Era uma vez um senhor que, absorvido pelas histórias fictícias dos
reinados antepassados, insistia em tornar real a sua história, a
história de um governante que gostaria de ser rei para reinar. Uma
história baseada na prepotência e na hipocrisia. Uma história marcada
pela mentira e pela morte do próximo que lhe fizesse ver quanto estava
errado em tomar certas decisões. Neste reino auto-criado, os súbditos
desta Sua Majestade são fiéis seguidores do Senhor do Castelo. Cercam
as vítimas ao acaso, criam medo e atacam o inimigo em todos os flancos
para garantir uma aparente liberdade, em que a segurança do pelouro é
mais importante do que qualquer princípio ou valor ou, até mesmo, do
que a defesa intransigente do povo. Os súbditos de Sua Majestade são
muitos e alguns deles até podem estar infiltrados no reino vizinho,
sempre à espreita e à espera de uma oportunidade para especular e ir a
correr para junto de Sua Majestade dizer o não dito e falar sobre o
que não sabe... Dos muitos, são, provavelmente, homens e mulheres sem
escrúpulos, capazes de tudo e deslumbrados pela grandeza do momento,
que não querem perder, mesmo que, um dia, tenham de trair o seu rei.
Há quem diga que são bajuladores, mentirosos, falsos cidadãos do
pós-25 de Abril, avessos à mudança, incapazes de aceitar ideias que
não sejam lançadas pelo seu Rei e Senhor... até um dia. Até ao dia em
que a corrente mudar... E os sinais têm vindo a ser bastante claros,
por mais que tentem denegrir a imagem e o bom trabalho de quem, de
forma honesta, contribui para o bem-estar e qualidade de vida das
pessoas. Há quem afirme que são os eternos palhaços de serviço, os
bobos da corte, aqueles que acham que podem fazer tudo o que lhes vai
no caule porque Sua Majestade apoia e aplaude. Inclusive, até os
encoraja a fazer tristes figuras. Dispostos a tudo em nome da causa
pública que, para eles, só tem uma dupla missão: manterem os pelouros
e mentir ao povo. Agora camuflado noutro rosto, o certo é que o trono
do Rei tem vindo a tremer... a tremer porque o que apregoam afinal não
é bem o que se esperava e o que dizem deixa de ser credível. Alguns do
clã já se despedem, outros já falam menos. Outros do mesmo meio até já
dele falam mal. Dele Rei e dele marioneta. E no meio de tanta
estratégia e tanto “enredo”, se este é o trono de um rei, quem quer
viver neste reinado?! Poucos, certamente…• miguelb...@sapo.pt
miguel brilhante
(AO)