Estudo - TEXTO Teorias da Administração‏ e suas influências na educação

113 views
Skip to first unread message

Frederico Amaral

unread,
Feb 29, 2012, 12:05:00 PM2/29/12
to Sistema de Informação Unitri 2011, freda...@hotmail.com
Curso: Sistema de Informação Prof: Frederico
Data: 28/02/12
Minha pasta: 268 Bloco B

As Teorias da Administração e suas
influências na educação


Introdução

Toda e qualquer organização necessita de uma prática administrativa
que oriente na busca de seus objetivos. Ao longo da história foi
surgindo uma ciência que visa subsidiar o processo de mediação para
busca dos fins estabelecidos. Esta ciência é a Administração, que com
o tempo foi se desenvolvendo lentamente, ao receber influência da
filosofia, da igreja e das organizações militares. O processo de
evolução da Administração é intensificado após a Revolução Industrial,
e principalmente no século XX, surgindo várias teorias com aspiração
de sistematizar o processo administrativo. Essas teorias atuam nas
mais diversas organizações, embora sejam idealizadas em cenários
industriais e empresarias, alcançaram à educação transformando a
prática administrativa nas escolas. Este texto apresenta um estudo da
Administração e suas influências no contexto educacional.
 O que é Administração e sua importância
O termo administração vem do latim ad (direção, tendência para) e
minister (subordinação ou obediência). Como a tradução do termo em si,
não designa algo específico, existem muitas definições, vários autores
definem de diversas formas a administração. De maneira geral,
atualmente, costuma-se considerar a Administração como o ato de
trabalhar com e através de pessoas para realizar os objetivos tanto da
organização quanto de seus membros, ou Administração é administrar
ações através das pessoas com objetivo bem definido. Essas são
definições que destacam o papel humano nas organizações, em tempos
passados, por exemplo, destacava-se prioritariamente os objetivos das
organizações, como no caso da definição proposta por Stoner e Freeman,
onde a Administração é o processo de planejar, organizar, liderar e
controlar o trabalho dos membros da organização, e de usar todos os
recursos disponíveis da organização para alcançar objetivos
estabelecidos.  Chiavenato (2000) parece concordar com o conceito de
Stoner quando diz que a Administração é o processo de planejar,
organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar
objetivos, no entanto ele completa sua definição dizendo que a tarefa
básica da Administração é a de fazer as coisas por meio de pessoas de
maneira eficiente e eficaz, enfatizando a importância dos seres
humanos em um processo administrativo. O termo administração é tão
abrangente e complexo que se torna complicado definir em tão pouco
espaço, sendo nesse caso importante destacar a necessidade de mudança
de conceito conforme a ênfase que se deseja dar ao ato de administrar.
Desde a mais tenra idade todo indivíduo participa de diversas
organizações, como por exemplo, a família, a igreja, a escola, o
clube, entre outras. O principal motivo da existência das organizações
é o fato de que certos objetivos só podem ser alcançados por meio da
ação coordenada de grupos de pessoas. Essas organizações precisam
seguir uma orientação, e essa orientação é dada por um indivíduo ou
outra organização. Ao orientar uma organização, seja ela qual for, um
indivíduo estará usando um processo para tomar e colocar em prática
decisões sobre objetivos e utilização de recursos, ou seja, esta
administrando-a. Portanto a administração está, e sempre esteve
presente em todos os setores da vida humana, mesmo nas sociedade da
antiguidade ou medievais, apesar de não existir nesses tempos uma
organização formal da administração.
Atualmente entendemos a Administração como uma ciência que estuda as
organizações e as empresas com fins descritivos para compreender seu
funcionamento, sua evolução, seu crescimento e seu comportamento. Por
ser uma ciência, ao passar do tempo, a administração gera teorias e
hipóteses que permitem uma abordagem prescritiva e normativa
intimamente vinculada à técnica de administração, que trata de
conduzir as organizações e empresas aos objetivos visados. Muitos
problemas que a sociedade enfrenta têm sua origem na inexistência ou
ineficiência de algum tipo de organização. Como por exemplo, a
ineficiência do sistema público de saúde, que leva a classe
trabalhadora menos favorecida a enfrentarem filas enormes em
hospitais, a baixa qualidade da rede pública de ensino, que conserva o
filho do pobre sempre a margem da sociedade, entre outros, são
reflexos da falta ou da má administração de instituições públicas. Mas
as instituições privadas quando mal administradas também interferem
negativamente na vida das pessoas que com elas estão envolvidas, como
no caso de um banco que quebra e leva consigo o dinheiro de seus
correntistas, o emprego de seus funcionários e a impossibilidades de
recebimentos de uma infinidade de credores, gerando um ciclo de
mazelas.
Assim a sociedade contemporânea, com seus complexos organizacionais e
suas estruturas empresariais gigantescas, mais que nunca necessita
dessa ciência, para gerenciar, organizar e controlar todo processo das
grandes e também das pequenas organizações, constituídas formalmente
ou não, para que as mesmas alcancem seus objetivos lucrativos, ou
sociais, com eficiência e eficácia.

 A Evolução da Teoria Geral da Administração

Sabe-se que a Administração obteve diversos enfoques e visões através
do tempo, contudo, apesar dos diferentes tratamentos da Administração,
ela permanece como forma de aprimorar os meios para atingir os
melhores fins.
A administração é praticada desde que existem os primeiros
agrupamentos humanos. A moderna teoria geral da administração, que se
estuda hoje é formada por conceitos que surgiram e vêm-se aprimorando
há muito tempo, desde que os administradores do passado enfrentaram
problemas práticos e precisaram de técnicas para resolvê-los. Como no
exemplo bíblico citado por Chiavenato, onde relata que Moisés estava
passando o dia cuidando de pequenas causas que o povo lhe trazia.
Então Jetro, seu sogro, recomendou: procure homens capazes para serem
líderes de 10, 100 e 1.000. Este conselho foi dado a Moisés cerca de
3.500 anos atrás. Já nessa época era utilizado um sistema de
administração hierarquizada.  Mas foi com a Revolução Industrial do
Século XVIII e o surgimento das máquinas a vapor, fator determinante
na mecanização da indústria e da agricultura, com desenvolvimento do
sistema fabril, e substituição da tarefa artesanal pela atividade da
máquina, que se cria uma necessidade de sistematizar um processo
administrativo que atendesse as exigências do novo modelo
organizacional.
É nesse contexto que aparece a Administração Científica, que propõe a
substituição do empirismo das decisões tomadas através da intuição por
uma ciência administrativa, que buscava o rendimento máximo por meio
da organização racional do trabalho proposta pelo americano Frederick
Taylor (1856-1915). O foco nas tarefas e funções, a pouca atenção no
humano (teoria da máquina), a limitação do campo de aplicação e a
ausência de comprovação científica foram algumas das principais
críticas a essa teoria.
Também americano Henry Ford (1863-1947) fundou em 1899 a Detroit
Automobile Company, empresa que se dissolveu mais tarde, mas deu
sustentação para anos depois organizar a Ford Motor Company. Através
daí Ford adotou uma abordagem revolucionária na fabricação de
automóveis, utilizando princípios da administração científica. Após
muito estudo, máquinas e trabalhadores foram colocados em seqüência na
fábrica de modo que um automóvel pudesse ser montado sem interrupções
ao longo de uma linha de produção móvel. Utilizava-se energia mecânica
e uma esteira para extrair o trabalho dos trabalhadores. Do mesmo
modo, a fabricação das partes também foi radicalmente modificada, ou
seja, a organização do trabalho foi racionalizada.  Esse modelo de
produção em massa proposto por Ford revolucionou a indústria
automobilística ficando conhecido como Fordismo.
Paralelamente à Teoria Científica de Taylor e o Fordismo, na Europa
surgia a Teoria Clássica da Administração. Proposta por Henry Fayol
(1841-1925) baseado em sua experiência na alta administração.
Caracteriza-se pela ênfase na estrutura organizacional, pela visão do
homem econômico e pela busca da máxima eficiência. A Teoria Clássica
dá ênfase exagerada na estrutura organizacional, isto é, visão do todo
organizacional (seções, departamentos), e foi criticada principalmente
por não existir fundamentação experimental dos métodos e técnicas
estudados por Fayol, os princípios que a teoria apresenta precisava de
uma efetiva investigação, não resistindo ao teste de aplicação
prática.
Foi surgindo assim uma necessidade de humanizar e democratizar a
administração. Os teóricos começam a perceber que a ênfase colocada
nos métodos de trabalhos e na organização formal e os princípios da
administração não bastavam dando lugar as preocupações com as pessoas
e os grupos sociais.
No início da década de 30 do século XX em contraposição às teorias de
Taylor e Fayol surgiu nos EUA a Abordagem Humanística da
Administração, conhecida também como Escola das Relações Humanas.
Tinha objetivo de corrigir a forte tendência de desumanização do
trabalho tirando a ênfase na tarefa e na estrutura e passando para as
pessoas. Fundada por Elton Mayo (1880-1949) a Teoria Humanística é
consequência das conclusões da experiência em Hawthorne e fundamentada
nas idéias de John Dewey e da Psicologia Social de Kurt Lewin. Foi
criticada pela oposição cerrada à Teoria Clássica, pela concepção
ingênua e romântica do operário, a limitação do campo experimental e
principalmente pela ênfase exagerada nos grupos informais em
detrimento das organizações formais, o que necessitou de uma
reelaboração, a partir da Teoria Comportamental que procurou corrigir
as lacunas deixadas pela Abordagem Humanística da Administração.
Enquanto se desenvolvia e avançava a abordagem humanística, crescia
paralelamente o Modelo Burocrático de Max Weber (1864-1920), com seu
estruturalismo organizacional e princípios comportamentais rígidos.
Com ênfase na competência técnica e meritocracia, nessa teoria a
escolha e avaliação das pessoas devem obedecer ao critério do mérito e
competência técnica e não em preferências pessoais.
Quase junto com a Teoria Comportamental que assenta em novas
proposições acerca da motivação humana, onde o administrador precisava
dominar os mecanismos motivacionais para poder dirigir adequadamente
as pessoas, surge a Teoria Estruturalista inspirada na abordagem
Burocrática de Weber, tenta conciliar as teses propostas pela Teoria
Clássica e pela Teoria das Relações Humanas. Os autores
estruturalistas procuram inter-relacionar as organizações com o seu
ambiente externo, que é a sociedade maior, ou seja, a sociedade de
organizações, caracterizada pela interdependência entre as
organizações.
Na década de 50 surgem uma série de teorias que propõe uma retomada
das abordagens clássica e científica tendo como principal autor Peter
Druker (1909-2005) mas com outros representantes, a Teoria
Neoclássica, como ficou conhecida no Brasil, tem  o foco nos
resultados organizacionais (objetivos) e constitui um movimento
relativamento heterogênio e não uma escola bem definida conforme
Chiavenato.
A partir de Peter Drucker e a Teoria Neoclássica as teorias passam a
ser chamadas de modernas, pois ele é considerado o pai da
administração moderna. Surgem teorias como a Contingêncial, a Teorial
Geral dos Sistemas e outras que contribuiram para avanço da
administração como ciência.  No século XXI, a administração e as
organizações estão sofrendo grandes transformações, as empresas
privadas, em particular, operam dentro de um contexto extremamente
competitivo e precisam aprimorar continuamente sua eficiência: fazer
mais, com menor quantidade de recursos, possibilitando o surgimento de
novas teorias administrativas a qualquer momento.

A influência das Teorias da Administração na Educação

Querino Ribeiro em Meneses conceitua administração educacional como o
complexo de processos, cientificamente determináveis, que, atendendo a
certa filosofia e a certa política de educação, desenvolve-se antes,
durante e depois das atividades escolares para garantir-lhes unidade e
economia. Teóricos como Carneiro Leão já 1939 afirmaram que nenhum
problema escolar sobrepuja em importância o problema de
administraçãoincorporando as teorias da administração no contexto
educacional.
As organizações educacionais, assim como qualquer outro tipo de
organização, precisam de bons métodos administrativos para atingir
seus objetivos. No que diz respeito a essas organizações, os primeiros
trabalhos publicados, voltados para área de administração educacional,
surgem a partir de 1913 nos Estados Unidos, nos artigos escritos pelos
teóricos fundadores da Teoria Geral da Administração, há aplicação dos
princípios e normas tanto do taylorismo como do fayolismo no campo
educacional.
As tendências do cenário internacional chegaram ao Brasil,
influenciando muitos autores da Administração Escolar, que passaram a
defender a aplicação de princípios racionais, na administração na
escola, sendo pioneiro nesse posicionamento José Querino Ribeiro já na
década de 30 do século XX. Mas ainda hoje é possível perceber os
reflexos do taylorismo, na fragmentação do ensino, na competição, na
hierarquização, na organização do tempo das disciplinas. Com o passar
do tempo o sistema educacional terminou incorporando a essência da
organização burocrática na estruturação de suas atividades. A
administração da educação incorporou, sem contestar a validade, todos
os princípios da administração lançados pelas várias teorias e escolas
administrativas.
Os conceitos clássicos da administração, embora importantes para
orientar o trabalho dos administradores escolares, são insuficientes,
pois não levam em conta as especificidades e complexidades da escola.
Em outras palavras, as escolas representantes da teoria administrativa
não elaboraram estudos específicos que viessem contribuir com as
práticas administrativas em organizações educacionais. Dessa forma, a
administração escolar se restringiu aos aspectos puramente
administrativos, burocráticos e instrumentais, distanciando-se das
discussões que envolvem a prática pedagógica.
Até que na década de 80 começa a surgir, em confrontação ao que alguns
autores chamam de escola clássica da Administração escolar, a escola
crítica da Administração Educacional, com autores como Vitor Paro,
Benno Sander e outros. Inaugura novas mudanças no cenário da
administração da educação por influência das grandes transformações
políticas, econômicas e sociais que passam a acontecer em nível
mundial e, consequentemente, nacional. No Brasil, com as exigências do
mercado internacional, ocorre um redirecionamento das políticas
educacionais alterando de forma substancial a Administração da
educação e da escola. Dando margem a troca de terminologia de
Administração para Gestão, como afirma Lück (2006): o termo gestão
possibilita superar o enfoque limitado de administração, de modo que
os problemas educacionais são complexos e necessitam de visão global e
abrangente, assim como ações articuladas, dinâmicas e participativa.
Para a autora a mudança terminológica surge para representar novas
idéias e estabelecer, na instituição, uma orientação transformadora.
Nesse novo cenário de gestão educacional o gestor é, antes de tudo, um
educador, isto é, ele também participa das atividades-fins de seu
estabelecimento de ensino. Portanto necessita de habilidades
pedagógicas para exercer essa função.

 Considerações Finais

Sendo entendida a atividade administrativa como intervenção para a
busca de objetivos estabelecidos, a administração na educação precisa
ter em primeiro plano de suas preocupações a natureza da educação que
se procura oferecer e obter. Os fins que se tem em mente e o produto
que se busca realizar são elementos imprescindíveis na consideração
dos meios de atingi-los.
Em épocas que ainda se peleja pela democratização da gestão escolar,
não é de estranhar que muitas medidas visando à introdução de relações
mais democráticas e de distribuição do poder no interior da escola têm
usualmente fracassado, pois se tenta aplicá-las sobre objetivos
educacionais pouco ambiciosos e sobre uma prática pedagógica quase
nada democrática. Não é de estranhar que a mediação administrativa
encontre dificuldades nas escolas.
Muito mais que mudanças terminológicas é necessário uma mudança de
hábitos administrativos, que partam da visão macro dos sistemas de
ensino, para chegar aos ambientes micros que são as escolas. Sem essa
transformação que rompa com teorias administrativas advindos do mundo
dos negócios, que nem de longe coerem com os objetivos maiores da
educação como formadora de cidadãos plenos para a democracia não é
possível que as escolas exerçam sua função diante da sociedade.
Referências Bibliográfica

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6ª
ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000;
LÜCK, Heloisa. Gestão Educacional - Uma Gestão
Paradigmática. Petrópolis: Vozes, 2006;
MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Introdução à Administração. 7ª edição.
São Paulo: Atlas, 2007;
MENESES, João Gualberto de Carvalho. A Teoria de Administração Escolar
de Querino Ribeiro.Disponível em: http://www.isecure.com.br/anpae/
197.pdf, acesso em 10/12/2009;
MORAES, Anna Maris Pereira de. Introdução à Administração. 3ª Edição.
Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 2004;
PARO, Vitor Henrique. Administração escolar: Introdução crítica. 9ª
ed. São Paulo: Cortez, 2000;
SANDER, Benno. Gestão da educação na América Latina. Campinas: Editora
Autores Associados, 1995;
STONER, James A. F.; FREEMAN, R. Edward. Administração. 5ª ed. Rio de
Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1999.
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages