Fogo de Conselho
Enio Alves Canaveaut
O lugar era um achado
A Tropa tinha acampado
Num capão feito a capricho
No ar um cheiro de bicho
Perfumava a natureza
E o Chefe tinha certeza
De ter um lugar ameno
Porque o laguito sereno
Supria água mui boa
E ali, no más, a lagoa
Também servia pro banho
Mas o que era mais estranho
Era a clareira fincada
Tão descoberta e espaçada
No meio da mataria
Qual um templo que se erguia
Tendo o céu por coberta
A tropa toda se aperta
Num traje grosso de guerra
E o velho Chefe se encerra
Num pensamento profundo
Demonstrar a esse mundo
Que existe algo mais nobre
E que o céu que nos encobre
Ainda manda nisto aqui
E ele estava a se rir
E dando gargalhadas
De cenas apresentadas
Neste fogo de conselho
Que para ele era espelho
Das coisas boas da vida
Pois tendo o céu por guarida
O homem aprende mais
Do que consultando em anais
De escolas construídas
Lembrou então da saída
Lá da Sede, em fila indiana
Do que fora a semana
Das muitas pioneirias
Lembrou da sua alegria
Ao fazer uma inspeção
E na hora da oração
Ele, Insígnia da Madeira
Havia há tempo compreendido
Que o muito que havia lido
Lhe valia parte então
Pois lhe valer a emoção
De ver fazer a Promessa
De um piá que começa
Nessa nossa Irmandade
E pra falar a verdade,
Embora ninguém notou
Foi na hora da canção
Entrelaçando as mãos
Que o velho Chefe chorou