09 Dezembro 2011 [Opinião]
Partido Socialista – Começa a ser um pouco constrangedor a
dificuldade do Partido Socialista nos Açores em manter firme a sua
linha da frente de combate político-partidário. Os convites que fazem
para ocupar determinados cargos são recusados e os que anteriormente
aceitaram estão a abandoná-los. O mais recente caso, por exemplo, na
Câmara de Angra com a recusa em assumir a presidência por parte dos
autarcas socialistas é sintomático de que algo começa a descarrilar no
reino rosa. Já não reconhecem autoridade no seu líder, seja ele Carlos
César ou Vasco Cordeiro, pois com toda a certeza o PS/A não terá
qualquer interesse em eleições antecipadas, uma vez que a derrota é
certa. Outro exemplo aconteceu com a administradora do HDES, que se
demitiu após 11 meses de exercício das suas funções, num contrato para
3 anos. Dá que pensar. Convidaram-na tecendo enormes elogios e
apresentando as suas qualidades técnico-profissionais como aspectos
que justificavam o facto de terem recorrido a alguém externo à região.
A sua demissão representa uma de duas opções: ou o trabalho está feito
(o que não é manifestamente o caso); ou não alinha com as políticas de
saúde do actual governo. Recorde-se que soubemos recentemente que o
HDES tinha dívidas já vencidas aos distribuidores dos medicamentos,
entre outras. Terá sido esta a razão? Aquilo que outrora os
socialistas apontavam a Berta Cabral está rapidamente a passar para o
próprio Partido Socialista: A única forma de terem defensores do
partido e do candidato Vasco Cordeiro passa por assalariar estas
mesmas pessoas. Qualquer Açoriano que se preze preocupa-se com a
ausência de rumo que assola a região e percebe que este Governo
Regional está esgotado, pois não tem qualquer estratégia de
governação, não consegue apresentar ideias para a resolução das
questões importantes que afectam os Açorianos, continua a atirar
dinheiro para cima de alguns problemas sem qualquer perspectiva de
sucesso e começa a não conseguir disfarçar a falta de dinheiro em
várias áreas.
Reabilitação urbana – Numa altura em que se torna tão importante a
dinamização da economia regional, através, por exemplo, da construção
civil, é de lamentar que o Plano e Orçamento para 2012 não contemple
uma verba para a reabilitação urbana. Porque não editar nos Açores, um
programa semelhante ao Pólis? Recordo que os seus objectivos passavam
por: “A requalificação urbana tendo sempre em conta a valorização
ambiental; Promover a multi-funcionalidade e revitalizar e
requalificar as cidades desenvolvendo acções que contribuam para tal;
Melhorar a qualidade do ambiente urbano e valorizar a presença de
elementos ambientais tais como frentes de rio apoiando acções de
requalificação; Aumentar os espaços verdes, as áreas pedonais e
diminuir o tráfego automóvel no interior das cidades apoiando
iniciativas que contribuam para tal”. Adaptando este programa à
Região, promovendo uma enorme iniciativa que envolva as Câmaras,
Governo Regional e também o sector da construção civil, não seria
possível resolver alguns dos problemas que as nossas cidades e juntas
de freguesia apresentam por manifesto desrespeito pelo ordenamento do
território? Não seria importante intervirmos de modo a termos uma
região mais verde e amiga do ambiente? Não poderia ser uma forma de
garantir trabalho aos construtores civis e manter empregos? Proponho
como primeira e simbólica medida deste possível programa, a demolição
do hotel Casino e do centro comercial Pêro de Teive…
P.S.1 – Foi com agradável surpresa que tive conhecimento de uma
reunião na Horta entre especialistas americanos e europeus, onde se
incluem os investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas da
Universidade dos Açores, com o objectivo de debater a “estratégia
global de gestão dos Oceanos”. Animei-me com a presença do Director
Regional dos Assuntos do Mar, pois depreendi que teria sido o Governo
Regional a promover esta reunião, o que seria de aplaudir, mas como
confirmação da sua incapacidade, não foi. Esta importante reunião foi
promovida pela FLAD…
P.S.2 – Vamos sempre atrás dos acontecimentos. Não bastavam os
tristes episódios das várias idas das delegações da Assembleia e
Governo Regionais a Lisboa, reunir com o Conselho de administração de
uma empresa, menosprezando a nossa Autonomia política e
administrativa, como agora queriam ouvir João Duque, responsável pelo
execrável estudo sobre o serviço público de rádio e televisão. Depois
do estudo estar entregue o que queriam discutir? Porque não
solicitaram uma vinda à região deste grupo de trabalho durante a
realização do mesmo, tentando sensibilizá-lo para realidade do serviço
público de rádio e televisão nos Açores? Agora é tarde. Tiveram como
resposta: “a minha função terminou, portanto não posso ser ouvido como
algo que já não sou”. É lamentável a incompetência reinante na actual
classe de políticos.
P.S.3 – Os meus parabéns à iniciativa da Academia das Artes. A
proposta de “proibição de atribuição de apoios a personalidades
dependentes do aparelho partidário ou ligadas ao governo” merece o
aplauso de todos nós e subscrevo-a.
Autor: Paulo do Nascimento Cabral
(CA)