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À TODA POPULAÇÃO BRASILEIRA
E em especial às pessoas que votamos para nos representarem e legislarem por nós,
Nós, psicologas/os, enfermeiras/os, assistentes sociais e médicas/os que há 14 anos compomos a equipe do Serviço de Atenção às mulheres vítimas de violência do Hospital Agamenon Magalhães,
Vimos a público, NESTE 25 DE NOVEMBRO DE 2015, alertar a todas/os sobre a necessidade de cautela neste momento de crise em nosso País.
Não é hora de fazer mudanças em nossa legislação e especialmente com respeito aos direitos conquistados.
Não é hora de rasgarmos nenhuma parte da constituição que este país corajosamente escreveu após anos de ditadura e que marcou nossa entrada no mundo moderno e democrático junto aos países mais desenvolvidos do nosso planeta.
Não é hora de questionar os tratados e acordos internacionais assinados e reconhecidos por nosso país no campo dos direitos humanos !
Se ainda não podemos avançar, tampouco podemos voltar atrás!
A hora é de cautela!
Não podemos permitir que ninguém se aproveite deste momento para passar suas pautas próprias em detrimento das necessidades dos milhões de pessoas que dependem das políticas públicas para sobreviver!
Somos testemunhas do imenso sofrimento e da absoluta necessidade de atendimento especializado e acolhedor, no sentido mais completo do termo, para as mulheres vítimas de violência.
Sabemos como é difícil para as mulheres aceitarem e pedirem ajuda, quanto mais não seria serem obrigadas a exibir provas, ser interrogadas...?!
Conhecemos com profundidade a importância de uma escuta e cuidados competentes que lhes devolva a integridade e dignidade feridas e o direito de decidir sobre seus corpos e seus futuros.
Não podemos retroceder no tempo ou nos igualar aos países fundamentalistas em que as mulheres podem ser violentadas e ainda ser obrigadas a carregar e gestar dentro de si o resultado de uma agressão assim tão abominável, a não ser que estejamos também assinando pela volta à tortura.
É preciso bom-senso, conhecimento e sabedoria para que se possa legislar e também, acima de tudo, é preciso atender aos interesses das pessoas sobre quem se está legislando!
Retroceder no seu pequeno direito e único poder que resta após ser violentada, que é o de tentar impedir que haja consequências permanentes, como doenças ou uma gestação rejeitada certamente não é o que as mulheres querem!
E isto é o que importa: o que as mulheres querem !!
Por isto, neste 25 de Novembro de 2015, vamos defender junto com todas as pessoas de bom-senso deste país, o direito à realização do aborto permitido por lei , para todas as mulheres que dele necessitarem !!
Juntas/os, na luta pelo fim de todas as formas de violência contra as mulheres !!
Assinam este manifesto :
Aldenice Sales Ferreira Sousa – Ginecologista e Obstetra
Andréa Cristina Domingos da Silva -Psicóloga
Arlon Silveira – Ginecologista e Obstetra
Amilton Câmara Gusmão– Ginecologista
Berta Fernanda de Souza Guedes Santana– Psicóloga
Carlos Noronha – Ginecologista e Obstetra
Clovis Tadeu da Silveira Barros - Enfermeiro
Creusa Baltar – Enfermeira
Denise do Rego– Assistente Social
Eduarda Pontual Santos– Psicóloga
Flávio Romero Pedrosa de Almeida Junior - Psicólogo
Iêsa Vila Nova – Assistente Social
Josué Henrique Noroes Viana - Mastologista
Nadja Cristina da Silva Amorim – Psicóloga
Patrícia Tenório Cavalcanti – Enfermeira
Raquel Gandelsman – Psicóloga
Rosa Emília Cerquinho Bezerra – Enfermeira
Sueli Ramos de Oliveira - Enfermeira
Simone Francisca de Albuquerque - Enfermeira
SAM-WL
HOSPITAL AGAMENON MAGALHÃES
RECIFE
PERNAMBUCO
BRASIL
25/11/2015
"Aquilo que na vida tem sentido, mesmo sendo qualquer coisa de mínimo, prima sobre algo de grande, porém isento de sentido."