Desde que Universae Ecclesiae foi publicada,
o tema do “mútuo enriquecimento” do antigo e do novo, as formas extraordinária
e ordinário do Rito Romano, tem ressurgido.
Nas duas últimas décadas,
eu tenho falado que – na cabeça do Papa Ratzinger – há um processo mais
orgânico e demorado de crescimento, renovação e revisão à ser incentivado, do
qual eventualmente emergiria um tertium quid, uma forma do Rito Romano que
refletiria as reforma pedidas pelo Concílio Varticano II e o Rito Romano tal
qual recebido da experiência de oração da Igreja ao longo dos séculos. O que
não ocorreu com o Novus Ordo, por ele ter sido um produto artificial fabricado
sobre uma mesa. Mas as duas formas, velha e nova, usadas lado à lado, criariam
uma atração gravitacional entre elas.
Eu acho que muitos anos atrás, o
Papa Ratzinger assumiu que o novo, forma ordinária, teria uma prioridade
lógica e que alguma influência da forma antiga viria produzir o tertium quid.
Agora, no entanto, eu não estou tão seguro. Eu sinto uma mudança de direção.
Eu suspeito que o Santo Padre pensa o inverso agora. Mas somente o tempo
dirá.
Haverá seguramente um influência de um sobre o outro, um mútuo
enriquecimento, uma atração gravitacional. E que esta influência crescerá
enormemente conforme a “Solução Biológica” mudar a demografia do clero. Homens
mais jovens, sem a bagagem do “espírito do concílio”, homens mais jovens
interessados na hermenéutica da continuidade desejada pelo Papa Bento para ser
aplicada à todas as coisas conciliares e pós-conciliares, estarão também
interessados na forma Extraordinária. E se eles não estiverem ansiosos por
usarem-na eles mesmos, eles estarão ao menos abertos à ela. Quanto mais jovens
padres – futuros bispos – iniciem à exercitar seu ministério na Igreja em cada
esfera da sua vida, mais as coisas irão mudar.
Mas, voltando à questão
do enriquecimento mútuo.
As formas ordinária e extraordinária são
claramente – conforme a mentalidade do Sumo Pontífice – destinadas à estarem
“uma ao lado da outra” (UE 6). Elas influenciarão uma à outra. Isto é
lógico.
Eu acredito que a forma extraordinária remodelará drasticamente
a Forma Ordinária, especialmente no ars celebrandi, mas talvez também numa
reintrodução de elementos perdidos na reforma. Isto afetará certamente como
padres vêem eles mesmos e como conduzem o seu papel.
Entretanto, eu
também acredito que a forma ordinária influenciará, na verdade tem
influenciado, como os padres dizem a forma
extraordinária.
Primeiramente, houve uma quase total perda da Forma
Extraordinária que fez com que aqueles que a desejavam fossem mais cuidadosos,
atentos e reverentes. Em assuntos humanos, familiaridade pode gerar desprezo
... ou ao menos negligência. Nas palavras de Joni Mitchell: “Não que seja
sempre assim, mas você só percebe o que perdeu quando ele já se foi. Eles
pavimentaram o paraíso e fizeram em eu lugar um estacionamento.” A observância
da Forma Extraordinária beneficiou-se da opressão.
A mudança do foco na
Forma Ordinária do padre no altar, para o padre e a assembléia, tem sido mais
que de grande ajuda também. Eu acho que os padres são hoje em dia mais
concientes em sua ars celebrandi, que há realmente pessoas lá, o que os leva a
serem mais cuidadosos e reverentes e, em suas palavras e ações, projeta-os
além do suporte do altar, não de um modo solipsístico, mas em um genuíno
desejo, como mediator, para comunicar o que Deus deseja dar através das acões
e palavras sagradas dos sacros mistérios.
Irei tratar um outro ponto
vizinho ao assunto no qual entramos aqui neste post.
No que concerne à
ars celebrandi, por anos, no período nergo quando apenas por querer a forma
antiga como um seminarista significava certamente a expulsão dos seminários da
corrente dominante, eu escutei críticas à missa antiga por causa da forma com
que o padre a dizia. Isso era muito estranho, com certeza. Se os padres fazem
coisas estúpidas por eles mesmos, a culpa é deles. De alguma forma elementos
do rito podem convidar à algumas escolas, com certeza. Mas é o padre que diz a
missa, não o libro que diz a missa.
Uma forma comum de denigrir a forma
antiga da Missa era o comentário zombeteiro que padres seriam escrupulosos na
forma que eles, por exemplo, diziam as palavras da consagração ou faziam
alguns gestos. Alguns padres eram terrivelmente escrupulosos. Por causa da
formação e do seu próprio desejo de não cometer pecados, eles levavam a sério
o antigo ensinamento que erros na celebração eram pecados mortais. Quando isto
era acoplado à um carater escrupuloso e também ao Jansenismo que chegou à
alguns seminários, especialmente aqueles com uma base Irlandesa sobre a
influência dos franceses que tinham uma abordagem terrivelmente rígida para
muitas dimensões da vida humana e para o mundo material, o resultado na
liturgia não era sempre ótimo.
Para fazer minhas considerações finais,
talvez os anos de intervenção – que foram, sem dúvida, manchados pelos
horrores da ilícita e frequentemente estúpida experimentação, dos abusos
litúrgicos e do muito mal gosto – serviram para romper o controle de algumas
escolas de abordagem, algumas talvez de rigidez jansenistas, de escrupuloso
rubricismo contra a qual, eu temo, muitas da multidão de discontinuidades
reagiu tão fortemente que elas romperam seus grilhões após o Concílio e
enlouqueceram, nos levando junto com eles à um buraco litúrgico do qual agora
temos que sair pela escada do Summorum Pontificium.
Eu volto agora ao
meu ponto sobre o comentário. Fr. Augustine Thompson, OP, deixou um
interessante comentário. Ele tomou meu ponto de que a Forma Ordinária
enxercerá também uma atração gravitacional sobre a Forma Extraordinária.
Heresia para alguns tradicionalistas ... mas a verdade. Padres são homens de
seu próprio tempo, não apenas de épocas passadas.
Fr. Thompson
observa:
Tendo sido ordenado à cerca de 25 anos, e tendo celebrado
missa todo dia sem impedimento (ex. Sexta Feira Santa) mais ainda, eu celebrei
o antigo rito (Dominicano) pelo menos 1000 vezes e o rito novo ainda mais
vezes. E existem coisas que celebrantes, especialmente novos celebrantes do
antigo rito, podem aprender do novo.
Em particular, eu percebi que os
novos celebrantes do Rito Dominicano tentam correlacionar rigidamente os
gestos (por exemplo no Per Ipsum) com as palavras por causa das rúbricas
inseridas “faça cruz,” “pegue a hóstia”, etc ... no meio da sentença. O
sentido de liberdade que vem do novo rito (onde os gestos feitos são
geralmente aqueles que vêm naturalmente ao padre), dá uma sensação de
propriedade pessoal do movimento. Quando eu instigo novos celebrantes à
simplesmente conhecerem os gestos à fazer e fazê-los naturalmente conforme
eles lêem o livro, eles percebem que a ação por completo é mais graciosa (e o
gesto termina no momento certo). Agora, eu aprendi a fluidez do movimento
através de uma constante prática – e finalmente consegui isso apenas quando eu
parei com a escrupulosa tentativa de seguir rigidamente as rúbricas – e então
eu realizei que se eu permitisse à mim mesmo o sentido de liberdade no rito
novo desde o começo, isto teria vindo mais rápido.
Na verdade, o
objetivo é celebrar com fluidez e elegância, e fazê-lo conforme as rubricas
indicam. Mas um sentimento “novus ordo” de liberdade tem ajudado o novo
celebrante do rito antigo à fazê-lo mais naturamente.
Eu estou certo de
que há outros exemplos de vezes quando minha celebração do rito novo ajudou-me
com o antigo. (E vice-versa)
Discutir de uma forma cuidadosa, tendo
relido primeiro o que você pode querer compartilhar, e então perguntando a
você mesmo: “Isto contribui para algo de
útil?”