Civilização Brasileira

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Bradley Zweig

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Aug 3, 2024, 4:18:46 PM8/3/24
to selmatira

Na historiografia brasileira, Pedro Calmon destaca-se entre os que estudaram os fatos histricos e os interpretaram luz de uma proposta acurada, presa aos acontecimentos sem esquecer que a histria dinmica e seu estudo requer um instrumental que vai buscar em outras disciplinas o rigor para sua anlise. Grande escritor, Calmon desenvolveu um estilo aliado ao conhecimento profundo das fontes histricas mais documentadas, de modo a cativar no s os estudiosos da Histria, como tambm os leigos, interessados em nosso passado. Nesta aventura cultural, Pedro Calmon navega nas primeiras caravelas que aqui aportaram com Cabral at as guas procelosas da Proclamao de Repblica. Uma exegese que honra a trajetria do autor e que coloca nas mos dos interessados em nossa Histria uma interpretao original e preciosa da evoluo da civilizao brasileira.

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Fundada por Getlio M. Costa, Ribeiro Couto e Gustavo Barroso em 1929, a Editora Civilizao Brasileira tinha, na poca, poucos ttulos. Em 1932, foi adquirida por Octalles Marcondes passando a fazer parte da Companhia Editora Nacional. Seu sinete editorial, porm, era utilizado pela Nacional apenas para livros no didticos e de fico, com poucos ttulos. Em 1955, por exemplo, tinha uns 10 ttulos e entre eles a reimpresso do eterno sucesso Pequeno Dicionrio da Lngua Portuguesa, de Hildebrando Mateus de Lima e Gustavo Barroso, que alcanara sua 9. edio em 1951.

Casado com a filha de Octalles, nio Silveira assumiu, em parte, a Civilizao Brasileira, e a incrementou, sendo que, no final da dcada de 1950, tornara-se j uma das principais editoras do pas. Em 1963, nio Silveira assumiu o controle total da Civilizao Brasileira[1]e, no ano seguinte, seu catlogo era igual ao da Companhia Editora Nacional, acrescentado de 46 novos ttulos.

nio Silveira tinha particular entusiasmo em estimular autores brasileiros. Em 1956, publicou O Encontro Marcado de Fernando Sabino, iniciando a coleo Vera Cruz de literatura brasileira. A Civilizao acabou se tornando o canal mais importante para a moderna literatura brasileira nos anos 1960,[1] alm de se dedicar s tradues, tanto dos autores europeus, quanto dos estadunidenses, japoneses e latino-americanos. A Civilizao Brasileira encomendou uma traduo de Ulisses, de James Joyce, que foi confiada a Antnio Houaiss, em 1966, e adquiriu em 1959 os direitos brasileiros de Lolita, de Nabokov, ento desconhecido no Brasil. Alguns anos depois, publicou a traduo de O Advogado do Diabo[2], de Morris West, que chegou a vender um livro por minuto no correr do semestre, porm errou ao recusar a publicao de O Apanhador no Campo de Centeio, por ach-lo difcil demais para o pblico e que se tornaria um recorde de vendas.

Nos anos 1960, a Civilizao iniciou a coleo Retratos do Brasil, com alguns ttulos sobre a formao do Partido Comunista Brasileiro. Suas publicaes de esquerda, cada vez mais, eram reprovadas por Octalles Marcondes Ferreira, e foi-lhe oferecido a oportunidade de ficar com a maioria das aes da Civilizao, terminando, assim, o controle da Civilizao Brasileira pela Companhia Editora Nacional.[3] nio renovou completamente, ento, a imagem da editora, contratando Eugnio Hirsch como seu principal produtor, iniciando uma revoluo que se estendeu a toda a indstria editorial brasileira, de modo que a moderna edio no pas traz elementos que comearam na Civilizao Brasileira.

Aps o Golpe Militar de 1964, muitos livros foram confiscados nas livrarias e na editora, por falarem de comunismo, ou porque o autor fosse persona non grata do regime,[4] ou por serem traduo do russo, ou apenas porque tinham capas vermelhas. A marca Civilizao Brasileira estava entre as visadas pelo regime. A prpria casa de nio foi invadida pela polcia em busca de livros proibidos.

Em outubro de 1965, nio foi obrigado, por presses do Governo Castelo Branco, a deixar a diretoria da revista e da editora, para evitar que houvesse uma ao oficial direta contra elas. Na ocasio, ele j fora preso 3 vezes. Em 1966, impetrou um mandado de segurana contra o Departamento Federal de Segurana Pblica (DFSP), publicado em sua Revista.

No governo de Costa e Silva, os bancos foram pressionados para no concederem facilidades de crdito Civilizao Brasileira, causando uma queda na produo da editora.[5] Com o Ato Institucional n 5, houve 200 detenes, incluindo nio e vrios autores.

Em maio de 1970, nio foi novamente preso, por publicar, 5 anos antes, Brasil: Guerra Quente na Amrica Latina, de Joo Maia Neto. Em outubro de 1970, voltou a ser preso, at 10 de novembro, e centenas de livros foram confiscados em sua livraria. Pouco depois, houve um misterioso incndio nos escritrios centrais da editora.Em 1972, nio conseguiu ser absolvido do processo da "Guerra Quente", mas abriu mo da devoluo de 2 000 exemplares retidos pela polcia espera do veredito.

Com a venda da Companhia Editora Nacional (da qual a esposa de nio, filha de Octalles, era herdeira) ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social (BNDES) em 1975, a Civilizao Brasileira acabou se beneficiando financeiramente.

Em 1976, houve uma incrementao da possibilidade de mandar livros pelo correio, e 5% das vendas da Civilizao passaram a ser dessa forma. Em 1978, nio lanou a revista Encontros com a Civilizao Brasileira, inclusive com o mesmo editor da Revista Civilizao Brasileira, Moacyr Flix. O processo de abertura poltica, porm, s teve incio com o presidente Joo Figueiredo, em maro de 1979.

Em 1982, nio aceitou uma oferta operacional da Difel, empresa estrangeira, para colaborar com sua firma. Paralelamente, o Banco Pinto de Magalhes, de capital portugus, e uma pessoa jurdica portuguesa, o major Batista da Silva, adquiriram 90% do capital da Civilizao Brasileira, e nio ficou com 10%. Em maro de 1984, formalizou-se a transferncia da matriz da Civilizao para So Paulo, mantendo-se uma filial no Rio de Janeiro.

Presidente brasileiro Luiz Incio Lula da Silva em reunio com Li Xi, membro do Comit Permanente do Politburo da China. O Brasil pode ser ponto de partida para a implementao de novas polticas ambientais chinesas no exterior (Imagem: Ricardo Stuckert / Palcio do Planalto, CC BY-ND)

O Brasil deve fazer bem mais do que combater o desmatamento ilegal. Em resposta s ideias de proteo da biodiversidade e mitigao de impactos apresentadas no 14 Plano Quinquenal da China, o Brasil poderia almejar uma descarbonizao muito mais radical em sua economia e mirar indicadores socioeconmicos que vo alm do PIB, como sade, meio ambiente, desigualdade e emprego.

Essa mudana depender no s do apoio do governo Lula, mas tambm do convencimento dos representantes conservadores no Congresso brasileiro. Ser necessria toda a habilidade retrica de Lula para evidenciar a urgncia de redefinir o relacionamento entre a China e o Brasil. preciso romper com as tradies extrativistas impulsionadas at agora para evitar uma relao neocolonial com a nao asitica. As ideias progressistas tero de se reinventar para encontrar convergncias entre os novos projetos verdes promovidos pela BRI, os interesses dos investidores chineses e a estratgia de reindustrializao do Brasil.

A cooperao entre os dois pases mudou significativamente desde a dcada de 1990. O PIB da China se recuperou rapidamente e se tornou a segunda maior economia do mundo em 2010, enquanto o Brasil estagnou na 10 posio na dcada de 2010. Enquanto os Estados Unidos e a Unio Europeia (UE) comearam a ver a China como uma rival da ordem global dominada pelo Ocidente, a periferia do mundo viu a potncia emergente como um parceiro comercial promissor: alm de trazer mesa opes com menos restries, a postura da China de no-interveno em assuntos internos tambm foi bem-sucedida.

Os setores de energia, minerao, petrleo e agricultura ainda so dominantes nos negcios bilaterais, mas a imagem que um pas tem do outro no mais a mesma. Os investimentos chineses no Brasil atingiram o nvel mais baixo em 13 anos no ano passado, em meio a atrasos regulatrios, impactos da guerra na Ucrnia e a priorizao de investimentos chineses nos pases da BRI. Mesmo assim, h projetos de ferrovias planejadas ou implementadas com o apoio da China em regies ambientalmente sensveis da Amaznia e do Cerrado. As obras foram facilitadas pela flexibilizao ambiental durante o governo Bolsonaro.

Em meio ao aumento evidente de eventos climticos extremos, a China poderia ajudar a escrever um novo captulo com o Brasil e outros pases do Sul Global. Os dois pases enfatizam a responsabilidade histrica dos pases desenvolvidos na acelerao das mudanas climticas e a falta de financiamento climtico para que as naes em desenvolvimento cumpram as metas do Acordo de Paris. As novas polticas chinesas alinhadas aos objetivos da civilizao ecolgica, como mercados de carbono, certificaes de sustentabilidade e demarcao de reas protegidas, podem oferecer melhores prticas para combinar ao climtica e conservao da natureza. Alm disso, elas oferecem possibilidades de cooperao entre a China e o Brasil, conforme apontado em uma recente publicao da National Science Review.

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