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Pensar Enlouquece, Pense Nisto. 12/2002

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Xadai

unread,
Oct 24, 2005, 11:27:14 PM10/24/05
to
Santa da Janela. Não é brinquedo não. Corralito na Argentina. O
celular de Fernandinho Beira-Mar. Baba baby baba. Mala de R$ 1,34
milhão na Lunus. Matou a família e foi ao motel. O decote de Deborah
Secco. As mães de Pedrinho. Cerco à Igreja de Natividade. 100% Jardim
Irene. Diego e Robinho. O assassinato de Celso Daniel. Eu tenho medo,
muito medo. Eva, o primeiro clone? Thyrso e Manoela. Blame it on Lisa.
Lula, você vai manter a Cide? Palmeiras na segunda divisão. Cada
mergulho é um flash. Robert Scheidt hexacampeão mundial. Atentados em
Bali e Mombasa. O ano do euro. Gisele: fur scum. Os lábios de Daniela
Cicarelli. O cabelo de Ronaldo Cascão. Há sempre uma desculpa
esfarrapada para exibir Gisele Bundchen Free Winona. A voz do Gato
Mestre. O pretzel de Bush Júnior. Concordata da World Com. Dadinho o
caralho, meu nome é Zé Pequeno! Dólar a quatro reais?! Rubinho abre
alas para o alemão. Palmas no JN para Tim Lopes. Paulo Coelho na ABL.
Blogger Brasil. Esse eu agarântio! Duda Mendonça. O avião da TAM
matou a vaca. Chipkevitch gosta de criancinhas. Gretchen apanhou do
noivo. Morreu um Clash. Free Olivetto. Canonização da Madre Paulina.
Além do Céu Cinzento invade a rádio. Roberto Carlos canta rap.
Britney Spears não é mais virgem. Maldito Risco Brasil. 1 milhão e
meio de votos para Enéas Carneiro. Se eu fosse você, procurava um
médico. Asehere ra de re. How you remind me? Michael Jackson balança
bebê na janela. Chechênios invadem teatro russo. Carandiru foi
implodido. Meu filho se chama Mano Wladimir. A volta de Herbert Vianna.
Morreu um Ramone. A cabeça raspada de Patricia Pillar. Rosinha
Garotinho, programa de índio. Free Belo. Maria Eugênia, a revelação
da TV brasileira em 2002 Lágrimas de Kléber Bambam. Oscar
politicamente correto. Cadê Osama? Saudades do Audiogalaxy. Pelé
esqueceu de dar a bandeirada. Já sei namorar. The Eminem Show. Fátima
Bernardes musa da Copa. William Bonner para Presidente. Os dentes
quebrados de Reynaldo Gianecchini. A bala que acertou o jabuti. O
franco-atirador de Washington. Serra & Rita. The Osbournes. Pepsi
Twist. Calouros do Raul Gil. No more Free Jazz. Os pelados de Spencer
Tunick.

Xô, 2002!

E que venha 2003. Um Feliz Ano Todo para cada um de nós. Até lá.

© Alexandre Inagaki | 19:36 | Fala que eu te escuto

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27.12.02
Coisas que eu gostaria de saber:

- Qual foi o destino dado ao casal formado por Salvatore e Elena (vide
foto à esquerda), na versão remontada de Cinema Paradiso, que, ao que
me consta, jamais foi lançada comercialmente no Brasil?

- Existe alguma balada pop com arranjo de cordas tão matador quanto o
de "Fear and Love", do Morcheeba?

- Afinal de contas, o que há de engraçado no Seu Creysson?

- Por que Steven Spielberg insiste em estragar obras-primas em
potencial inserindo cenas melosas, risíveis e desnecessariamente
explicativas? Vide a seqüência em que Oskar Schindler se despede dos
judeus lamentando-se: "oh, por que eu não vendi esse relógio? E por
que eu não me desvencilhei deste carro? Quantos mais eu poderia ter
salvo, snif, snif". Ou o final-família de Minority Report, que ia bem
até a redenção do mocinho? Ou a emenda do soneto quase perfeito de
A.I., no "segundo final" que se passa após a seqüencia submarina com
o robô interpretado por Haley Joel Osment? Por Tutatis, quanto
desperdício de talento.

- Que espécie de aura se formou em torno do prefixo "Ro", que faz com
que tantos jogadores bons de futebol a carreguem em seus nomes de
guerra? Dá até para formar uma seleção, de primeiríssima
qualidade, formada quase que exclusivamente por craques que já
vestiram a camisa da Seleção Brasileira (há apenas uma exceção: o
atacante do Santos). Confiram: Rogério Ceni; Rogério, Roque Júnior,
Roger e Roberto Carlos; Rochemback, Robert, Rodrigo Fabri e Ronaldinho
Gaúcho; Robinho e Ronaldo.

- Quem veio parar aqui fazendo no Google a busca "Quero montar uma
banda de rock com minha alma gêmea"?

- Por que não eu?

© Alexandre Inagaki | 01:50 | Fala que eu te escuto

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25.12.02
Papai Noel na visão de Caco Galhardo

Nelito Fernandes, do blog Eu Hein!, tirou as palavras de meu pensamento
ao escrever a seguinte reflexão: "só existem duas coisas certas no
Natal: seu décimo terceiro não vai dar e você vai receber toneladas
de e-mails de 'Feliz Natal'. Pior: eles virão de gente que você nem
conhece. Daquele cara da contabilidade. Da mulher da recepção.
Daquele sujeito que você mandou um e-mail no início do ano e, sabe-se
por que cargas d'água, resolveu te colocar na mailing list dele.
Então alguém na sua empresa vai mandar um e-mail reclamando das
mensagens de Natal e todo mundo vai responder. Para acalmar os ânimos,
um membro da diretoria vai enviar um e-mail falando sobre normas para o
bom uso do e-mail".

Pois é. Eu não vejo muita graça no Natal, a efeméride. Pessoas
atravancando as ruas com suas sacolas de compras, reprises na TV de
infindáveis filmes adaptando o Conto de Natal de Charles Dickens,
cumprimentos de gente que mal se importa com você, ou falando em
fraternidade e solidariedade em um único e solitário dia do ano.
Gostaria de reencontrar minhas crenças no tal Espírito Natalino, que
acabou sendo relegado ao fundo do fundo do fundo do saco de um Papai
Noel hipotético no qual jamais acreditei de verdade. Mas é difícil
ressuscitar crenças enterradas, ainda mais sendo soterrado por
propagandas que incitam ao consumismo estéril.

O fato é que o Natal se tornou uma comemoração desenraizada das suas
origens. A maioria das pessoas sabe apenas en passant que a data surgiu
por causa do nascimento de Jesus Cristo. Que, provavelmente, sequer
nasceu em 25 de dezembro. E se alguém vier me dizer que esta é uma
época mágica em que a bondade brota dos corações humanos, depois de
testemunhar in loco 364 dias de esmolas recusadas e vidros fechados nas
esquinas das metrópoles, provavelmente serei obrigado a refrear meu
sorriso irônico.

Sinto falta dos tempos em que eu via na TVS (atual SBT) o desenho da
Rena do Nariz Vermelho, e via o Natal com olhos mais ingênuos e
generosos. Mas enfim, nostalgias estéreis não cicatrizam ilusões que
feneceram. A vida, a despeito das provas em contrário, é
assombrosamente boa, e alimenta-se do aqui e do agora. Oras, não vale
a pena dar presentes às pessoas que amamos? Ou telefonar para um amigo
com quem não converso há meses, aproveitando o pretexto da data pra
entabular conversas que fluem como se nós não tivéssemos seguido
rumos tão diferentes na vida? Ou perceber como é legal reencontrar
parentes e trocar idéias, por exemplo, com minha prima de sete anos,
tentando explicar a ela as coisas malucas da contemporaneidade, como
descrever como conheci minha namorada (serei sempre seu pára-quedas
reserva, mocinha) pela Internet?

Toda vez que me meto a escrever sobre o Natal, não resisto a fazer uma
citação extraída de um dos meus seriados prediletos, "Anos
Incríveis". Imaginem a voz de Kevin Arnold em off:

"Naquele ano o Natal deixou de significar para mim enfeites e
presentes, e começou a significar recordações. No começo fiquei um
pouco desapontado, mas aprendi que a memória é uma maneira de reter
as coisas que amamos, as coisas que somos, as coisas que não queremos
perder nunca. E o que aprendi com Winnie foi que, num mundo que muda
tão depressa, o melhor que podemos fazer é desejar aos outros um
Feliz Natal. E muita sorte".

Datas são apenas convenções. Por isso, pouco importa se haverá peru
ou pedaços requentados de pizza na ceia, nota fiscal na mão para
trocar um presente que não agradou, luzes chinesas enfeitando a
fachada do prédio, panetones amanhecidos no café da manhã do dia
seguinte. Desejo apenas isso: muita sorte, esperança e generosidade
para cada um de nós. Seja hoje, seja sempre.

© Alexandre Inagaki | 17:07 | Fala que eu te escuto

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23.12.02
Então é Natal...

... mas, pelamordedeus, a versão horrenda que a Simone gravou de
"Happy Xmas (War is Over)", de John Lennon, não será minha trilha
sonora nesta época do ano. Canção muito melhor é "Boas Festas",
composta por Assis Valente:

Anoiteceu, o sino gemeu
A gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Vem assim, felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então Felicidade
É brinquedo que não tem

O leitor atento percebeu que a letra, apesar de bonita, é lúgubre e
dociamarga até não poder mais. Não admira que Assis Valente,
compositor de outros clássicos da MPB como "... E o Mundo não se
Acabou" e "Camisa Listrada", tenha se matado ao ingerir guaraná com
formicida (fim do ano é uma época deveras melancólica).

Mas o Natal tupiniquim possui outros hinos não-oficiais mais
edificantes. Por exemplo, o inesquecível jingle da Varig, composto
pelo publicitário Caetano Zama:

Estrela das Américas no céu azul
Iluminando de Norte a Sul
Mensagem de amor e paz
Nasceu Jesus, chegou o Natal
Papai Noel voando a jato pelo céu
Trazendo um Natal de felicidade
E um Ano Novo cheio de prosperidade

Ok, a Varig é uma empresa aérea quase falida, aparentemente prestes a
seguir o mesmo caminho da finada Panair. Mas certos jingles possuem a
capacidade de ficarem na memória afetiva, perdurando mais que a
própria empresa que os encomendou. Um exemplo? "Quero Ver Você Não
Chorar", criado para o comercial de Natal do Banco Nacional (dirigido
por Lula Vieira), de autoria de Edson Borges de Aguiar, vulgo
Passarinho, grande parceiro de Dolores Duran. Originalmente uma
canção composta para o grupo "Os Titulares do Ritmo", Passarinho fez
umas adaptações na letra, que acabou se tornando o jingle
popularmente conhecido como o "Melô do Sexo Anal". Ah, esse pessoal
leva tudo por trás...

Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz

Quero ver
o amor vencer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir

Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer

Que o Natal existe
que ninguém é triste
que no mundo há sempre amor

Bom Natal, um Feliz Natal
muito amor e paz pra você
pra VOCÊ...

Desgraçadamente este jingle ganhou nova versão interpretada por Zezé
di Camargo & Luciano, e hoje embala os infames comerciais natalinos das
Lojas Marabrás. Como diria Kléber Bambam, "faz parte". Enfim. Falando
em assuntos globais, outra trilha sonora inevitável de fim de ano é
"Um Novo Tempo". Canção composta pelo trio Marcos Valle, Nélson
Motta e Paulo Sérgio Valle, embala as mensagens de ano da Rede Globo
desde 1971:

Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou
Nesses novos dias as alegrias serão de todos, é só querer
Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou
Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa
É de quem quiser, quem vier

As versões originais desses clássicos da propaganda podem ser
conferidas no site do programa de Lula Vieira, veiculado na rádio CBN:

http://radioclick.globo.com/cbn/colunas/jinglesinesqueciveis.asp.

(publicado originalmente no Spam Zine edição 085 e 1/2 - assine
djá!)

© Alexandre Inagaki | 04:26 | Fala que eu te escuto

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Há tempos não publico um poema meu por aqui. Portanto...

O Código Secreto das Estrelas

Leio nas entrelinhas do teu sorriso
rumores, canções que falam em pássaros.
Teus passos soletram pelas calçadas
sussurros de sombras por entre pétalas secas.

Teu amor, miríade de galáxias sem sintaxe,
hoje tateia as lágrimas que não escorreram
enquanto o tempo traça no vidro da memória
confusas lembranças que mordem ferozes.

Falo de sonhos como quem tange nuvens,
e releio tardes de primaveras sangrentas
em que teu calor se espalhava feito pólen,
decifrando o código secreto das estrelas.

Hoje sei que tudo passa, embora eu ainda durma
com memórias teimosas e perfumes apócrifos.
Recordo com gosto doce de espelhos na boca
tua pele, teu sexo, teu cheiro, teu sol.

O tempo é turvo. O tempo é turvo.
Mastiga utopias, cospe sementes de névoa,
esparge fagulhas de luz no passado
- brinquedo mimado nas mãos do acaso.

Mas não quero mais ser racional.
Deitado dentro de mim, hoje evoco
o momento único em que te encontrei,

e já começava a te perder.

(São Paulo - novembro 1999/ janeiro 2000)

© Alexandre Inagaki | 04:13 | Fala que eu te escuto

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Este blog não costuma publicar fotos salientes (e calientes) de
mocinhas incautas. Contudo, desta vez fui obrigado a abrir uma
exceção, para atender a uma justíssima queixa do leitor Marcelo V.,
que nos comentários do post anterior escreveu o seguinte:

"Esse negócio de citar mulher gostosa (ou, ipsis litteris,
gostooooosa) e não colocar pelo menos um link para uma foto da dita
cuja em seu esplendor me dá nos nervos. Quem diabos é Patricia
Silveira?"

Mr. Valetta, a mulher em questão estrelou os comerciais da cerveja
Antarctica. Mas, como o clichê de que uma imagem vale por mil palavras
é verdadeiro, eis a foto da mocinha em todo o seu esplendor:

Espero que o imbróglio tenha sido resolvido de modo satisfatório. :)

© Alexandre Inagaki | 03:49 | Fala que eu te escuto

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21.12.02
Ainda não conhece o Mau Humor?

A reunião dos Tribalistas, junto com a derrota retumbante de Paulo
Maluf e o comercial de cerveja com a gostoooosa da Patricia Silveira,
foi um dos melhores acontecimentos de 2002. Não por causa dos méritos
musicais, e sim por ter inspirado coisas bacanas como a charge acima
(criada por Arnaldo Allemand Branco, do excelente blog Mau Humor) e o
notório Gerador de Letras do Mundo Perfeito.

Melhor que isso, só as piadas que apareceram relacionando Camilly
Victória e Mano Wladimir. A propósito, uma informação relevante
para este post: os filhos de Pepeu Gomes com Baby do Brasil (ex-Baby
Consuelo) se chamam Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Pedro Baby,
Krishna Baby e Kriptus Rá. Sarah Sheeva, aliás, não é o nome
original da moçoila: ela se chamava Riroca. É por essas e outras que
agradeço a sorte de ter os pais que tenho. Fosse eu filho de poeta
concretista com cantora multimídia, poderia ter sido batizado Zazueira
Zambeletê Abaporoo Nhecnhé Inagaki.

© Alexandre Inagaki | 15:17 | Fala que eu te escuto

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20.12.02
A que ponto chegamos


O que se passa na cabeça de uma pessoa que monta um mailing list
compilando e-mails de blogueiros, e depois divulga sua página
encaminhando a mesma mensagem padronizada para todo mundo? No caso,
esta:

"Visitei o seu site e gostei muito.
Também tenho um site que é muito legal.
Dá uma olhada: http://www.luizhenrique.com - Acidez Mental e Estomacal
Vamos trocar links?

Um forte abraço

L.H.C."

Não costumo perder tempo com esse tipo de spam: ignorei a tal
mensagem. Mas eis que, visitando o Epinion, não é que descubro que o
tal L.H.C. é especialista em chupinhar os posts dos outros? E tome
copy-and-paste de textos e imagens dos blogs da Daniela Abade, Nelito
Fernandes, Adailton Persegonha, Giovanna Cantarelli e... Alexandre
Inagaki. Sim, o tal L.H.C. teve a pachorra de plagiar um post publicado
por mim no dia 27 de novembro. Nem disfarçou o plágio: usou a mesma
ilustração que eu, republicando meu texto sem qualquer crédito no
dia 04 de dezembro.

Eis o modus operandi do plagiador: ele republica textos a torto e a
direito, recebe indevidamente os méritos e só credita os posts depois
que o verdadeiro autor reclama da picaretagem. Pior: além de
pusilânime, é covarde. Prova inconteste é a edição que L.H.C. fez
em um comentário que a Rossana Fischer escreveu sobre o post "Ligadura
de Trompas", de 19 de dezembro, chupinhado ipsis litteris do Mundo
Perfeito. Sintam a canalhice da figura:

"esse texto não foi você quem escreveu... tá no mundo perfeito...
colou aqui e nào deu crédito...

Rossana... Você é analfabeta?

Edited By Siteowner
Rossana | Homepage | 12.19.02 - 3:40 pm | #"

L.H.C. foi devidamente citado por Daniela Abade em seu post de hoje.
Vale a pena ainda dar uma olhada no que a Cora Rónai escreveu sobre a
figura.

Pfuf. Em "homenagem" ao cinismo de manés como esse L.H.C. republico o
texto logo abaixo, sobre a Geração Copy-and-Paste.

© Alexandre Inagaki | 17:55 | Fala que eu te escuto

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Das Estranhas Relações Entre Literatura e Barracas de Camelô


Um dos problemas de se publicar textos na Web está na facilidade com
que pessoas dão copy-and-paste neles a torto e a direito, muitas vezes
apropriando-se da paternidade de filhos que foram paridos à base de
muitas elucubrações e rascunhos. Se é má fé ou lapso do
responsável pelos forwards, não há muita diferença: o estrago é o
mesmo e custa a ser reparado.

De qualquer modo, o "fenômeno" é antigo, e a Internet apenas ampliou
o alcance dessas falsas autorias de textos. O exemplo mais conhecido é
o poema de Nadine Stair Instantes ("Se eu pudesse viver novamente a
minha vida/ Na próxima trataria de cometer mais erros"), que é
insistentemente atribuído a Jorge Luis Borges. O imbróglio chegou a
tal ponto que obrigou a viúva de Borges, Maria Kodama, a manifestar-se
oficialmente na Justiça, alertando que os direitos autorais dos versos
pertenciam a Stair, que compôs tais versos aos 85 anos de idade (à
beira da morte, como o próprio poema sugere).

Outro caso notório é o de No Caminho com Maiakóvski, creditado
erroneamente ao próprio Maiakóvski ou a Bertold Brecht, e que na
realidade saiu da pena de Eduardo Alves da Costa. Lamentável logro,
por dar a César o que não é de César (no caso, os créditos de um
poema genuinamente bom).

Episódio tão lamentável quanto é o crédito falso dado a textos
repletos de chavões e/ou erros de português. Arnaldo Jabor é uma das
vítimas mais conhecidas dessa contramão de autorias, como comprova o
caso de uma crônica sobre o Big Brother Brasil que anda sendo
espalhada por Outlooks e Eudoras alheios, intitulada "Faz Parte!!". Do
mesmo modo, quantas vezes não recebi versos supostamente escritos por
Clarice Lispector?

Há ainda os casos de escritores amadores que cometem certos textos e
propositadamente os atribuem a autores já conhecidos - Luis Fernando
Veríssimo é a vítima mais notória desses procedimentos. Como certos
fabricantes made in Paraguai, que produzem tênis Mike, pilhas Dubacell
e calças Fóbum, distribuindo-os nas melhores barracas de camelô do
ramo. José Nêumanne dá como exemplo a história de um certo
Undurraga, que misturava versos de Pablo Neruda com editoriais do
jornal cubano Granma, e conseguia espaço para publicação em revistas
especializadas.

Este mundo, definitivamente, não é para inocentes.

(texto publicado originalmente no blog coletivo Logopéia)

© Alexandre Inagaki | 17:27 | Fala que eu te escuto

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18.12.02
Encontrei esta dica preciosa no Orelhão. Eu ainda não conhecia o
FilmWise, site mantido por Brian e Jim, dois estudantes
norte-americanos fanáticos por cinema e craques em Photoshop, que
criaram a página a partir de uma simples pergunta: "você consegue
adivinhar a qual filme pertence esta cena?". A partir daí surgiu um
dos mais divertidos sites que já visitei na vida.

Uma das principais seções do FilmWise, Invisibles, desafia cinéfilos
a reconhecer um filme sem ver os atores. Confira a seguir dez cenas
modificadas por computador, e veja se você sabe os nomes das fitas
correspondentes a cada foto (tá fácil...).


© Alexandre Inagaki | 01:56 | Fala que eu te escuto

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O FilmWise é definitivamente um deleite para qualquer cinéfilo. Na
seção Text Quizzes, encontrei outros desafios originais e deliciosos.
Um deles, "Prelude to a Kiss", transcreve diálogos que precedem a cena
de um beijo, e desafia o internauta a dizer a qual filme pertencem. Há
um outro, "Words Before Dying", dedicado às últimas frases
pronunciadas por personagens que morrem em uma cena. Mas o meu quiz
predileto diz respeito àqueles filmes que terminam com legendas que
descrevem o que aconteceu depois a cada personagem. Por exemplo, em
Clube dos Cafajestes (National Lampoon's Animal House), a genial
comédia de John Landis. Quem assistiu a este filme recorda bem suas
legendas finais:

"Daniel Simpson Day '63
Whereabouts unknown

Boon and Katy
Married 1964. Divorced 1969.

Senator & Mrs. John Blutarsky
Washington, D.C."

Destino mais edificante foi reservado a Jeff Spicoli, personagem
interpretado por Sean Penn em Fast Times at Ridgemont High, conhecido
por estas praias como Picardias Estudantis (mais um título imbecil
dado pelas distribuidoras brasileiras): "Saved Brooke Shields from
drowning. Blows reward money hiring Van Halen to play his Birthday
party".

Mas há também as legendas melancólicas. Quem assistiu ao delicioso
Loucuras de Verão (American Grafitti), filme nostálgico passado no
final dos anos 50, dirigido por George Lucas antes de criar a saga de
Star Wars, não pôde evitar uma ponta de tristeza ao descobrir o
destino dos seus protagonistas, metáforas do que acontecera ao "sonho
americano" após as mortes de John Kennedy e Martin Luther King, o fim
do movimento hippie e a ressaca pós-Vietnã:

"John Milner was killed by a drunk driver in December 1964.

Terry Fields was reported missing in action near An Loc in December
1965.

Steve Bolander is an insurance agent in Modesto, California.

Curt Henderson is a writer living in Canada".

© Alexandre Inagaki | 01:55 | Fala que eu te escuto

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E as procuras esdrúxulas via Google continuam. Fora os clichês
habituais, como pedidos por fotos au naturel de Kelly Key, Lidia
Brondi, Luciana Vendramini, Thaís e Manoela do BBB, Priscila Fantin,
Avril Lavigne e até mesmo um hipotético "ensaio de Sandy para
playboy", internautas vieram parar aqui procurando por "mamilos
jennifer lopez", "aprender a dança ragatanga", "Hero fonte Atari" e
"fotos cheirando cocaína".

Entretanto recebi hoje um pedido razoável, que atendo com prazer. Esta
imagem é para você, navegante perdido, que chegou aqui em busca da
Zebrinha do Fantástico.

© Alexandre Inagaki | 00:11 | Fala que eu te escuto

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17.12.02
Futebol é uma caixinha de Pandora


OK, o título de Campeão Brasileiro não poderia estar em melhores
pés. Mas seria melhor ainda se os jornalistas evitassem:

a) usar expressões como "futebol moleque" ou "jogaram bola como gente
grande" para se referir ao time do Santos;

b) afirmar que Robinho é a "reencarnação de Garrincha", ou que o
Diego é o "legítimo sucessor de Pelé". Comparações precipitadas
são o que matam. Por enquanto, me limito a dizer que o Robinho é um
Denílson aprimorado, com mais objetividade e pontaria;

c) citar a vitória do Santos em cima do Corinthians como "a
consagração do futebol-arte sobre o futebol de resultados".
Jornalistas esportivos são desmemoriados mesmo: bastou uma perda de
título para que eles se esquecessem que Carlos Alberto Parreira armou
um esquema com três atacantes, tendo sido o grande responsável pela
conquista, com sobra de méritos, da Copa do Brasil e do Torneio
Rio-São Paulo no primeiro semestre de 2002;

d) insistir em creditar à equipe praiana o resgate do tal do
futebol-arte supostamente enterrado com a perda da Copa de 1982. Oras,
ao que me lembre outros grandes times como o São Paulo bicampeão
mundial de clubes em 1992 e 1993 e o Palmeiras do ataque de 100 gols no
Campeonato Paulista de 1996 já haviam provado que o futebol ofensivo e
bonito de se ver nunca deixou de ser praticado em gramados tupiniquins.

Para finalizar: será que alguém poderia calar a boca do Galvão Bueno
toda vez que ele criticar com tanta veemência um Campeonato Brasileiro
a ser disputado por pontos corridos, com turno e returno (como nos
melhores certames europeus)? Por acaso alguém delegou a esse locutor o
direito de ser o meu porta-voz, ou o André Singer da torcida
brasileira, para impor as opiniões da Globo Esportes a qualquer
incauto que seja?

© Alexandre Inagaki | 23:37 | Fala que eu te escuto

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14.12.02
Todo dia 13, em PDF.

Todo dia 13 será assim: você vai até o site, baixa o arquivo e, se
quiser, imprime. Uma revista online descontraída e aberta a
colaborações, capitaneada por José Kazi e Camila Kintzel. Todas as
edições serão temáticas; o mote do primeiro repente foi cu. Eu
estou lá, na companhia de gente fina, elegante e sincera como José
Bessa, Jean Boëchat, Denis Klein e Marcatti.

Não tire seu cu da reta. Vai lá e confira.

P.S.: ainda dentro (êpa) do assunto, alguém ainda não conhece o
genial cu do Ruy Goiaba?

© Alexandre Inagaki | 12:12 | Fala que eu te escuto

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Maravalha geni(t)al, diriam alguns concretistas. O Mundo Perfeito acaba
de disponibilizar em sua página o fabuloso Gerador de Letras
Tribalistas. Hey, agora sim minha carreira de compositor pop-cabeça
vai engrenar! Confiram abaixo a letra que criei com a ajuda do Mundo
Perfeito:

Todo mundo no mundo

Faço sexo no subgênero soporífero
Divino peido
Ninguém é de todo mundo no mundo

(bis)

Seja em Pindamonhagaba, São Petersburgo
Vamos fornicar, vamos locupletar
Lagarta lasciva link me
Vamos fornicar, vamos locupletar
Amor de tataravô, desmundo!
Girou a Terra, a terra de Sayoko
Vamos fornicar, vamos locupletar
Boneco baba-ovo, na bola

(repita 102 vezes até você ser deportado)

© Alexandre Inagaki | 11:40 | Fala que eu te escuto

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13.12.02
Clique aqui para saber mais a respeito da saga cinematográfica de
Jason Eu, particularmente, não me incomodaria em passar debaixo de uma
escada, pisando sobre cacos de espelhos quebrados por mim e aninhando
em meus braços um gato preto na manhã de uma sexta-feira 13. Mas o
fato é que há muitos supersticiosos neste mundo, a ponto de ter sido
criado um termo específico para definir a fobia que alguns têm pelo
número 13 ou por sextas-feiras 13: triscaidecafobia.

Segundo o excelente site Dictionary.com, triscaidecafobia é um termo
que surgiu pela primeira vez em 1911, formado a partir da junção dos
termos gregos triskaideka (treze) e phobos (medo). Creiam: Napoleão
Bonaparte, Mark Twain, Richard Wagner e Franklin Roosevelt seriam
alguns dos mais famosos "triscaidecafóbicos". Wagner, por sinal, teve
quase tantas relações com o número 13 em sua vida quanto o nosso
técnico Zagallo: afinal, o compositor alemão nasceu em 1813, compôs
treze óperas, finalizou "Tanhauser" em 13 de abril de 1860 e morreu em
13 de fevereiro de 1883.

Segundo os "estudiosos" do assunto, a explicação para as crendices
sobre a data está no fato de que Jesus Cristo foi crucificado numa
sexta-feira, sendo que em sua última ceia, havia treze pessoas à sua
mesa. Há outra explicação: segundo uma lenda nórdica, houve um
banquete e doze deuses foram convidados. Loki, espírito da discórdia,
apareceu sem ser chamado e armou uma briga que culminou na morte de
Balder, o favorito dos deuses. Daí veio a crença de que convidar
treze pessoas para um jantar é desgraça na certa.

Você acredita nessas coisas? Então lá vai uma dica: no jogo do
bicho, aposte em borboleta (número 13) na cabeça. Depois a gente vê
como vai rachar os lucros. :)

(em tempo: quer ver uma campanha quase tão bizarra quanto o medo de
sextas-feiras 13? Então visite o Pirão Sem Dono e confira a campanha
tropicalista criada pela Thya Vhannya. Tem cada uma que parece duas...)

© Alexandre Inagaki | 18:19 | Fala que eu te escuto

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11.12.02
Segundo o imprescindível Guia dos Curiosos, hoje, 11 de dezembro, é o
Dia do Engenheiro (parabéns, seu Shiguehiko!), do Arquiteto, do
Agrimensor, do Evangelho (?), da Infantaria da Aeronáutica e do Tango.
Contudo, para este blog, 11 de dezembro é o Dia da Publicação de
Posts Sobre Cinema (cada um com suas sandices).

Por favor, desliguem seus pagers e celulares, evitem jogar embalagens
de M&Ms no chão e pipocas no decote da peituda ao lado, que a sessão
já vai começar. Bom divertimento. :)

© Alexandre Inagaki | 22:09 | Fala que eu te escuto

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Um filme...

... cotação "5 lenços", que me obrigou a ficar até o final dos
créditos enxugando lágrimas: Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore
(1989).

... para ser visto e revisto até que cada diálogo seja decorado: A
Malvada (All About Eve), de Joseph L. Manckiewicz (1950).

... para rir até as bochechas ficarem com cãibra: Um Convidado Bem
Trapalhão (The Party), de Blake Edwards (1968).

... que compensou cada centavo do ingresso, a ponto de eu ter sido
obrigado a revê-lo na tela grande: O Marido da Cabeleireira (Le Mari
de la Coiffeuse), de Patrice Leconte (1990).

... que me fez desejar ser cineasta quando crescesse: Os Sete Samurais
(Shichinin No Samurai), de Akira Kurosawa (1954).

... cujo personagem principal tem a vida que eu gostaria de ter:
Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off), de John Hughes
(1986).

... que me deixou encolhido na poltrona, aguardando pelo próximo susto
que ia levar: O Sexto Sentido (The Sixth Sense), de M. Night Shyamalan
(1999).

... ótimo, mas com título em português simplesmente vexaminoso:
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall), de Woody Allen (1977).

... que deveria ser exibido em cadeia nacional de televisão: Terra em
Transe, de Gláuber Rocha (1967).

... cuja trilha sonora marcou minha vida: Houve uma Vez um Verão
(Summer of 42), de Robert Mulligan (1971), com música de Michel
Legrand.

... detestado pela crítica, mas eu gostei: As Pontes de Madison (The
Bridges of Madison County), de Clint Eastwood (1995).

... louvado pela crítica, mas eu detestei: Je Vous Salue, Marie, de
Jean-Luc Godard (1985).

... brilhante, mas chato: 2001, uma Odisséia no Espaço (2001: A Space
Odyssey), de Stanley Kubrick (1968).

... brilhante e nem um pouco chato: O Sétimo Selo (Det Sjunde
inseglet), de Ingmar Bergman (1957).

... ambicioso, mas chato, modorrento, opaco e ruim pra dedéu: Kafka,
de Steven Soderbergh (1991).

... que conseguiu ser tão bom quanto o livro: A Insustentável Leveza
do Ser (The Unbearable Lightness of Being), de Philip Kaufman (1988),
adaptação do romance de Milan Kundera.

... para ser apreciado ao lado de uma boa companhia feminina: Os
Amantes do Círculo Polar (Los Amantes del Círculo Polar), de Julio
Medem (1998).

... perfeito para uma "Sessão da Tarde": A Fantástica Fábrica de
Chocolate (Willy Wonka & the Chocolate Factory), de Mel Stuart (1971).

... cuja atriz principal me fez sair inapelavelmente apaixonado da sala
de cinema: A Noite (La Notte), de Michelangelo Antonioni (1960).

... que justifica plenamente sua duração de mais de três horas:
Doutor Jivago (Doctor Zhivago), de David Lean (1965, 197 minutos).

... que me fez dormir no meio da sessão: O Estranho Mundo de Jack (The
Nightmare Before Christmas), de Henry Selick (1993).

... inexplicavelmente sem cópias para exibição no Brasil: A Palavra
(Ordet), de Carl Theodor Dreyer (1955), sem dúvida nenhuma o melhor
filme que já vi em toda a minha vida.

© Alexandre Inagaki | 22:09 | Fala que eu te escuto

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Multiplex do Inferno


Lá no inferno, onde todos comem pudim de jiló e ouvem pagode, Louis
Cypher convida todos os cinéfilos pecadores a expiarem suas penas em
seu mais novo empreendimento: "Hellmark". Confira a programação, sala
por sala:

Sala 1: Loucademia de Polícia - "A Saga".

Sala 2: 24 horas com o melhor de Sylvester Stallone. Destaques da
semana: Pare, Senão Mamãe Atira, Falcão - O Campeão dos Campeões e
Oscar - Minha Filha Quer Casar.

Sala 3: O Melhor de Tela Quente & Cinema em Casa: A Gang dos Dobermans,
A Primeira Transa de um Nerd, Alligator, Férias do Barulho, Última
Festa de Solteiro, O Homem-Cobra, A Melhor Casa Suspeita do Texas e O
Último Americano Virgem.

Sala 4: Showgirls (director's cut).

Sala 5: Godzilla.

Sala 6: Festival Neville de Almeida. Cartaz de hoje: Os Sete Gatinhos.

Sala 7: Todos os filmes da série Pantera Cor-de-Rosa lançados depois
da morte de Peter Sellers, mais O Filho da Pantera Cor-de-Rosa.

Sala 8: Dose dupla de Madonna com Antônio Banderas: Evita e Grande
Hotel.

Sala 9: Ciclo Mulheres no Cinema - apresentações ininterruptas com a
filmografia completa de Bo Derek, Brooke Shields e Pia Zadora.

Sala 10: Títulos Imbecis, Filmes Idem. Atrações da semana: Geladeira
Diabólica, O Incrível Homem que Derreteu, Quem Não Herda Fica na
Mesma, O Dentista - Meu Prazer é a Sua Dor e Nuts - Nasceu Burro, Não
Aprendeu Nada e Ainda Esqueceu a Metade.

Sala 11: Arquivo X - O Filme.

Sala 12: Encaixotando Helena.

Sala 13: A Arte de Christopher Lambert. Cartaz de hoje: Adrenalina.

Sala 14: Festival Grandes Duplas - destaques da semana:

- Jean Claude Van Damme e Dennis Rodman - A Colônia
- Sylvester Stallone e Kurt Russell - Tango & Cash
- Demi Moore e Burt Reynolds - Striptease
- Melanie Griffith e Don Johnson - Paraíso
- Leonardo Di Caprio e... Leonardo Di Caprio - O Homem da Máscara de
Ferro

Sala 15: O Pestinha (trilogia exibida 24 horas por dia, ad eternum).

Sala 16: Barb Wire - sessão especial seguida de workshop com a atriz
(sic) Pamela Anderson discorrendo sobre o tema "A Importância
Dramática do Silicone no Cinema Pós-Moderno".

Sala 17: Ciclo especial "A Arte da Interpretação". Toda semana
palestras com atores comentando suas mais brilhantes performances.

Convidados da semana:

- Dolph Lundgren - Homem de Guerra
- Rob Lowe - A Farsa
- Sean Young - Um Beijo Antes de Morrer
- Supla - Uma Escola Atrapalhada
- Keanu Reeves - Johnny Mnemonic
- Jon Voight - Anaconda
- Vince Vaughn - Psicose (1998)

Sala 18: Sala Especial - os filmes que queimaram o filme do cinema
brasileiro. Destaques do mês: Lua-de-Mel e Amendoim, O Bem-Dotado - O
Homem de Itu, Superfêmea e Os Bons Tempos Voltaram - Vamos Gozar
Novamente.

Sala 19: The Best of Chuck Norris: Braddock I, II e III.

Sala 20: Cine Cabeça: Interiores, Sob o Sol de Satã, Um Olhar a Cada
Dia, todos os filmes de Júlio Bressane e Andrei Tarkóvski, e qualquer
representante francês selecionado para o Festival de Cannes. Sessões
especiais dubladas em mandarim com legendas em esperanto.

Sala 21: Atores que Dirigem ou Desgraça Pouca é Bobagem. Atrações
da semana: O Mensageiro (Kevin Costner), Rocky IV (Sylvester Stallone)
e Em Terreno Selvagem (Steven Seagal).

Sala 22: Ishtar.

Sala 23: Cantores no Cinema - as interpretações mais desafinadas de
todos os tempos.

Destaques da semana:

SEG: Mande Lembranças a Broad Street - Paul McCartney
TER: Salsa, o Filme - Robby Rosa
QUA: O Mundo das Spice Girls
QUI: Cool as Ice - Vanilla Ice
SEX: Duna - Sting
SÁB: Surpresa em Shanghai - Madonna
DOM: Orfeu - Toni Garrido

Obs.: Todos os dias teremos matinês com Cinderela Bahiana de Carla
Perez. Programe sessões especiais para grupos "iscolares"!!!

Sala 24: Continuações I: Super-Homem IV - Em Busca da Paz, A Jóia do
Nilo, Velocidade Máxima II, Psicose II e III, De Volta à Lagoa Azul,
Três Solteirões e uma Pequena Dama, Highlander II - A Ressureição.

Sala 25: Continuações II - O Pesadelo Continua: Tubarão 3-D, Os
Embalos de Sábado à Noite Continuam, Águia de Aço II e III, Tão
Longe, Tão Perto, Meu Primeiro Amor - Parte II (aliás, não deveria
se chamar Meu Segundo Amor?).

Sala 26: Continuações III - O Inferno é Fogo: A Mosca II, Ace
Ventura II - Uma Aventura na África, Eu Ainda Sei o Que Vocês Fizeram
no Verão Passado, todos os Sextas-Feiras 13 e Horas do Pesadelo, Free
Willy II, Querida, Estiquei o Bebê, Jurassic Park - O Mundo Perdido.

Sala 27: Festival Mickey Rourke. Atração de hoje: Orquídea Selvagem.
Não percam grande promoção: concorra a uma operação plástica com
o mesmo cirurgião do ator!!!

Sala 28: Sessão da Tarde Especial - "O Castigo dos Pestinhas": Super
Mario Bros, Street Fighter, He-Man - Mestres do Universo, Transformers
- O Filme, Super Xuxa Contra o Baixo Astral, Mallandro e o Inspetor
Faustão, Pocahontas, Tom & Jerry - O Filme, Annie, Lua de Cristal.

(escrito originalmente em 31 de maio de 1999.)

© Alexandre Inagaki | 22:09 | Fala que eu te escuto

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TOP 5 MÚSICAS DA TRILHA SONORA DE MINHA HIPOTÉTICA CINEBIOGRAFIA:

Danizinha, uma de minhas parceiras no filme. Para a seqüência de
abertura, na qual uma steadycam acompanha Antônio Daniel (o nome de
meu alter ego no filme) aos 15 anos de idade, correndo com lágrimas
dos olhos, depois da primeira desilusão amorosa: Running Scared (Roy
Orbison).

. Para a polêmica e explícita cena de ménage à trois entre eu,
Charlize Theron e Daniela Cicarelli: Closer (Nine Inch Nails).

. Para a seqüência do sonho, no qual uma multidão enlouquecida de
fãs cerca minha limusine, me retira do carro e começa a me devorar
vivo (com closes nas bocas ensangüentadas de groupies deliciando-se
com o gosto doce de minha carne crua): Drive (R.E.M.).

. Para a seqüência do beijo, um travelling ao redor dos dois atores
(eu e Nicole Kidman), profundamente envoltos um no outro, como se
nossas línguas estivessem resgatando no céu da boca do outro o
sentido de um mundo caótico: Todo o Sentimento (Chico Buarque).

. Para os créditos finais, uma câmera exibindo imagens aéreas da
paisagem noturna de São Paulo: Tides of the Moon (Mercury Rev).

© Alexandre Inagaki | 22:08 | Fala que eu te escuto

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9.12.02
SESSÃO JABÁ


- É cumpadi Emilio di Fraia quem manda avisar: o site do GIVAGO,
revista eletrônica de ficção, foi reformulado e está estalando de
novo, desta vez com a presença de galera do mais fino trato
recém-cooptada pela trupe groselhiana: Daniel Bueno, Ronaldo Bressane
e Frederico Barbosa.

- Meg, a mais querida de todas, como sempre me passou preciosíssima
dica de novo blog na praça: o Letteri Café, capitaneado por Alberto
Lyra, a.k.a. Aly. Visita recomendadíssima.

- A Revisita da MPB, impecável blog coletivo dedicado à Música
Popular Brasileira, atende agora em nova URL:
http://revisitampb.festim.net.

- E a bloglândia prossegue cooptando nomes de respeito. Dois exemplos
recentes: eraOdito, do escritor pernambucano Marcelino Freire, e Assim
Falava Prepúcio, do jornalista, poeta e músico Rodrigo de Souza
Leão, também responsável por um dos melhores projetos literários na
Net, o Balacobaco.

© Alexandre Inagaki | 22:43 | Fala que eu te escuto

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8.12.02
Clipping


A frase da semana foi cunhada por Latino, cantor funk-brega e ex-marido
de Kelly Key, a próxima capa da Playboy, na matéria "Bate, baby,
bate", publicada em O Globo:

- Para ser traído, basta ter mulher. Pior que a traição é a
ingratidão.

Em tempo: Latino não perde uma oportunidade de ir à mídia para se
queixar da ex-mulher, principalmente agora que está na fase de
divulgação de seu novo CD, que "coincidentemente" foi recém-lançado
na praça.

*

O filão mais rentável dentro do segmento de livros de auto-ajuda
atualmente é formado pelos manuais voltados para a educação dos
filhos. Pudera: depois dos casos da família Richthofen e do estudante
de direito que matou a avó, que pai não estaria encasquetado com sua
própria prole? Içami Tiba, psiquiatra que foi entrevistado por 10
entre 10 telejornais quando da prisão de Suzane von Richthofen, é o
Paulo Coelho deste subgênero literário, com obras como "Disciplina,
Limite na Medida Certa", "Saiba Mais sobre Maconha e Jovens" e "Quem
Ama, Educa!". Ter filhos neste mundo louco é uma responsabilidade e
tanto, e é um tanto quanto ingênuo acreditar que livros de auto-ajuda
sirvam como Bíblias capazes de mostrar os caminhos para a
transformação de pirralhos em criaturas decentes. Mas enfim, creio
que muito sofrimento seria evitado se certas pessoas tivessem seguido o
pensamento de Brás Cubas: "não tive filhos, não transmiti a nenhuma
criatura o legado da nossa miséria".

*

A edição deste mês da Superinteressante (que, diga-se de passagem,
é uma das poucas revistas que compensam plenamente sua assinatura)
traz uma entrevista com Geoffrey Miller, autor do livro "A Mente
Seletiva", em que defende a tese de que a cultura humana surgiu,
basicamente, da nossa necessidade de atrair parceiros sexuais. Sim, é
isso mesmo: partindo do princípio de que a reprodução é o instinto
básico de todos os seres, Miller diz que, se antes os homens
pré-históricos precisavam caçar animais para atrair parceiras, os
homo sapiens de hoje necessitam buscar status, comprar carros, montar
bandas de rock e compor poesias para seduzir incautas.

Tudo a ver, nada a ver. Renato Cavalcanti, criador do site Boa Bronha,
está lançando o livro "A Arte de Desperdiçar Energia", em que relata
a história de como uma página descompromissada tornou-se o site
pornô mais visitado do Brasil em apenas três meses. No site do Boa
Bronha, destaca-se um comentário de mestre Laerte Coutinho, que tem
tudo a ver com a tese de Geoffrey Miller:

"A grande motivação quando comecei a passear na rede era encontrar
gente pelada, gente fazendo sexo. Essa, na verdade, também foi minha
motivação quando comecei a desenhar. Ou ler o Kama Sutra. A natureza
abomina o vazio dos corpos cavernosos. O Boa Bronha era a minha parada
favorita".

*

Saddam Hussein pediu desculpas ao povo do Kuwait por ter invadido o
país em 1990. Ok, qualquer ignaro sabe que esse ato foi motivado pela
eminente guerra que Mr. Bush Júnior está louco para deflagrar, assim
como pela pressão internacional que culminou na recente visita dos
inspetores da ONU às instalações militares iraquianas. Mas é de se
pensar: quando é que um governante da Gringoland pedirá desculpas aos
povos de Granada, Líbia, Chile e Vietnã, dentre outros, pelas
inúmeras intervenções bélicas, diplomáticas e políticas ao longo
dos anos?

*

Amostra do blog de Alexandre Soares Silva, nova leitura obrigatória
acrescentada à lista de links deste site.

"Joguinhos para Casais I:
Ficam se olhando nos olhos. Perde o primeiro que disser 'Eu te amo'.

Joguinhos para Casais II:
Se separam. Perde quem tiver mais memória".

*

Patrícia Silveira entrou, com méritos de sobra, no panteão de musas
deste que vos escreve, ao estrelar um comercial da Antarctica em que
borrifava cerveja em sua calcinha. Pois bem, qual não foi minha
decepção ao saber que Patrícia (a propósito, sua foto publicada na
Veja São Paulo desta semana é simplesmente sensacional) está
envolvida com João Paulo Diniz, o mesmo playboyzinho que se envolveu
no acidente de helicóptero que matou sua namorada na época, Fernanda
Vogel? Ok, admito que sinto inveja desse cara, e sei que Patrícia
Silveira é areia demais para o meu reles caminhãozinho. Mas não pude
evitar que esse affair me recordasse alguns versos de "Uma Fatia de
Bolo de Casamento", poema do inglês Robert Graves:

"Terá o estoque divino de maridos toleráveis caído, de fato, tão
baixo?
Ou sou eu que sempre superestimei as mulheres
Às custas dos homens?
Será? Pode ser".

*

Recomendação de leitura: "The Sims" e a hipersimulação do
subúrbio, artigo de David Brooks, no New York Times, sobre o porquê
do fascínio de tantas pessoas por The Sims, jogo cujo objetivo é
definido como "a conquista suburbana em sua forma mais crua (...) e a
necessidade de criar suas próprias raízes num mundo móvel e
individualista".

© Alexandre Inagaki | 14:58 | Fala que eu te escuto

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She's got a smile that it seems to me/ Reminds me of childhood
memories/ Where everything was as fresh as the bright blue sky/ Now and
then when I see her face/ She takes me away to that special place/ And
if I stared too long/ I'd probably break down and cry/ Sweet child o'
mine/ Sweet love of mine Escrevi sobre leituras desatentas, mas o que
dizer de audições desatentas? Atentem para os versos abaixo:

"Ela tem um sorriso que, me parece,
Me remete a memórias da infância
Quando tudo era tão puro como o brilhante céu azul
De vez em quando, ao ver o seu rosto
Ela me leva para aquele lugar especial
E se eu olhasse durante muito tempo
Eu provavelmente perderia o controle e choraria

Minha doce criança, minha doce amada"

É uma letra não-recomendável a diabéticos, tal é o grau de sua
"doce" pieguice. E no entanto, roqueiros do mundo inteiro ouvem essa
música, agitam suas cabeças como se estivessem tendo um ataque
epilético e erguem suas mãos fazendo o sinal do capeta (lml). Pois os
versos acima pertencem à canção "Sweet Child O' Mine", dos Guns N'
Roses. Acho gozado, pois, quando headbangers criticam as músicas de
Sandyjúnior ou KLB, tachando-as de bregas. O que diriam se ao menos se
esforçassem para entender o que dizem as composições de seus
ídolos?

Música e letra, de qualquer modo, não necessitam dançar no mesmo
compasso. Vide o caso do primeiro grande sucesso de Beth Carvalho, "Vou
Festejar". Outro dia assisti na TV a uma apresentação ao vivo de
Jorge Aragão, um dos compositores dessa música junto com Dida e
Neuci. O público todo se levantou das cadeiras para cantar e batucar
ao som desse samba. Mas será que algum incauto repara no teor da sua
letra?

Chora/ Não vou ligar/ Chegou a Hora/ Vais me pagar/ Pode chorar, pode
chorar "Chora
Não vou ligar
Chegou a Hora
Vais me pagar
Pode chorar, pode chorar

Ah, é o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter por quê

Eu vou festejar
O teu sofrer
O teu penar

Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão"

Samba dos mais empolgantes, "Vou Festejar" guarda em si uma das letras
mais ressentidas e vingativas de toda a MPB. Se o ritmo fosse obrigado
a acompanhar os versos, provavelmente teria dado origem a um tango ou
fado (mas perderia com isso a dicotomia e a ambigüidade que faz de
"Vou Festejar" um dos melhores sambas que já ouvi). Essa composição
me faz pensar: quem realmente presta atenção nas letras que seu
ídolo canta? A julgar pelos hits radiofônicos que tocam hoje em dia,
ninguém; vide a grande (sic) revelação da MPB nos últimos tempos,
Jorge Vercilo. Só lendo para crer nas rimas cunhadas pela letra de
"Que Nem Maré":

"Faz um tempão
Que eu não dou asas à minha emoção
Passear, distrair,
E me achar lá no fundo de ti"

A MPB, que já cunhou compositores do quilate de Orestes Barbosa, Aldir
Blanc, Noel Rosa, Lupiscínio Rodrigues, Cazuza, Tom Jobim, Chico
Buarque, Itamar Assumpção, Cartola e Vinícius de Moraes, não
merecia ser melhor representada?

© Alexandre Inagaki | 10:35 | Fala que eu te escuto

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Leituras desatentas


Escreve-se muito, lê-se pouco e mal na Terra Brasilis. Prova
inconteste foi a divulgação, no final de 2001, de um teste
internacional realizado com estudantes de 15 anos do mundo inteiro, a
fim de aferir a capacidade da compreensão de textos dos alunos de cada
país. Ficamos, entre 32 nações, na última colocação (atrás de
Liechtenstein, Portugal e México). A conclusão: brasileiros, no
geral, lêem, mas demonstram incapacidade para interpretar textos,
articular parágrafos e compreender as idéias entrelinhadas no que
está escrito. A despeito da difusão de weblogs, fanzines e outros
meios de veiculação da palavra escrita, o fato é que estes são
tempos em que leitores eletrônicos (ou não) dependem da muleta de
emoticons, que assumem cada vez mais o papel de mastigar para eles as
ironias, críticas e opiniões emitidas em um parágrafo. :(

Talvez a explicação para tamanha pobreza de leituras esteja na pressa
com que vivemos o dia-a-dia. Vejam, por exemplo, a pressa injustificada
com que pulamos de canal em canal no zapping do controle remoto. Mal
conseguimos digerir todo o dilúvio de dados que nos é empurrado
retinas abaixo. É tudo ao mesmo tempo agora: assistimos a mosaicos
caóticos (vide o canal Bloomberg) que, de tantas informações que nos
são exibidas ao mesmo tempo, acabam se transformando em quadros
abstratos. São justaposições de letras e manchas coloridas passeando
pela tela, qual uma pintura de Pollock ou Basquiat desprovida de todo e
qualquer significado: lavagem cerebral.

Enxurrada de dados. Cada portal de Internet é um amontoado de
manchetes justapostas. Em meio à superficialidade geral, tornamo-nos
maniqueístas, como nos blockbusters hollywoodianos. O Taleban é mau
porque é mau, e ponto: desconhecemos os precedentes históricos de
cada evento. A História torna-se uma velha senhora desmemoriada, e
cada fato é reescrito pelos sobreviventes. Ou apagado, feito as
imagens de Trotsky ao lado de Lênin durante a Revolução Russa,
removidas manualmente de cada foto a mando de Stálin.

Essa perda generalizada de sentido afeta a emitentes e receptores de
comunicação. E é fator fundamental na compreensão do porquê da
pobreza da arte contemporânea (explicitada pela estéril
grandiloqüência das instalações "multimídia" de Bienais), reflexo
fiel de uma era de descontextualizações históricas e empobrecimento
das utopias. Uma arte voltada para si mesma, desconectada do mundo lá
fora: cínica, cética, descrente em movimentos sociais e fechada em
tergiversações metalingüísticas. Reconhecidamente incapaz de mudar
o mundo, a produção artística assume, mesmo que envergonhada, a
condição de mero produto cultural (e a cobra come o próprio rabo).
Os leitores são dispersivos porque a arte perdeu a sua aura? Ou a
produção artística acatou a diluição de sua mensagem pelo
establishment devido à pasteurização de seu público?

(publicado originalmente no Spam Zine - edição 043)

© Alexandre Inagaki | 09:33 | Fala que eu te escuto

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3.12.02
Ligeirinho, a.k.a. Speedy Gonzalez

Reminiscências


Quando eu era criança, assistia aos desenhos do Ligeirinho e me
encantava ao ver aqueles feijões mexicanos que pulavam sozinhos. Uma
das maiores frustrações de minha infância foi essa: nunca comi
feijões que pulam.

*

Quando eu era criança, me apaixonei irremediavelmente pela Daphne da
Turma do Scubidu. Talvez seja essa a razão da minha atração por
ruivas, sejam elas pintadas ou não.

*

Quando eu era criança, meu pai dizia que eu devia cuspir longe as
sementes de melancia, porque se engolisse uma delas por acidente
nasceriam outras melancias dentro do meu estômago. Pensava comigo
mesmo: "ué, será que é assim que as mães ficam grávidas?".

*

Quando eu era criança, mantinha sempre os meus olhos atentos ao chão,
porque acreditava piamente que um dia encontraria uma lâmpada mágica
como a do Aladim. O único problema é que o gênio provavelmente só
saberia falar árabe, e eu ficava angustiado pensando em como
conseguiria me fazer entender. Aliás, eu tinha na ponta da língua o
primeiro pedido que faria ao gênio: "quero que o senhor me conceda
mais cinqüenta desejos!".

*

Quando eu era criança, assisti a uma reportagem sobre um tal "morto
que riu". A matéria relatava que durante um velório um dos presentes
resolveu tirar uma foto do morto dentro do caixão. No entanto quando
ele foi revelar os negativos levou o maior dos sustos, porque o morto
aparecera sorrindo na fotografia. Até hoje sinto calafrios toda vez
que lembro da cara do finado (sim, o Fantástico exibiu o retrato do
mesmo no final da matéria).

A propósito, eu também tinha medo de qualquer reportagem apresentada
pelo Hélio Costa.

*

Quando eu era criança, acreditava que sempre chovia nos dias de
Finados. E que essa chuva era na verdade as lágrimas derramadas pelos
mortos que ficavam emocionados ao ver suas famílias visitando (ou
não) seus túmulos.

*

Quando eu era criança, não conseguia entender como funciona o tal do
Amor (aliás, o adulto aqui continua sem entender patavina nenhuma).
Ficava imaginando: "pôxa, mas e se minha alma gêmea morar na
Finlândia ou na Nova Zelândia? Como a gente vai fazer pra se
encontrar?"

(post inspirado no site I Used to Believe)

© Alexandre Inagaki | 20:55 | Fala que eu te escuto

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2.12.02
Paulo César de Farias, também conhecido como o MESTRE Paulinho da
Viola Dia 2 de dezembro é o Dia Nacional do Samba. Fuçando pela
Internet, encontrei um texto de Paulo Eduardo Neves, criador da
preciosa Agenda do Samba & Choro, explicando o porquê dessa data.
Não, não é o dia do nascimento de Noel Rosa, Cartola ou Nélson
Cavaquinho, tampouco o dia do lançamento de "Pelo Telefone",
considerado o primeiro samba gravado na história, ou da criação de
escolas como a Mangueira ou a Portela. Paulo Eduardo explica que a
efeméride surgiu pela iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro
da Costa, para homenagear Ary Barroso, o compositor de "Aquarela do
Brasil" e "Na Baixa do Sapateiro", que havia visitado Salvador pela
primeira vez em 2 de dezembro.

A data não é tão celebrada como se deveria. Afinal de contas, samba
é o gênero musical que identifica, imediatamente, nossa Terra
Brasilis em qualquer canto deste planeta? Mas enfim, este blog gostaria
de marcar a data transcrevendo uma letra (porque, oras, blog que se
preza publica uma letra de música pelo menos uma vez na vida) composta
por um dos maiores representantes do gênero em todos os tempos: mestre
Paulinho da Viola. Registrada no álbum "Eu Canto Samba", de 1989,
"Quando Bate uma Saudade" é uma pequena obra-prima que retrata o
momento da criação do artista.

Quando Bate uma Saudade (Paulinho da Viola)

Vem, quando bate uma saudade
Triste, carregado de emoção
Ou aflito quando um beijo já não arde
No reverso inevitável da paixão
Quase sempre um coração amargurado
Pelo desprezo de alguém
É tocado pelas cordas de uma viola
É assim que um samba vem

Quando um poeta se encontra
Sozinho num canto qualquer do seu mundo
Vibram acordes, surgem imagens
Soam palavras, formam-se frases

Mágoas, tudo passa com o tempo
Lágrimas são as pedras preciosas da ilusão
Quando surge a luz da criação no pensamento
Ele trata com ternura o sofrimento
E afasta a solidão (Mas vem...)

© Alexandre Inagaki | 23:32 | Fala que eu te escuto

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Minha caixa postal constantemente recebe piadas velhas, anúncios
bizarros versando sobre itens como produtos contra calvície, rações
para gado ou cursos de conserto de celulares, cartas "dramáticas"
oriundas de diplomatas nigerianos ou professores cubanos, attachments
de Power Point com mensagens "edificantes" ou aqueles malfadados kits
sobre como se tornar milionário sem sair da minha casa. Diante desse
cenário desgracento, não é de se admirar uma notícia dessas: spam
pode consumir até 35% da banda de internet do Brasil em 2003. Ah
crianças, quando é que vocês vão aprender que o único spam do bem
é o Spam Zine? =^) A todos que compartilham da minha indignação,
recomendo fortemente uma visita ao Museu do Spam, criado com o intuito
de descobrir as razões do excêntrico comportamento que faz dos
spammers seres tão esclarecidos quanto asnos, mulas, pedras e
dançarinas de grupos de pagode.

Contudo, faço uma ressalva àqueles que costumam repassar e-mails com
fotos de crianças que desapareceram. Da próxima vez que você receber
uma mensagem do tipo, dê um toque ao remetente: o Ministério da
Justiça criou o site da Rede Nacional de Identificação e
Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Muito mais
eficiente do que enviar a mesma mensagem para seu grupo de contatos
será o cadastro de cada vítima nesta página. De quebra, você
estará ajudando a poupar a paciência e a conexão à Internet de seus
amigos e conhecidos. ;^)

© Alexandre Inagaki | 22:49 | Fala que eu te escuto

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Obrigado pela preferência. :) A ilustração ao lado, encontrada em um
saquinho de padaria, foi trazida para a Internet por João Antônio
Bührer, responsável por um dos mais preciosos blogs da paróquia: o
Grafolalia. Se você ainda não o visitou, se oriente, mon ami: clique
aqui e se deleite com a vasta coleção de livros, ilustrações,
cards, recortes e revistas do meu conterrâneo João.

Em tempo: Pensar Enlouquece está entre os cinco mais votados do
Prêmio iBest Blog (a votação vai até dia 26 de fevereiro), e eu
preciso do seu voto para ganhar uma graninha honesta e fazer com que
minha conta bancária, que anda sempre "naqueles dias" (só no
vermelho), saia do negativo finalmente. Clique aqui para dar aquela
forcinha amiga. :) De quebra, todos os participantes da votação
concorrerão ao sorteio de um Citroen Xsara Picasso. Na pior das
hipóteses, se o meu blog não faturar esse prêmio, ao menos você
daria uma carona para mim depois? =)

© Alexandre Inagaki | 00:55 | Fala que eu te escuto

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1.12.02


Já se tornou chavão, no universo da bloglândia tupiniquim, escrever
posts com palavras chamativas a fim de aumentar o número de acessos e
tapear os punheteiros de plantão. Basta publicar uma frase do tipo
"Syang nua, pelada, desnuda e sem roupa na Playboy, Sexy e Vip junto
com Kelly Key, Sandy, Daniela Cicarelli e Suzane von Richthofen
praticando barebacking na festa da FGV ouvindo mp3 com mensagens
subliminares do Ragatanga satânico do Rouge no cafofo do Big Brother",
e pronto: o número de visitantes do seu blog aumentará mais que os
índices da inflação.

Parece piada, mas não é. Outro dia entraram neste blog com a seguinte
pesquisa no Google: "quero a playboy da lidia brondi e também a da
luciana vendramini". Não duvido que haja internautas que façam
pesquisas com termos como "caro Google será que você poderia me
informar onde eu acho fotos da Scheila Carvalho de calcinha", e outras
bizarrices do tipo. Sábias foram as palavras de Albert Einstein:
"apenas duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, e
eu não estou seguro quanto à primeira".

É pra rir ou pra chorar? Um artigo de Marinilda Carvalho, publicado no
Observatório da Imprensa, prova que talvez seja necessária a
implantação de um novo curso nas faculdades de Comunicação:
Pesquisas Avançadas na Internet. O texto transcreve alguns dos pedidos
mais esdrúxulos que a redação do Observatório recebeu nos seis anos
de existência do site. É uma verdadeira mostra da cara-de-pau e da
indulgência de alguns estudantes que, em vez de fazerem pesquisas de
verdade, têm a desfaçatez de pedir para que mandem tudo mastigado no
conforto de seus lares. O que dizer, por exemplo, de um internauta que
manda um e-mail com esse pedido:

"Estou fazendo um ensaio sobre a influência das variações na
economia sobre o acesso público à informação, e como isso é
utilizado para se restringir decisões políticas a ambientes
restritos. Um golpe na democracia, para ser mais breve. Gostaria que me
indicassem sites, articulistas, textos, e, se fosse possível, artigos
do próprio Observatório, que poderiam ser enviados por e-mail. Tudo
que for relacionado, até charges e músicas, será de grande valia.
Agradeço antecipadamente."

Mas há mais aberrações:

"Boa tarde. Gostaria de saber algumas coisas sobre a Semana de Arte
Moderna de 1922. 1) Por que surgiu o movimento. 2) Quem participou. 3)
O que o movimento trouxe para os nossos dias. Gostaria muito da ajuda
de vocês, pois este é um ensaio para a faculdade e preciso entregar
até sexta-feira. Fico muito agradecido. Aguardo respostas. Um grande
abraço."

Não cheguei a tal ponto, mas já recebi e-mails com pedidos
esdrúxulos. Quando "Pensar Enlouquece" foi citado no Blogs of Note,
mandaram-me mensagens solicitando que eu elaborasse templates, isso
para não falar na famosa "troca de links para mútua divulgação", e
até mesmo a redação de posts que chamassem a atenção do tal
"Blogger Man". Como diria o Bussunda, "fala sério!!!".

Ainda é possível se surpreender com a humanidade?

© Alexandre Inagaki | 11:06 | Fala que eu te escuto

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Confira o site oficial do MELHOR time do país. Nasci em Campinas, em
27 de julho de 1973. Mas me mudei cedo de lá, com poucos meses de
idade. Da cidade, guardei apenas um vínculo: minha torcida pelo
Guarani. Que nasceu quando, em 1978, vi na televisão um time do
interior surrar todas as equipes consideradas "grandes" com um futebol
alegre e ofensivo. Por uma feliz coincidência, esse time era da minha
cidade natal. Batata: foi amor à primeira vista.

Como vocês sabem, amor não se escolhe; simplesmente acontece.
Aconteça o que acontecer, serei Bugrão até a morte. Eu sei que meu
time de coração não tem a mesma estrutura, tampouco o mesmo
orçamento das "grandes" agremiações do futebol canarinho. No
entanto, mesmo com as limitações, insiste em incomodar a "elite"
formando equipes vencedoras, e revelando inúmeros talentos para a
Seleção Brasileira, como Careca, Amoroso, Evair, Amaral, Luisão,
Júlio César, João Paulo, Mauro Silva, Flamarion e Neto. Meu Bugrão
permanece sendo o único clube do interior que foi campeão brasileiro
(1978), além de ter conquistado a Taça de Prata (1981), a Taça dos
Invictos (1970), a Taça São Paulo de Júniores (1994) e o
bicampeonato da Copa Toyota de Futebol Juvenil no Japão (2001/2002).
Também bateu recordes que perduram até hoje, como a de melhor ataque
em campeonatos brasileiros (em 1982 o ataque formado por Lúcio, Jorge
Mendonça, Ernani Banana e Careca fez 63 gols em 20 jogos - média de
3,15 gols por partida) e vitórias consecutivas (doze, em 1978).

Ok, nem de longe dá para comparar as conquistas do Guarani com as de
outras equipes como Flamengo, São Paulo, Cruzeiro e Grêmio. Mas é
como eu disse: amor não se escolhe, tampouco se explica. Não me
venham com argumentações a respeito de títulos, plantel,
patrocínios, tamanho da torcida ou infra-estrutura. O meu time é o
melhor de todos, e pronto. Será o único representante alviverde do
futebol paulista na 1a. divisão em 2003. Ah, e está disputando as
finais dos campeonatos paulistas de juvenis e júniores, revelando,
como sempre, novos talentos.

Eu sofro, mas sou feliz. Sim: sou BUGRÃO, com todo orgulho e amor.

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