http://www.whosaliveandwhosdead.com/
Pedro "Xadai" Victor
http://www.geeklinksbr.blogspot.com
Eu já conhecia esse site americano e acho que teriamos patrimônio humano
para ter um equivalente brasileiro. Como imigrante que teve um hiato de
alguns anos sem a cultura televisiva brasileira, só retomada a uns dois
anos (na realidade tive que me mudar para ter posição com a antena) talvez
sinta mais falta de um site assim, apesar de nunca ter deixado virtualmente
o Brasil atravéz da Internet e a presença constante de milhares de outros
brasileiros, sempre indo e vindo. Mas, tenho exemplos recentes de fantasmas
que surgem do passado, gente que descubro que ainda existem... Outro dia me
surpreendi ao ver o Altamiro Carrilho tocando sua flauta em um programa, a
última vez que o vi acredito que a TV ainda era só em preto e branco...
Nesse desfile de Carnaval havia um enrredo de uma das escolas (não me
pergunte o nome da escola, eu só vejo aquilo para ver as musas... Luma, a
Angelica da novela das oito, que avião... .piranhas, sereias e vedetes
existem e me deixam doido...) falando de palhaço e coisa e tal e parece,
não vi, só escutei a menção que lá estava o Carequinha... O Carequinha e o
Zumbi foram para mim o que a Xuxa foi para meus filhos (no meio teve uns
infelizes que pegaram os Trapalhões), claro que meus filhos levaram
vantagem, ao menos na hora do banho... Caramba, essa gente vai fazer cem
anos, estamos definitivamente diante de uma nova media de vida... Mas, o
que mais me surpreendeu foi ter visto na reportagem do desfile do Bola
Preta o João Roberto Kelly... esse sumiu mesmo, jurei que estava morto...
Quando eu era criança existia a música capeã do carnaval, a marchinha que
era mais tocada (hoje em dia, se bobear até música funk deve rolar...uma
merda total...) quando haviam letras que para época eram irreverentes e,
principalmente, melodia fácil que permitia a qualquer um repetir ou
assobiar as músicas mais tocadas... eu gostava disso... João Roberto Kelly
ganhou alguns carnavais com suas músicas, chegou a ser um segundo Lamartine
Mamãe eu Quero Babo, fez muito sucesso (creio que até programa próprio na
TV Rio tinha...) em uma época que o Rio tinha a população do mesmo tamanho
da população do Uruguai de hoje e como este era um país a parte, cultura
popular, artistica e esportiva tudo made in Rio e para consumo próprio...
Dá saudades porque era muito bom, quem não viveu, lamentavemente perdeu, um
Brasil que deu certo e morreu recém nascido. Então esse site dos
desaparecidos deveria vir com uma explicação do sumisso... O site americano
informa que o Superman, igualmente barrigudo, suicidou-se com um tiro, mas
eu gostaria de saber as causas, depoimento dos amigos, se deixou bilhete
explicando porque não usou kriptonita para se matar e coisa e tal.
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# Visite http://www.canali.ws #
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O SCB anda fraco mesmo, quantas horas não se passaram até que eu mesmo
tenha que corrigir a autoria de Mamãe eu Quero... Não foi o Lamartine Babo,
foi o Jararaca, da dupla Jararaca e Ratinho... Se alguém me disser que
algum desses dois está vivo eu vou comprar um pirulito, afinal eu seria uma
criancinha ainda... ;-)
>... Mas, o que mais me surpreendeu foi ter visto na reportagem do
> desfile do Bola Preta o João Roberto Kelly... esse sumiu mesmo,
> jurei que estava morto...
Tem razão, Canali, grande músico, e craque no piano. Também notável
arranjador. Retirei (copiei e colei) estes dados do Dicionário Cravo
Albin da Música Popular Brasileira, em
http://www.dicionariompb.com.br:
BIOGRAFIA:
João Roberto Kelly (João Roberto Esteves Kelly)
24/6/1938 Rio de Janeiro, RJ
Compositor. Cantor. Produtor. Nasceu no bairro da Gamboa, no centro do
Rio de Janeiro. Filho do professor, político e jornalista Celso
Octávio do Prado Kelly e de Luzia Kelly. Aos 11 anos, começou a
aprender piano com a mãe e com a avó. Mais tarde, estudou música e
piano com a professora Zélia Lima Furtado no Conservatório Brasileiro
de Música. Cursou o primário, ginásio e clássico no colégio Padre
Antônio Vieira. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito do
Rio de Janeiro.
DADOS ARTÍSTICOS:
Em 1957, seu pai o apresentou ao cronista Leon Eliachar e Geysa
Boscoli que o convidaram a musicar a revista "Sputinik no morro", de
autoria de ambos. A peça estreou no Teatro Jardel no Rio de Janeiro,
naquele mesmo ano. Em 1961, Elza Soares gravou em 78 rpm pela Odeon a
sua composição "Boato" e viria a incluir esta mesma música em vários
outros LPs, nos anos seguintes. Em 1963, o pianista Luis Reis o levou
para a TV Excélsior, sendo contratado pelo diretor artístico Miguel
Gustavo para fazer aberturas de programas. Neste mesmo ano, Elza
Soares gravou em compacto pela Odeon "Gamação", de sua autoria. Um ano
depois, foi convidado por Chico Anísio e Carlos Manga a musicar os
quadros humorísticos do programa "Times Square". Mais tarde, foi
convidado também a fazer as músicas do programa "My fair show", com
direção de Carlos Manga e Maurício Sherman. Neste mesmo ano, Jorge
Goulart gravou de sua autoria "Cabeleira do Zezé" (c/ Roberto Faissal)
e anos mais tarde interpretou "Joga a chave, meu amor", ambas grandes
sucessos nos carnavais a partir dos seus lançamentos. Ingressou na TV
Rio no ano de 1965, onde musicou o programa"Praça Onze", com textos de
Meira Guimarães e J. Rui. Por essa mesma época, a pedido de Walter
Clark, passou a produzir e apresentar os programas "Noites Cariocas" e
"Musikelly". Neste mesmo ano, Emilinha Borba gravou com sucesso a
marchinha de carnaval "Mulata iê-iê-iê" e Dalva de Oliveira
interpretou "Rancho da Praça Onze" (c/ Chico Anísio). Em 1966,
apresentou no Canal 5 de São Paulo o programa "Alegro" e "Tonelux", na
TV Globo do Rio de Janeiro, reapresentando nesta mesma emissora o
programa "Musikelly". No ano seguinte, sua música "Colombina
iê-iê-iê", em parceria com David Nasser, foi uma das composições mais
cantadas e executadas no carnaval daquele ano, sendo gravada também
por Roberto Audi. A Orquestra do Maestro Gonzaga, em 1968, gravou um
LP ao vivo do Baile do Teatro Municipal, no qual continha algumas
composições suas. Na década de 1970, voltou para a TV Rio e apresentou
o programa "Rio dá samba", que ficou 12 anos no ar. Em 1971, Clóvis
Bornay interpretou "Paz e amor", parceria com Toninho. No ano
seguinte, Emilinha Borba interpretando "Israel" (c/ Carlos Gonçalves
dos Santos), vencendo o Concurso de Carnaval da TV Tupi. Em 1974,
gravou pela Odeon um LP com seus maiores sucessos, como "Boato" e
"Gamação". Em 1976, Elza Soares gravou em seu LP "Pilão + raça= Elza"
uma composição de sua autoria: "De pandeiro na mão". Entre as décadas
de 1970 e 1980, percorreu mais de 100 cidades do Rio de Janeiro com o
show "Rio dá samba - Kelly e mulatas", patrocinado pela Caderneta de
Poupança Morada. Por essa mesma época, apresentou vários shows em
diversas capitais brasileiras como Brasília, São Paulo e cidades do
exterior. Apresentou-se também em shows nos teatros João Caetano,
Teatro Municipal de Niterói e Teatro Villa-Lobos. Na década de 1980,
participou do programa "Gente do Rio" e fez a direção musical de
diversos programas da TVE, no Rio de Janeiro. Na década de 1990, foi
contratado pela Agência Focus para estrear um programa musical no
Canal 5 da TV a Cabo. Entre suas músicas mais gravadas estão: "Boato",
interpretada por Ademilde Fonseca, João Roberto Kelly e Lalo Schifrin
nos EUA; "Samba do teleco-teco", cantada por Valdir Calmon e Aracy
Cortes; "Dor-de-cotovelo" e "Pororopó-pó", gravadas por Elis Regina e
ainda "Cafezinho", interpretada por Dóris Monteiro e Cyro Monteiro.
Outros intérpretes seus foram: Dalva de Oliveira e A Banda de
Fuzileiros Navais ("Rancho do Rio - Hino do 4º Centenário da Cidade do
Rio de Janeiro"), Jamelão, Helena de Lima e Angela Maria ("Mormaço"),
Cauby Peixoto e Emílio Santiago ("Mistura") e Agnaldo Timóteo ("Minhas
trovas de amor", em parceria com J. G. de Araújo Jorge e "Canção para
mamãe", com David Nasser). Sua música "Zé da Conceição", foi
interpretada por Miltinho, Ari Cordovil e ainda por Zezinho e coro da
gravadora Copacabana. Outro grande sucesso seu foi "Rancho da Praça
Onze", em parceria com Chico Anísio, gravada por Cauby Peixoto e
Francisco José, entre outros. De sua autoria, o apresentador Chacrinha
gravou "Maria sapatão" e "Pacotão". Um de seus grandes sucessos é
"Dança do bole-bole", gravada pelo próprio autor e pelos conjuntos
Sambrasil e Vem Que Tem. A Banda do Canecão gravou de sua autoria
várias músicas, dentre elas "Maria Sapatão". Em 1987, realizou o show
Quero Kelly, ao lado de Emilinha Borba, na Série Carnavalesca da Sala
Funarte Sidney Miller, com roteiro e direção de Ricardo Cravo Albin,
espetáculo que resumia e homenageava apenas suas composições. Em
janeiro de 1993, convidado pelo mesmo R. C. Albin, fez o prefixo, a
direção musical e atuou no programa "Fama", em que a Rede Brasil
distribuiu os prêmios a mais de dez personalidades, consideradas as
melhores de 1992. Em 1998, foi lançado pelo Jornal O Dia a coletânea
"O Dia da Folia volume I", contendo algumas de suas composições, como
"Bota a camisinha", "Mulata iê-iê-iê" e "Cabeleira do Zezé". No ano
2000 realizou vários shows, dentre eles Carnaval de Sempre, no Clube
Monte Líbano e na Casa de Portugal, em Teresópolis.
OBRA:
Ana Lúcia (c/ A. Mello Pinto) • Boato • Brotinho bossa nova •
Cabeleira do Zezé (c/ Roberto Faissal) • Cafezinho • Canção para mamãe
(c/ David Nasser) • Colombina iê-iê-iê (c/ David Nasser) • Dança do
bole-bole • De pandeiro na mão • Dor-de-cotovelo • Figurinha de boate
• Gamação • Israel (c/ Carlos Gonçalves dos Santos) • Joga a chave,
meu amor (c/ J. Rui) • Linda mascarada (c/ David Nasser) • Maria
sapatão • Minhas trovas de amor (c/ J. G. de Araújo Jorge) • Mistura •
Mormaço • Mulata iê-iê-iê • Não dá pra entender • Pacotão • Paz e amor
(c/ Toninho) • Pororopó-pó • Qual é o pó? (c/ C. Gonçalves) • Rancho
da Praça Onze (c/ Chico Anísio) • Rancho do Lalá (c/ David Nasser) •
Rancho do Rio • Samba de branco (c/ J. Rui) • Samba do teleco-teco •
Só vou de balanço • Times Square (c/ Meira Guimarães) • Zé Conceição
DISCOGRAFIA:
• Tmes Squares (1965) RCA Victor LP
• My Fair Show (1965) Copacabana Discos LP
• Samba a Quatro Mãos. Com Luis Reis [S/D] RCA Victor LP
• Um Piano Sobe o Morro [S/D] Tapecar LP
• Festa na Paróquia [S/D] Musidisc LP
• João Roberto Kelly (1974) Odeon LP
• Happy Hour (1999) CID LP
> Engraçado que lendo essa biografia chegamos a conclusão que o sumiço que
> tinha percebido fora só uma impressão... Na realidade, eu tenho a impressão
> que são muito poucos os compositores (não digo interpretes) que mantém um
> ritmo de sucessos constantes. Chega num ponto que os caras passam a viver
> dos sucessos do passado, como se a fonte de inspiração secasse.
Como Tom Jobim, vivia mais do prestígio do que de composições novas,
nos últimos anos de vida.
Meu palpite é que muito da inspiração dos grandes compositores é uma
mistura de juventude (tesão) e vontade de ganhar dinheiro, depois que isso
passa e é resolvido, não sai mais nada do posso criativo... Aliás, no
cenario internacional acontece a mesma coisa... Até genios da musicalidade
como Paul McCartney (fiquei impressionado com sua última apresentação ao
vivo no show de intervalo do último superbowl, semana retrasada... tocou
quatro músicas de seu velho repertorio... parecia que era uma dublagem de
seus discos, a mesma qualidade da gravação original, uma maravilha...),
Stevie Wonder, Elton John, só para citar gente capaz de fazer melodia fácil
e popular, não produzem mais nenhum grande sucesso... não, não são tão
velhos assim, não se aposentaram, dava para sair um grande sucesso...
Enquanto isso o mundo é invadido por uma música/ruido ritmado (com um
criolinho qualquer vociferando um monte de merda...) pavorosa que empurram
guela abaixo da juventude como quem vende crack a viciado. Pode ser que
haja uma evolução musical que nos tenha deixado de fora, que nós é que não
conseguimos evoluir, afinal muitos de nossos avós não entendiam ou gostavam
dos Beatles, da mesma forma como achavam indecoroso os ridiculos e infantis
rebolados do Elvis Presley. Mas, minha sorte é que tudo de bom que foi
tocado em minha época está presente e remasterizado, consigo reunir em um
único CD de MP3 praticamente todas as músicas que mais gostei, tenho uma
radio só para gente do meu gosto (tudo bem, faixa etaria)... que se dane o
gosto atual, meu dinheiro é que não tiram, o problema é mais deles do que
meu...