Graça e Paz!
Segue as perícopes para o fim de semana.
14 de maio de 2017
5º Domingo de Páscoa
Sl 146; At 6.1-9; 7.2ª,51-60; 1Pe 2.2-10; Jo 14.1-14.
Sl 146: O Salmo 146 nos ensina que a felicidade é o resultado do louvor, não a causa do louvor. Se compreendermos realmente que Deus está além e em todas as coisas, possuiremos a pedra fundamental da sabedoria. Em resposta, nossa canção será: "Louvarei ao Senhor agora e até o último momento de minha força declinante".
Os Salmos 146-150 começam e terminam com "Louva ao Senhor!", ou "Aleluia", que sintetizam o conteúdo de cada salmo. Para o fiel, "Aleluia" é o começo, o meio e o fim da vida.
O fundamento para o "Aleluia" no Salmo 146 é que Deus é o Deus da História e o Deus da criação.
Observe que cada linha começa com "O Senhor" escrito com maiúsculas. Senhor é uma palavra substituta para Yahweh. Esse é o nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente. Yahweh refere-se especificamente ao atributo de misericórdia de Deus. O nome Deus representa justiça. Ele é compreendido como um atributo da misericórdia porque a justiça de Deus é também parte da misericórdia de Deus.
O Senhor da misericórdia e da justiça liberta os prisioneiros, abre os olhos cegos, levanta os humildes, ama os íntegros, e protege os peregrinos, as viúvas e os órfãos. Na justiça, os ímpios serão transtornados enquanto aos famintos será dada comida, os prisioneiros serão libertados, e as viúvas e órfãos serão elevados.
O salmo termina alegremente, assim como começou, "Aleluia", ou "Louva ao Senhor!".
At 6.1-9; 7.2ª,51-60: Alguns colocam o episódio de Atos 6.1-7 como a terceira tentativa de destruir a igreja, sendo ela a distração. Se os apóstolos se ocupassem a administrar a ação social da igreja, deixariam de ocupar-se com a responsabilidade de orar e pregar.
V. 1: O problema. A situação é clara, “naqueles dias, multiplicou-se o números dos discípulos”. A excitação desse crescimento foi abafada por um lamentável “goggysmos”, uma “queixa ... expressa em murmuração” (Ex 16.7). Essa murmuração era evidentemente contra os apóstolos, que recebiam o dinheiro das contribuições (Atos 4.35,37).
No antigo testamento Deus prometera que iria defender as viúvas (Ex 22.22; Dt 10.18). Assim, vendo que as viúvas não podiam se sustentar e nem tinham ninguém para sustenta-las, a igreja assumiu essa tarefa, fazendo a distribuição entre elas.
Como havia dois grupos, os hellenistai e os hebraioi. Os hellenistai “murmuravam” contra o segundo. Essa murmuração foi porque “as viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária” (v.1). Nada indica que esse esquecimento foi proposital. A causa podia ser uma falha na administração ou supervisão. Mas, há aqueles que afirmam que a causa era uma tensão cultural. Os hellenistai não só falavam grego, mas pensavam e agiam como gregos, enquanto que os hebraioi não só falavam aramaico, mas estavam enraizados na cultura hebraica. Para os apóstolos a questão era muito mais que essa tensão cultural. O problema era a administração social (tanto a organização da distribuição como a resolução da disputa). Essa questão ocupava demasiadamente os apóstolos e os impedia de se ocupar com seu verdadeiro ofício: ensino e pregação.
Vv.2-6: A solução. Essa não foi imposta pelos apóstolos. Houve uma “convocação de toda a comunidade” e o problema foi compartilhado. Os apóstolos dissera: “Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas” (Atos 6.2).
De nenhuma maneira se pode supor que os apóstolos desconsideravam a ação social inferior ao ofício pastoral. O que eles enfatizavam era apenas uma questão de chamado. Não podia haver desvio de função e tarefa prioritária. Assim, a sugestão foi vv.3 e 4. Há aqueles que afirmam que aqui iniciou-se o diaconato (Rm 16.1; Fp 1.1; 1Tm3.8,12; 4.6).
A igreja entendeu o plano e pôs esse plano em ação (v.5). Todos os nomes são gregos. Há aqueles que dizem que a escolha foi justamente para satisfazer o grupo queixoso (isso é apenas especulação).
O princípio. O ponto levantado aqui é de importância urgente para a igreja de hoje. Deus chama todo o seu povo para o ministério. Pessoas diferentes para ministérios diferentes. Cada qual não se deve desviar da sua função.
Assim como as pessoas são culpadas, há pastores culpados também. Há àqueles que desejam segurar as rédeas.
Se o pastor tem e exerce seu tempo para estudo e oração, os leigos irão exercer melhor e mais seus dons.
V. 7: O resultado. O resultado direto da ação dos apóstolos em delegar a função da ação social para pessoas escolhidas e se concentrarem na sua função específicas “crescia a palavra de Deus” (Atos 6.7).
Os verbos crescia e multiplicava estão no tempo imperfeito, indicando que era contínuo.
Até o momento a igreja estava restrita a Jerusalém. Agora o Espírito Santo irá espalhar sua igreja pelo mundo. Por meio de Estevão iniciou essa missão. Sua pregação gerou oposição (Atos 6.8-8.2).
Estevão chamou o Sinédrio de homens de dura cerviz, (teimosos). Termo esse que Moisés e os profetas aplicaram a Israel. Estevão os classificou como sendo pagãos da verdade.
Lucas encerra o episódio com um dramático contraste entre Estevão e Saulo, outro homem que seria usado por Deus para expandir seu evangelho pelo mundo.
O ensino e a morte de Estevão são importantes para a missão cristã no mundo através do seu ensino e morte.
1Pe 2.2-10: Recordando que essa carta foi escrita de Roma (1Pe 5.13), à cristãos na Ásia Menor (1Pe 1.1) que estavam enfrentando dificuldades. Ao experimentar hostilidades, a carta traz consolo e exortação para que permaneçam firmes.
Muitos exegetas defendem que esse texto faz parte de uma pregação batismal o que muitos dizem ser difícil de sustentar.
Martinho Lutero classificou essa carta como sendo um dos documentos teológicos mais importantes do Novo Testamento.
Esse texto é um desafio para a congregação cristã. É um chamado à missão “raça eleita”.
Por mais sofrimento que os cristãos passavam, a carta é permeada por uma alegria, fruto da verdadeira fé.
“Crianças recém-nascidas” (vv.2-3). Lembram o batismo e qualificam os novos cristãos. O termo “leite” refere-se a um sentido figurado. Ou seja, os leitores eram motivados a buscar o alimento indispensável para o amadurecimento da fé. O batismo não é uma formatura na fé, tanto que enquanto subia aos céus Jesus ressaltou: “Ide fazei discípulos... batizando-os ... e ensinando-os” (Mt 28.19,20).
Os vv 4 a 8 são uma verdadeira exortação a que os cristãos sejam de fato uma comunidade. A vida cristã é uma vida na prática do amor.
Cada cristão é uma pedra viva, construída sobre Cristo. O cristão só é uma pedra viva, porque Cristo lhe deu essa vida.
O que é consolador é justamente o fato do apóstolo chamar o povo de Deus “sacerdócio santo” (v.5) e “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (v.9-10).
A missão de Deus é descrita numa figura da construção de uma casa, onde Jesus é a pedra angular. Atualmente a pedra angular não é mais usada em construções, mas todas as construções possuem uma sapata que sustenta toda a construção. Jesus é a rocha que sustenta a igreja, composta por pedras vivas.
Jo 14.1-14: Aqui há o relato do belo sermão de Jesus Cristo. Esse sermão foi proferido após a última ceia, quando iniciava seu caminho de sofrimento e estava para deixar seus discípulos a sós. Ele o prega na expectativa de consolá-los e fortalecê-los duplamente: com a tristeza do presente, causada pela sua partida, e contra o sofrimento futuro, que lhes sobreviria por parte do diabo, do mundo e da sua própria consciência. É um dos sermões mais consoladores que Jesus proferiu na terra. Tanto que João o recordou e anotou em seu evangelho. Esse sermão é um tesouro, uma joia para toda a cristandade.
Ao despedir-se dos seus discípulos, Jesus lhes transmite consolações aprazíveis e amáveis.
Nesse sermão a igreja cristã encontra os verdadeiros, nobres e sublimes artigos da doutrina cristã: três pessoas da santíssima trindade, duas naturezas de Cristo, pessoa eterna e indivisível de Jesus, a justificação pela fé, verdadeiro consolo das consciências.
Jesus fala como uma pessoa pode, de fato, encontrar Deus e abraça-lo. Como subsistir perante Deus e ter certeza da sua graça. Ai está toda a resistência contra todo tipo de tentação. Esses artigos da fé cristã são convincentes e fundamentados, sendo que, com eles, pode-se derrotar, eficazmente, todos os hereges e espíritos sectários.
É oportuno que se estude e leve a sério esse sermão de Jesus. Esse sermão é recomendado aos cristãos piedosos como seu tesouro e consolo supremo e mais precioso, para que apreendam com dedicação e o guardem.
“Não se turbe o vosso coração” – era momento de despedida. Naquela mesma noite Jesus iria iniciar seu sofrimento e sua via dolorosa rumo a cruz. Os discípulos ficariam em grande perigo, medo e terror.
Jesus sabe que após a separação, os discípulos ficariam tentados por temores e medos. Devido o medo, eles trancaram as portas (Jo 20).
“Não se turbe o vosso coração” era o mesmo que dizer: “eu bem sei, meus queridos discípulos, como será convosco depois de eu partir e vos deixar sozinhos e fordes acometidos de puro pavor e medo; e vós vereis coisas tão horríveis em mim que darão grande motivo para dizerdes que vosso coração está a derreter dentro do corpo, e não sabereis onde achar refúgio. Vos digo isso antes que aconteça, justamente, para que não esmoreçais tão facilmente, mas para que sejais destemidos e vos prepareis para a luta. E, quando chegar a hora, lembrai-vos desta minha exortação, a fim de que não fraquejeis e não entreis em pânico, etc”.
No medo e no pavor, depende de como nosso coração está preparado. O sermão de Jesus tem dois objetivos: avisá-los sobre o terror futuro e, ao lado disso, consolá-los, a fim de que, posteriormente, se lembrassem do mesmo e para que esse consolo os sustentasse.
“credes em Deus, crede também em mim” – fundamenta a palavra anterior, com a qual ele começou a exortá-los a serem confiantes e destemidos. Afinal, vocês não estão fundamentados em coisa humanas.
vv. 2-4: Santo Agostinho interpretou dizendo que cada qual já possui sua morada no céu, reservada e preparada. E que cada qual está sendo preparado para morar lá. Não sou tão ousado para interpretar assim. No entanto, destaco que Jesus aqui deu três consolo aos discípulos. Eles precisavam saber que há moradas para eles. Mesmo que o mundo tirar os bens, a honra, a vida e atingir com toda sorte de miséria, nada é comparado a morada celestial. Mesmo que crerem, não havendo ainda morada, tenho poder para preparar o suficiente de moradas.
A minha ida ou partida, não significa perda, isso acontece para o bem de vocês: vou lhes preparar e reservar morada.
vv. 5-6: Tomé pensou num caminho físico, de uma cidade para outra. Aqui há duas maneiras de ver e ouvir: com olhos e ouvidos sem o Espírito e outra com olhos e ouvidos com o Espírito (Jo 14.6).
O v. 7 é uma provocação. Afinal, os discípulos estavam ouvindo apenas com a razão. O v. 8 mostra nossa real situação, não sabemos o que é Deus, como conhece-lo e como encontra-lo. Filipe quer entendê-lo com sua mente.
No v. 9 a resposta de Jesus mostra que deves ver e conhecer a Deus exatamente como conheces a Jesus.
v. 10 – é necessário orar constantemente o Pai nosso, em especial os três primeiros pedidos. Ajude-me a ouvir sua Palavra, viver sua Palavra e me dê em especial o Espírito Santo, afinal, sem seu poder não posso crer nem viver.
v. 13 – quando poder sua ida ao céu irá produzir.
14 de maio de 2017
5º Domingo de Páscoa
At 6.1-9; 7.2ª,51-60
Cada um no seu quadrado!
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