Discordo.
Em primeiro lugar, o intuito do sistema não é burlar a lei e pagar menos ou gerar caos no sistema bançario. É permitir que se pague boletos atrasados aplicando as multas adequadas, sem precisar se dirigir a um caixa. Tanto que o sistema não inclui um campo "insira o quanto quer pagar aqui", ele gera o boleto de acordo com o valor prévio e acrescido das multas informadas pelo usuário.
Alterar o número do boleto pode ser feito de forma bastante simples sem uso de nenhum tipo de sistema ( basta saber o que quer dizer a última seção do boleto ), e o "validador" é um campo de 0-9, então no máximo vc erra 10 vezes. Além disso, vários sites de bancos já oferecem serviços de re-cálculo de boleto, como por exemplo o próprio itáu:
http://ww2.itau.com.br/bloqueto/bloquetovencido.html. O problema, é que alguns bancos ( como o da Caixa Econômica Federal ) são escrotos e obrigam as pessoas a irem até um caixa com o medo de que "elas paguem a quantia errada".
Também não achei aceitável o argumento dado pela associação brasileira de bancos ( que pode ser lido aqui:
http://tecnocracia.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Notificacao_ABBC_reBoleto.pdf ) a respeito do motivo. Na carta, eles se mostram muito mais preocupados com fraudes no valor do pagamento do que de não ocorrer o reconhecimento do pagamento. Tanto que em momento nenhum está escrito que esta alteração pode causar problemas para identificar corretamente o pagamento, mas em diversos momentos está escrito que pode ser utilizado para causar fraudes. Inclusive tem uma frase engraçada: "A ferramenta disponibilizada no Sítio é
indispensável para que eventual fraude se perpetue"... Antes de fazer o sistema, eu já tinha pago meu boleto atrasado pela internet, e levei cerca de 3 minutos pra entender como funcionava o código de barras, e fazer 4 tentativas do digito verificador até conseguir fazer o pagamento... Então não é tão indispensável assim...
Alguns outros problemas que eu vejo nos argumentos apresentados:
- Se algo pode ser usado de forma errada então não deveria existir? ( energia nuclear, internet, pólvora, e por aí vai? ). Não existe inovação que não possa ser usada para causar mal. ( Vide o caso da vida digital sendo deletada, porque os serviços estavam muito integrados )
- Se existem fraudes, então deveria ser perseguido as pessoas que executam as fraudes, e não a plataforma ( que pode pode ser utilizada de forma legal ). É o mesmo que uma vadia famosa que faz sexo na praia e pede pra retirar o youtube do ar...
- Os vendedores e sistemas de e-commerce devem validar o valor pago por boletos, e não apenas checar que foi pago um valor qualquer. Isso porque até fazendo o pagamento pelo sistema online do itaú vc consegue fraudar o valor a ser pago...
- Quando os sistemas fazem a checagem, eles deveriam utilizar o campo "nosso número" que é o que qualquer guia de integração de bancos recomenda. Se o desenvolvedor utiliza o número do boleto inteiro ele desenvolveu o sistema com um bug, pois alguns caixas também alteram o número do valor e vencimento do boleto na hora de efetuar o pagamento. Além dos problemas que ele terá se precisar re-emitir o boleto com outra data... Isso inclusive aparece escrito na própria carta, onde eles informam de que a diferença entre utilizar o reboleto ou pagar em um caixa é que no caixa o banco se responsabiliza pelo cálculo da multa ( e não menciona nada sobre alterar o código ).
O criador original do site reboleto também nunca entrou na ação legal para ver o que a justiça acha a respeito do assunto. Ele removeu o site do ar porque ficou com medo de sofrer uma ação da associação brasileira de bancos ( e eu também ficaria, afinal bancos quase não tem poder no Brasil não é? ). O que significa que a justiça não tem uma decisão a respeito do assunto, talvez esteja dentro da lei e talvez não. Mas a associação brasileira de bancos não é um órgão legal, então eu não preciso pedir permissão ou entrar em acordo para desenvolver algo que acho útil. Se tivesse uma lei a respeito disso ai a estória seria outra. A única certeza aqui é que o assunto é polêmico...
Eu sinceramente não tenho nenhuma esperança de que seja possível fazer um acordo com uma instituição tão retrógrada quanto a associação brasileira de bancos, e eu tiro essa opinião do que pude ler na carta enviada ao reboleto original. Se alguém quiser fazer isso por mim sinta-se a vontade, mas não vou me dar ao trabalho de tentar barganhar com eles. Nesse sentido eu sou rebelde, e acredito que com causa: se vejo algo no mundo que posso melhorar agora, prefiro fazer e pedir perdão, do que pedir permissão e não fazer.
Em relação aos torrents acredito ser uma questão de opinião pessoal, então não vou fazer flamewar a respeito do tema, cada um tem direito a sua opinião.