Fwd: Fw: Vejam poesia escrita por Paco Urondo, em plena ditadura militar argentina (1973-76) e tão atual para os tempos de golpistas brasileiros.

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Márcio Franco

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Sep 3, 2016, 11:31:52 PM9/3/16
to Sindserj
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: "SGeral" <sge...@mst.org.br>
Data: 03/09/2016 10:41 PM
Assunto: Fw: Vejam poesia escrita por Paco Urondo, em plena ditadura militar argentina (1973-76) e tão atual para os tempos de golpistas brasileiros.
Para: <&quot;Undisclosed-Recipient:;&quot;@xxxdnn2628.locaweb.com.br>
Cc:

 

"INSTRUÇÕES PARA ENFRENTAR O MAU TEMPO"!
 
Por Paco Urondo,
Em primeiro lugar, não se desespere.
E em caso de agitação não siga as regras que a repressão quiser impor.
Refugie-se em casa e feche as trancas quando todos os seus estiverem a salvo.
Compartilhe o mate e a conversa com os companheiros,
os beijos furtivos e as noites clandestinas com quem lhe assegure ternura.
Não deixe que a estupidez se imponha.
Defenda-se.
Contra a estética, ética.
Esteja sempre atento.
Não lhes bastará empobrecê-lo, e vão querer subjugá-lo na sua própria tristeza.
Ria ostensivamente.
Tire sarro: a direita é mal comida !.
Será imprescindível jantar juntos, a cada dia,  até que a tormenta passe.
São coisas simples, mas nem por isso menos eficazes.
Diga para o compa: bom dia, por favor e obrigado.
E tomar no cu, para os de cima.
Atire tudo o que puderes, mas nunca sozinho.
Eles sabem como emboscá-lo na solidão desprevenida de uma tarde.
Lembre-se  que os artistas serão sempre nossos.
E o desprezo será eterno  para o bando de impostores que os acompanham.
Tudo vai ficar bem se você me ouvir.
Sobreviveremos novamente, estamos prontos.
Cuidemos dos jovens, que "eles" vão querer poda-los.
Só é preciso preparar-se bem e não amesquinhar amabilidades.
Devemos ter sempre  à mão os poemas indispensáveis, o vinho tinto e o violão.
Sorrir aos nossos pais, como vacina contra a angústia diária.
Ser generosos com os amigos.
Não confundir os ingênuos com os traidores.
E, mesmo com estes, ter o perdão quando acabarem com suas  ilusões.
Aqui ninguém sobrará.
E, para isto , ser perseverantes e tenazes,
escrever religiosamente todos os dias, todas as tardes, todas as noites.
Ainda que sustentados na teimosia se a fé desmoronar.
Nisso, não haverá trégua para ninguém.
A poesia dói  para esses filhos da puta!.

— Paco Urondo (1930-1976). Escritor, jornalista, poeta, militante político e guerrilheiro montonero.
Foi assassinado em Mendoza, em 17 de junho de 1976.    Teve tres filhos, e  a filha Claudia, foi tambem assassinada pela ditadura militar em 1976.
 
 
SEG, 16/05/2016 - 12:12

Instrucciones para capear el mal tiempo –

En primer lugar, no se desespere y en caso de zafarrancho no siga las reglas que el huracán querrá imponerle.
Refúgiese en la casa y asegure los postigos una vez que todos los suyos estén a salvo.
Comparta el mate y la charla con los compañeros, los besos furtivos y las noches clandestinas, con quien le asegure ternura.
No deje que la estupidez se imponga. Defiéndase.
A la estética, ética.
Esté siempre atento.
No les bastará empobrecerlo y lo querrán someter con su propia tristeza. Ríase estentóreamente. Mófese: la derecha está mal cogida.
Será imprescindible cenar juntos cada día hasta que la tormenta pase.
Son cosas simples, sencillas, pero no por ello, menos eficaces.
Diga hacia el costado buen día, por favor y gracias. Y la concha de tu madre cuando lo soliciten desde arriba.
Tírele con lo que tenga, pero nunca solo. Ellos saben cómo emboscarlo en la desprevenida soledad de una tarde.
Recuerde que los artistas serán siempre nuestros.
Y el olvido será feroz con la comparsa de impostores que los acompaña.
Todo va a estar bien si me hace caso.
Sobreviviremos nuevamente, estamos curtidos.
Cuidemos a los pibes que querrán podarlos.
Solo es menester bien pertrecharse y no escatimarnos amabilidades.
Deberemos dejar a mano los poemas indispensables, el vino tinto y la guitarra.
Sonreírles a nuestros viejos como vacuna contra la angustia diaria.
Ser piadosos con los amigos.
No confundir a los ingenuos con los traidores. Y aún con estos, tener el perdón fácil para cuando vuelvan con las ilusiones forreadas.
Aquí nadie sobra.
Y eso sí, ser perseverantes y tenaces, escribir religiosamente todos los días, todas las tardes, todas las noches.
Aún sostenidos en terquedades si la fe se desmorona. En eso, no habrá tregua para nadie.

La poesía les duele a estos hijos de puta.

pacourondo.jpg
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