Millôr Fernandes: pensador, ilimitado nos temas, incessante no exercício

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SEAF Filosofia

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Mar 29, 2012, 6:41:27 PM3/29/12
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Autores de
Fazer Filosofia

obra pioneira em tratar a filosofia por temas

se solidarizam com familiares,
com brasileiras/os de todas as dedicações,
com atores e atrizes que podem interpretar à luz das brilhantes traduções
(de autores difíceis, muitas vezes) que foram feitas por este intelectual ímpar:


Millôr Fernandes



Fazer Filosofia
Org
.: Leda Miranda Hühne
Prefácio
: Ana Maria Felippe Garcia
Ilustração:
Millôr Fernandes


Textos
de Olinto Pegoraro, Ricardo Jardim Andrade, Maria Célia M. de Moraes, Vera Portocarrero, Leda Miranda Hühne, Eliane Portugal, Dirce Eleonora N. Solis, Sydney S. Solis, Regina Maria Lopes van Balen



Continuará como memorável a noite de conversa com muito humor e aprendizado, por ocasião de nosso encontro, sugerido pelo próprio Millôr, quando quisemos agradecer pela gentileza da cessão dos direitos autorais das Ilustrações na abertura de cada capítulo, conforme proposto pela Organizadora Leda Hühne.

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 Janio de Freitas - Millôr, meu amigo

(texto transcrito no final desta postagem)

Ele não era humorista, mas um pensador brilhante, ilimitado nos temas e incessante no seu exercício

Veja a obra completa de Millôr Fernandes

29/03/2012 - 07h01 - (in Folha Ilustrada - FSP)

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Fazer Filosofia

Fazer Filosofia aborda uma nova didática. Não segue o caminho tradicional que inicia o estudo a partir de idéias, teorias, tratados e sistemas. Problematiza os temas da vida cotidiana: Corpo, Trabalho, Cidade, Cidadania, Arte, Ciência e a própria Filosofia. Analisa o modo pelo qual os temas-problema foram se constituindo ao longo da história do pensamento.

Fazer Filosofia tem por fim fazer pensar: O que significa chegar a compreender "que as coisas não são com são, porque têm de ser".


Escrito por uma equipe de professores universitários e do ensino médio e ilustrado por Millôr Fernandes com o humor de suas charges, desmitifica o sentido ideológico dos temas-problema que trata.

O livro estrutura-se em sete unidades e a cada unidade apresenta um texto-base, onde o autor problematiza criticamente o tema, à luz da história da filosofia. Textos para leitura, temas para debate, glossário e bibliografia complementam o texto base.

Ao final do livro, são apresentadas duas sinopses: uma com a cronologia da História da Civilização Ocidental e outra com esquemas das doutrinas dos pensadores.


Sumário

Unidade I: Filosofia
1 - Fazer Filosofia - Olinto A. Pegoraro
Unidade II: Cultura
2 - A Cultura: O Homem como Ser no Mundo - Ricardo Jardim Andrade
Unidade III: Ciência
3 - A Revolução Científica Moderna - Maria Célia M. de Moraes
4 - O Surgimento das Ciências Humanas - Vera Portocarrero
Unidade IV: Arte
5 - Arte e Estética - Leda Miranda Hühne
6 - Arte e Modernidade - Eliane M. Portugal
Unidade V: Cidade e Cidadania
7 - Cidade e Cidadania - Dirce Eleonora Solis
Unidade VI: Trabalho
8 - Pensando o Trabalho - Sydney Solis
Unidade VII: O Corpo
9 - O Corpo - Regina Lopes van Balen
Apêndice
I - Quadro Histórico da Filosofia no Ocidente
II - Quadro Esquemático da História da Filosofia Ocidental

FILOSOFIA - ISBN 8585666013 - 320 páginas - R$ 28,00
Editora Uapê - Rio de Janeiro-RJ
Tel.: 21-2493-9175
E-Mail: edito...@terra.com.br


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Janio de Freitas - Millôr, meu amigo


Ele não era humorista, mas um pensador brilhante, ilimitado nos temas e incessante no seu exercício


MILLÔR, ALÉM de tudo o que criou, e criou de tudo, criou também um engano involuntário. A propósito dele mesmo, mas não o engano do nome. Milton de verdade, na certidão e por desejo paternal, Millôr por sargentada de um militar que cismou ser o t um segundo l e o traço do t um circunflexo no o: "É Millôr!". Miltinho até os 17 ou 18, Millôr para sempre.

O outro engano recaiu sobre nós. Acompanhou Millôr desde a primeira página do "Pif-Paf" no longínquo "O Cruzeiro" e agora se mostra com toda intensidade, nos jornais, nas TVs, nas conversas sobre "o humorista Millôr". Mas desengane-se: Millôr não era humorista.

Millôr foi um pensador. Brilhante e fertilíssimo pensador. Ilimitado nos temas e incessante no seu exercício de pensador.

O humor foi uma linguagem para o pensador. Uma das linguagens. Como a palavra, escrita ou vocalizada. Como o traço e as cores no desenho e na pintura, de uma riqueza de sentidos só comparável à preciosidade da criação estética. Como a elaboração cênica e verbal do autor de teatro. O humor foi a mais presente e perceptível linguagem de Millôr, mas linguagem do pensador.

Cada sentença e cada texto, cada pintura e cada peça, cada conversa de Millôr conteve, sempre, um significado ético, ou humanístico, ou crítico, e mais, mais -sempre o significado adicional, além do visível e do audível. E, no final, ali estava a razão de ser do escrito, do desenhado, do dito. E nada construído: nascido, simplesmente.

Pensador de hábitos inesperados. Quando Paulo Mendes Campos, Marco Aurélio Mattos e eu, o caçula aceito, chegávamos de manhã à praia, já Millôr havia feito ginástica em uma academia precursora e repetido corridas na areia. Encontros por anos e anos, cujas conversas não terminaram ainda: percorrem com frequência minha cabeça, em pedaços que esperavam continuação ou que são inesquecíveis. Eram três intelectuais gigantescos, a me injetar, sem querer, perplexidades e curiosidades, um dia porque alguém decidira ler Humboldt, no outro porque alguém descobrira uma sutileza ainda impercebida em certa passagem de Shakespeare, ou um pintor, um livro, muitos livros -tudo terminava em livros.

O último de nossos almoços regulares, que desde as dificuldades físicas de Millôr estavam transferidos para o seu estúdio, foi também o último seu com amigos. Naquele dia, ainda Luis Gravatá e Cora Rónai. Foi suave, mais longo do que o habitual por insistência do Millôr. No dia seguinte, de repente, Millôr iniciou longo período de vida quase toda em ausências.

Quando dirigiu a Casa Laura Alvim, Eliana Caruso fez uma edição fac similar da revista "Pif-Paf", que Millôr lançou depois de deixar "O Cruzeiro". Tiveram comigo a gentileza de me entregar o texto de apresentação. Terminei-o com uma frase mais ou menos assim: "Tive a sorte de conhecer um gênio".
Mais do que conhecer, a sorte me permitiu o convívio. Foi uma amizade de quase 60 anos, sem baixios, com intimidade bastante para as confidências nas aflições e em coisas pessoais, para solidariedade e confiança.

Minha gratidão, meu amigo Millôr.

 (da FSP - Extraído de Conteúdo Livre - CL)

 

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