A maior lavanderia de dinheiro do mundo ameaça falir...

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Dilmando

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Jan 29, 2011, 7:23:54 AM1/29/11
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A MAIOR LAVANDERIA DE DINHEIRO DO MUNDO AMEAÇA FALIR! - Gilles Lapouge
- Paris.

A Suíça tremula. Zurique alarma-se. Os belos bancos, elegantes,
silenciosos de Basiléia e Berna estão ofegantes. Poderia dizer-se que
eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um
moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o
segredo bancário suíço. O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo
com o presidente Obama. O primeiro tiro de advertência foi dado na
quarta-feira. A UBS - União de Bancos Suíços, gigantesca instituição
bancária suíça viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes
americanos por ela ajudados para defraudar o fisco. O banco protestou,
mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos.
Os suíços, então, passaram os nomes. E a vida bancária foi retomada,
tranqüilamente. Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado. Desta
vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome
dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais! O banco
protestou. A Suíça está temerosa. O partido de extrema-direita, UDC
(União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no
Parlamento Federal, propõe que o segredo bancário seja inscrito e
ancorado pela Constituição federal. Mas como resistir! A União de
Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país
que aufere um terço dos seus benefícios. Um dos pilares da Suíça está
sendo sacudido. O segredo bancário suíço não é coisa recente. Esse
dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde
1714. No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand
escreveu que neutros nas grandes revoluções nos Estados que os
rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram
os bancos em cima das calamidades humanas. Acabar com o segredo
bancário será uma catástrofe econômica. Para Hans Rudolf Merz,
presidente da Confederação Helvética, uma falência da União de Bancos
Suíços custaria 300 bilhões de francos suíços ou 201 milhões de
dólares. E não se trata apenas do UBS. Toda a rede bancária do país
funciona da mesma maneira. O historiador suíço Jean Ziegler, que há
mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os
banqueiros do país, amparados no segredo bancário, fazem frutificar 3
trilhões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os
ativos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensão,
são nitidamente minoritários. Ziegler acrescenta ainda que se calcula
em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros
"offshore" do mundo, bem à frente de Luxemburgo, Caribe ou o extremo
Oriente. Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil
pessoas trabalham em bancos. O manejo do dinheiro na Suíça, diz
Ziegler, reveste-se de um caráter sacramental. Guardar, recolher,
contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos atos que se revestem
de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular e
realizam-se em silêncio e recolhimento. Onde param as fortunas
recolhidas pela Alemanha Nazi? Onde estão as fortunas colossais de
ditadores como Mobutu do Zaire, Eduardo dos Santos de Angola, dos
Barões da droga Colombiana, Papa-Doc do Haiti, de Mugabe do Zimbabwe e
da Máfia Russa? Quantos atuais e ex-governantes, presidentes,
ministros, reis e outros instalados no poder, até em cargos mais
discretos como Presidentes de Municípios têm chorudas contas na Suíça?
Quantas ficam eternamente esquecidas na Suíça, congeladas, e quando os
titulares das contas morrem ou caem da cadeira do poder, estas tornam-
se impossíveis de alcançar pelos legítimos herdeiros ou pelos países
que indevidamente espoliaram? Porquê após a morte de Mobutu, os seus
filhos nunca conseguiram entrar na Suíça? Tudo lá ficou para sempre e
em segredo. A agora surge um outro perigo, depois do duro golpe dos
americanos. Na minicúpula européia que se realizou em Berlim, em
preparação ao encontro do G-20 em Londres, França, Alemanha e
Inglaterra (o que foi inesperado) chegaram a um acordo no sentido de
sancionar os paraísos fiscais. "Precisamos de uma lista daqueles que
recusam a cooperação internacional", vociferou a chanceler Angela
Merkel. No domingo, o encarregado do departamento do Tesouro
britânico, Alistair Darling, apelou aos suíços para se ajustarem às
leis fiscais e bancárias européias. Vale observar, contudo, que a
Suíça não foi convidada para participar do G-20 de Londres, quando
serão debatidas as sanções a serem adotadas contra os paraísos
fiscais. Há muito tempo se deseja o fim do segredo bancário. Mas até
agora, em razão da prosperidade econômica mundial, todas as tentativas
eram abortadas. Hoje, estamos em crise. Viva a crise!!! Barack Obama,
quando era senador, denunciou com perseverança a imoralidade desses
remansos de paz para o dinheiro corrompido. Hoje ele é presidente. É
preciso acrescentar que os Estados Unidos têm muitos defeitos, mas a
fraude fiscal sempre foi considerada um dos crimes mais graves no
país. Nos anos 30, os americanos conseguiram laçar Al Capone. Sob que
pretexto? Fraude fiscal. Para muito breve, a queda do império
financeiro suíço!

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