DA REDAÇÃO
O popstar da ciência cognitiva está de volta à carga. Steven Pinker,
psicólogo da linguagem do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) que
se tornou celebridade com os livros "Como a Mente Funciona" e "O Instinto da
Linguagem", acaba de lançar nos EUA uma obra na qual retoma a questão da
natureza vs. cultura -e defende a primeira.
Em "The Blank Slate: The Modern Denial of Human Nature" (A Tábula Rasa: A
Negação Moderna da Natureza Humana), o pesquisador e divulgador ataca os
pensadores tidos por "politicamente corretos" para os quais a mente humana é
inteiramente moldada pela cultura, não existindo, portanto, capacidades
inatas e diferenciadas entre indivíduos.
A tese contrária -ou seja, os genes têm, sim, um papel no comportamento-
lançada nos anos 70 pelo biólogo Edward O. Wilson com a criação da
sociobiologia, tem sido combatida por pensadores como o paleontólogo Stephen
Jay Gould (morto em maio) e o geneticista Richard Lewontin.
Para Pinker, os proponentes da "tábula rasa" têm atrapalhado o
desenvolvimento daquilo que ele chama de "ciência honesta da natureza
humana".
"Há o temor de que, se você reconhecer que as pessoas nascem com alguma
coisa, isso implique que algumas pessoas têm mais do que outras e, portanto,
se abra a porta para desigualdade política e opressão", diz o cientista, um
canadense de 48 anos.
Pinker falou sobre seu novo livro em entrevista a David Rakoff, do jornal
"The New York Times". Leia abaixo trechos da conversa.
Pergunta - Seu novo livro ressalta a importância da natureza humana na
maneira como pensamos sobre nós mesmos. Por que o sr. o intitulou "A Tábula
Rasa"?
Steven Pinker - A crença comum é que a mente seja só isso, uma tábula rasa
-as pessoas não nascem com talentos ou temperamentos, e a mente toda é
produto de cultura e socialização. Mais especificamente, o livro é uma
tentativa de confrontar a fobia que as pessoas têm de discussões sobre a
natureza humana.
Pergunta - O que causa tal fobia?
Pinker - O fato de que a compreensão da natureza humana possa ameaçar
valores fundamentais de igualdade política, progresso social,
responsabilidade pessoal , significado e propósito. E você não pode avançar
nas pesquisas em psicologia sem confrontar esses sentimentos tácitos, mas
muito poderosos. Há o temor de que, se você reconhecer que as pessoas nascem
com alguma coisa, isso implique que algumas pessoas têm mais do que outras
e, portanto, se abra a porta para desigualdade política e opressão.
Pergunta - O que torna mais confortável pensar nos seres humanos como meros
pedaços de carne marcados pela cultura.
Pinker - Eu não acho que qualquer um que tenha mais de um filho acredite que
crianças são pedaços de massinha esperando para serem modelados. Há um
conjunto de trabalhos sobre educação de filhos que olha para a correlação
entre o que os pais fazem e como isso se reflete nas crianças: pais que
conversam com as crianças têm filhos com habilidades avançadas de linguagem;
pais que espancam as crianças têm filhos que se tornam mais violentos; e
assim por diante.
Poderia ser assim, mas correlação não prova causa. O fato é que pais dão aos
filhos não só o ambiente, mas também genes. Os mesmos genes que fazem dos
pais pessoas falantes podem tornar filhos mais hábeis em linguagem. Os
estudos originais raramente são feitos com crianças adotadas.
Pergunta - Então, a criação ("nurture", em inglês) é uma extensão da
natureza ("nature")? Tudo, até mesmo a cultura, é redutível à biologia
evolucionista?
Pinker - Eu prefiro a palavra "unificação" a "redução". Uma analogia é que,
mesmo que nós saibamos que a areia, as montanhas e o barro não são nada além
de moléculas -não se trata de nada especial-, um físico não poderia explicar
a geografia da Europa, ainda que a Europa não passe de um monte de prótons,
nêutrons e elétrons. Da mesma forma, com a história da humanidade, a
política e os assuntos culturais, esse nível de análise não vai dizer a você
qual é a melhor maneira de organizar uma sociedade ou como mudar uma lei ou
tentar influenciar um valor social.
A compreensão da história e da cultura só pode se beneficiar do melhor
entendimento da emoção e do pensamento humano. Mas você não consegue saber
muito sobre o cotidiano das pessoas pensando em centenas de bilhões de
neurônios disparando em padrões complexos. Isso não ajuda em nada para saber
como agradar o chefe, arrumar um encontro, fazer amigos e influenciar
pessoas.
Pergunta - E onde isso coloca nossa autodeterminação e nosso livre-arbítrio?
Pinker - Autodeterminação, responsabilidade pessoal e todo o restante podem
ser ligados ao funcionamento do cérebro, mas essas funções cerebrais são tão
absurdamente complexas que não há perigo de elas serem reduzidas a um mero
reflexo no futuro próximo, se é que o serão algum dia. É uma falácia pensar
que fome, sede e desejo sexual são biológicos, mas que o raciocínio, o
aprendizado e a tomada de decisões são outra coisa, algo não-biológico.
Trata-se apenas de um tipo diferente de biologia.
Pergunta - Se tudo são processos biológicos, então é ultrajante dizer que
indivíduos são predispostos a ter uma inteligência maior ou menor. O sr. tem
medo de ser cooptado pelos deterministas?
Pinker - Acho que isso seria um grande salto. Em vez de construir uma bomba,
eu espero que esse livro trate de como desarmá-la. O potencial explosivo vem
de um medo de que certas possibilidades empíricas abram a porta para males
políticos e sociais. Não é o caso. Nós podemos ter uma ciência honesta da
natureza humana sem uma caixa de Pandora de consequências negativas. Quem
quer que tenha lido o livro não pode atacá-lo dizendo: "Se nós aceitarmos o
que você está dizendo sobre a natureza humana, as portas do inferno vão se
abrir".
O cerne do livro é que as portas do inferno não vão se abrir.
Fonte: http://www.herbario.com.br/dataherb09/1412livroevl.htm
_______________________________________________________
Yahoo! doce lar. Faça do Yahoo! sua homepage.
http://br.yahoo.com/homepageset.html
mais a filhinha dele<que tem o dito mecanismo>faz isso em poucos minutos.
----------
"Isso" o quê? Ela bateu numa máquina em poucos minutos? Ela copiou um trecho
de Shakespeare? Ela digitou sentenças livremente e uma das sentenças
coincide com alguma escrita por Shakespeare? Ela viveu na selva e aprendeu a
aprendeu a escrever sozinha, assim como usar a máquina de escrever? E o mais
importante: ele fez a experiência ou se trata de um Gedankenexperiment? Eu
não sei em que medida Dawkings está usando falácias e em que medida as
idéias originais dele não estão sendo fielmente reproduzidos aqui, porque
não conheço o livro. Mas suspeito que haja uma combinação das duas coisas.
Outro detalhe: sendo possível fazer o experimento, não faz muito sentido
valer-se de um Gedankenexperiment e adivinhar o que aconteceria. O correto
seria reunir algumas dezenas de macacos, algumas dezenas de crianças e
testar na prática se há diferença significativa, naturalmente sujeitando os
macacos e as crianças às mesmas condições de desenvolvimento epistemológico
e cognitivo, expondo-os aos mesmos estímulos etc. Se os macacos passassem o
dia enjaulados enquanto as crianças jogassem videogames, obviamente isso
influiria nos resultados e invalidaria a pesquisa.
----------
e ele ainda fez um <algoritmo> que comprova isso.
----------
Comprova "isso"? Isso o quê? Mais um detalhe: talvez o termo "corrobora"
seja apropriado.
----------
eu so vi o livro de relance na biblioteca,vou dar mais uma olhada.se vc
puder olhar tambem sera bom.
----------
Nosso amigo José Antonio Fracisco me falou sobre isso, há algum tempo, e
talvez eu leia a respeito quando for publicar algo sobre Evolução (em
parceria com o amigo Zé Antonio). No momento ainda estou interessado em
investimentos, mas estou progressivamente migrando para palestras (inclusive
sobre investimentos, mas principalmente sobre temas educacionais), porque
estou farejando uma queda meio brutal da Bovespa e quero estar longe do
Mercado quando isso acontecer. Estimo que a queda pode durar talvez 1 ano.
Enquanto estiver caindo, dois livros que pretendo concluir são IMC e sobre
Evolução.
Melao
----------
Oi.
----------
vou dar uma olhada no livro e mostro com mais detalhes.agora so me lembro de
uma simulacao imbecil,
----------
Por que considera a simulação "imbecil"? Se Dawkings compreende(sse)
português, talvez seja(fosse) interessante convidá-lo a opinar/defender-se.
Em todo caso, acho improvável que ele tenha tempo/interesse em se envolver
nisso.
----------
com um algoritmo dotado do que dawlkins chama de ou coisa
parecida,um mecanismo que guia o ser para um fim determinado pela
evolucao.evolucao>e isso mesmo.nao sei de onde ele tira isso...ele argumenta que
mais a filhinha delefaz isso em poucos minutos.
----------
"Isso" o quê? Ela bateu numa máquina em poucos minutos? Ela copiou um trecho
de Shakespeare? Ela digitou sentenças livremente e uma das sentenças
coincide com alguma escrita por Shakespeare? Ela viveu na selva e aprendeu a
aprendeu a escrever sozinha, assim como usar a máquina de escrever? E o mais
importante: ele fez a experiência ou se trata de um Gedankenexperiment? Eu
não sei em que medida Dawkings está usando falácias e em que medida as
idéias originais dele não estão sendo fielmente reproduzidos aqui, porque
não conheço o livro. Mas suspeito que haja uma combinação das duas coisas.
Outro detalhe: sendo possível fazer o experimento, não faz muito sentido
valer-se de um Gedankenexperiment e adivinhar o que aconteceria. O correto
seria reunir algumas dezenas de macacos, algumas dezenas de crianças e
testar na prática se há diferença significativa, naturalmente sujeitando os
macacos e as crianças às mesmas condições de desenvolvimento epistemológico
e cognitivo, expondo-os aos mesmos estímulos etc. Se os macacos passassem o
dia enjaulados enquanto as crianças jogassem videogames, obviamente isso
influiria nos resultados e invalidaria a pesquisa.
----------
e ele ainda fez um que comprova isso.
----------
Comprova "isso"? Isso o quê? Mais um detalhe: talvez o termo "corrobora"
seja apropriado.
----------
eu so vi o livro de relance na biblioteca,vou dar mais uma olhada.se vc
puder olhar tambem sera bom.
----------
Nosso amigo José Antonio Fracisco me falou sobre isso, há algum tempo, e
talvez eu leia a respeito quando for publicar algo sobre Evolução (em
parceria com o amigo Zé Antonio). No momento ainda estou interessado em
investimentos, mas estou progressivamente migrando para palestras (inclusive
sobre investimentos, mas principalmente sobre temas educacionais), porque
estou farejando uma queda meio brutal da Bovespa e quero estar longe do
Mercado quando isso acontecer. Estimo que a queda pode durar talvez 1 ano.
Enquanto estiver caindo, dois livros que pretendo concluir são IMC e sobre
Evolução.
Melao
----------
_______________________________________________________
Yahoo! doce lar. Faça do Yahoo! sua homepage.
http://br.yahoo.com/homepageset.html
Eu tenho uma considerável experiência (pelo menos no sentido descrito
por Huxley, de que experiência não é aquilo que acontece com o homem mas
o que o homem faz com aquilo que acontece com ele), suficiente para
afirmar que a lógica (assim como a conhecemos) não é um instrumento de
criação. A lógica é, sem dúvida, o melhor instrumento que temos para
testar a realização de uma proposição, mas da "irracionalidade" humana é
que "nascem" as grandes inovações.
Minha maior frustração com relação à ciência, ou ao status quo da
ciência e seus cientistas, é que ela continua (particularmente a ciência
fortemente apoiada pelo Capital) limitando-se ao pragmatismo da sua
aplicabilidade à acumulação de riqueza (leia-se poder).
É claro que uma sociedade capitalista tem como sua principal alavanca
(que confunde-se com o objetivo) o dinheiro. Mas não é necessário que
esse seja o motivador humano (e de fato não o é).
Ora, se for assim, e isso fosse tudo, eu desenvolveria a ciência para
submeter ao meu poder (hermético e perpétuo) tudo que fosse possível,
inclusive o futuro de outros semelhantes.
É evidente que a fisiologia do cérebro (fenótipos)determina parte da
capacidade de raciocinar. Mas não é aceitável que, após tanto tempo de
evolução (evolucionismo) ainda tenhamos genótipos de natureza restritiva
ao desenvolvimento cerebral (qual a "meia vida" de um gene degenerativo?).
OK...Exagerei...
Deixo para que você reflita...
Abraços fraternais,
Feijó
> */Sigma Grupo <sigma...@yahoo.com.br>/* escreveu:
> ------------------------------------------------------------------------
> Yahoo! doce lar. Faça do Yahoo! sua homepage.
> <http://us.rd.yahoo.com/mail/br/tagline/homepage_set/*http://br.yahoo.com/homepageset.html>
>
>
> ------------------------------------------------------------------------
>
> No virus found in this incoming message.
> Checked by AVG Free Edition.
> Version: 7.1.371 / Virus Database: 267.14.17/227 - Release Date: 11/1/2006
--
No virus found in this outgoing message.
Checked by AVG Free Edition.
Version: 7.1.371 / Virus Database: 267.14.17/227 - Release Date: 11/1/2006
----------------
Minha maior frustração com relação à ciência, ou ao status quo da ciência e
seus cientistas, é que ela continua (particularmente a ciência fortemente
apoiada pelo Capital) limitando-se ao pragmatismo da sua aplicabilidade à
acumulação de riqueza (leia-se poder).
----------------
A Ciência nasceu da necessidade de solucionar problemas práticos, e esta tem
sido sua função desde “sempre”, portanto não vejo de que modo se possa
criticar o pragmatismo científico como sendo algo indesejável. Não há
Ciência que não seja pragmática, porque o pragmatismo é um traço imanente à
Ciência.
Quanto às riquezas produzidas pela Ciência, é por meio dela que se
conseguiram praticamente todos os benefícios acumulados até hoje, que
contribuem para melhorar nossa qualidade de vida. A política, por sua vez,
exerce sobre a Ciência um controle considerável e indica os rumos a serem
seguidos. De modo geral, a Política incentiva a produção de benefícios para
a comunidade, mas algumas vezes perde-se de vista este objetivo e ela aponta
caminhos cujos efeitos podem ser nocivos para todos. Nestes casos, se a
Ciência tivesse autonomia para se negar a trilhar os caminhos ditados pela
política, sem que isso provocasse um colapso orçamentário para a Ciência,
então esta deveria ser a alternativa. O problema é que a Ciência depende
quase totalmente de recursos governamentais ou de grandes empresas, enquanto
o cientista é apenas um funcionário. Se o cientista não trabalhar de acordo
com as normas e interesses da empresa, ele é substituído. Mesmo os grandes
cientistas, como os que participaram do Projeto Manhattan, não tiveram voz
ativa e não foram atendidos no abaixo assinado que enviaram ao presidente
dos EUA, pedindo (exigindo? Reivindicando?) que não lançasse a segunda bomba
sobre Nagazaki, em 1945. O cientista produz Ciência com sua habilidade e
conhecimento combinados à verba e aos equipamentos que recebe de
instituições privadas ou governamentais. Se for privado das verbas e
equipamentos, fica de mãos atadas. Por outro lado, se o governo e as
empresas fossem privados das idéias dos cientistas, também ficariam de mãos
atadas. A diferença está no poder de negociação de cada parte. Se os
cientistas se unissem e se recusassem terminantemente a prestar seus
serviços a menores que determinados padrões éticos fossem atendidos, o
governo e as empresas tecnológicas seriam forçados a atenuar o controle
excessivo que exercem sobre a produção científica, como se estas criações
fossem propriedade do governo e das empresas mais do que são dos próprios
criadores das idéias.
No caso de Bill Gates, é um dos poucos cientistas que conseguiu acumular
fortuna e tem relativa liberdade para determinar os rumos a serem seguidos
por sua empresa, investindo maciçamente em filantropia e em pesquisas. Mas é
também um empresário e precisa se preocupar com o lucro para manter sua
“dinastia”, sem a qual estes recursos acabariam nas mãos de outros menos
conscienciosos, que provavelmente investiriam menos do que ele em causas
sociais e em projetos científicos. Muitas pessoas criticam Gates pela
maneira como ele agiu para chegar onde está, e concordo que ele poderia ter
feito de maneira diferente, contudo o fato é que ele tem contribuído muito
para a comunidade e talvez seja o maior filantropo do mundo.
----------------
É claro que uma sociedade capitalista tem como sua principal alavanca (que
confunde-se com o objetivo) o dinheiro. Mas não é necessário que esse seja o
motivador humano (e de fato não o é).
----------------
O dinheiro é apenas uma unidade de crédito que facilita as trocas de
produtos. Dinheiro não é alavanca para crescimento econômico ou similar. A
riqueza está nos recursos naturais e na produção industrial e cultural a
partir destes recursos.
Quanto ao dinheiro ser a motivação humana, concordo com você que não é. As
motivações variam muito de pessoa para pessoa e algumas são mais comuns do
que outras. O sexo, o poder, o prestígio, a reputação são alguns
motivadores. E há motivações mais nobres, como o desejo de fazer o melhor
possível, tendo como meta (ainda que inatingível) a perfeição. Jesus,
suponho, não se preocupava tanto com sua reputação nem com seu prestígio,
embora os tivesse em altíssimo grau. Assim como Sócrates, ele se preocupava
em fazer o que era mais certo, e sua reputação foi fruto indireto dessa
preocupação. Mas casos como o dEle são muito raros, e a maioria da população
tem preocupações muito mais egoístas. Eu, por exemplo, tento fazer o que
acho mais certo, mas muitas vezes faço isso mais preocupado com a reputação
do que com o retidão em si. Além disso, há casos em que sei o que é mais
certo, mas não consigo agir da maneira adequada. Isso produz uma sensação
muito ruim de fraqueza, e muitas vezes eu me esforço para fazer o que é
certo mais para evitar o sentimento de fraqueza do que pela retidão em si.
Enfim, mesmo quando se faz o que é mais certo, muitas vezes o que há por
trás são sentimentos e pensamentos menos nobres do que pode parecer. Então
tento também me policiar sobre isso e assegurar que estou fazendo o que é
mais certo e pelos motivos certos. Numa revista, os dois Ronaldos do Futebol
falaram sobre seus sonhos: Ronaldinho Gaúcho quer ganhar duas copas; Ronaldo
o Fenômeno quer ganhar o Nobel da Paz. O objetivo do Ronaldo Fenômeno é
claramente mais nobre, porém denuncia uma falta grave: as obras sociais que
ele realiza têm como objetivo o reconhecimento, quando o correto seria que
estas obras visassem melhorar a qualidade de vida das pessoas. Claro que ele
também deve ter a intenção de ajudar as pessoas, mas o cerne do problema é
que esta deveria ser a única intenção, sem que houvesse pensamentos e
desejos de receber um Nobel por isso. Ele deveria desejar “merecer um Nobel
da Paz”, pouco importando receber o prêmio ou não. A motivação por traz de
um prêmio como este deveria ser a intenção sincera e pura de auxílio
comunitário, não a ambição do prêmio em si. Note que não estou recriminando
o Ronaldo. Ao contrário, eu o considero um ícone que produz efeitos muitos
positivos sobre os que o imitam (ou tentam imitá-lo). Estou apenas
exemplificando uma mácula que pode haver por trás de atitudes nobres, mas
não totalmente puras. O ponto crucial é que o altruísmo verdadeiro é muito
diferente do trabalho resultante de auxílio social motivado por desejo de
reconhecimento. Na prática, os resultados podem ser semelhantes, mas na
essência é muito diferente.
----------------
Ora, se for assim, e isso fosse tudo, eu desenvolveria a ciência para
submeter ao meu poder (hermético e perpétuo) tudo que fosse possível,
inclusive o futuro de outros semelhantes.
----------------
Não entendi bem essa parte.
----------------
É evidente que a fisiologia do cérebro (fenótipos)determina parte da
capacidade de raciocinar. Mas não é aceitável que, após tanto tempo de
evolução (evolucionismo) ainda tenhamos genótipos de natureza restritiva ao
desenvolvimento cerebral (qual a "meia vida" de um gene degenerativo?).
----------------
Não entendi de que modo este trecho se relaciona aos anteriores. Também não
entendi a idéia que teve a intenção de expressar. Concordo que a fisiologia
do cérebro provavelmente determina parte da capacidade de raciocinar. Quanto
à segunda parte do que você disse, não me pareceu muito claro. O cérebro
está evoluindo desde que surgiram os primeiros organismos com centralização
das funções neurológicas, e a evolução nunca foi e não é linear, mas
oscilante, à semelhança de um gráfico de ativo da Bolsa, com uma tendência
de longo prazo que denota as condições da empresa (crescimento ou
decrescimento), e várias oscilações menores em períodos mais curtos, e
outras ainda menores que constituem flutuações casuais e algumas vezes podem
contrariar a tendência de longo prazo. Se a tendência da altura da população
é aumentar, nada impede que durante um curto período de 5 anos a estatura
média decresça um pouco. Quanto à meia-vida de um gene degenerativo, suponho
que varie muito de gene para gene.
---------------
OK...Exagerei...
Deixo para que você reflita...
Abraços fraternais,
Feijó
---------------
Também não entendi em que exagerou nem sobre o que é para refletir. Mas
agradeço pelos abraços fraternais.
Abraços.
Melão
---------------
Sistemas conexionistas, embora
apresentem boa generalização em alguns
aspectos, tem sérios
problemas de generalização em outros aspectos. Só para
dar
um exemplo breve, observe esta sequência de entradas e
saídas:
entrada saída
0100 0100
0000 0000
1010 1010
1100 1100
Se você treinar uma rede neural convencional (um perceptron
multiníveis,
por exemplo), vai obter bons resultados com
*quase* todas as possibilidades
de entrada. Observe que a
saída é apenas uma cópia da entrada. Qualquer
criança
descobriria essa "regra". Só que se você tentar obter a
saída
dessa rede para a entrada "1111", vai obter como resposta "1110",
e
não "1111" como seria esperado. A rede tende a encarar
todas as entradas como
suportando uma "regra" na qual o último
bit da entrada (da esq. para direita)
é sempre zero. Assim, ela
generaliza de uma forma diferente da que nós
achamos intuitiva.

Oi!
Oi, Rafael.
Oi, Kowicz!
Oi, Kowicz!
16
O
dramaturgo britânico Harold Pinter, 75, prêmio Nobel de Literatura 2005, disse
que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro ministro
britânico, Tony Blair, deveriam ser processados pela invasão do Iraque, a qual
ele chamou "de um ato bárbaro de terrorismo".
Em uma gravação apresentada
nesta quarta-feira na Academia Sueca, em Estocolmo, onde o Nobel é entregue
tradicionalmente, Pinter disse que Bush e Blair deveriam ser denunciados a uma
Corte Internacional de Justiça.
Leia abaixo parte do discurso de Pinter
durante a cerimônia:
"Como sabem todas as pessoas aqui presentes, a
justificativa para a invasão do Iraque era o fato de que Saddam Hussein possuía
um perigoso arsenal de armas de destruição em massa, algumas das quais podiam
ser disparadas em prazo de apenas 45 minutos, e seriam capazes de causar
chocante devastação. Garantiram-nos que isso era verdade. Não era verdade.
Fomos informados de que o Iraque tinha um relacionamento com a rede Al
Qaeda e era co-responsável pela atrocidade de 11 de setembro de 2001
em Nova
York. Garantiram-nos que isso era verdade. Não era
verdade.
Fomos informados de que o Iraque representava uma ameaça para a
segurança do mundo. Garantiram-nos que isso era verdade. Não era
verdade.
A verdade é algo de inteiramente diferente. A verdade se
relaciona à maneira pela qual os Estados Unidos compreendem seu papel no mundo,
e escolhem personificá-lo.
A invasão do Iraque foi um ato de banditismo,
um ato de gritante terrorismo de Estado, e demonstrou completo desprezo pelo
conceito de lei internacional. A invasão foi uma ação militar arbitrária
inspirada por uma série de mentiras e mais mentiras, por absurda manipulação da
mídia, e portanto do público; um ato cujo objetivo é consolidar o controle
econômico e militar norte-americano sobre o Oriente Médio, disfarçado de ação de
último recurso, já que todas as demais justificativas não conseguiram defender a
idéia de que se trataria de um ato de libertação. Uma formidável afirmação de
poderio militar, responsável pela morte e mutilação de milhares e mais milhares
de pessoas inocentes.
Nós levamos tortura, munição fragmentável, projéteis
de urânio, inumeráveis atos de homicídio aleatório, miséria, degradação e morte
ao povo iraquiano, e a isso chamamos "levar liberdade e democracia ao Oriente
Médio".
Quantas pessoas será preciso matar antes que o líder possa ser
qualificado como assassino em massa ou criminoso de guerra? Cem mil? Mais que o
suficiente, é o que eu imaginaria. Portanto, é justo que Bush e Blair sejam
indiciados diante do Tribunal Internacional de Justiça. Mas Bush foi esperto.
Não ratificou o tratado que constitui o Tribunal Internacional de Justiça.
Assim, se qualquer soldado, ou, aliás, político norte-americano for levado a
julgamento, Bush já alertou que recorrerá à força para libertá-lo. Mas Tony
Blair ratificou a constituição do tribunal, e portanto poderia ser processado.
Podemos fornecer o endereço dele ao tribunal, caso exista interesse. É Downing
Street, número 10, Londres.
A morte nesse contexto é irrelevante. Tanto
Bush quanto Blair dão importância muito pequena à morte. Pelo menos 100 mil
iraquianos foram mortos por bombas e mísseis norte-americanos antes que a
insurgência do Iraque começasse. Essas pessoas não importam. As mortes delas não
existem. São um vazio. Não estão sequer sendo registradas como vítimas fatais.
"Não contamos cadáveres", disse o general norte-americano Tommy Franks.
Nos
primeiros dias da invasão, os jornais britânicos publicaram em suas primeiras
páginas fotos de Tony Blair beijando um menininho iraquiano. "Uma criança
agradecida", afirmavam as legendas. Poucos dias mais tarde, uma reportagem e
foto publicadas em página interna mostravam um menino de quatro anos com os
braços amputados. A casa de sua família foi destruída por um míssil. Todos
morreram. "Quando vou ter meus braços de volta?", ele perguntava. Bem, Tony
Blair não o estava abraçando, ou a qualquer outra criança mutilada, ou a
qualquer cadáver ensangüentado. O sangue é sujo. Mancha a camisa e a gravata
quando você está fazendo um discurso sincero na televisão.
Os dois mil
norte-americanos mortos são motivo de embaraço. São transportados para seus
túmulos no escuro. Os funerais são discretos, realizados em locais distantes.
Os mutilados apodrecem em suas camas, alguns pelo resto de suas
vidas. Assim, mortos e mutilados apodrecem, em tipos diferentes de leito.
Mas antes que eu retorne ao presente, gostaria de mencionar o passado
recente, e com isso quero dizer a política externa dos Estados Unidos depois da
Segunda Guerra Mundial. Acredito que seja obrigatório, para nós, sujeitar esse
período a pelo menos alguma forma de escrutínio limitado, que é tudo que o tempo
disponível nos permitirá, aqui.
Todos sabem o que aconteceu na União
Soviética em
toda a Europa Oriental no período do pós-guerra: a brutalidade
sistemática, as atrocidades generalizadas, a supressão impiedosa do pensamento
independente. Tudo isso foi amplamente documentado e comprovado.
Mas o
que se pretende defender aqui é que os crimes dos Estados Unidos no mesmo
período só foram registrados de maneira superficial, quanto menos documentados,
e ainda menos reconhecidos como crimes de qualquer ordem. Acredito que isso
precise ser encarado, e que a verdade a esse respeito tenha considerável
importância para a situação em que o mundo agora se encontra. Ainda que
restringidas, em certa medida, pela existência da União Soviética, as ações dos
Estados Unidos em todo o mundo deixavam claro que o país concluíra dispor de
carta branca para fazer o que desejasse.
A invasão direta de um Estado
soberano jamais foi o método predileto dos Estados Unidos, na realidade. No
geral, os norte-americanos preferem o que costuma ser descrito como "conflitos
de baixa intensidade". Um conflito de baixa intensidade significa que milhares
de pessoas morrem, mas de maneira mais lenta do que se você lançasse uma bomba
contra elas em uma ação rápida. Significa que você infecta o coração do país,
estabelece um tumor maligno e assiste enquanto a gangrena se espalha. Quando a
população foi subjugada ou espancada até a morte, e seus amigos --os militares e
as grandes empresas-- ocupam o poder confortavelmente, você convoca as câmeras e
anuncia que a democracia prevaleceu. Essa era uma situação comum na política
externa norte-americana, durante os anos aos quais me refiro.
A tragédia
da Nicarágua é um caso altamente significativo. Eu decidi mencioná-la aqui como
poderoso exemplo da visão norte-americana quanto ao papel de seu país no mundo,
tanto então quanto agora.
Participei de uma reunião na embaixada
norte-americana em Londres, no final dos anos 80.
O Congresso dos Estados
Unidos estava se preparando para decidir se concederia mais dinheiro aos Contras
em sua campanha contra o Estado da Nicarágua. Eu era membro de uma delegação que
deporia em favor da
Nicarágua, mas o mais importante integrante dessa delegação era
o padre John Metcalf. O líder da equipe norte-americana era Raymond Seitz, então
primeiro secretário da embaixada e mais tarde embaixador dos Estados Unidos em
Londres. O padre Metcalf disse: "Senhor, cuido de uma paróquia no norte da
Nicarágua. Os fiéis locais construíram uma escola, um centro de saúde, um centro
cultural. Vivíamos em paz. Alguns meses atrás, uma força de Contras atacou a
paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o centro médico.
Estupraram enfermeiras e professoras, massacraram médicos, da maneira mais
brutal. Comportaram-se como selvagens. Por favor, exijam que o governo dos
Estados Unidos retire seu apoio a essas chocantes atividades
terroristas".
Raymond Seitz tinha ótima reputação como homem racional,
responsável e altamente sofisticado. Era muito respeitado nos círculos
diplomáticos. Ele ouviu, fez uma pausa e a seguir disse, de forma solene:
"Padre, permita-me dizer-lhe uma coisa. Na guerra, pessoas inocentes sofrem".
Surgiu um silêncio gélido. Nós o encaramos. Ele não mostrou qualquer hesitação.
As pessoas inocentes, de fato, sempre sofrem.
Por fim, alguém disse:
"Mas nesse caso as 'pessoas inocentes' foram vítimas de uma atrocidade cruel
subsidiada por seu governo, uma dentre muitas. Se o Congresso conceder mais
verbas aos Contras, novas atrocidades como essas acontecerão. Não é verdade? O
seu governo, portanto, não deveria ser considerado culpado por apoiar atos de
assassinato e destruição praticados contra os cidadãos de um país
soberano?"
Seitz se manteve imperturbável. "Não concordo que os fatos, tais
como apresentados, sustentem essas asserções", afirmou.
Quando estávamos
saindo da Embaixada, um dos assessores da delegação norte-americana disse que
apreciava minhas peças. Eu não respondi.
Devo lembrá-los de que, naquele
período, o presidente Reagan afirmou que "os Contras são o equivalente moral de
nossos Pais Fundadores".
Os Estados Unidos apoiaram a brutal ditadura de
Somoza na Nicarágua por mais de 40 anos. O povo nicaragüense, liderado pelos
sandinistas, derrubou esse regime em 1979, em uma inspiradora revolução popular.
Os sandinistas não eram perfeitos. Eram dotados de dose considerável de
arrogância, e sua filosofia política continha dose considerável de elementos
contraditórios. Mas eram pessoas inteligentes, racionais e civilizadas.
Decidiram estabelecer uma sociedade estável, decente e pluralista. A pena de
morte foi abolida. Centenas de milhares de camponeses vítimas da pobreza foram
resgatados, à beira da morte. Mais de 100 mil famílias receberam terras. Duas
mil escolas foram construídas. Uma notável campanha de alfabetização reduziu o
analfabetismo no país a menos de 15%. A educação gratuita foi estabelecida, bem
como um serviço gratuito de saúde. A mortalidade infantil foi reduzida
em um terço.
A poliomielite foi erradicada.
Os Estados Unidos
denunciaram essas realizações como subversão marxista/leninista. Na opinião do
governo norte-americano, um exemplo perigoso estava sendo estabelecido. Se fosse
permitido que a Nicarágua estabelecesse normas básicas de justiça social e
econômica, se o país conseguisse elevar seus padrões de saúde e educação e obter
unidade social e auto-respeito nacional, os países vizinhos talvez começassem a
fazer as mesmas perguntas e a agir da mesma maneira. Existia, na época, uma
feroz resistência ao status quo em El Salvador.
Falei anteriormente sobre
uma "tapeçaria de mentiras" que nos cerca. O presidente Reagan usualmente se
referia à Nicarágua como "calabouço totalitário". A mídia, e com certeza o
governo, britânicos consideravam que a declaração representasse um resumo
acurado e justo. Mas não existem, na verdade, registros de que esquadrões da
morte estivessem em operação sob o governo sandinista. Não há histórico de
tortura. Não há registro de brutalidade militar sistemática ou oficial. Nenhum
religioso foi assassinado na Nicarágua. Na verdade, o governo contava com três
religiosos em suas fileiras, dois padres jesuítas e uma missionária de
Maryknoll. Os calabouços totalitários na verdade existiam nos países vizinhos,
em El Salvador e na Guatemala. Os Estados Unidos derrubaram o governo
guatemalteco democraticamente eleito, em 1954, e estima-se que mais de 200 mil
pessoas tenham caído vítimas das ditaduras militares que se sucederam.
Seis
dos mais distintos religiosos jesuítas do mundo foram assassinados cruelmente na
Universidade Centro-Americana de El Salvador, em 1989, por um
batalhão do regimento Alcatl, treinado em Fort Benning, Geórgia, EUA. O
arcebispo Romero, homem de extraordinária coragem, foi assassinado enquanto
celebrava a missa. Estima-se que 75 mil pessoas tenham morrido.
Por que
foram mortas? Foram mortas porque acreditavam que uma vida melhor era possível e
devia ser conquistada. Essa crença as qualificava imediatamente como comunistas.
Morreram porque ousaram se opor ao status quo, ao infinito platô de pobreza,
doença, degradação e opressão que lhes cabia desde o nascimento.
Os
Estados Unidos por fim conseguiram derrubar o governo sandinista. Demoraram
alguns anos, mas perseguição econômica incansável e 30 mil mortes acabaram por
solapar o espírito do povo nicaragüense. Eles estavam exaustos, e a pobreza
voltou a atacar. Os cassinos se reinstalaram no país. A saúde e educação
gratuitas não mais existiam. As grandes empresas voltaram a todo vapor. A
"democracia" havia triunfado.
Mas essa "política" de forma alguma estava
restrita à América Central. Foi aplicada em todo o mundo. Era incessante. E
todos a tratam como se nunca tivesse acontecido.
Os Estados Unidos
apoiaram e em muitos casos engendraram todas as ditaduras de direita surgidas no
mundo depois da Segunda Guerra Mundial. Basta citar Indonésia, Grécia, Uruguai,
Brasil, Paraguai, Haiti, Turquia, Filipinas, Guatemala, El Salvador e,
evidentemente, o Chile. Os horrores infligidos pelos Estados Unidos ao Chile em
1973 jamais poderão ser purgados, e não serão perdoados nunca.
Centenas
de milhares de mortes aconteceram nesses países. Elas realmente aconteceram? E
podem ser atribuídas, em todos os casos, à política externa norte-americana? A
resposta é que sim, elas aconteceram, e podem ser atribuídas à política externa
norte-americana. Mas é como se não tivessem ocorrido.
Jamais aconteceram.
Nada aconteceu, em
tempo algum. Mesmo quando estavam acontecendo, essas coisas não
estavam acontecendo. Não importavam. Não mereciam interesse. Os crimes dos
Estados Unidos foram sistemáticos, constantes, cruéis, impiedosos, mas pouca
gente fala sobre eles. Temos de reconhecer o talento norte-americano. O país
exerceu uma manipulação clínica do poder em todo o mundo, enquanto posava o
tempo todo como força que deseja o bem universal. Foi um ato brilhante, e até
mesmo sutil, de hipnotismo, que obteve imenso sucesso.
Eu gostaria de
afirmar diante de vocês que os Estados Unidos são sem a menor dúvida o maior
espetáculo do planeta. Ainda que sejam brutais, impiedosos, desdenhosos e
indiferentes, são também muito espertos. Como vendedores, eles não têm rivais, e
o produto que eles mais vendem é o amor pelos Estados Unidos, por eles mesmos. É
uma idéia vencedora. Ouçam as palavras de qualquer presidente norte-americano,
na televisão, quando afirma que "digo ao povo norte-americano que é hora de orar
e de defender os direitos do povo norte-americano, e peço ao povo
norte-americano que confie em seu presidente quanto à ação que ele está por
executar em nome do povo dos Estados Unidos".
É um estratagema cintilante. A
linguagem é empregada de maneira a impedir que o pensamento atue. As palavras "o
povo norte-americano" oferecem uma almofada verdadeiramente voluptuosa de
segurança, de confiança. Não é preciso pensar. Simplesmente recoste-se na
almofada. A almofada talvez sufoque a sua inteligência e suas faculdades
críticas, mas é muito confortável. Isso não se aplica, claro, aos 40 milhões de
pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza, ou aos dois milhões de homens e
mulheres detidos no vasto gulag de penitenciárias que se estende ao longo do
território norte-americano.
Os Estados Unidos agora nem se incomodam mais
em usar a desculpa dos conflitos de baixa intensidade. Não vêem mais utilidade
em usar a reticência ou a astúcia. Colocam as cartas na mesa sem medo e sem
favor. Simplesmente não ligam a mínima para as Nações Unidas, a lei
internacional ou os dissidentes e críticos, que consideram impotentes e
irrelevantes. Além disso, dispõem de um cordeirinho na coleira, que os segue
balindo alegremente, o patético, submisso Reino Unido.
O que aconteceu à
nossa sensibilidade moral? Será que um dia ela existiu? O que quer dizer essa
expressão? Refere-se a um termo raramente empregado nos nossos dias, a
consciência? Uma consciência que se relaciona não apenas aos nosso atos mas à
responsabilidade de que compartilhamos pelos atos alheios? Será que isso tudo
morreu? Pensem na baía de Guantánamo. Centenas de pessoas detidas sem acusação
por mais de três anos, sem direito a representação legal, sem direito a
processos justos, tecnicamente detidas para sempre. Essa estrutura totalmente
ilegítima é mantida em flagrante desafio à Convenção de Genebra. É não apenas
tolerada mas raramente comentada pelo que costumamos designar como "comunidade
internacional". Esse ultraje criminoso está sendo cometido por um país que se
declara "líder do mundo livre". Será que nós pensamos sobre os habitantes da
baía de Guantánamo? O que a imprensa tem a dizer sobre eles? Surgem
ocasionalmente em alguma pequena reportagem na página seis. Foram consignados a
uma terra de ninguém da qual é de fato possível que nunca retornem. No momento,
pode ser que estejam em greve de fome, e sendo alimentados à força. Há cidadãos
britânicos entre eles. Não existe nada de sutil no procedimento usado para
forçar um detento a se alimentar. Nenhum sedativo ou analgésico. Um tubo é
inserido pelo nariz do prisioneiro, até sua garganta. A pessoa vomita sangue.
Isso constitui tortura. O que o secretário do Exterior britânico tem a dizer
sobre isso? Nada. O que o primeiro-ministro britânico tem a dizer sobre isso?
Nada. Por que nada? Porque os Estados Unidos determinaram que criticar sua
conduta na baía de Guantánamo constitui violação de aliança. Quem não está com
eles, está contra eles. Por isso, Blair mantém a boca fechada.
Os Estados
Unidos ocupam hoje 702 instalações militares em todo o mundo, em 132 países, com
a honrosa exceção da Suécia, evidentemente. Não sabemos exatamente como eles
chegaram lá, mas lá estão, sem dúvida.
Os Estados Unidos possuem oito mil
ogivas nucleares ativas e operacionais. Duas mil delas estão em alerta imediato,
prontas para lançamento em 15 minutos. O país está desenvolvendo novos sistemas
de força nuclear, conhecidos como "arrasa-bunkers". Os britânicos, sempre
cooperativos, planejam substituir o míssil nuclear que empregam, o Trident.
Contra quem, imagino, eles estão apontados? Osama bin Laden? Você? Eu? Joe
Dokes? China? Paris? Quem sabe? O que sabemos é que essa infantil insanidade, a
posse e ameaça do uso de armas nucleares, é o cerne da filosofia política atual
dos Estados Unidos. Precisamos nos lembrar de que os Estados Unidos estão sempre
em pé de guerra, e não mostram sinais de relaxar sua postura.
Muitos
milhares, se não milhões, de pessoas nos Estados Unidos mesmos estão
comprovadamente enojadas, envergonhadas e enraivecidas diante das ações de seu
governo, mas sob a situação atual ainda não são uma força política coerente. Mas
a ansiedade, incerteza e medo que podemos ver crescendo a cada dia nos Estados
Unidos não devem diminuir.
Sei que o presidente Bush dispõe de muitos
redatores de discursos extremamente competentes, mas eu gostaria de me oferecer
como voluntário para o posto. Proponho o seguinte discurso, curto, a ser feito
ao país em rede de televisão. Eu o vejo sério, com o cabelo cuidadosamente
penteado, convincente, sincero, quase sedutor, ocasionalmente empregando um
sorriso sardônico, estranhamente atraente, um homem másculo.
"Deus é bom.
Deus é grande. Deus é bom. Meu Deus é bom. O Deus de Bin Laden é ruim. O Deus
dele é ruim. O Deus de Saddam era ruim, mas ele não tinha Deus. Ele era um
bárbaro. Nós não somos bárbaros. Não arrancamos a cabeça das pessoas.
Acreditamos na liberdade. Deus também. Não sou um bárbaro. Sou o líder
democraticamente eleito de uma democracia que ama a liberdade. Somos uma
sociedade compassiva. Nós usamos eletrocuções compassivas e injeções letais
compassivas. Somos uma grande nação. Não sou um ditador. Ele é. Não sou bárbaro.
Ele é. E ele é. Todos eles são. Eu tenho autoridade moral. Está vendo esse
punho? Ele é minha autoridade moral. E não se esqueça
disso".
me perguntei se há um critério para distinguir prática de teoria.me
parece que tudo é de uma natureza que pode ser vista como prática,
sem que isso signifique que não seja teoria(ou abstração)mais pelo
contrário,que também o possa ser,simultaneamente.ou não.o que
importa é a possibilidade da simultaneidade.me parece que o problema
de distinguir prática de teoria,está ligado diretamente ao de
distinguir entre o que está no homem e o que não está(exterior).o
exterior se identifica com o espaço.nao podemos conceber um espaço
que seja interior a nossa consciencia,ao nosso "eu".é como se o "eu"
fosse uma unidade desse espaço.um "ponto",ou "reta"..etc,o que importa
é que o "eu" tenha pelo menos uma dimensão a menos que o "espaço",se
nao,nao estaria contido nele.mais podemos considerar a possibilidade de
a dimensao do "eu" ser igual a do "espaço".poderia o "eu",conter o
"espaço"?mais ainda há o tempo,que é outro problema.___________de
qualquer forma gostaria de saber se alguem tem algum critério para a
distinçao de que falei.se não houver critério,não há sentido na
expressão"pragmatismo científico"na acepção usual,é claro.se não
sabemos o que é prática e ñ-pratica,ñ adiantaria usar termos com
definiçao vaga,ou sem definição.é claro que podemos postular uma
definição.mais nesse caso é preferível recorrer a postulados mais
basilares,ficando isso como uma espécie deteorema.o que vc entende por
pragmatismo?é claro é possível "aplicar"ou"pragmatizar"uma
ciencia,no sentido de associa-la a um outro campo de
conheciemnto,...como a "física hospitalar"que usa os conceitos da
"física"para o campo de conhecimento da cura.de pessoas que quebraram
um braço por ex.(raios x).mais aí não temos uma "fisica aplicada"
temos uma outra ciencia totalmente independente e autonoma.tem um
arcabouço de ideias proprio e a semelhança com a física é mera
coincidencia.nao tem importancia.se se entende pragmatismo científico
como o conjunto desses conhecimentos que nasceram das ciencias de
base(que nasceram de outras)não há necessidade de
condená-lo.pragmatismo cien´tifico parece ser todo conhecimento que
visa tudo que seja a perpetuidade da espácie humana.a física não
visa isso.apesar de se poder suspeitar que o conhecimento do mundo tem
a ver com a sede de perpetuidade.assim como o sexo.mais descarto
isso.-----------------------é importante,porem,lembrar que o objetivo
de conhecer o universo,é mais nobre que o de perpetuar a espécie.o
nosso cortex é relativamente novo na especie.enquanto as areas mais
repteis e etc sao mais antigas.dai,poucos atinarem com
"conhecimento".nao posso conceber um Lizt pragmático,nas
reminiscencias de d.juan,ou um Pascal pragmático na ciclóide.a
matematica passou de medidas agrarias etc,para a teoria analitica dos
numeros.qual é o mais pragmatico?
"é importante,porem,lembrar que o objetivo de conhecer o universo,é
mais nobre que o de perpetuar a espécie"parecem ser
dependentes,sao.mais sao antaginicos.