Quando se fala em perder peso, em recuperar a linha e perder gorduras
pensa-se logo, ou quase, numa ida ao ginásio. E qualquer ginásio digno
desse nome sabe o que tem a fazer: preparar um plano adequado ao
cliente para que este possa de forma gradual e sustentada perder
gorduras, ganhar massa muscular, resistência física e até alguma
definição corporal, se for essa a vontade do cliente. Há um plano, uma
estratégia definida pelo “personal trainer” para se obterem os
melhores resultados e, ao mesmo tempo, criar novos hábitos, mais
saudáveis, que evitem um regresso ao passado, às gorduras em excesso,
à falta de forma física. Ora, entre o ginásio e a política há dois
pontos em comum: pensamento estratégico e definição de um plano de
acção. Sem isso não se vai a lado algum. Vem esta “ida” ao ginásio a
propósito da proposta que o PSD-Açores apresentou no sentido de levar
o governo açoriano a cortar nas gorduras da Administração Pública
Regional. De acordo com a proposta social-democrata há que cortar no
uso de telemóveis, na realização de viagens, nas consultadorias e na
publicidade institucional. Muito bem. Que se corte no que estiver a
mais (e já agora que não se restrinjam as consultadorias jurídicas
apenas a um ou dois escritórios regionais). Mas são estas as gorduras
que preocupam o PSD? Não há outras, quiçá de maior importância para a
economia e finanças da Região? A proposta do PSD cheira demasiado a
demagogia e populismo para não merecer reparo crítico. O momento que o
País e a Região vivem não se compadece com medidas políticas niveladas
por baixo. Precisamos de elevação no debate, de propostas que
resguardem os Açores e os açorianos, o mais possível, dos tempos
agrestes que vêm aí e que se vão traduzir por um aumento do
desemprego, das insolvências, da pobreza, da insegurança e quebra de
consumo. Esperava-se mais do PSD-Açores que, contudo, ainda vai a
tempo de emendar a mão e contribuir para um debate sério e rigoroso
sobre os reais problemas que vamos enfrentar e contribuir com
propostas que obriguem os socialistas a reflectir em matéria de Plano
e Orçamento para 2012. A região necessita de uma reforma estrutural,
como dizia o advogado Elias Pereira no programa “Conversa a 4” da
rádio Açores-TSF. A tripolaridade tem custos inadmissíveis nos tempos
que correm (sempre teve). Desde a universidade aos portos, os Açores
vivem divididos em três pólos porque nunca houve a coragem política de
fazer diferente, de propor diferente. Alguém já contabilizou quanto
custa uma universidade repartida por três pólos? Quanto custam as
juntas autónomas dos portos? Quanto custa ter delegações da assembleia
regional em todas as ilhas? Alguém já fez as contas de quanto se gasta
em viagens interilhas à custa desta tripolaridade? Estas questões não
preocupam oposição e governo? Somos uma região frágil, com uma
economia ténue cuja saúde é agravada pela incapacidade da banca em
alimentar o crédito necessário para que as empresas possam manter a
sua actividade e crescer, temos empresas públicas (da região e das
autarquias) com os cofres vazios. Enquanto isso discutimos telemóveis,
viagens, assessorias! Volto a dizer, que se cortem nessas despesas o
máximo possível, mas que não se faça disso o cavalo de batalha da
discussão do plano e orçamento para o próximo ano. Aproveite-se a
oportunidade para começar a mudar alguns paradigmas numa região onde a
tripolaridade faz multiplicar por três a factura a pagar todos os anos
pelo bolso dos açorianos. • paulo simões
(AO)