IPATINGA – O Sindicato dos Servidores
Públicos de Ipatinga (Sintserpi) discorda categoricamente da contratação
de organizações sociais para a gestão de setores da saúde em Ipatinga.
A informação partiu da presidente do ente sindical, Helenir de Lima, na
tarde de ontem (16), durante entrevista à reportagem. Além de explanar
sobre os motivos da discordância, ela afirmou que a medida enfraquece a
força dos trabalhadores do serviço público.
“Como vamos fiscalizar as condições de trabalho de um funcionário
terceirizado? As compras e contratos nas organizações sociais não têm o
mesmo rigor que a legislação exige da gestão municipal. A quem interessa
esse tipo de contrato?”, questionou.
A maior preocupação dos dirigentes do Sintserpi é que a estratégia sirva
para que o governo use as organizações como ‘cabides de emprego’, ou
seja, contratação de pessoas com fins de favorecimento.
“Tememos o contrato que não seja via concurso público. As entidades
podem criar normas próprias para contratar, mesmo que estejam usando
dinheiro público. Os exemplos que temos na região é que houve queda na qualidade do serviço”, declarou.
Regido pela lei municipal n° 2.340, o Programa Municipal de Publicização
em Ipatinga prevê que a Prefeitura ceda servidores públicos para
prestarem serviços nessas organizações sociais que mantiverem contrato
com o ente municipal.
“Isso muito nos preocupa, pois servidor público cedido é trabalhador de
empresa privada. Não poderemos acompanhar as demandas e nem os serviços
que eles fazem fora das repartições públicas”, alegou a presidente.
CONTRA VALORIZAÇÃO
Helenir também ressaltou que a medida vai ser um retrocesso na área da
saúde, caso se concretize. E também um passo contrário, uma vez que o
governo Robson Gomes possui em andamento um concurso público para o
setor.
“Vamos fazer o possível e até mesmo o impossível para não deixar que
haja a terceirização em Ipatinga. Marcamos uma reunião com o secretário
de Administração, pois queremos explicações. Os trabalhadores têm lei
específica que estabelece seus direitos e deveres. Enquanto contratados,
isso tudo acaba”, finalizou.