a participação de políticos e
cientistas, que verificarão o chamado "problema da felicidade"- em
outras palavras, o problema de fazer o povo amar a servidão."

Aldous Huxley

Muito do que será exposto a seguir foi presenciado por mim, tanto no
trabalho como na universidade, e nas situações mais gerais da vida
cotidiana brasileira, não tenho compromisso com nenhum partido
político, crença religiosa ou ideologia. Começemos pelos princípios.
Há o mito de que o comunismo está morto. Nada pode estar mais longe da
verdade. O problema é que as pessoas pensam que o comunismo acabou
junto com a guerra fria. O aparente fim do comunismo fez cessar a
oposição entre blocos antagônicos leste X oeste tornando possível a
fusão num liberal-socialismo que leva ao totalitarismo mundial. Veja o
termo materialismo dialético. O significado é: "Filosofia fundada por
Karl Marx... que forma a base da doutrina comunista... combina o
materialismo de Feuerbach com a dialética de Hegel em que forças
opostas são constantemente reunidas num nível mais alto" Lexicom
webster dictionary.

A revolução materialista começa por colocar abaixo tudo que lhe
constitui obstáculo(tese). Cria-se o caos e o conflito de posições
antagônicas, capital X trabalho, leste X oeste, masculino X feminino,
Estado X mercado, uma polarização geral dos valores; pelo planejamento
estratégico se objetiva criar situações de conflitos(antítese). Logo
em seguida a revolução vai para uma fase construtivista para restaurar
não o que foi destruído na primeira fase mas para construir algo
totalmente novo, uma construção provisória, mesmo que as aparências
mostrem o contrário(síntese). Como se pode ver a revolução não deve
chegar a um equilíbrio porque ela foi concebida para não fazê-lo pois
o movimento da dialética não pode parar.

O conceito de dialética vem de longa data. Ele simplesmente diz que a
tese sendo uma posição a antítese será o contrário da posição. Na
tradicional lógica se minha tese é verdadeira todas as outras posições
são falsas.

Georg W. F. Hegel virou este conceito de cabeça para baixo igualando
tese e antítese. Tudo agora é relativo. Não há mais verdade absoluta.
Ao contrário a "verdade" é encontrada na síntese, uma construção da
tese com a antítese. Esta é a base do processo de consenso. O consenso
é uma técnica que também foi muito desenvolvida na URSS, a grande
regra da dialética Hegeliana. O consenso ou dialética Hegeliana proibe
o debate e o diálogo, todos devem assumir o compromisso de cidadania e
procurar uma base comum de idéias.

O pensador marxista Georg Lukacs explicou como funcionava o processo
de construção do consenso na URSS e agora também implantado no Brasil.
As instituições na sociedade socialista devem agir como
facilitadores(lideranças comunitárias identificadas nas comunidades de
bairro, sindicatos, etc. que tem o carisma de líder e atraídos para a
militância, formal ou informal). Facilitadores entre a comunidade e o
Estado ou o partido hegemônico ou totalitário que represente o Estado.
Estas lideranças são o soviets. Os soviets formam o comitê ou
assembléia onde se discute os assuntos de interesse da comunidade,
facilitando o debate dos problemas sociais do dia-a-dia. Quando você
ouvir o termo técnico facilitador você já sabe agora que é o mesmo que
soviets, claro? continuemos.

O debate organizado pelos facilitadores nunca pode ser conclusivo. Os
assuntos de interesse nunca podem ser concluídos, tudo ficando na
retórica. Deve-se chegar apenas no conflito de opiniões, situações de
aprendizagem, e parar por aí. Assim seria possível manter a tensão na
comunidade, e como nunca haveria a polarização definitiva das opiniões
cada participante permaneceria convicto que a hora de expor e discutir
suas idéias chegaria e seriam até aceitas. Porém, como manda o manual
do projeto de planejamento estratégico, o que acontece é que nenhuma
idéia é afastada em definitivo, ainda que fosse discutida, deixa-se
espaços que favoreçam as etapas do projeto, as encruzilhadas ou
atividades de integração.

O conflito pode ser deliberadamente provocado pelo facilitador ou
soviet, nas reuniões ou em ambientes controlados socialmente, quando
ele apela à resolução de problemas, à análise de situações, ao
confronto de idéias concorrentes.

Apenas o facilitador saberia mais que a comunidade. Ele ficaria a par
de outros problemas e soluções, de modo que pudesse ter uma visão
global da situação, mesmo tendo divergências na comunidade, a unidade
de princípios seria garantida. Isto se chama na newspeak
"gerenciamento de conflitos".

Fonte: http://www.geocities.com/policymake/comofunciona1.htm


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