Re: O DESASTRE**

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Boletim Piadas.com.br

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Oct 28, 2009, 9:58:37 AM10/28/09
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O que é um peido para quem está todo cagado?


 A expressão do título é conhecida

de todos, mas o texto que

a originou é menos.
 É uma obra de Luis Fernando Veríssimo

sobre a obra veríssima que ele fez
 numa viagem para Miami.
 

Aeroporto Santos Dumont, 15:30.
 Senti um pequeno mal-estar causado

por uma cólica intestinal, mas nada que
 uma urinada ou uma barrigada não aliviasse.
 Mas, atrasado para chegar ao ônibus

que me levaria para o Galeão, de onde
 partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas.
 Afinal de contas são só uns

15 minutos de busão.

 


 'Chegando lá, tenho tempo de sobra para

dar aquela mijadinha esperta,
 tranqüilo, o avião só sairía às 16:30'.
 Entrando no ônibus, sem sanitários.
 Senti a primeira contração e tomei

consciência de que minha gravidez fecal
 chegara ao nono mês e que faria um

parto de cócoras assim que entrasse no
 banheiro do aeroporto.
 Virei para o meu amigo que me

acompanhava e, sutil falei:
 'Cara, mal posso esperar para chegar

na merda do aeroporto porque preciso
largar um barro.'

 


 'Nesse momento, senti um urubu

beliscando minha cueca, mas botei a força de
 vontade para trabalhar e segurei a onda.'
 O ônibus nem tinha começado a andar

quando, para meu desespero, uma voz
disse pelo alto falante:
 'Senhoras e senhores, nossa viagem entre

os dois aeroportos levará em torno
 de 1hora, devido a obras na pista.
 'Aí o urubu ficou maluco querendo

sair a qualquer custo.
 Fiz um esforço hercúleo para segurar

o trem merda que estava para chegar na
 estação anus a qualquer momento.
 Suava em bicas. Meu amigo percebeu

e, como bom amigo que era, aproveitou
 para tirar um sarro.

 


 O alívio provisório veio em forma

de bolhas estomacais, indicando que pelo
 menos por enquanto as coisas tinham se acomodado.
 Tentava me distrair vendo TV,

mas só conseguia pensar em um banheiro, não
 com uma privada, mas com um vaso

sanitário tão branco e tão limpo que
alguém  poderia botar seu almoço nele.
 E o papel higiênico então: branco

e macio, com textura e perfume e, ops,
 senti um volume almofadado entre meu

traseiro e o assento do ônibus e
 percebi, consternado, que havia cagado.
 Um cocô sólido e comprido daqueles que

dão orgulho de pai ao seu autor.

 


 Daqueles que dá vontade de ligar pros

amigos e parentes e convidá-Los a
 apreciar na privada.
 Tão perfeita obra, dava pra expor

em uma bienal.
 Mas sem dúvida, a situação tava tensa.

Olhei para o meu amigo, procurando
um  pouco depiedade, e confessei sério:
 

'Cara, caguei!'
 

Quando meu amigo parou de rir, uns

cinco minutos depois, aconselhou-me a
 relaxar, pois agora estava tudo sob controle.
 'Que se Dane, me limpo no aeroporto', pensei.
 'Pior que isso não fico'.


 

 

Mal o ônibus entrou em movimento,

a cólica recomeçou forte.
 Arregalei OS olhos, segurei-me na cadeira

mas não pude evitar, e sem muita
 cerimônia ou anunciação, veio a

segunda leva de merda.
 Desta vez, como uma pasta morna.
 Foi merda para tudo que é lado,

borrando, esquentando e melando a bunda,
 cueca, barra DA camisa, pernas,

panturrilha, calças, meias e pés.
 E mais uma cólica anunciando mais merda,

agora líqüida, das que queimam o
 fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade.
 E depois um peido tipo bufa, que eu

nem tentei segurar.

 


 Afinal de contas, o que era um peidinho

para quem já estava todo cagado...
 Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa.
 E me caguei pela quarta vez.
 Lembrei de um amigo que certa vez estava

com tanta caganeira que resolveu
 botar modess na cueca, mas colocou as

linhas adesivas viradas para cima e
 quando foi tirá-lo levou metade dos

pêlos do rabo junto.
 Mas era tarde demais para tal

artifício absorvente.
 Tinha menstruado tanta merda que nem

uma bomba de cisterna poderia me
ajudar  a limpar a sujeirada.

 


 Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo

apressado com passos curtinhos,
 supliquei ao meu amigo que

apanhasse minha mala no

bagageiro do ônibus e a
 levasse ao sanitário do aeroporto para que

eu pudesse trocar de roupas.
 Corri ao banheiro e entrando de boxe

em boxe, constatei falta de papel
 higiênico em todos os cinco.

 


 Olhei para cima e blasfemei: 'Agora chega, né?'
 Entrei no último, sem papel mesmo,

e tirei a roupa toda para analisar minha
 situação (que concluí como sendo o

fundo do poço) e esperar pela minha
 salvação, com roupas limpinhas e

cheirosinhas e com ela uma lufada de
 dignidade no meu dia.
 Meu amigo entrou no banheiro com

pressa, tinha feito o 'check-in' e ia
 correndo tentar segurar o vôo.
 Jogou por cima do boxe o cartão de

embarque e uma maleta de mão e saiu
antes  de qualquer protesto de minha parte.
 'Ele tinha despachado a mala com roupas'.

 


 Na mala de mão só tinha um pulôver de gola 'V'.
 A temperatura em Miami era de

aproximadamente 35 graus.
 Desesperado comecei a analisar quais

de minhas roupas seriam, de algum
modo, aproveitáveis.
 Minha cueca, joguei no lixo.
 A camisa era história.
 As calças estavam deploráveis e assim

como minhas meias, mudaram de cor
 tingidas pela merda.

 


Meus sapatos estavam nota 3,

numa escala de 1a 10.
 Teria que improvisar.
 A invenção é mãe da necessidade,

então transformei uma simples privada em
 uma magnífica máquina de lavar.
 Virei a calça do lado avesso, segurei-a

pela barra, e mergulhei a parte
 atingida na água.
 Comecei a dar descarga até que

o grosso da merda se desprendeu.
 Estava pronto para embarcar.
 Saí do banheiro e atravessei o aeroporto

em direção ao portão de embarque
 trajando sapatos sem meias, as

calças do lado avesso e molhadas da cintura
 ao joelho (não exatamente limpas)

e o pulôver gola 'V', sem camisa.
 Mas caminhava com a dignidade de um lorde.
 Embarquei no avião, onde todos

os passageiros estavam esperando o

 

 

'RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO'

 

e atravessei todo o corredor até o

meu assento, ao lado
 do meu amigo que sorria.
 A aeromoça aproximou-se e perguntou

se precisava de algo.
 Eu cheguei a pensar em pedir 120

toalhinhas perfumadas para disfarçar o
 cheiro de fossa transbordante e

uma gilete para cortar os pulsos, mas
decidi não pedir:

 'Nada, obrigado.'

 Eu só queria esquecer este

dia de merda. Um dia de merda...

 Luis Fernando Veríssimo (verídico).

 

 


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