Enc: Movimentos sociais ocupam Câmara Municipal do Natal

1 view
Skip to first unread message

Leila Antunes de Paula

unread,
Jun 14, 2011, 4:27:16 AM6/14/11
to




----- Estive hoje pela manhã na Câmara Municipal para dar apoio ao Movimento dos jovens que ocupam aquela casa. Fomos até lá enquanto Comitê Popular Copa 2014. A idéia era evitar um confronto entre os ocupantes e  a força policial que, por força de ordem judicial, iria fazer a desocupação. A ação policial foi descartada após muita negociação.
Amanhã haverá uma Audiência Pública a partir das 10h00 da manhã.
Os jovens pedem a instalação de uma CEI-Comissão Especial de Inquérito dos aluguéis dos imóveis da prefeitura, sob a condução de vereadores da oposição.
O movimento é muito organizado, surpreendente, os estudantes são muito conscientes do que querem e o que estão fazendo ali.
Hoje à noite iremos a uma reunião no Centro Acadêmico de Direito da UFRN para nos inteirarmos da situação, que é complexa  e vai exigir de todos muita negociação.
A seguir transcevo um artigo de um professor sobre o movimento.
Abraço,
Nevinha


 
9 de junho de 2011 às 19:59

Movimentos sociais ocupam a Câmara Municipal de Natal

O povo está nas ruas #ForaMicarla
por Daniel Araújo Valença*

O movimento #ForaMicarla #XoInseto acumula as lutas contra os aumentos de passagens, abusivos e realizados na calada da noite, os ataques ao SUS, à educação e outras áreas sociais protagonizados pela prefeita, os debates travados nas redes sociais e a rejeição popular à prefeita do PV, que apresenta índices comparáveis à imbatível Ieda Crusius-PSDB do nosso outro Rio Grande. Após vários atos, finalmente ocupou-se a Câmara Municipal com a reivindicação do impeachment da mandatária. A ocupação estava sendo transmitida pelo twitter, www.foramicarla.com, mas o sinal perdeu-se… ou foi cortado? Do outro lado, a grande mídia majoritariamente tem abordado o movimento de maneira negativa.
Para além dos rumos que o movimento tomará, já é possível indicar alguns elementos essenciais desse processo:
1. Ao contrário das mobilizações populares espanholas recentes, em nosso processo há um diálogo entre as “novas formas de militância” (nas redes sociais) e as históricas em movimentos sociais e partidos de esquerda – diálogo tenso, às vezes beirando o rompimento, inclusive ainda não dado, porém, que manteve a unidade de ação até o momento.
2. Mais uma vez, comprova-se que a mídia comercial não nos contempla e não exerce sua função democrática – Micarla de Sousa, por exemplo, detém a filial do SBT no RN, herdada de seu pai, ex-senador. E, de outro lado, é latente que precisamos organizar nacionalmente uma rede de comunicações alternativas – e a esquerda tem que buscar ao máximo a unificação para tanto – em que cada militante, cada movimento social possa acessar e difundir rapidamente os acontecimentos, por mais que o twitter já cumpra em parte esse papel.
3. A gestão da Prefeitura do Natal não mudará se Micarla for derrubada – ela apenas representa uma aliança empresarial que tomou para si o Estado, como ficou claro, à época, em editorial do Jornal de Hoje, que afirmava terem os empresários derrotado o prefeito Carlos Eduardo. Advindos dos setores empresariais da saúde, dos transportes, da construção civil e da educação, é este arco que explica o porquê da Prefeita terceirizar/privatizar o SUS; aumentar as passagens em finais de expedientes, vésperas de feriados e sem debate púbico sobre a planilha de gastos das empresas; ter tentando alterar o Plano Diretor por decreto, dentre outras medidas. Não foi sua incompetência, apenas, mas tudo isso é o resultado das forças que a financiaram e ela as representa. Em uma democracia fundada na representatividade, são esses setores que devem ser derrotados em 2012 para que ocorram mudanças reais na cidade.
4. Os últimos acontecimentos na Europa e no Brasil – veja-se o caso da aprovação do Código Florestal – revelam que a democracia representativa está falida. Tanto o movimento #ForaMicarla como os demais de todo o país têm que se unificar para uma alteração não apenas das regras eleitorais – e aí é um grande passo o financiamento público de campanha, que não apenas diminuirá o lobby e a corrupção de empresas financiadoras de campanhas multimilionárias, como proporcionará que, para além de empresários, latifundiários e oligárquicos, estudantes, sindicalistas, ativistas e outras lideranças tão legítimas, quanto as primeiras, também tenham boas chances eleitorais, e fidelidade partidária/voto em lista – como também uma refundação da democracia baseada na participação popular direta – ou seja, que o povo realmente decida seus caminhos.
Fica a pergunta, porque não adotarmos o mandato revogatório, como a Bolívia o fez? Se a prefeita goza de mais de 70% de reprovação, porque o povo que lá a colocou não a pode tirar? Por que não regulamentar o referendo e o plebiscito, para que antes de privatizacoes e outras decisoes de afronta ao interesse nacional tenhamos o pronunciamento da vontade popular?
Que o povo decida.

                  *Daniel Araújo Valença é professor de Ciência Política do curso de Direito da Universidade Federal Rural do Semi-Árido.







--
Nevinha
3219 4078
8723 4079


Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages