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Autores de
Fazer
Filosofia
obra pioneira em tratar a
filosofia por temas
se solidarizam com familiares,
com brasileiras/os de todas as dedicações,
com atores e atrizes que podem interpretar à luz
das brilhantes traduções
(de autores
difíceis, muitas vezes) que foram feitas por
este intelectual ímpar:
Millôr
Fernandes
Fazer Filosofia
Org
.: Leda Miranda Hühne
Prefácio
: Ana Maria Felippe Garcia
Ilustração:
Millôr
Fernandes
Textos de Olinto Pegoraro,
Ricardo Jardim Andrade, Maria Célia M. de Moraes,
Vera Portocarrero, Leda Miranda Hühne, Eliane
Portugal, Dirce Eleonora N. Solis, Sydney S.
Solis, Regina Maria Lopes van Balen
Continuará
como memorável a noite de conversa com muito
humor e aprendizado, por ocasião de nosso
encontro, sugerido pelo próprio Millôr, quando
quisemos agradecer pela gentileza da cessão
dos direitos autorais das Ilustrações na
abertura de cada capítulo, conforme proposto
pela Organizadora Leda Hühne.
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Janio de
Freitas - Millôr, meu amigo
(texto
transcrito no final desta postagem)
Ele não era
humorista, mas um pensador brilhante, ilimitado
nos temas e incessante no seu exercício
Veja a
obra completa de Millôr Fernandes
29/03/2012
- 07h01 - (in Folha Ilustrada - FSP)
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Fazer
Filosofia aborda uma nova didática. Não segue
o caminho tradicional que inicia o estudo a partir
de idéias, teorias, tratados e sistemas.
Problematiza os temas da vida cotidiana: Corpo,
Trabalho, Cidade, Cidadania, Arte, Ciência e a
própria Filosofia. Analisa o modo pelo qual os
temas-problema foram se constituindo ao longo da
história do pensamento.
Fazer Filosofia tem por fim fazer pensar: O
que significa chegar a compreender "que as coisas
não são com são, porque têm de ser".
Escrito
por uma equipe de professores universitários e do
ensino médio e ilustrado por Millôr Fernandes
com o humor de suas charges, desmitifica o
sentido ideológico dos temas-problema que trata.
O livro
estrutura-se em sete unidades e a cada unidade
apresenta um texto-base, onde o autor problematiza
criticamente o tema, à luz da história da filosofia.
Textos para leitura, temas para debate, glossário e
bibliografia complementam o texto base.
Ao
final do livro, são apresentadas duas sinopses: uma
com a cronologia da História da Civilização
Ocidental e outra com esquemas das doutrinas dos
pensadores.
Sumário
Unidade I: Filosofia
1 - Fazer Filosofia - Olinto A. Pegoraro
Unidade II: Cultura
2 - A Cultura: O Homem como Ser no Mundo - Ricardo
Jardim Andrade
Unidade III: Ciência
3 - A Revolução Científica Moderna - Maria Célia M.
de Moraes
4 - O Surgimento das Ciências Humanas - Vera
Portocarrero
Unidade IV: Arte
5 - Arte e Estética - Leda Miranda Hühne
6 - Arte e Modernidade - Eliane M. Portugal
Unidade V: Cidade
e Cidadania
7 - Cidade e Cidadania - Dirce Eleonora Solis
Unidade VI: Trabalho
8 - Pensando o Trabalho - Sydney Solis
Unidade VII:
O Corpo
9 - O Corpo - Regina Lopes van Balen
Apêndice
I - Quadro Histórico da Filosofia no Ocidente
II - Quadro Esquemático da História da Filosofia
Ocidental
FILOSOFIA
- ISBN 8585666013 - 320 páginas - R$ 28,00
Editora Uapê - Rio de Janeiro-RJ
Tel.: 21-2493-9175
E-Mail: edito...@terra.com.br
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Janio de
Freitas - Millôr, meu amigo
Ele não era humorista, mas um pensador brilhante,
ilimitado nos temas e incessante no seu exercício
MILLÔR,
ALÉM de tudo o que criou, e criou de tudo, criou
também um engano involuntário. A propósito dele
mesmo, mas não o engano do nome. Milton de verdade,
na certidão e por desejo paternal, Millôr por
sargentada de um militar que cismou ser o t um
segundo l e o traço do t um circunflexo no o: "É
Millôr!". Miltinho até os 17 ou 18, Millôr para
sempre.
O outro
engano recaiu sobre nós. Acompanhou Millôr desde a
primeira página do "Pif-Paf" no longínquo "O
Cruzeiro" e agora se mostra com toda intensidade,
nos jornais, nas TVs, nas conversas sobre "o
humorista Millôr". Mas desengane-se: Millôr não era
humorista.
Millôr
foi um pensador. Brilhante e fertilíssimo pensador.
Ilimitado nos temas e incessante no seu exercício de
pensador.
O humor
foi uma linguagem para o pensador. Uma das
linguagens. Como a palavra, escrita ou vocalizada.
Como o traço e as cores no desenho e na pintura, de
uma riqueza de sentidos só comparável à preciosidade
da criação estética. Como a elaboração cênica e
verbal do autor de teatro. O humor foi a mais
presente e perceptível linguagem de Millôr, mas
linguagem do pensador.
Cada
sentença e cada texto, cada pintura e cada peça,
cada conversa de Millôr conteve, sempre, um
significado ético, ou humanístico, ou crítico, e
mais, mais -sempre o significado adicional, além do
visível e do audível. E, no final, ali estava a
razão de ser do escrito, do desenhado, do dito. E
nada construído: nascido, simplesmente.
Pensador
de hábitos inesperados. Quando Paulo Mendes Campos,
Marco Aurélio Mattos e eu, o caçula aceito,
chegávamos de manhã à praia, já Millôr havia feito
ginástica em uma academia precursora e repetido
corridas na areia. Encontros por anos e anos, cujas
conversas não terminaram ainda: percorrem com
frequência minha cabeça, em pedaços que esperavam
continuação ou que são inesquecíveis. Eram três
intelectuais gigantescos, a me injetar, sem querer,
perplexidades e curiosidades, um dia porque alguém
decidira ler Humboldt, no outro porque alguém
descobrira uma sutileza ainda impercebida em certa
passagem de Shakespeare, ou um pintor, um livro,
muitos livros -tudo terminava em livros.
O
último de nossos almoços regulares, que desde as
dificuldades físicas de Millôr estavam transferidos
para o seu estúdio, foi também o último seu com
amigos. Naquele dia, ainda Luis Gravatá e Cora
Rónai. Foi suave, mais longo do que o habitual por
insistência do Millôr. No dia seguinte, de repente,
Millôr iniciou longo período de vida quase toda em
ausências.
Quando
dirigiu a Casa Laura Alvim, Eliana Caruso fez uma
edição fac similar da revista "Pif-Paf", que Millôr
lançou depois de deixar "O Cruzeiro". Tiveram comigo
a gentileza de me entregar o texto de apresentação.
Terminei-o com uma frase mais ou menos assim: "Tive
a sorte de conhecer um gênio".
Mais do
que conhecer, a sorte me permitiu o convívio. Foi
uma amizade de quase 60 anos, sem baixios, com
intimidade bastante para as confidências nas
aflições e em coisas pessoais, para solidariedade e
confiança.
Minha
gratidão, meu amigo Millôr.
(da FSP -
Extraído de Conteúdo Livre - CL)
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