Carta de princípios para um processo editorial científico mais aberto
Estamos nos aproximando de um encontro importante para o setor de periódicos científicos em nosso país. O EUSEER de Brasília (junho 13-15) será uma ótima oportunidade de troca de experiências e enriquecer a nossa rede de relacionamentos.
Pensando em aspectos interessantes para subsidiar nossas discussões nesse evento, apresento abaixo alguns pontos interessantes para o debate e uma orientação de alguns princípios que espero como editor de periódico científico tentar implementar em minha publicação (Revista Científica de Saúde do Vale do Aço – RCSVA - http://rcsva.emnuvens.com.br/rcsva).
Princípios:
1. POR UM PROCESSO EDITORIAL MAIS PARTICIPATIVO. O processo editorial de periódicos científicos tem que permitir uma construção de meio e não de resultados finais para os autores científicos. O processo editorial deve ser visto como uma oportunidade de debate científico, antes da conclusão final daquela comunicação. Muitos aspectos podem ser discutidos no processo que poderiam melhorar ou enriquecer mais a comunicação científica. Os autores precisam de orientações, troca de opiniões, debate sobre a metodologia, debate sobre a complexidade dos estudos. Apenas com processos editoriais participativos é que esse crescimento e amadurecimento dos autores pode acontecer. Os autores, revisores e editores passam a ser uma equipe e todos acabam contribuindo para a evolução da ciência. Chega de processos finalísticos onde a submissão de um artigo científico é apenas uma etapa no final da produção do conhecimento. A comunicação científica tem muito a ganhar com os processos do meio dessas publicações. Um jovem autor pode receber orientação de outros pares (revisores) para que juntos possa ser construída uma parceria e um aprimoramento da relação entre autor-revisor-editor. Todas ganham com essa troca e participação. Portanto, precisamos de processos editoriais mais focados no processo da publicação.
2. PELA AMPLIAÇÃO DOS CANAIS DE PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA. Existe espaço para a experimentação em publicação científica. Como preparar uma comunicação científica que possa ser testada, avaliada, pensada na sua clareza, no seu formato, no tipo de tabela ou gráfico utilizado, enfim, na relação que a texto tem com os leitores e o uso que esses acabam fazendo desse texto. Precisamos de plataformas de publicação que possa permitir esse espaço mais abrangente e disponível, pois um autor iniciante antes de procurar as revistas indexadas ou as melhores publicações da sua área, poderá exercer a saudável prática da publicação e acumular experiências que possam amadurecer esse autor. Criar então, um universo de publicações e edições que possam receber essa evolução de um determinado pesquisador, pode potencializar o desempenho desse próprio pesquisador ou autor. Por isso, esse espaço de publicação da comunicação científica tem que ser aberto, gratuito, com tecnologias que facilitem um resultado de publicação finalístico. Um jovem autor teria muita dificuldade de emplacar uma publicação científica em um periódico de referência nacional ou internacional em sua área. Ele ficaria alijado dos frutos e incentivos de uma comunicação científica, por outro lado, se o universo de espaços editorais são ampliados, esse jovem autor já poderá experimentar o aprendizado que toda comunicação científica permite. A critica, a visibilidade, a avaliação dos pares, enfim, publicar também faz parte do aprendizado e precisamos criar mais espaços de publicação e que possam enaltecer o acesso e a interação dos candidatos a autores. Esses novos espaços também existirão para ampliar e quebrar a hegemonia das instituições acadêmicas, das sociedades científicas, do mercado das editoras privadas de publicações científicas. As ampliações dos espaços editoram permite que novos editores, novas associações sejam elas de pessoas físicas ou até jurídicas desde que todos se comprometam a uma causa comum e colaborativa e possam garantir independente dos interesses de classe, das censuras da academia, o livre espaço de publicação e até enfrentar o poder do capital que detém os meios de publicação ou controla o sistema de comunicação científica privados. Existirá mais liberdade, menos censura e mais disseminação de saberes e conhecimentos. A comodidade não pode sobrepujar a nossa inquietude de buscar novos horizontes e novas experiências. É preciso se expor para que essa exposição traga benefícios de provocar ações que nos movam em direção a melhora de nós mesmos. O autor experiente pode até lançar mão de um pseudônimo para experimentar, buscar novos caminhos e novos estilos, que não necessariamente serão melhores, mas que com certeza, trarão ao mesmo novas experiências.
3. PELO COMPROMISSO ACESSO LIVRE E ABERTO AO CONHECIMENTO. O acesso ao conhecimento dever estar disponível para qualquer um que possa utilizá-lo em prol da sociedade. Esse é um conceito básico de empoderamento e das ciências da informação. Não podemos deixar de ter acesso a uma informação técnico-científica porque não podemos pagar por aquele conhecimento ou artigo publicado on line ou impresso. O financiamento da pesquisa e do desenvolvimento científico não pode vincular o acesso ao próprio conhecimento a condições financeiras de adquirir ou não um periódico impresso ou até em meio eletrônico, pois o conhecimento uma vez obtido deve ser livre para ser aplicado em prol da nossa sociedade. Por isso, devemos transformar os mecanismos financeiros das publicações científicas privadas para um ambiente favorável a utilização do saber por qualquer interessado.
fo.
Fi