28 Novembro 2011 [Regional]
O pagamento de 1,98 milhões de euros ao consórcio construtor das
Portas do Mar fez disparar o prejuízo da Associação de Portos de São
Miguel e Santa Maria. Em resposta a um requerimento do PCP/Açores, a
APSM revela que o consórcio pedia uma indemnização de cerca de 10
milhões de euros mas que a empresa conseguiu acordo em 1,98 milhões,
tendo por isso prejuízo de 3,6 milhões de euros em 2010.
Em 2010 a Associação de Portos de São Miguel e Santa Maria (APSM)
teve um prejuízo de 3,6 milhões de euros, em parte devido ao pagamento
de indemnizações e juros de mora aos construtores das Portas do Mar.
Desde 2008 que o consórcio construtor moveu um processo contra a
APSM, relativamente à construção do novo terminal marítimo de
cruzeiros de Ponta Delgada, pedindo uma indemnização de
aproximadamente 10 milhões de euros.
O conselho de administração dos Portos de São Miguel e Santa Maria
revela que ambas as partes chegaram a acordo para o pagamento de uma
verba significativamente menor, no valor de 1,98 milhões de euros.
Apesar do acordo “financeiramente mais favorável”, o conselho de
administração dá conta que o impacto da verba dispendida nas contas da
APSM “é notório”. Caso não tivesse havido o pagamento de 1,98 milhões,
a empresa teria obtido um resultado negativo inferior ao registado em
2009 (de 1,92 milhões de euros) “podendo-se portanto considerar que se
caminha para a inversão dos resultados menos favoráveis registados em
2008 e 2009”.
Na análise do Relatório e Contas de 2010, regista-se um valor
negativo do fundo de maneio de 23.101 milhões de euros, mais 10
milhões do que em 2009.
Em relação à situação financeira e patrimonial a APSM registou a 31
de Dezembro de 2010 um investimento de 88,2 milhões de euros. Apesar
de uma diminuição da liquidez geral, em relação a 2009, a APSM
registou um aumento de capitais próprios de mais de 34 milhões de
euros.
Diminuição de volume de tráfego
No relatório e contas de 2010 pode ler-se que o investimento foi de
3,230 milhões de euros o menor valor dos últimos cinco anos. Um facto
que demonstra “preocupação de contenção” após a construção de
infra-estruturas incontornáveis das Portas do Mar e do núcleo de
recreio de Vila do Porto. O Porto de Santa Maria absorveu maior fatia
do investimento em 2010 (40%), seguindo-se as Portas do Mar com 37,3%
do investimento total em 2010, com destaque para a instalação de
pipeline de abastecimento ao terminal marítimo.
O actual cenário de instabilidade económica também levou a uma
diminuição do volume de tráfego de navios em cerca de 0,6%, com menos
2% do volume de mercadorias movimentadas.
O efeito da diminuição do movimento de navios nos portos detidos pela
APSM, foi compensado pelo aumento significativo da dimensão de navios
e estadia. Sendo que em 2010 também se registou um aumento de quase
10% no movimento de passageiros, tendo o porto de Ponta Delgada
ultrapassado a centena de milhar de passageiros, pela primeira vez na
história.
Os navios porta-contentores assumem preponderância no número de
escalas em Ponta Delgada, seguindo-se navios ou embarcações de carga
geral, com prevalência para as operações de tráfego entre os portos de
Ponta Delgada e Vila do Porto.
Movimento de mercadorias
Em 2010, os portos de Ponta Delgada e Vila do Porto movimentaram um
total de 1.6 milhares de toneladas, o que representa um decréscimo de
2% em relação ao 2009.
O volume de mercadorias registou um “recuo muito significativo”, para
níveis iguais a 2002. Uma consequência da actual crise económica.
Em termos gerais e comparando com 2007, ano em que se registou um
máximo histórico de movimento total de mercadorias, em 2010 houve uma
diminuição na tonelagem de mercadorias de cerca de 12%.
A mercadoria em contentores é o principal segmento de actividade,
particularmente no porto de Ponta Delgada, tendo-se atingido um total
de 762 milhares de toneladas de mercadorias em contentores nos Portos
de Ponta Delgada e Vila do Porto.
Apenas o Porto de Ponta Delgada movimenta granéis sólidos, que
registou um aumento de 60 mil toneladas (17,3%) em relação a 2009. Os
granéis sólidos são essencialmente matérias-primas usadas no sector
agrícola e construção civil, nomeadamente o clinquer e o gesso que são
usados no fabrico de gesso. No sector agro-pecuário são importados
diversos cereais utilizados na produção de produtos alimentares para
consumo humano e animais.
Navios de cruzeiro
Já ao nível dos navios de passageiros, registaram-se 228 escalas em
2010 o que significa 22,5% do total das paragens de todos os navios
nos Portos de Ponta Delgada e Vila do Porto.
Em 2010, os dois portos movimentaram um total de 131.583 passageiros
representando um acréscimo de 9,68% face aos 119.966 passageiros de
2009. Só o Porto de Ponta Delgada atingiu o movimento histórico de
104.849 passageiros, representando um aumento de 12,05% face a 2009.
Em termos de navios de cruzeiro, foram 57.44 os passageiros que
passaram pelos dois portos detidos pela APSM, o que representa um
acréscimo de 23,05% em relação a 2009. Já as ligações inter-ilhas,
também registaram um aumento de 1,17%, contabilizando 74.139
passageiros.
Portas do Mar
A funcionar desde Julho de 2008, as Portas do Mar, têm registado uma
evolução positiva em relação aos rendimentos da concessão de espaços
comerciais e utilização do parque de estacionamento, com um total de
859.404 mil euros, ou seja mais 26,93% em 2009. Os dados relativos à
utilização do parque de estacionamento apontam para a entrada de cerca
de 200 mil viaturas anualmente, sendo o volume mensal sempre superior
a 14 mil entradas. No pico do mês de Agosto registaram-se, contudo,
25,5 mil entradas.
Em termos de visitantes, as estimativas da APSM apontam para uma
média mensal de 37 mil visitas na época baixa e 49,5 mil na época
alta.
Dois inquéritos realizados nas Portas do Mar, em português e em
inglês, permitem perceber que cerca de 50% dos utilizadores, visitam o
complexo pelo menos uma vez por semana.
Projectos para o futuro
Para o quadriénio 2010-2013, a Associação de Portos de São Miguel e
Santa Maria pretende criar um Museu do Porto, contemplando a
requalificação das locomotivas e das instalações e equipamentos
originais ainda existentes.
De acordo com o Relatório e contas, A APSM pretende ainda desenvolver
um estudo, com a comunidade académica da região, que permita avaliar o
impacto indirecto da actividade da APSM no desenvolvimento económico
na região. A empresa pretende ainda implementar um sistema de
avaliação de desempenho com base na gestão por objectivos e
implementar acções que visem a redução de custos, para além da
consolidação de muitas outras estratégias já implementadas.