Cemitério da época da colonização dos Açores foi encontrado no
Convento de São Gonçalo na Terceira. Estudo mostra que se trata de
indivíduos de ambos os sexos e de várias idades
Restos humanos encontrados durante as obras de restauro do antigo
Convento de São Gonçalo em Angra do Heroísmo foram identificados como
pertencentes a um cemitério da época da colonização dos Açores. Uma
intervenção arqueológica promovida pela Direcção Regional da Cultura,
em 2007, quando das obras de restauro decorridas no antigo Convento de
São Gonçalo em Angra do Heroísmo, revelou um cemitério com 108
indivíduos, o que permitiu a realização do primeiro estudo
paleodemográfico de uma população açoriana. Os restos esqueléticos
estudados pelo departamento de Biologia da Universidade dos Açores
foram identificados como pertencentes à segunda metade do século XVI,
período coincidente com a colonização da ilha Terceira. A documentação
histórica, assim como a intervenção arqueológica, revelaram que a zona
escavada corresponderia ao interior da igreja original do Convento de
São Gonçalo, fundada em 1952, e transferida, durante o século XVII,
para o local que ocupa actualmente. O estudo foi desenvolvido no
âmbito do projecto de pós-doutoramento do investigador Javier Jordana,
coordenado por Manuela Lima, professora associada com agregação do
departamento de Biologia, e Eugénia Cunha, professora catedrática da
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Os
resultados da análise paleodemográfica permitiram caracterizar
biologicamente a população exumada. Nos 108 indivíduos identificados
estavam representados ambos os sexos e todos os grupos de idade
(infantil, juvenil e adulto), indicando que o local estudado
corresponderia a uma zona de cemitério não restrita às religiosas da
Ordem de Santa Clara. A tabela de vida calculada na série de São
Gonçalo mostra que 65% da população alcançava a idade adulta, mas que
apenas cerca de 17% chegava a idades superiores a 50 anos. Este estudo
publicado na “Revista de Demografia Histórica” acrescenta informação
original acerca da população açoriana, enquadrando-se nos projectos de
investigação interdisciplinares relacionados com a caracterização
biológica das populações humanas dos Açores desenvolvidos pelo grupo
de Epidemiologia e Genética Humana do CIRN, coordenado por Manuela
Lima. A recuperação de restos esqueléticos nos Açores já aconteceu
anteriormente durante as escavações arqueológicas em Vila Franca do
Campo, que decorreram entre 1967 e 1982, mas esta é a primeira vez que
são efectuados estudos paleoantropológicos. Esta lacuna foi possível
de ser suprimida dada a existência de um protocolo de colaboração
entre a Direcção Regional de Cultura e o Centro de Investigação de
Recursos Naturais (CIRN) da Universidade dos Açores, sediado no
Departamento de Biologia, que criou as condições de trabalho a Javier
Jordana e ao grupo de investigadores que assinam o artigo agora
publicado. • Restos humanos encontrados durante as obras de restauro
do antigo Convento de São Gonçalo em Angra do Heroísmo foram
identificados como pertencentes a um cemitério da época da colonização
dos Açores. Uma intervenção arqueológica promovida pela Direcção
Regional da Cultura, em 2007, quando das obras de restauro decorridas
no antigo Convento de São Gonçalo em Angra do Heroísmo, revelou um
cemitério com 108 indivíduos, o que permitiu a realização do primeiro
estudo paleodemográfico de uma população açoriana. Os restos
esqueléticos estudados pelo departamento de Biologia da Universidade
dos Açores foram identificados como pertencentes à segunda metade do
século XVI, período coincidente com a colonização da ilha Terceira. A
documentação histórica, assim como a intervenção arqueológica,
revelaram que a zona escavada corresponderia ao interior da igreja
original do Convento de São Gonçalo, fundada em 1952, e transferida,
durante o século XVII, para o local que ocupa actualmente. O estudo
foi desenvolvido no âmbito do projecto de pós-doutoramento do
investigador Javier Jordana, coordenado por Manuela Lima, professora
associada com agregação do departamento de Biologia, e Eugénia Cunha,
professora catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade de Coimbra. Os resultados da análise paleodemográfica
permitiram caracterizar biologicamente a população exumada. Nos 108
indivíduos identificados estavam representados ambos os sexos e todos
os grupos de idade (infantil, juvenil e adulto), indicando que o local
estudado corresponderia a uma zona de cemitério não restrita às
religiosas da Ordem de Santa Clara. A tabela de vida calculada na
série de São Gonçalo mostra que 65% da população alcançava a idade
adulta, mas que apenas cerca de 17% chegava a idades superiores a 50
anos. Este estudo publicado na “Revista de Demografia Histórica”
acrescenta informação original acerca da população açoriana,
enquadrando-se nos projectos de investigação interdisciplinares
relacionados com a caracterização biológica das populações humanas dos
Açores desenvolvidos pelo grupo de Epidemiologia e Genética Humana do
CIRN, coordenado por Manuela Lima. A recuperação de restos
esqueléticos nos Açores já aconteceu anteriormente durante as
escavações arqueológicas em Vila Franca do Campo, que decorreram entre
1967 e 1982, mas esta é a primeira vez que são efectuados estudos
paleoantropológicos. Esta lacuna foi possível de ser suprimida dada a
existência de um protocolo de colaboração entre a Direcção Regional de
Cultura e o Centro de Investigação de Recursos Naturais (CIRN) da
Universidade dos Açores, sediado no Departamento de Biologia, que
criou as condições de trabalho a Javier Jordana e ao grupo de
investigadores que assinam o artigo agora publicado. • ANA CARVALHO
MELO
(AO)