Aaustraliana Katrina Johnson flagrou o momento em que uma cobra escalou a parede de sua casa no estado de Queensland, na Austrlia, enquanto perseguia uma r. A cobra acabou caindo algumas vezes e, no final, desistiu de tentar capturar a presa.
Em Outubro de 2020, durante os trabalhos de extenso do Jardim do Labirinto para a Ponta da Pedra, cruzmo-nos com uma Cobra de Ferradura, uma das mais comuns cobras que aparecem na Quinta. J dela falmos em Abril de 2018 quando um exemplar adulto estava a apanhar banhos de sol sobre um dos bancos do Jardim (ver aqui neste Link).
Ficmos estupefactos com a facilidade com que trepou primeira tentativa, sem esforo e sem nunca escorregar, a verticalidade desta parede. claro que havia alguns restos de tinta branca seca na superfcie, mas para a nossa vista, as rugosidades visveis eram mnimas.
Desta vez o nmero de circo foi ainda mais espectacular pois subiu at meio e depois, apenas com metade do corpo agarrada parede, afastou a cabea e a parte anterior do corpo da superfcie, sem nunca cair, como se tivesse ventosas que a fixassem. Um verdadeiro desafio s leis da Fsica.
Dizer pelo silncio. essa, talvez, a inteno primeira das obras que defrontamos ao longo do espao expositivo. De imediato, so duas presenas essenciais que chamam a nossa ateno: uma que est ao rs do cho e conforma retngulo e outra que est na vertical e conforma um crculo. Na parede, vemos um alvo, composto por uma espessa camada de pedra, definida por circos concntricos de formas e cores dos sedimentos ali encontrados. Denominada ironicamente de Voc foi feito pra mim, a obra enseja um lugar de captura e seduo do olhar, uma forma anloga ao prprio globo ocular. E, defronte dela, uma paisagem da terra de serpentes, um grande tapete de pedra, intitulado Passagens. Trata-se um possvel territrio de transformao que atrai e repele pela figurao das cobras. Alis, a cobra bicho presente nas mais variadas culturas ancestrais. Ambas em dilogo, so obras que pem em duelo nossas percepes: a apaziguadora ideia de beleza e a perturbadora ideia de sublime. Ao mesmo tempo, so simultaneamente peas escultricas que contm muita informao e nos convidam ao mergulho interior de seus veios, feitas de sedimentos dos tempos da matria.
Guardando as devidas propores e razes histricas, foi no ambiente do Parque La Vilette, em um dos braos da curadoria do historiador francs Jean-Hubert Martin, que as duas obras foram dispostas em uma mesma forma de composio: na parede, o Red Earth Circle, do artista ingls Richard Long, um dos percursores da land art, e, no piso, um grande cho pictrico com desenhos tradicionais dos Yuendumu, parte da comunidade aborgine australiana. Esse confronto entre tempos civilizacionais, criava um dilogo formal das entranhas sinuosas da terra ali dispostas no retngulo e a pureza concntrica do grande alvo na parede. H, em ambos os casos, uma vontade de extrao do que interior para que se alcance a superfcie da viso.
Ter conscincia de sua insignificncia. algo que pouco se tem introjetado ao longo da vida. Se o labirinto anterior desorienta, no mar ou no deserto que nossa solido aflora e as razes de nossa presena perdem significado. Se falamos a partir do Brasil, no h como no evocar a imensido ntima do Serto. Em sua maioria, so das pedreiras do Cear ou do Piau, das montanhas das Minas Gerais e das paisagens interioranas do Esprito Santo que extramos a pedra que sustenta, orna e decora. Uma viagem ao interior literalmente ir ao encontro da paisagem amplificada, que em seu revs tem o horizonte infinito do mar. Na obra De acordo, as cadeiras em pedra do artista nos colocam no impasse: o caminho de dentro para fora ou de fora para dentro?
Viver pela memria. Tenho para mim que essa seja a melhor lio apreendida a partir da obra de Nazareno hoje: a onipresena da memria. a partir dela que o tempo assume seu lugar soberano. Assim como a pedra, a memria onde melhor retemos o tempo. Toda lembrana em vida, todo sonho sonhado, toda construo racional e sensitiva, nasce do jogo permanente da memria. No falo aqui no simples recordar dos fatos e informaes. Chamo a ateno para o que, diariamente, guardamos; seja pelos nossos sentidos fsicos, retricos ou espirituais. O artista, nos faz, ao fim e cabo, olhar com ateno para o cho. E, ali, naquele outro cho de pedra (que tambm poderia ser parede) nos convida a jogar seu Jogo da memria. Voltamos ento s palavras, silenciadas no comeo e agora gravadas em sulcos na pedra: s que diante desse mar de signos e sons gravados a responsabilidade pela composio nica e exclusivamente sua.
Ao contrrio do que parecia ser a tnica da produo de Nazareno, a palavra em composio potico-afirmativa parece no ter vez por agora. uma responsabilidade cognitiva dada, portanto, ao espectador ativo. Assim como nos ensinou Marcel Duchamp no alvorecer do sculo XX e Piero Manzoni em meados desse mesmo sculo, a arte no est aqui para ensinar. Ou melhor, no acontece como educao formal, mas sim como inutilidade imprescindvel que nos coloca em desvio, no lugar do desconforto comum ao dissenso ou ao enfrentamento.
De acordo com os militares, difcil entender como a cobra foi parar no ar-condicionado, porque ela no sobe em paredes nem deve ter entrado na tubulao. A explicao mais plausvel que a cobra tenha entrado pela canalizao do ar.
A partir da investigao de relaes interpessoais e reflexes internas, o artista plstico Nazareno apresenta sua individual "Faz tempo que aquele buraco no sobe na parede", a ser inaugurada dia 20 de maio. Com texto crtico de Diego Matos, a mostra apresenta grandes obras de mrmore, macias e corpulentas, mas visualmente lapidadas e brandas, contrastadas as suas prprias abstraes.
Na sala principal da galeria, o visitante se depara com uma lmina de mrmore com serpentes, sobre a qual permitido caminhar por entre elas descalo. Considera-se um risco seguir tal caminho de forma vulnervel quando rodeado pelo perigo iminente das cobras? Ou sente-se o alvio de saber que o que o cerca so cascas, o envoltrio do que um dia foi perigo, parede de um ser que hoje outro, ainda que seja o mesmo.
Um grande alvo, imponente, intocvel, carnoso e quase vivo, pronto para receber de peito aberto, as flechas impiedosas da vida, tambm um receptor de desejos, ambies e instrumento de passagem a uma outra situao. No corredor da galeria, duas cadeiras contemplam a imensido, juntas, e ao mesmo tempo sozinhas. Travesseiros de mrmore, lembrando o visitante do inalcanvel mundo do sono, divinal, premonitrio, familiar e ainda assim to distante, preso em sua forma rgida e privilegiada de ser o nico lugar no qual se pode sonhar. Ser?
Nazareno instiga a subjetividade das palavras que permeiam seu trabalho, estimula o espectador a buscar o que o buraco, de onde saem os mrmores, as ideias e quais paredes sobem ao nosso redor, prontas para exibi-los. Tudo aquilo que sobe na parede, hoje buraco.
Em suas obras, aborda aspectos relativos memria, infncia, contos de fadas, narrativas, bem como a fragilidade do sujeito contemporneo frente impossibilidade de transcendncia. Realizadas em variadas mdias como desenho, esculturas, instalaes, vdeos, gravuras, livros de artista, entre outras, so trabalhos que potencializam a ateno do espectador pelo carter de sua miniaturizao evidenciando outras realidades e eventualmente conduzindo o adulto/espectador a um estranhamento em seu rebaixamento a uma condio infantil.
A Galeria Lume foi fundada em 2011 com a proposta de fomentar o desenvolvimento de processos criativos contemporneos ao lado de seus artistas e curadores convidados. Dirigida por Paulo Kassab Jr. e Victoria Zuffo, a Lume se dedica a romper fronteiras entre diferentes disciplinas e linguagens, atravs de um modelo nico e audacioso que refora o papel de So Paulo como um hub cultural e cidade em franca efervescncia criativa.
A galeria representa um seleto grupo de artistas estabelecidos e emergentes, dedicada introduo da arte em todas as suas mdias, voltados para a audincia nacional e internacional, atravs de um programa de exposies plural e associado a ideias que inspiram e impulsionam a discusso do esprito de poca. Foca-se tambm no dilogo entre a produo de seus artistas e instituies, museus e colees de relevncia.
A presena ativa e orgnica da galeria no circuito resulta na difuso de suas propostas entre as mais importantes feiras de arte da atualidade, alm de integrar e acompanhar tambm feiras alternativas. A galeria aposta na produo de publicaes de seus artistas e realizao de material para pesquisa e registro. Da mesma forma, a Lume se disponibiliza como espao de reflexo e discusso. Recebe palestras, performances, seminrios e apresentaes artsticas de natureza diversa.
Ainda que o novo rob no se parea em nada com o lagarto acima, a Disney criou essa semana o Vertigo, um rob que pode se mover graciosamente ao longo das paredes como um lagarto, mesmo em superfcies irregulares. O pequeno rob foi desenvolvido pela Disney Research Zrich em colaborao com um projeto de um estudante na Zrich de cincia e tecnologia. Ele controlado atravs de controle remoto e alimentado por duas hlices que fornecem um impulso para a parede.
Como o Dr. Paul Beardsley da Disney Research explicou, o Vertigo possui duas hlices em um ngulo horizontal para empurrar o rob contra a parede e fornecer movimento ascendente que contraria gravidade, semelhante a um drone Quadrotor com quatro hlices que o empurram para cima. Confira este engenhoso constructo no vdeo abaixo:
O rob de 22 polegadas composto por uma placa de base de fibra de carbono central, varetas de carbono que ligam as partes impressas em 3d, servomotores controlam os propulsores individualmente. No vdeo acima, o rob sobe do cho para a parede, mas os pesquisadores disseram que ele poderia, teoricamente, subir no teto tambm.
Beardsley, que ajuda a desenvolver essas novas tecnologias inovadoras para a Disney, disse que a forma como o rob ser utilizada uma escolha da empresa como um todo, e que ele ainda no tem certeza sob qual direo o Vertigo deve seguir no futuro.
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