Você e sua lucidez... : )
Se definirmos que um ser humano tem suas competências divididas em
algumas dimensões, estas poderiam ser:
conhecimentos (saber), habilidades(saber fazer) e
atitudes(pré-disposição a fazer),
Acho que a experiência permeia todas elas.
Quando Huxley falou sobre “o que o homem faz com aquilo que acontece com
ele” quis dizer (minha interpretação) que duas pessoas “submetidas” a
uma mesma circunstância podem ter como resultado dessa interação
experiências diferentes. O fazer, nesse caso, não tem uma conotação de
necessária interação com o ambiente (pode ser simplesmente aceitar para
si, negar, apoiar, etc.).
---------------------------------------------------------
Olá, Feijó!
Tudo bem?
Concordo com parte do que diz, mas com outra parte não. Também concordo com
parte do que Huxley diz, mas não com outra parte.
O conceito de “experiência” – na acepção de “conhecimento que nos é
transmitido pelos sentidos” – pode ser adquirida mediante o aprendizado com
base no que acontece a si mesmo, com base no que acontece aos outros em sua
presença, com base no que acontece em seu redor, entre outras
possibilidades, portanto não abarca apenas “aquilo que lhe acontece” e é
mais abrangente do que propõe Huxley. Fora esse detalhe, há mais um em que
talvez ele pudesse ter sido mais exato: a experiência não é aquilo que você
faz como aquilo que lhe acontece, mas o que você assimila a partir do que
vivencia, independente de colocar em prática, isto é, independente de “fazer
algo com aquilo”.
Eu não tenho experiência para falar sobre Lógica Formal (usando os símbolos
apropriados, em vez de usar nosso idioma, que é muito inexato), mas acho que
tenho alguma facilidade para usar a Lógica de forma apropriada e conheço
alguns rudimentos sobre o uso formal de Lógica, de modo que, nos casos em
que nosso idioma é insuficiente para expressar alguma idéia com suficiente
rigor, basta definir, conceituar ou delimitar com mais cuidado os
significados de alguns “termos-chave” para que seja possível alcançar uma
qualidade analítica semelhante à que poderia ser atingida usando simbologia
formal.
---------------------------------------------------------
Tentei dizer que a lógica é sobre-sequente (não sei se existe essa
palavra, mas me parece que subsequente não é adequada pois dá a idéia de
anterioridade na sequência) à criação, e tem como função (aliás,
fundamental) testar se o que foi criado é realizável. Neste texto, não
pode ser excluído, em momento algum, o homem e sua interação (em e com
todos os sentidos) com o mundo. Assim, quando falo em criação eu quero
dizer aquilo que é resultado (e ao mesmo tempo insumo) do pensamento
humano. A realização do pensamento pode ser melhor definida como a
construção (realização, total ou parcialmente material – forma).
Proponho que: no exato momento da formulação de proposições (criação)
não usamos a lógica. A usaremos no momento imediatamente posterior à
proposição, logo, um teste formal de sua potencialidade. A lógica está
presa ao universo conhecido, o poder criador, não (podemos, inclusive,
criar uma nova lógica).
A perfeição pode, então, ser percebida como o momento em que a lógica
(limitador) e o pensamento (criador) atuam simultaneamente.
---------------------------------------------------------
Quando você diz que a Lógica não é um instrumento de criação, creio que
antes seria preciso definir ou conceituar o que é um “instrumento de
criação”, para depois verificar se a Lógica atende ou não aos quesitos
necessários para ser considerada como tal. Se “instrumento de criação” for
“qualquer recurso por meio do qual se possa criar”, ou, num sentido mais
estrito, for “qualquer recurso por meio do qual se possa criar algo
funcional”, então eu gostaria de saber quais são seus argumentos para
sustentar a tese de que a Lógica não atende a este critério. A meu ver, não
há como argumentar em favor do ponto de vista que você defende, porque a
Lógica é absolutamente imprescindível em qualquer processo criativo
empreendido por entidades sencientes com um objetivo definido, desde a
---------------------------------------------------------
A lógica não pode definir o objetivo, ela apenas testa se o objetivo
escolhido pode ser alcançado com aquilo que se tem. O objetivo é a
criação do pensamento.
---------------------------------------------------------
Música e a Pintura até o Xadrez, a Ciência e a Matemática, incluindo também
Culinária, Esportes etc., no âmbito humano, e se estende também às criações
de ninhos e colméias até a criação de Universos (se criados). Note que o
fato de abelhas usarem a Lógica para construir uma colméia não significa que
elas têm consciência disso. Significa apenas que (sabendo ou não) elas estão
atuando de acordo com a Física e a Química enquanto constroem estruturas
que, de outro modo, seriam inexeqüíveis. E tanto a Física quanto a Química
se fundamentam com suporte da Lógica.
Outro detalhe: a Lógica não se presta a “testar a realização de uma
proposição”. A Lógica determina as Leis que devem ser respeitadas ao
formular proposições. Seria tautológico dizer que é absurdo renunciar ao uso
da Lógica quando se tem como objetivo a produção intelectual, em especial a
produção inovadora, mas vamos comentar mais algumas afirmações. Quanto à sua
expressão “da ‘irracionalidade’ humana nascem as grandes inovações”, estando
“irracionalidade” entre aspas, se sua intenção com o termo “irracionalidade”
foi representar “heterodoxia no uso da razão em comparação ao uso
convencional”, então é uma afirmação correta, porém esta heterodoxia
consiste justamente no uso mais exato da Lógica, em comparação ao uso
convencional da Lógica, e deste uso mais exato e mais profundo é que nascem
as grandes inovações, portanto, estando certo nesse ponto, você está
contradizendo o que afirmou no início da mesma sentença.
Com relação a este trecho:
----------------
Minha maior frustração com relação à ciência, ou ao status quo da ciência e
seus cientistas, é que ela continua (particularmente a ciência fortemente
apoiada pelo Capital) limitando-se ao pragmatismo da sua aplicabilidade à
acumulação de riqueza (leia-se poder).
----------------
A Ciência nasceu da necessidade de solucionar problemas práticos, e esta tem
sido sua função desde “sempre”, portanto não vejo de que modo se possa
criticar o pragmatismo científico como sendo algo indesejável. Não há
Ciência que não seja pragmática, porque o pragmatismo é um traço imanente à
Ciência.
Quanto às riquezas produzidas pela Ciência, é por meio dela que se
conseguiram praticamente todos os benefícios acumulados até hoje, que
contribuem para melhorar nossa qualidade de vida. A política, por sua vez,
exerce sobre a Ciência um controle considerável e indica os rumos a serem
seguidos. De modo geral, a Política incentiva a produção de benefícios para
a comunidade, mas algumas vezes perde-se de vista este objetivo e ela aponta
caminhos cujos efeitos podem ser nocivos para todos. Nestes casos, se a
Ciência tivesse autonomia para se negar a trilhar os caminhos ditados pela
política, sem que isso provocasse um colapso orçamentário para a Ciência,
então esta deveria ser a alternativa. O problema é que a Ciência depende
quase totalmente de recursos governamentais ou de grandes empresas, enquanto
o cientista é apenas um funcionário. Se o cientista não trabalhar de acordo
com as normas e interesses da empresa, ele é substituído. Mesmo os grandes
cientistas, como os que participaram do Projeto Manhattan, não tiveram voz
ativa e não foram atendidos no abaixo assinado que enviaram ao presidente
dos EUA, pedindo (exigindo? Reivindicando?) que não lançasse a segunda bomba
sobre Nagazaki, em 1945. O cientista produz Ciência com sua habilidade e
conhecimento combinados à verba e aos equipamentos que recebe de
instituições privadas ou governamentais. Se for privado das verbas e
equipamentos, fica de mãos atadas. Por outro lado, se o governo e as
empresas fossem privados das idéias dos cientistas, também ficariam de mãos
atadas. A diferença está no poder de negociação de cada parte. Se os
cientistas se unissem e se recusassem terminantemente a prestar seus
serviços a menores que determinados padrões éticos fossem atendidos, o
governo e as empresas tecnológicas seriam forçados a atenuar o controle
excessivo que exercem sobre a produção científica, como se estas criações
fossem propriedade do governo e das empresas mais do que são dos próprios
criadores das idéias.
No caso de Bill Gates, é um dos poucos cientistas que conseguiu acumular
fortuna e tem relativa liberdade para determinar os rumos a serem seguidos
por sua empresa, investindo maciçamente em filantropia e em pesquisas. Mas é
também um empresário e precisa se preocupar com o lucro para manter sua
“dinastia”, sem a qual estes recursos acabariam nas mãos de outros menos
conscienciosos, que provavelmente investiriam menos do que ele em causas
sociais e em projetos científicos. Muitas pessoas criticam Gates pela
maneira como ele agiu para chegar onde está, e concordo que ele poderia ter
feito de maneira diferente, contudo o fato é que ele tem contribuído muito
para a comunidade e talvez seja o maior filantropo do mundo.
----------------
---------------------------------------------------------
OK!.
Eu não disse que a Ciência não tem valor. É evidente a sua importância
para o desenvolvimento humano. Não acusei a Ciência de ser pragmática. A
minha frustração é que a Ciência NÃO é um meio de distribuição de
riqueza. (er..usei indevidamente acumular como antônimo de distribuir).
A distribuição da riqueza produzida pela Ciência (a ciência como um
sistema – não os cientistas) só tem ocorrido quando é insumo para um
novo ciclo de poder. A riqueza, neste caso, é o insumo material (saúde,
por exemplo) e imaterial (esperança, por exemplo).
Não acho que o mundo seria melhor se não fosse a Ciência, porém acho que
o mundo seria melhor se a Ciência não se limitasse aos seus próprios
interesses.
A Ciência surgiu, salvo melhor juízo, da necessidade do homem de
resolver seus problemas (nem todos tão práticos assim...”para quê” eu
existo? “onde” eu estava antes de existir? ). Acho que a Ciência está
perdendo tempo (talvez esse trajeto seja necessário dada a experiência
adquirida) e “dando a volta ao mundo para chegar em casa”.
---------------------------------------------------------
É claro que uma sociedade capitalista tem como sua principal alavanca (que
confunde-se com o objetivo) o dinheiro. Mas não é necessário que esse seja o
motivador humano (e de fato não o é).
----------------
O dinheiro é apenas uma unidade de crédito que facilita as trocas de
produtos. Dinheiro não é alavanca para crescimento econômico ou similar. A
riqueza está nos recursos naturais e na produção industrial e cultural a
partir destes recursos.
Quanto ao dinheiro ser a motivação humana, concordo com você que não é. As
motivações variam muito de pessoa para pessoa e algumas são mais comuns do
que outras. O sexo, o poder, o prestígio, a reputação são alguns
motivadores. E há motivações mais nobres, como o desejo de fazer o melhor
possível, tendo como meta (ainda que inatingível) a perfeição. Jesus,
suponho, não se preocupava tanto com sua reputação nem com seu prestígio,
embora os tivesse em altíssimo grau. Assim como Sócrates, ele se preocupava
em fazer o que era mais certo, e sua reputação foi fruto indireto dessa
preocupação. Mas casos como o dEle são muito raros, e a maioria da população
tem preocupações muito mais egoístas. Eu, por exemplo, tento fazer o que
acho mais certo, mas muitas vezes faço isso mais preocupado com a reputação
do que com o retidão em si. Além disso, há casos em que sei o que é mais
certo, mas não consigo agir da maneira adequada. Isso produz uma sensação
muito ruim de fraqueza, e muitas vezes eu me esforço para fazer o que é
certo mais para evitar o sentimento de fraqueza do que pela retidão em si.
Enfim, mesmo quando se faz o que é mais certo, muitas vezes o que há por
trás são sentimentos e pensamentos menos nobres do que pode parecer. Então
tento também me policiar sobre isso e assegurar que estou fazendo o que é
mais certo e pelos motivos certos. Numa revista, os dois Ronaldos do Futebol
falaram sobre seus sonhos: Ronaldinho Gaúcho quer ganhar duas copas; Ronaldo
o Fenômeno quer ganhar o Nobel da Paz. O objetivo do Ronaldo Fenômeno é
claramente mais nobre, porém denuncia uma falta grave: as obras sociais que
ele realiza têm como objetivo o reconhecimento, quando o correto seria que
estas obras visassem melhorar a qualidade de vida das pessoas. Claro que ele
também deve ter a intenção de ajudar as pessoas, mas o cerne do problema é
que esta deveria ser a única intenção, sem que houvesse pensamentos e
desejos de receber um Nobel por isso. Ele deveria desejar “merecer um Nobel
da Paz”, pouco importando receber o prêmio ou não. A motivação por traz de
um prêmio como este deveria ser a intenção sincera e pura de auxílio
comunitário, não a ambição do prêmio em si. Note que não estou recriminando
o Ronaldo. Ao contrário, eu o considero um ícone que produz efeitos muitos
positivos sobre os que o imitam (ou tentam imitá-lo). Estou apenas
exemplificando uma mácula que pode haver por trás de atitudes nobres, mas
não totalmente puras. O ponto crucial é que o altruísmo verdadeiro é muito
diferente do trabalho resultante de auxílio social motivado por desejo de
reconhecimento. Na prática, os resultados podem ser semelhantes, mas na
essência é muito diferente.
----------------
---------------------------------------------------------
Acho que um simples e bom indicador de desenvolvimento de uma
civilização é o grau de importância que ela dá ao materialismo. Menos
desenvolvido=mais materialista. Entendo que o materialismo é uma
condição “higiênica” (se tem, não agrega valor, se não tem, faz mal),
logo esse indicador só é válido a partir de um certo ponto em que existe
a matéria necessária para que não se perca tempo em procurá-la. O
motivador do desenvolvimento é o imaterial (transcende a matéria).
O difícil é saber o que significa desenvolvimento : )
Acho que não existe altruísmo verdadeiro ou falso. O homem é motivado
para satisfazer suas necessidades. O altruísta tem necessidades mais
“nobres”, mas é tão “egoísta” quanto o egoísta, pois busca satisfazer
suas necessidades da mesma forma. A diferença entre ambos é o
conhecimento (olha o Sócrates aí gente!)
Aí, na minha visão, está o desenvolvimento.
---------------------------------------------------------
Ora, se for assim, e isso fosse tudo, eu desenvolveria a ciência para
submeter ao meu poder (hermético e perpétuo) tudo que fosse possível,
inclusive o futuro de outros semelhantes.
----------------
Não entendi bem essa parte.
----------------
---------------------------------------------------------
Nem eu... Mas o parágrafo anterior esclarece mais.
---------------------------------------------------------
É evidente que a fisiologia do cérebro (fenótipos)determina parte da
capacidade de raciocinar. Mas não é aceitável que, após tanto tempo de
evolução (evolucionismo) ainda tenhamos genótipos de natureza restritiva ao
desenvolvimento cerebral (qual a "meia vida" de um gene degenerativo?).
----------------
Não entendi de que modo este trecho se relaciona aos anteriores. Também não
entendi a idéia que teve a intenção de expressar. Concordo que a fisiologia
do cérebro provavelmente determina parte da capacidade de raciocinar. Quanto
à segunda parte do que você disse, não me pareceu muito claro. O cérebro
está evoluindo desde que surgiram os primeiros organismos com centralização
das funções neurológicas, e a evolução nunca foi e não é linear, mas
oscilante, à semelhança de um gráfico de ativo da Bolsa, com uma tendência
de longo prazo que denota as condições da empresa (crescimento ou
decrescimento), e várias oscilações menores em períodos mais curtos, e
outras ainda menores que constituem flutuações casuais e algumas vezes podem
contrariar a tendência de longo prazo. Se a tendência da altura da população
é aumentar, nada impede que durante um curto período de 5 anos a estatura
média decresça um pouco. Quanto à meia-vida de um gene degenerativo, suponho
que varie muito de gene para gene.
---------------
---------------------------------------------------------
O texto anterior falava no processo de evolução do homem (acho que esse
é o tema central desse bate-papo).
Então durante a evolução também há involução? (é brincadeira : ),
entendi bem o que você disse)
Além disso, acho que a evolução se dá em “quanta” de evolução. A
evolução é discreta (não é contínua).
Entendo, porém, ainda, que o suporte fisiológico (neuro-químico) não é
suficiente para alguns passos evolutivos que o homem deu. Isso não está
bem explicado! Não sei exatamente como a “coisa” aconteceu, mas suspeito
que há uma “lei da conservação da informação” (não se cria e nem se
perde...)
---------------------------------------------------------
OK...Exagerei...
Deixo para que você reflita...
Abraços fraternais,
Feijó
---------------
Também não entendi em que exagerou nem sobre o que é para refletir. Mas
agradeço pelos abraços fraternais.
Abraços.
Melão
---------------
---------------------------------------------------------
Que neste novo ano a gente peça a Deus a coragem para fazer as coisas
que nós sabemos que devemos fazer.
Abraços fraternais,
Feijó
---------------------------------------------------------
--
No virus found in this outgoing message.
Checked by AVG Free Edition.
Version: 7.1.371 / Virus Database: 267.14.17/228 - Release Date: 12/1/2006
Caro Melão,
Você e sua lucidez... : )
##########
:-) Sou meio chato com meu detalhismo. Espero que não se ofenda. Teve um
e-mail em que comentei sobre "escrever na máquina de escrever", em vez de
"bater na máquina", e depois pensei em corrigir o que eu mesmo havia dito,
mas achei que ficaria meio maçante. Mas o fato é que "escrever na máquina de
escrever", como eu propus, obviamente poderia ser interpretado como "pegar
numa caneta (ou similar) e escrever no corpo da máquina". Teria sido mais
adequado dizer "escrever por meio da máquina de escrever".
##########
Se definirmos que um ser humano tem suas competências divididas em algumas
dimensões, estas poderiam ser:
conhecimentos (saber), habilidades(saber fazer) e atitudes(pré-disposição a
fazer), Acho que a experiência permeia todas elas.
Quando Huxley falou sobre “o que o homem faz com aquilo que acontece com
ele” quis dizer (minha interpretação) que duas pessoas “submetidas” a uma
mesma circunstância podem ter como resultado dessa interação experiências
diferentes.
##########
Interpretamos da mesma maneira e talvez seja a mais certa (e mais
representativa da intenção de Huxley). Eu apenas descreveria um pouco
diferente, mas na essência não mudaria nada. Diria que os níveis de
experiência que diferentes pessoas podem derivar de situações idênticas
podem variar muito em função da maneira pessoal como cada pessoa processa as
informações que recebe, devido a como as novas experiências se relacionam ao
histórico de cada pessoa etc. Mas não entendi seu comentário. Partindo desta
interpretação, que me parece ser a única, muda algo sobre o que eu disse?
##########
O fazer, nesse caso, não tem uma conotação de necessária interação com o
ambiente (pode ser simplesmente aceitar para si, negar, apoiar, etc.).
##########
Sim, e é exatamente nisso que consiste minha crítica. Aceitar, negar, apoiar
etc., como propõe Huxley, a meu ver, constituem uma visão reducionista do
que é "experiência". Uma pessoa pode vivenciar determinada situação,
adquirir determinada experiência e não fazer nada com ela. Apenas tê-la em
estado latente. Usar tal experiência para aceitar, negar, apoiar etc. seria
fazer algo com essa experiência. Em outras palavras: temos algo a que
chamamos "experiência" e como subconjunto da experiência temos algo mais
específico que é a experiência manifesta. Temos também a experiência latente
como outro subconjunto da experiência. Huxley trata a experiência manifesta
como se fosse a única possível, o que constitui uma omissão. Nisso consiste
o comentário que fiz no e-mail anterior.
##########
---------------------------------------------------------
Olá, Feijó!
Tudo bem?
###############
A Lógica não é apenas ulterior à criação. Ela também está presente em cada
etapa que precede a criação e, o mais importante, é por meio dela que se
organizam os elementos que conspiram para a ocorrência do insight. Quando
ela não está presente e os mesmos elementos se distribuem de maneira
ilógica, não se produz nenhum insight que tenha conteúdo aproveitável. A
Lógica tem função propedêutica na Ciência, de modo geral, e em cada criação,
em particular.
Quanto à Lógica servir para testar se o que foi criado é realizável, esta
não é uma das funções que se pode atribuir a ela, mas não significa que ela
tenha unicamente esta função.
###############
Neste texto, não pode ser excluído, em momento algum, o homem e sua
interação (em e com todos os sentidos) com o mundo.
###############
Agora que você introduziu este axioma, que me parece não conflitar com nada
grave, vamos passar a aceitá-lo como parte do corolário e ver como fica.
###############
Assim, quando falo em criação eu quero dizer aquilo que é resultado (e ao
mesmo tempo insumo) do pensamento humano.
###############
Ok. Façamos, então, uma mudança semântica para deixar tudo mais claro: Você
propõe tratar exclusivamente de "criação do pensamento humano", não de
"criação" de modo geral.
###############
A realização do pensamento pode ser melhor definida como a construção
(realização, total ou parcialmente material – forma).
Proponho que: no exato momento da formulação de proposições (criação) não
usamos a lógica.
###############
Durante a construção de sintaxes, aflora em nossa mente uma enormidade de
idéias sem sentido e algumas que fazem sentido. Por um processo heurístico,
o que não tem sentido é descartado e o que é coerente é mantido. Além disso,
a organização dos componentes e subcomponentes de cada proposição é
progressivamente aprimorado, até atingir a forma final, mediante o uso da
Lógica, que redistribui estes elementos de modo mais organizado. Quando a
criação de cada elemento da sintaxe não é orientada pela Lógica, este
elemento tem baixíssima probabilidade de ter sido casualmente inserido na
posição certa da sentença e ao mesmo tempo ter o significado apropriado.
###############
A usaremos no momento imediatamente posterior à proposição,
###############
A Lógica é aplicada em cada instante, durante a construção de cada
proposição. Caso contrário, recairíamos na situação do macaco que digitasse
fortuitamente qualquer coisa, e depois fôssemos conferir o que faz sentido.
O processo seria terrivelmente lento. Em vez disso, cada etapa é precedida
por pensamentos norteados pela Lógica.
###############
logo, um teste formal de sua potencialidade. A lógica está presa ao universo
conhecido,
###############
A Lógica tem existência independente de um universo ou de mentes que a
utilizem. "Se A é maior que B e B é maior que C, então A é maior que C".
Isso vale para qualquer gramática construída com algum rigor, em qualquer
universo possível no qual haja pelo menos três elementos aos quais se possa
atribuir legitimamente o predicado "maior".
###############
o poder criador, não (podemos, inclusive, criar uma nova lógica).
###############
Além da Lógica clássica, existe a paraconsistente, a difusa, a
inconsistente. Creio que foram "descobertas", em vez de "criadas". Se são
"novas lógicas", creio que seja uma questão semântica e dependeria da
definição de Lógica. Mas eu diria que todas são partes de uma mesma
metalógica.
###############
A perfeição pode, então, ser percebida como o momento em que a lógica
(limitador) e o pensamento (criador) atuam simultaneamente.
###############
Acho que a maioria (talvez todos) dos lógicos não gostaria de ler isso. A
Lógica dissociada do pensamento e considerada "limitador". Isso não me
parece lógico. :-)
###############
---------------------------------------------------------
Quando você diz que a Lógica não é um instrumento de criação, creio que
antes seria preciso definir ou conceituar o que é um “instrumento de
criação”, para depois verificar se a Lógica atende ou não aos quesitos
necessários para ser considerada como tal. Se “instrumento de criação” for
“qualquer recurso por meio do qual se possa criar”, ou, num sentido mais
estrito, for “qualquer recurso por meio do qual se possa criar algo
funcional”, então eu gostaria de saber quais são seus argumentos para
sustentar a tese de que a Lógica não atende a este critério. A meu ver, não
há como argumentar em favor do ponto de vista que você defende, porque a
Lógica é absolutamente imprescindível em qualquer processo criativo
empreendido por entidades sencientes com um objetivo definido, desde a
---------------------------------------------------------
A lógica não pode definir o objetivo,
###############
Quem define não é a Lógica, mas sim o sujeito que usa a Lógica. A definição,
assim como a axiomatização, pode ser um processo idiossincrático, de modo
que o sujeito pode arbitrariamente eleger os axiomas que desejar ou propor
as definições que lhe apetecerem, desde que não haja inconsistências, isto
é, entre os postulados não pode haver, por exemplo, um que diga que "A é
maior que B" e outro que diga que "B é maior que A". Além disso, cada
postulado e cada definição precisa ter por base construções sintáticas
corretas. Por isso tanto na escolha das premissas quanto na derivação das
proposições, é a Lógica que determina os processos, é ela que dita as Leis a
serem seguidas.
###############
ela apenas testa se o objetivo escolhido pode ser alcançado com aquilo que
se tem.
###############
A função da Lógica não é essa.
###############
---------------------------------------------------------
###############
Eu não disse que você disse isso.
###############
É evidente a sua importância para o desenvolvimento humano. Não acusei a
Ciência de ser pragmática.
###############
Ela é pragmática. Não se trata de você tê-la "acusado". Trata-se de não ter
considerado que esta é uma propriedade imanente da Ciência.
###############
A minha frustração é que a Ciência NÃO é um meio de distribuição de riqueza.
###############
Como assim?
###############
(er..usei indevidamente acumular como antônimo de distribuir).
A distribuição da riqueza produzida pela Ciência
###############
A Ciência não distribui riqueza. Conforme você bem disse, a Ciência produz
(conhecimento e tecnologia). O problema não está na Ciência, mas nos setores
que fazem a distribuição. Sua frustração deveria ser com estes setores.
###############
(a ciência como um sistema – não os cientistas) só tem ocorrido quando é
insumo para um novo ciclo de poder. A riqueza, neste caso, é o insumo
material (saúde, por exemplo)
###############
Não estou seguro de que "saúde" seja um insumo material.
###############
e imaterial (esperança, por exemplo).
###############
Não creio que Ciência produza diretamente "esperança". E se formos
considerar também o que ela produz indiretamente, então qualquer coisa
produz tudo (dependendo de quantos níveis indiretos estiveremos dispostos a
aceitar). Cigarros, por exemplo, produzem saúde, porque cigarros geram lucro
para empresas que investem em cultura, e esta cultura estimula jovens a
estudar e se tornarem melhores profissionais, entre os quais alguns médicos,
que tratam da saúde. Portanto, indiretamente cigarro produz saúde. Mas essa
cadeia de ligações é cada vez mais tênue, porque há muitos fatores
envolvidos em cada ligação e só estamos considerando um ramo de cada vez.
Por isso não se pode dizer que cigarro gera saúde. Analogamente, não podemos
dizer que Ciência produz esperança.
###############
Não acho que o mundo seria melhor se não fosse a Ciência, porém acho que o
mundo seria melhor se a Ciência não se limitasse aos seus próprios
interesses.
###############
A Ciência não tem interesses. Os cientistas têm, e são, antes de tudo,
humanos, portanto sujeitos às mesmas vicissitudes que qualquer pessoa. E o
foco do problema não está nos cientistas (e muito menos na Ciência), mas em
pessoas que atuam em outros campos (Política, Economia, Justiça) e
manipulam, quase como bem entendem, os recursos produzidos pela Ciência.
###############
A Ciência surgiu, salvo melhor juízo, da necessidade do homem de resolver
seus problemas (nem todos tão práticos assim...”para quê” eu existo? “onde”
eu estava antes de existir? ).
###############
Estas são questões filosóficas, não científicas. Os problemas científicos
são estritamente práticos.
###############
Acho que a Ciência está perdendo tempo (talvez esse trajeto seja necessário
dada a experiência
adquirida) e “dando a volta ao mundo para chegar em casa”.
###############
Um dos motivos pelos quais a Ciência funciona é porque ela é econômica. Se
se pode chegar em Netuno usando estilingues gravitacionais, então é isso que
se faz, em vez de usar combustível o tempo todo. Ao contrário, em Política
se observa um desperdício imenso de dinheiro com propagandas, quando este
dinheiro poderia ser aplicado em obras que melhorassem a vida das pessoas.
Então surge a pergunta: "qual a utilidade de enviar uma sonda a Netuno"? A
resposta é simples: muitas invenções, descobertas e pesquisas não oferecem
aplicações cotidianas imediatas, mas são importantíssimas para a
posteridade, portanto é natural que ainda não saibamos exatamente de que
modo se poderá tirar proveito do que estamos aprendendo com algumas das
pesquisas atuais, mas nossos descendentes, combinando a tecnologia que terão
à disposição ao legado que terá se acumulado a partir da cultura que já
existe, poderão solucionar importantes problemas, alguns dos quais ainda nem
sequer sabemos que existem, entre os quais a migração para outros planetas,
caso algum processo irreversível venha a dizimar a vida na Terra.
###############
###############
Sim, concordo que pode ser um indicador interessante. Mas não sei se
correlataria positivamente ou negativamente com o desenvolvimento
tecnológico, econômico, social e cultural.
###############
Acho que não existe altruísmo verdadeiro ou falso. O homem é motivado para
satisfazer suas necessidades. O altruísta tem necessidades mais “nobres”,
mas é tão “egoísta” quanto o egoísta, pois busca satisfazer suas
necessidades da mesma forma.
###############
A idéia está certa, mas a construção deveria ser feita de modo a não gerar
contradição, pois em nenhuma gramática aceitável se pode dizer que "ser
altruísta é ser egoísta", isso é como dizer "A é não-A". Uma maneira de
reescrever seria: "Animais sentem-se motivados para satisfazer às suas
necessidades. O altruísta tem necessidade de renunciar a benefícios próprios
quando tal renúncia for necessária para proporcionar benefícios a outros,
mas isso não significa renunciar à satisfação de suas necessidades para
atender às necessidades de outros; em vez disso, significa sintonia entre
suas necessidades e às da maioria dos outros, pois busca satisfazer às suas
necessidades, que coincidem com satisfazer às necessidades alheias."
###############
A diferença entre ambos é o conhecimento (olha o Sócrates aí gente!) Aí, na
minha visão, está o desenvolvimento.
###############
A diferença é que no caso de dois egoístas, suas necessidades são
conflitantes e gera animosidade entre ambos, porque cada um deseja o melhor
para si. Entre um egoísta e um altruísta, as necessidades são
pseudosimbióticas ("pseudo" porque embora ambos satisfaçam às suas
necessidades, uma das partes é objetivamente prejudicada aos olhos de um
observador externo e imparcial). Entre dois altruísas, suas necessidades
também são conflitantes, porém por motivos nobres e inspira respeito e
amizade de um pelo outro, porque cada um deseja o melhor ao outro.
###############
---------------------------------------------------------
Ora, se for assim, e isso fosse tudo, eu desenvolveria a ciência para
submeter ao meu poder (hermético e perpétuo) tudo que fosse possível,
inclusive o futuro de outros semelhantes.
----------------
Não entendi bem essa parte.
----------------
---------------------------------------------------------
Nem eu... Mas o parágrafo anterior esclarece mais.
###############
Ok. :-)
###############
---------------------------------------------------------
###############
Sim, é microdiscreta porque não se transmite partes de genes, e, numa escala
maior, é macrodiscreta porque espécies diferentes normalmente não geram
descendentes (e quando geram, normalmente são estéreis), o que cria estratos
relativamente bem delimitados, em vez de vários seres intermediários entre
uma espécie e outra. Portanto é microdiscreta entre organismos e seus
ancestrais diretos e macrodiscreta entre diferentes espécies provenientes de
um ancestral comum.
###############
Entendo, porém, ainda, que o suporte fisiológico (neuro-químico) não é
suficiente para alguns passos evolutivos que o homem deu. Isso não está bem
explicado! Não sei exatamente como a “coisa” aconteceu, mas suspeito que há
uma “lei da conservação da informação” (não se cria e nem se
perde...)
###############
Conversei sobre isso com nosso amigo José Antonio, há algum tempo (há 2
anos, talvez). Pelo visto, há mais pessoas com praticamente mesma opinião
sobre isso. Porém eu não vejo o principal "problema" num salto evolutivo
humano (salto maior do que seria esperado em tão curto intervalo de tempo).
O motivo, a meu ver, é outro.
###############
---------------------------------------------------------
OK...Exagerei...
Deixo para que você reflita...
Abraços fraternais,
Feijó
---------------
Também não entendi em que exagerou nem sobre o que é para refletir. Mas
agradeço pelos abraços fraternais.
Abraços.
Melão
---------------
---------------------------------------------------------
Que neste novo ano a gente peça a Deus a coragem para fazer as coisas que
nós sabemos que devemos fazer.
###############
Se Deus quiser, faremos.
Abraços.
Melao
P.S.: não revisei o que escrevi. Se cometi algum(ns) erro(s) crasso(s),
desculpe-me. :o)
###############
Abraços fraternais,
Feijó
---------------------------------------------------------
--
No virus found in this outgoing message.
Checked by AVG Free Edition.
Version: 7.1.371 / Virus Database: 267.14.17/228 - Release Date: 12/1/2006
_______________________________________________________
Yahoo! doce lar. Faça do Yahoo! sua homepage.
http://br.yahoo.com/homepageset.html
H. Melão, tudo bão?
Estou vivo ainda e recebendo alguns e-mails do pessoal e nesse problema proposto (proporções), calculei que o lobo comeu 7 galinhas. Certo?
Não misture galinhas com donzelas! Elas se opõem -J !!
Mantendo-se a proporção 15 galinhas para (20 – 2 =) 18 dias (15g x 18d = 270 unidades de milho), aparecendo mais 3 galinhas (270 / (15+3)g) = 15 dias. Passados 4 dias (18g x (15-4)d = 198), temos agora 18 dias, para, então (198 / 18d =) 11 galinhas. Se eram 18g e agora são 11, o lobo traçou (18 – 11 =) 7 galinhas, que deixaram de ser donzelas !!
Ronaldo Teixeira Cardoso
==============================
-----Mensagem original-----
De: Sigma-...@googlegroups.com
[mailto:Sigma-...@googlegroups.com] Em
nome de Sigma Grupo
Enviada em: quinta-feira, 19 de
janeiro de 2006 11:30
Para:
Sigma-...@googlegroups.com
Assunto: RES: sobre milhos e
galinhas
--
No virus found in this incoming message.
Checked by AVG Anti-Virus.
Version: 7.0.344 / Virus Database: 267.14.19/231 - Release Date: 16/1/2006
--
No virus found in this outgoing message.
Checked by AVG Anti-Virus.
Version: 7.0.344 / Virus Database: 267.14.19/231 - Release Date: 16/1/2006
Prezado Feijó,
Tudo bem?
##########
Caro Melão,
---------------------------------------------------------
Olá, Feijó!
Tudo bem?
O conceito de "experiência" - na acepção de "conhecimento que nos é
transmitido pelos sentidos" - pode ser adquirida mediante o aprendizado com
(realização, total ou parcialmente material - forma).
---------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------
###############
Como assim?
###############
(a ciência como um sistema - não os cientistas) só tem ocorrido quando é
O fato é que as donzelas preferem os lobos, enquanto as galinhas... Bem as galinhas... Ora as galinhas!
"...o fazendeiro pôde alimentar as que restaram durante 18 dias..."
há margem aqui para pelo menos 2 interpretações diferentes,não
é?as que restaram são sempre as que restaram.mas posso considerar as
que restaram,como sendo "restantes" só depois de o lobo comer as
outras.mas,se x galinhas restaram,eu poderia dizer delas,no início de
tudo:x galinhas restarão*.assim a qualidade de "restante" independe do
"ato de restar"temporalmente.pois (potencialmente),as galinhas já eram
as "restantes".*nas condições prescritas.certo?_________________no
primeiro caso restaram 7; 15>x x=15*18/18 18>18 x=11 * 18 / 18
18>18 x=15 dias x> 11 x=11 galinhas
> 18-11=7 galinhas.
no segundo caso;teríamos apenas a modificação na segunda
proporção:18>11 x=33/2=16.5
x>12(pois já duraram
6,6+12=18),comendo o lobo assim;18-16.5,1 galinha e meia.certo?essas
nossas galinhas não são discretas(descontínuas):-].se estiver errado
podem falar!e apontar o erro..queiram apontar o erro,pois não pensei
muito e suspeito desta última._______________quero aproveitar e propor
um problema simples:
temos um rio,de margens aceitavelmente paralelas(considerando uma
superfície circundante ao rio razoavelmente euclidiana e
bi-dimensional),há duas cidades,cada qual de um lado do rio.queremos
construir uma ponte sobre o rio,de modo que ambas as suas extremidades
distem igualmente da cidade mais próxima.vc dispõe de teodolito,barco
etc.determine os pontos onde a ponte se assenta,em cada
extremidade....mas prefiro muitas penosas,do que muitas donzelas(uma
basta),pois do contrário,eu é que deveria comer milho(sem ser comido
pelo lobo,pois sou macho!!).não me entendam mal :-}.