Publicado na Terça-Feira, dia 03 de Maio de 2011, em Actualidade
Depois do “livro-homenagem” a Fátima Albino, surge a publicação
alargada às gerações que antecederam a actual gestora da Casa Agrícola
José Albino Fernandes. Isabel Silva, a autora, deu seguimento a uma
investigação de 44 anos de “percursos de vida, comentários e
episódios”, apresentados no passado sábado em Angra.
Depois de “Fátima Albino: Uma Ganadeira da Ilha Terceira”, a autora
Isabel Silva, em “Ganadaria da Ilha Terceira”, retratou as gerações
antecessoras da Casa Agrícola de José Albino Fernandes em livro, no
passado sábado, em Angra, e deixou registado o compromisso dos actuais
herdeiros na sua perpetuação.
Ao todo, foram registados em publicação “os 44 ininterruptos anos da
história desta Casa Agrícola dedicados à Festa Brava na ilha
Terceira”, refere Isabel Silva para quem este livro é “um singelo
contributo que desvenda a verdade da difícil caminhada no «Mundo dos
Toiros» dos herdeiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes e dos
seus antepassados sempre em prol da sua ganadaria e dos aficionados
terceirenses”.
Neste livro, a actual gestora da ganadaria, Fátima Albino, refere que
a obra conta “percursos de vida, comentários e episódios que poderão
ser uma referência na História da Tauromaquia Terceirense”.
Da primeira geração
Tudo começou com José Diniz Fernandes, nascido a 2 de Agosto de 1900,
na freguesia da Feteira, que após ter regressado dos EUA, em 1919,
para onde emigrou com os seus pais seus pais no início do séc. XX e
onde se “apaixonou pelos rodeos americanos” e apurou-se nas artes
equestres, desenvolveu o seu gosto pelo toureio de gabo gravo na ilha
Terceira.
Dos seus quatro filhos - Maria, José, Emília e Angelina – conta a
autora “três dos seus filhos herdaram do pai o gosto pela equitação e
pela vida campera. José Albino, o único filho varão, foi cavaleiro
amador e Emília, conhecida por Emilinha, revelou-se uma amazona
destemida e elegante. Esta só não toureou na praça porque a avó
materna, D. Faustina, nunca o permitiu, ciosa do bom nome das mulheres
da família”.
Porém, infortúnios na vida dos seus descendentes e doenças marcaram a
vida de José Diniz Fernandes que fundou a sua primeira ganadaria, a 16
de Novembro de 1932 e que 1978 viria a falecer na Quinta do Leão, em
São Carlos, residência do seu filho José Albino Fernandes.
“Toda a sua vida foi recheada de peripécias com toiros e touradas,
gente, sucessos e infortúnios quer familiares quer financeiros”,
sumariza Isabel Silva.
O cavaleiro amador
A segunda geração de ganadeiros começa com a história de seu filho,
José Albino Fernandes que, aos 6 anos, iniciou-se na arte de montar a
cavalo, chegando a ser cavaleiro amador, de fama: “em 1944, José
Albino Fernandes toureava quase todos os domingos e todas as praças se
enchiam, pois estavam cá as tropas inglesas estacionadas na Base das
Lajes”.
Conta a obra que, com 14 anos, namorava com Maria Alvarina, um ano
mais nova na altura “montado no célebre cavalo «Sopa de Leite»”, com
quem casou em 1947, nascendo seis anos depois, 1953, “a tão desejada
filha, a actual ganadeira Maria de Fátima Soares Fernandes”.
“A sua filha Maria de Fátima (a Fatinha) sempre o ajudou nas “lides do
mato”, conduzindo o Land Rover para levar os homens para a ordenha do
leite e para irem tratar do gado bravo. Sempre gostou de ferrar,
tradição que nesta Casa Agrícola só é feita pelas mulheres, sendo
actualmente feita pelas filhas, Susana e Sónia Fernandes Ferreira”.
Em 1969, emigrou para a Califórnia para regressar em 1975, falecendo
em 1994. Nesse “entretanto” lançou na sua filha as sementes para a
consolidação da Casa Agrícola José Albino Fernandes (CAJAF).
A “ganadeira”
Fátima Albino, a filha do ganadeiro José Albino Fernandes é a actual
proprietária, administrando CAJAF com o seu marido, António Ferreira.
“Por diversas vezes, no tempo de José Albino Fernandes, o gado foi
ferrado por Fátima Albino. Estes eram momentos muito acarinhados pelo
ganadeiro, pois demonstravam que a sua filha tinha gosto e amor à
festa brava e que iria dar continuidade à ganadaria da família.
Efectivamente, a ganadeira, logo após o falecimento de seu pai,
assumiu essa empreitada com muita honra e orgulho como a própria
refere. Mais tarde, o gado passou a ser ferrado pelas filhas: Susana e
Sónia Ferreira”
Ao longo dos anos, esta ganadaria tem sido visitada e acompanhada por
diversos críticos tauromáquicos portugueses e espanhóis, atendendo à
sua dupla actividade como criadores de toiros para a tourada à corda e
para a tourada de praça.
A autora conta que Fátima Albino está “disposta em confiar o futuro da
ganadaria às suas descendentes directas: Susana e Sónia Ferreira.: “a
ganadeira Fátima Albino mantém firme a convicção de que as três
gerações de ganadeiros da família Fernandes serão continuadas na
quarta geração, assegurando o futuro da Casa Agrícola José Albino
Fernandes”.
Irmãs na quarta geração
A autora obtém de ambas um testemunho público dessa continuação:
“fazendo parte da quarta geração de ganadeiros da Casa Agrícola José
Albino Fernandes, onde a paixão e gosto pela festa brava perduram,
espero poder dar o meu contributo, como licenciada em zootecnia e como
amante do toiro, num melhoramento consciencioso dos conceitos
inerentes à bravura, nobreza e ferocidade”, Susana Ferreira. A sua
irmã, Sónia, acresce o seguinte no livro: “considero que os ganadeiros
são essenciais para manter viva a cultura taurina tendo o grande
privilégio que é a criação de um animal que desperta emoções tão
distintas e proporciona as mais diversas formas de expressão
artística”.
Património cultural e afectivo
Presente na cerimónia de apresentação do livro, sábado à noite numa
unidade hoteleira em Angra do Heroísmo, esteve o Secretário Regional
da Saúde, Miguel Correia que referiu que os toiros “fazem parte do
nosso património cultural”
“Percebemos que, para além do património cultural que o toiro
representa, existe também um património afectivo”, um lado emocional
que junta a família, os pastores, os amigos e os partidários da
ganadaria, numa comunhão de “interesses e emoções” em que o toiro é o
elemento central, concluiu.
A apresentação da obra, da autoria de Isabel Coelho da Silva, esteve a
cargo do Director Regional do Desenvolvimento Agrário, autor do
prefácio do livro.
Humberta Augusto