A Rocinha é
um bairro localizado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Destaca-se por ser uma das
maiores favelas da cidade, contando com cerca de 70.000 habitantes,
situada nos limites dos bairros da Gávea; Vidigal e São Conrado. A proximidade
entre as residências de classe alta desses três bairros e as
de classe baixa da Rocinha marca um profundo contraste urbano na
paisagem da região, que é frequentemente citado como símbolo da desigual social
do Brasil.

Por sua
localização privilegiada, estratégica para o tráfico, numa área nobre da cidade,
com faturamento alto e cercada de rochas e matas, a região já foi ou é? palco
de intensos confrontos entre traficantes/policiais com o objetivo de serem
“donos da favela”.
As UPPs (Unidade
de Polícia Pacificadora) começaram a serem instaladas nas comunidades cariocas
em dezembro de 2008 e deu início a uma nova política de segurança. O
projeto foi concebido para que o poder público retomasse o território dominado
por quadrilhas de traficantes ou milicianos.
Há décadas, moradores da Rocinha, convivem diariamente com homens
armados circulando pela comunidade. Antes, as armas eram empunhadas pelos
traficantes; após a ocupação pela polícia, em novembro do ano passado, para a
instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o armamento pesado
agora é visto nas mãos dos policiais militares que patrulham o local. Os
moradores, no entanto, continuam a se sentir intimidados, o que evidencia que,
apesar da ação promovida pelo Governo do Estado, a comunidade ainda está longe
de ser considerada, de fato, pacificada. 
E apesar
das belas vistas e da boa infraestrutura, a comunidade ainda é um "lazer'
para os 'Zé Pequenos'" do mundo moderno. Os moradores da favela se
queixavam de que, desde a ocupação, o clima de insegurança havia aumentado na
comunidade.
A desconfiança dos moradores da Rocinha com a polícia é
reflexo de anos em que os policiais, em vez de neutralizar, perpetuavam o
tráfico, ao negociar com os bandidos. A grande problemática é desassociar a
polícia das práticas tradicionalmente aplicadas. Historicamente, existe uma
relação muito promíscua entre o tráfico e a polícia. Os moradores não são
bobos, testemunham, sabem os antigos pontos de recebimento de propina. A
polícia espera que eles, moradores, sejam canais de informação para saber quem
são e onde estão os traficantes.
Mas a imagem da polícia ainda traz insegurança em parte dos
moradores porque, na favela, não existia enfrentamento, mas extermínio. As
crianças, os jovens crescem vendo a morte, a violência, assim gera-se um ser
violento. O homem é produto do meio como
disse Sócrates. Ou ao menos entusiasma o individuo. Os moradores
da Rocinha hoje trocam medo do trafico por desconfiança dos policiais.
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Por Carla Camilo
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