Revista Nova Escola 41 Grandes Pensadores Pdf Download

0 views
Skip to first unread message
Message has been deleted

Phillipp Schneeberger

unread,
Jul 13, 2024, 4:58:29 PM7/13/24
to sanscrowecli

Carlota Boto professora titular da Faculdade de Educao da Universidade de So Paulo (USP), e desde julho deste ano exerce o cargo de diretora. graduada em pedagogia e histria, mestre em histria e filosofia da educao e doutora em histria social. Nesta entrevista, ela aponta os principais autores brasileiros e estrangeiros que na atualidade esto presentes na formao dos docentes. Como historiadora da educao, contextualiza o momento atual e a chegada da tecnologia digital sala de aula, apontando a urgncia de polticas pblicas para o enfraquecimento do abismo digital no Brasil. Confira.

A educao brasileira avanou no tocante expanso das oportunidades de ensino e avanou tambm na qualidade. Eu sei que parece contrrio perspectiva geral que se tem sobre o assunto, mas ns precisamos tomar cuidado para no termos uma viso anacrnica da realidade. No momento em que a escola era tida como melhor, muita pouca gente ia para essa escola. H uma falsa percepo de que teria havido uma queda nos padres da qualidade de ensino. Porm, nunca tivemos um ensino to abrangente como o que temos hoje. claro que preciso avanar, sim. So inmeros os desafios em direo a uma escola de qualidade. Mas no podemos entrar na lgica desse discurso de terra arrasada. A educao brasileira no um fracasso, embora haja muito a ser feito por ela.

revista nova escola 41 grandes pensadores pdf download


Download https://lpoms.com/2yN2UE



Eu penso que, do ponto de vista do governo federal, a atual poltica sim de terra arrasada. Qual o projeto pedaggico do governo Bolsonaro? Ele fala em alfabetizar por um aplicativo, ele disse isso recentemente em um debate; e tem a poltica de homeschooling. Ou seja, como poltica de escolarizao, ele prope a desescolarizao. uma contradio nos termos. Alm do homeschooling, h as escolas militares. Quando se propem escolas militares desconsidera-se todo o debate sobre as teorias pedaggicas e pensa-se em reinstalar um modelo autoritrio e ultrapassado de educao escolar. Nesse sentido, considero a atual poltica federal um retrocesso.

Precisamos formar professores que conheam a psicologia do desenvolvimento, a filosofia e a histria da educao, mas que saibam tambm preparar a aula do dia seguinte. Nesse sentido, a formao tem de ser integral nessa dinmica de combinao da formao geral com a formao especfica.

Paulo Freire hoje um cone dos estudos da educao no Brasil, portanto, um autor bastante presente nos cursos de formao de professores. Vygotsky talvez seja hoje mais estudado do que o prprio Piaget. H alguns autores brasileiros que so muito trabalhados, como, por exemplo, o Dermeval Saviani. Mas eu diria que h hoje uma primazia dos estudos que tomam a educao como uma varivel poltica. Eu no poderia, entretanto, deixar de mencionar Magda Soares nos estudos sobre alfabetizao, Diana Vidal na histria da educao, Vitor Paro na poltica educacional, Jos Srgio Fonseca de Carvalho e Julio Groppa Aquino na filosofia da educao. Penso que esses so os autores que esto no repertrio do discurso da educao no Brasil, atualmente.

O governo federal, por exemplo, discute o mtodo fnico, mas no menciona em momento algum o papel da Maria Montessori na constituio desse mtodo. Jean-Ovide Decroly outro autor completamente esquecido. Fala-se da democracia na escola, mas nos esquecemos de nos reportar ao pensamento de John Dewey. No tocante Escola Nova no Brasil, acontece a mesma coisa: apenas os especialistas na histria da educao brasileira trabalham autores como Ansio Teixeira, Fernando de Azevedo, Loureno Filho ou Paschoal Leme. Foram esquecidos. A meu ver uma perda.

Em O que uma escola justa? [ed. Cortez], Dubet diz que ela reproduz, em seu interior, as injustias da sociedade. Ele se coloca contra a ideologia do mrito, da meritocracia, e vai dizer que o grande problema da escola que ela acaba por excluir pessoas que tm a responsabilidade de formar. preciso pensar qual seria o tipo de escola que poderamos caracterizar como justa. Uma escola cooperativa, que substitua a competio pela integrao, cooperao. Ele vai apontando vrios modelos do que seria essa escola justa.

Sim, hoje o debate pedaggico recebe muita concorrncia de tericos de outras reas que se prestam a falar sobre o ensino. Assim, muitos autores iro problematizar as novas tecnologias digitais e seus usos em sala de aula. Porm, penso que os mais poderosos discursos externos educao so aqueles provenientes do campo das neurocincias e da economia. So muito fortes os discursos dos economistas e neurocientistas discorrendo sobre educao. So reas correlatas, mas que no dialogam propriamente com o campo da pedagogia, no sentido mais clssico. J os discursos sobre as tecnologias, embora partam de outro lugar, dialogam mais diretamente com as produes no campo da educao.

uma revoluo. A escola moderna surge com a tecnologia do livro impresso. A imprensa, de uma certa maneira, criou a ideia da escola como a concebemos hoje. A escola veio diretamente como uma resposta ao desafio que era a leitura do livro impresso, que expandiu por completo as oportunidades de leitura. Os trabalhos de Roger Chartier mostram, por exemplo, que na Frana houve um movimento de alfabetizao espontnea, e do mesmo modo que hoje se tem medo dos contedos nebulosos que vm pela internet, as pessoas tinham medo do que vinha pelo livro. A escola surgiu para regrar a leitura.

Com o advento dos computadores e sobretudo da internet, pela primeira vez a tecnologia do livro impresso foi efetivamente posta em causa. O lugar do conhecimento se deslocou. Trata-se de uma mudana que no apenas de forma, mas tambm de contedo. Os modos de acessar o conhecimento foram substancialmente deslocados, transformados. A escola ter de aprender a lidar com isso. Hoje, no se trata apenas de discutir se vai usar o computador em sala de aula e qual tcnica ser utilizada. Trata-se de que as novas geraes aprendem de uma nova maneira. Elas esto acessando o saber por outros registros. At que faamos, como educadores, que essas novas geraes se sintam atradas pela tecnologia do livro, precisamos dialogar com as tecnologias digitais.

Sim, porque implica a adequao do currculo e das formas de organizao da aula, tendo em vista essa nova dimenso. Um autor que aborda muito bem essa questo o Antnio Nvoa. Ele fala em como se dar uma certa metamorfose da escola tendo em vista a incorporao dos novos registros que esto postos pelo mundo contemporneo.

A questo da tecnologia vinha vindo, mas foi com a pandemia que vimos como temos dificuldade em lidar com ela. uma questo geracional, os jovens lidam com isso com mais facilidade. As mudanas curriculares so sempre bem-vindas. Precisamos, entretanto, tomar alguma cautela com os modismos. Creio que sim, os currculos precisam mesmo incorporar o debate sobre os usos das novas tecnologias em sala de aula. Mas eu espero que as antigas tecnologias, que historicamente perfizeram a histria da escola, no sejam postas de lado por causa do recurso internet. Deve-se acessar a rede? Sim, mas o contato com o livro persiste sendo fundamental.

Ns vimos a excluso no momento da pandemia. Mesmo na universidade era diferente a questo dos acessos, seja aos tablets e laptops ou utilizao da banda larga por crianas, jovens e, no caso da universidade, por adultos de baixa renda. Os governos precisam investir na concesso de tablets e laptops, bem como facultar a internet banda larga para crianas e jovens de baixa renda. Tem de haver investimento e polticas pblicas nessa direo. Precisa haver ainda esforos encetados em direo formao de professores. Eu tendo a achar que esse ser um problema provisrio. Com o tempo, o custo desses aparelhos vai diminuir e talvez daqui a 10 anos os professores e professoras estejam plenamente habilitados a lidar com o circuito digital. Porm, preciso que o estado d condies para que todas as camadas da sociedade possam acessar esses recursos, do contrrio cria-se um abismo digital.

Alguns dos principais expoentes da histria educacional nacional e internacional debruaram-se sobre a questo das tendncias pedaggicas. Autores como Paulo Freire, Luckesi, Libneo, Saviani e Gadotti, entre outros no menos importantes, dedicaram grande parte de suas vidas a estudos que pudessem contribuir para o avano da Educao, desenvolvendo teorias para nortear as prticas pedaggicas, objetivando melhorar a qualidade do ensino que aplicado nas escolas. Essa a funo das tendncias pedaggicas no universo educacional. O que se pretende neste trabalho justamente trazer tona essa questo, erguendo a bandeira das tendncias pedaggicas contemporneas, buscando, assim, contribuir para uma melhor assimilao delas por parte de alguns professores de escolas pblicas.

As tendncias pedaggicas so de extrema relevncia para a Educao, principalmente as mais recentes, pois contribuem para a conduo de um trabalho docente mais consciente, baseado nas demandas atuais da clientela em questo. O conhecimento dessas tendncias e perspectivas de ensino por parte dos professores fundamental para a realizao de uma prtica docente realmente significativa, que tenha algum sentido para o aluno, pois tais tendncias objetivam nortear o trabalho do educador, ajudando-o a responder a questes sobre as quais deve se estruturar todo o processo de ensino, tais como: o que ensinar? Para quem? Como? Para qu? Por qu?

Essas tendncias pedaggicas, formuladas ao longo dos tempos por diversos tericos que se debruaram sobre o tema, foram concebidas com base nas vises desses pensadores em relao ao contexto histrico das sociedades em que estavam inseridos, alm de suas concepes de homem e de mundo, tendo como principal objetivo nortear o trabalho docente, modelando-o a partir das necessidades de ensino observadas no mbito social em que viviam.

Sendo assim, o conhecimento dessas correntes pedaggicas por parte dos professores, principalmente as mais recentes, torna-se de extrema relevncia, visto que possibilitam ao educador um aprofundamento maior sobre os pressupostos e variveis do processo de ensino-aprendizagem, abrindo-lhe um leque de possibilidades de direcionamento do seu trabalho a partir de suas convices pessoais, profissionais, polticas e sociais, contribuindo para a produo de uma prtica docente estruturada, significativa, esclarecedora e, principalmente, interessante para os educandos.

b1e95dc632
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages