Três mil açorianos foram para o desemprego no espaço de um ano

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sextante II

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Dec 19, 2011, 6:08:30 PM12/19/11
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Entre Novembro de 2010 e Novembro deste ano: Três mil açorianos foram
para o desemprego no espaço de um ano
19 Dezembro 2011 [Regional]

Rui Bettencourt explica as razões do desemprego nos Açores e reafirma
que o governo não esconde desempregados

Correio dos Açores - 2011, em termo de emprego, foi muito complicado…
Rui Bettencourt (director regional do Emprego e Formação
Profissional) - Foi, de facto, um ano muito difícil. Tivemos dois
momentos muito difíceis. Foi o período Janeiro, Fevereiro, Março, com
a onda de desemprego na construção civil. E, depois, já no fim do ano,
a partir de Setembro, também foi muito difícil, em parte,
desempregados oriundos da construção e, já em Novembro, desempregados
que foram chegando do comércio.
Procurámos sempre dar uma resposta de emprego neste contexto muito
difícil e, também, apresentar soluções como alguns programas,
nomeadamente, cursos de formação profissional onde há cerca de 2.400
desempregados do ‘Reactivar’.
Aquilo que prevíamos já no mês de Agosto – e o ‘Correio dos Açores
fez eco disso – de que a retenção de 20 milhões de euros do subsídio
de Natal dos 110 trabalhadores açorianos faria com que este dinheiro
não chegasse ao comércio. E há, a este nível, um efeito muito mau em
relação ao emprego.
Dos desempregados que chegaram e trabalhavam antes, 15% tinham
contracto de trabalho definitivo e 85% são pessoas que chegaram ao fim
do contracto e não foram renovados. O grande fenómeno do desemprego na
Região, assim, é a não renovação de contratos.
Aconteceram outros fenómenos, para além do desemprego na construção
civil e no comércio. Os empresários, perante a conjuntura tão
negativa, aos níveis, europeu, nacional e regional, mesmo na época
alta, não contrataram. Não houve, portanto, o fenómeno de contratação
sazonal. Há sempre uma margem de 10 a 15% de trabalhadores no Verão
que trabalham na época alta e não trabalham na época baixa e que, este
ano, não tiveram emprego todo o ano. Houve entidades que começaram a
ter medo de contratar e fizeram com que os seus trabalhadores se
esforçassem um pouco mais.
Aconteceu também outro fenómeno no comércio. São os tais 20 milhões
de euros que os funcionários não receberam e que, agora, faltam no
comércio. E, assim, a contratação sazonal no Natal também não
aconteceu.
Ou seja, não houve renovações de contratos e não ocorreram novas
contratações. Sabíamos que, durante o Natal, há sempre umas centenas
de trabalhadores que são contratados pelo comércio e, este ano, as
pessoas tiveram receio.
E existem outros factores que tornam o desemprego mais visível. Têm
aparecido respostas públicas em relação aos desempregados, desde o
clube de futebol até à câmara municipal e o próprio governo açoriano,
com um certo número de serviços que são gratuitos ou que têm custos
baixos para quem é desempregado. Estou a falar de taxas moderadores na
saúde e de transportes públicos, com passes sociais para
desempregados. Ou seja, há uma preocupação de resposta pública para
desempregados. Isso fez com que muitos trabalhadores rurais e
domésticos se inscrevessem nos centros de emprego para poderem
beneficiar destes serviços. Tivemos até casos de pessoas que se
candidataram enquanto desempregados a estes apoios e que trabalham
mesmo. Nós só conhecemos os trabalhadores que estão nos quadros de
pessoa. Não conhecemos os que trabalham por conta própria e mesmo os
trabalhadores rurais.
Ouve um quarto fenómeno que foi curioso e que tem a ver com as
respostas que preparámos. Os cursos ‘Reactivar’ destinam-se a formar
desempregados do nono ao décimo segundo ano, com uma bolsa, para que
possam enfrentar a crise e criar condições e empregabilidade. Este
programa teve também o dom de atrair mais pessoas para os centros de
emprego para frequentarem estes cursos que só se dirigem a
desempregados. Pensamos que há 10% das pessoas que vieram inscrever-se
e que surgirem para irem para estas soluções. Ora, isso é positivo. As
pessoas tinham vontade de se qualificar.
Há todo este conjunto de factores que levou a que aumentasse em perto
de três mil o número de desempregados entre Novembro do último ano e
Novembro deste ano.

Como reage à afirmação de que o número de desempregados nos Açores
vai muito para além das estatísticas do governo?
Temos dois fenómenos que são contrários. Pode haver, de facto,
desempregados que não estão inscritos nos centros de emprego. Mas
temos de distinguir o desempregado do inactivo.
Podemos falar do exemplo da Dinamarca que é o país europeu que tem
mais pessoas no emprego (78% da população trabalha). Têm 22%, onze
milhões de pessoas, que não trabalham e têm idade de trabalhar e que
não procuram trabalho. Portanto, temos de distinguir quem procura de
quem não procura emprego, apesar de estar em idade de trabalhar.
Nas definições do EUROSTAR é desempregado quem está disponível para
trabalhar e procura efectivamente emprego. Nós não consideramos
desempregado quem não procura. Provavelmente, haverá pessoas que
procuram e não estão inscritos nos centros de emprego. Admito que sim.
Mas também há pessoas que estão inscritas nos centros de emprego que
trabalham. Não sei se um fenómeno não compensa o outro. Mas, todos os
meses, em controlos que fazemos quando cruzamos informação com a
Segurança Social, temos 5 a 7% dos desempregados que trabalham. Enfim,
há as duas pontas.

É também acusado de esconder desempregados em determinados programas…
Nós não escondemos. Temos é de ter uma resposta. Perante o
desemprego, temos duas opções: Não fazer nada ou, então, fazer alguma
coisa. Não podemos resolver o problema de origem que é o financiamento
da economia que tem origem nos problemas gravíssimos das dívidas
soberanas em Portugal e na Europa. Aliás, estamos a apanhar um
problema nos Açores que não nos devia dizer respeito porque o nosso
endividamento ronda os 10% do PIB, e o endividamento nacional (onde se
está a colocar esta questão) é mais de 100% do PIB.
Não podendo resolver o problema da dívida soberana portuguesa e
encontrar solução para o financiamento da economia e para a questão do
desemprego, o que é que os Açores podem fazer? Podem dar resposta às
pessoas encontrando programas que minimizem os efeitos do desemprego e
que, ao mesmo tempo, lhes dê mais empregabilidade. Um dia vamos voltar
a crescer e voltaremos a crescer tanto melhor quanto os trabalhadores
açorianos forem mais qualificados.
Temos alguns problemas graves em relação a situação a nível nacional.
É que temos de levantar, de forma séria, o nível de educação dos
trabalhadores portugueses. E, nos Açores, o salto que estamos a dar é
por aí. Neste momento, temos 23 mil funcionários qualificados,
praticamente todos a trabalhar, e ainda há 15 anos tínhamos apenas
1.400.
Tínhamos que tomar alguma medida e a medida que adoptamos e que
minimiza os efeitos do desemprego e aumenta a empregabilidade é, por
exemplo, os cursos ‘Reactivar’. Há 2.400 pessoas no programa e, entre
fazer e não fazer, não hesitámos em avançar. Não temos esta
preocupação de esconder desempregados.
(CA)

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