Tarifas aéreas exorbitantes

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sextante II

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Dec 19, 2011, 6:35:27 PM12/19/11
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Tarifas aéreas exorbitantes

Antigamente as ligações aéreas com o exterior eram uma raridade,
embora possíveis mediante a utilização dos voos das companhias aéreas
TWA e Pan América, que faziam escala no Aeroporto de Santa Maria.
Estas companhias já não existem. A alternativa era o transporte
marítimo, através da “Insulana”, companhia que assegurava as ligações
marítimas com o Continente, com navios como o Lima e o Carvalho
Araújo. A saída ou chegada destes navios ao porto de Ponta Delgada era
um acontecimento relevante na vida da cidade, fazia deslocar muitas
pessoas ao porto, tendo ficado conhecido na gíria por dia de “São
Vapor”. Muitas histórias existem ligadas a esse tempo, de grandes
dificuldades, que não vale a pena recordar, justamente porque na sua
maioria são tristes. Entretanto operou-se uma grande mudança, uma
transformação radical, do género do dia para a noite, o que equivale a
dizer que a actual situação não é, minimamente, comparável. O serviço
de transporte aéreo acompanhou a evolução dos tempos. Numa primeira
fase, o transporte foi assegurado pela TAP, que com o seu estatuto
monopolista fez dos açorianos aquilo que bem quis, ridicularizando-os
sem limites. Depois apareceu a Sata Internacional, que foi saudada
como uma lufada de ar fresco, na qual se depositaram grandes
expectativas. A ânsia de ver a TAP pelas costas era muito grande. A
Sata Internacional quando iniciou a sua actividade correspondeu,
adequadamente, a essas expectativas e fez desaparecer o rancor que
muitos açorianos nutriam contra a TAP. Esperava-se que se
estabelecesse um regime de concorrência, houve sinais nesse sentido,
mas tudo não passou de sol de pouca dura. Passado algum tempo, a Sata
Internacional, panela de barro, encostou-se à TAP, panela de ferro. O
resultado é conhecido: não são duas irmãs gémeas mas comportam-se como
tal, passaram a ser o mesmo que unha com carne. Os açorianos têm hoje
motivos mais do que suficientes para colocar os serviços destas
companhias no mesmo saco. Se não se deu um retrocesso também não houve
uma evolução significativa. Os preços não baixaram, oscilaram, através
de manipulações de pura cosmética, com o intuito, apenas, de enganar.
Hoje, os açorianos pagam o triplo do que deveriam pagar, mas em
contrapartida podem sentir-se orgulhosos por terem uma companhia aérea
própria. Esta satisfação está a ser paga a peso de oiro. Alguns até
podem não se importar, provavelmente por estarem habituados à
exploração, mas para outros está prestes a acender-se o rastilho da
revolta contra esta exploração. Não vale a pena utilizar o truque das
promoções relativamente à venda de bilhetes, pois tudo não passa de
uma cortina destinada a camuflar o preço real das passagens. Ninguém
ignora que a Sata Internacional é uma empresa pública sob tutela do
governo regional. As razões da sua criação nunca foram inteiramente
compreendidas, não se percebe se foram para ser utilizada como
instrumento destinado a suprir uma eventual falta de oferta de
transporte, ou como uma protecção contra uma eventual especulação de
preços. A Sata Internacional não serviu nenhum destes objectivos,
logo, deve a sua existência a um provável espírito megalómano dos
políticos regionais, que entendem que o Estado deve intervir na vida
económica de forma directa e permanente, quase sempre em regime
monopolista, ou de posição dominante, única forma de poderem utilizar,
livremente, o poder discricionário. A Sata Internacional explora a
população dos Açores e não serve os seus interesses, na medida em que
funciona como travão ao crescimento e desenvolvimento económico da
Região. O seguro de vida da Sata Internacional são as tarifas, se
estas baixarem a empresa pura e simplesmente encerra. Não vale a pena
atirar poeira para os olhos: se repararmos para aquilo que está a
acontecer neste sector de actividade, ficamos a saber que as grandes
companhias aéreas estão a passar por enormes dificuldades. A fusão de
companhias tem sido a solução para estas dificuldades. O que não se
passará com uma mini companhia? Não se pense que é um problema de
gestão, não é, o problema é seguramente de contexto. A criação da Sata
Internacional foi um erro político que sairá muito caro à Região, mais
do que já está sendo. Se tudo for colocado no prato da balança, não
faltam razões aos açorianos para reclamarem a definição de um modelo
diferente de transporte, a começar pela abertura à concorrência. Só a
concorrência faz baixar os preços e melhorar a qualidade do serviço.
No próximo ano vão ter lugar eleições, que servirão para definir um
novo quadro parlamentar e um novo governo. Isto permite dizer que a
questão do modelo de transporte aéreo deve constituir um dos temas
principais das propostas políticas dos partidos, a apresentar ao
eleitorado. A resolução desta questão é fundamental: não é possível
esperar que tudo continue na mesma. Manter a situação corresponderia a
uma aceitação tácita de uma exploração inaceitável, protagonizada por
uma empresa pública, que é, afinal, propriedade da Região.• A. F. Mota
Oliveira
(AO)

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