Olhos de Ver: A ilusão e o desnorte

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sextante II

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Dec 2, 2011, 4:57:11 PM12/2/11
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Olhos de Ver: A ilusão e o desnorte

25 Novembro 2011 [Opinião]

A máquina administrativa regional, pelos vistos, vai continuar a
gastar em 2012, 600 milhões de euros. São quase 1,7 milhões por cada
dia do ano que Deus nos dá. São 2.500€ por cada açoriano, grande ou
pequeno. É um verdadeiro absurdo, insustentável, com um custo de
oportunidade brutal, especialmente nesta conjuntura tão adversa.
Mantém e sustenta assim o governo uma máquina devoradora de
significativos recursos financeiros, perfeitamente desajustada à
população e ao nível de desenvolvimento da Região. Ou seja, uma Região
pobre, com a sua economia em ruptura, dá-se ao luxo de gastar como se
fosse uma das mais ricas da Europa. As receitas fiscais que todos nós
pagamos nos Açores nem cobrem estas despesas de funcionamento, que é
reduzida apenas 1,9% em relação a 2011. Em suma temos e vamos
continuar a ter uma estrutura político-administrativa em “obesidade
mórbida” a necessitar rapidamente de “banda gástrica” para emagrecer.
Por seu lado o Plano de investimentos para 2012 sofre um decréscimo
para 480 milhões, uma redução de 5,2%, e financiado na sua totalidade
por transferências do exterior. Seria expectável e adequado uma
redução significativa na despesa de modo a libertar recursos
financeiros para investimento e assim minorar a grave crise que nos
assola. Ao invés disto, o governo reduz a despesa, em relação a 2011,
em menos de 2% e o investimento em 5,4%, e perde assim uma
oportunidade para contrariar e atenuar os efeitos da crise económica
que esmaga as famílias e as empresas.
Uma análise mais cuidadosa permite afirmar que dos 480 milhões ditos
para investimento há uma parte significativa destinada a medidas e a
projectos não reprodutivos perfeitamente injustificáveis, e que em
nada vão contribuir para a criação de riqueza, para além de muitas das
rubricas serem despesas de funcionamento encapotadas. Se tivermos em
conta os 23 milhões para pagar a renda das SCUT, o Plano decresce em
2012, cerca de 10%, menos 50 milhões que no ano anterior, o que é
incompreensível nesta conjuntura.
Esta opção revela que os nossos políticos estão perfeitamente a leste
do que se passa na vida real, incapazes de agir de acordo com o
tremendo desafio que temos pela frente: a sobrevivência económica da
Região.
Estão desnorteados e demonstram que só sabem governar com rolos de
dinheiro à disposição. Vivem num mundo da ilusão, a mesma ilusão que
nos trouxe até esta grave crise económica.
É preocupante assistir a tamanha inoperância e incapacidade de
governar. Os Açorianos estão à deriva com o galgar desta crise. E
estão sozinhos. A classe politica, mormente a dirigente, demitiu-se há
muito.

Autor: Luís Anselmo
(CA)

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