Fwd: Eduardo Galeano e o meio ambiente

0 views
Skip to first unread message

Laudemir Luiz Zart

unread,
Mar 1, 2010, 8:03:33 PM3/1/10
to REMSOL, Abdala Untar, Adunemat, Ailon do Vale Simão, Alonso Batista Santos, Andréia Christyane de Souza Benevides, Angelina de Oliveira Costa, Antonia Carnielo, Antonio Carneiro, Antônio Eustáquio de Moura, Antônio Armando Ulian do Lago Albuquerque, Antônio Cândido da Silva, Aparecido de Assis, Carol Mendes de Andrade, Caroline Emily de lima Van Zwieten, Cláudia R. S. de Pinho, Cleiton da Silva Leite, Clóvis Vailant, DCE, Debora da Cruz Lima, Devair Braga Caldeira, Dilma Lourenço da Costa, Dimas Neves, Domingos Piementa Barguen, Edson Penha Mendes, Eliane Pedrosa de França, Elias Fredrico Alves, Eliel Regis de Lima, Eliséia incubadora, Elizeth Gonzaga, Fátima Aparecida Moura, Gigliane Gomes Leite, Heloisa Salles Gentil, Ilma Ferreira Machado, Iraci Aguiar Medeiros, Irton Milanesi, Isidoro Salomão, Jair de Oliveira Chaves, James Frank Mendes Cabral, Jaqueline da Silva Costa, Jaques Douglas França de Lira, Jesus Vieira, João Severino, João Ivo Puhl, Johannes Kornelis vZwieten, Joilson Ventura, José Carlos Lima, José Finardi, José Humberto Pinto, José Ferreira da Costa, Josivaldo Constantino dos Santos, Júlio César Martins Viana, Laudemir Luiz Zart, Leila Delmadi, Leonice Pilar, Lira das Graças de Andrade, Loriége Pessoa Bitencourt, Lúcia de Lourdes Gonçalves, Marcilio Norberto da Silva, Marcos Chaves, Maria Ivonete Souza, Marilda Oliveira Costa, Marina Vicente, Mário Quidá, Maurício Ferreira Mendes, Miguel Rodrigues Neto, Miguel Tadayuki Koga, MST - MT, Narci dos Santos Souza, Nilo, Nilza, Orivaldo Luiz Luiz Custódio, Patrick de Oliveira Costa, Paulo Alberto dos Santos Vieira, Pedagogia, Rafaela Ferreira Santos, Rebeca Sena, Reginaldo Rossin, Rinalda Bezerra Carlos, Roberto Florentino da Silva, Robson Gomes de Melo, Rogério de Oliveira Costa, Rosalva Pereira Alencar, Roselma, Santino Seabra, Sérgio Tezimi Molina, Silvano Carmo de Souza, Silvia Fernandes, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cáceres, Solange Ikeda Castrillon, Taciane Neves Faustino Ferreira, Tania Goréli Barbosa da Costa, Tânia Paula da Silva, Valdiney da Silva Viana, Vanda A. dos Santos, Vanessa Cristina de Almeida Teodoro, Vanessa Souza Ribeiro, Verônica Moreno, Wilton Bento Pimenta, Jair de Oliveira Chaves

Vale a pena reproduzir esta reflexão, constestação.


Laudemir


--- Em seg, 1/3/10, solange ikeda <ike...@gmail.com> escreveu:

De: solange ikeda <ike...@gmail.com>
Assunto: Fwd: Eduardo Galeano e o meio ambiente
Para: "Fabio Nolasco" <fabi...@gmail.com>, "andreaunemat" <andrea...@hotmail.com>, "Laudemir Luiz UNEMAT" <laudemi...@yahoo.com.br>
Data: Segunda-feira, 1 de Março de 2010, 21:39






Somos todos culpáveis pela ruína do planeta  - Eduardo Galeano   

 

A saúde do mundo está um asco. 'Somos todos responsáveis', clamam a vozes de alarme universal, e esta generalização absolve: se todos nós somos responsáveis, ninguém o é. Tais como coelhos, reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a taxa de natalidade mais alta do mundo: os peritos geram peritos e mais peritos, que se ocupam em envolver o tema no papel celofane da ambigüidade.

Eles fabricam a brumosa linguagem das exortações ao 'sacrifício de todos' nas declarações dos governos e nos solenes acordos internacionais que ninguém cumpre. Estas cataratas de palavras – inundação que ameaçam converter-se numa catástrofe ecológica comparável ao buraco na camada de ozônio – não se desencadeiam gratuitamente. A linguagem oficial afoga a realidade para conceder impunidade à sociedade de consumo, a qual é imposta como modelo em nome do desenvolvimento e das grandes empresas que lhes extraem o sumo.

Mas as estatísticas confessam. Os dados ocultos debaixo do palavrório revelam que 20 por cento da humanidade comete 80 por cento das agressões contra a natureza, crime a que os assassinos chamam suicídio e é a humanidade inteira quem paga as conseqüências da degradação da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da água, do enlouquecimento do clima e da dilapidação dos recursos naturais não renováveis.

A senhora Harlem Bruntland, que dirige o governo da Noruega, comprovou recentemente que se os 7 bilhões de habitantes do planeta consumissem o mesmo que os países desenvolvidos do Ocidente, "fariam falta 10 planetas como o nosso para satisfazer todas as suas necessidades". Uma experiência impossível. Mas os governantes dos países do Sul que prometem a entrada no Primeiro Mundo, passaporte mágico que tornará ricos e felizes todos nós, não deveriam apenas ser processados por roubo. Não estão apenas nos gozando, não: além disso, esses governantes estão cometendo o delito de apologia do crime. Porque este sistema de vida que se apresenta como paraíso, fundado na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, é o que nos está enfermando o corpo, envenenando a alma e nos deixando sem mundo.

2. É verde o que se pinta de verde.

Agora os gigantes da indústria química fazem a sua publicidade em cor verde, e o Banco Mundial lava a sua imagem repetindo a palavra ecologia a cada página dos seus relatórios e tingindo de verde os seus empréstimos. "Nas condições dos nossos empréstimos há normais ambientais estritas", esclarece o presidente do supremo banco do mundo.

Somos todos ecologistas, até que alguma medida concreta limite a liberdade de contaminação. Quando o Parlamento do Uruguai aprovou uma tímida lei de defesa do meio ambiente, as empresas que lançam veneno para o ar e apodrecem as águas sacaram subitamente a sua recém comprada máscara verde e gritaram a sua verdade em termos que poderiam ser assim resumidos: "os defensores da natureza são advogados da pobreza, dedicados a sabotar o desenvolvimento econômico e a espantar o investimento estrangeiro".

O Banco Mundial, em contrapartida, é o principal promotor da riqueza, do desenvolvimento e do investimento estrangeiro. Talvez por reunir tantas virtudes, o Banco manejará, junto à ONU, o recém criado Fundo para o Meio Ambiente Mundial. Este imposto sobre a má consciência disporá de pouco dinheiro, 100 vezes menos do que haviam pedido os ecologistas, para financiar projetos que não destruam a natureza.

Intenção inquestionável, conclusão inevitável: se esses projetos requerem um fundo especial, o Banco Mundial está a admitir, de fato, que todos os seus demais projetos fazem um fraco favor ao meio ambiente. O Banco se chama Mundial, assim como o Fundo Monetário se chama Internacional, mas estes irmãos gêmeos vivem, cobram e decidem em Washington. Quem paga, manda, e a numerosa tecnocracia jamais cospe no prato onde come.

Sendo, como é, o principal credor do chamado Terceiro Mundo, o Banco Mundial governa nossos países cativos que a título de serviço da dívida pagam aos seus credores externos 250 mil dólares por minuto, e lhes impõe a sua política econômica em função do dinheiro que concede e promete.

A divinização do mercado, que compra cada vez menos e paga cada vez pior, permite estufar de quinquilharias as grandes cidades do mundo, drogadas pela religião do consumo, enquanto os campos se esgotam, apodrecem as águas que os alimentam e uma crosta seca cobre desertos que antes foram florestas.

3. Entre o capital e o trabalho, a ecologia é neutra.

Pode-se dizer tudo de Al Capone, mas ele era um cavalheiro: o bom Al sempre enviava flores aos velórios das suas vítimas. As empresas gigantes da indústria química, petrolífera e automobilística pagaram boa parte das despesas da Eco 92, a conferência internacional que no Rio de Janeiro se ocupou da agonia do planeta.

E essa conferência, chamada Cimeira da Terra, não condenou as transnacionais que produzem poluição e dela vivem, e nem sequer pronunciou uma palavra contra a ilimitada liberdade de comércio que torna possível a venda de veneno. No grande baile de máscaras do fim do milênio, até a indústria química veste-se de verde.

A angústia ecológica perturba o sono dos maiores laboratórios do mundo, que para ajudar a natureza estão inventando novos cultivos biotecnológicos. Mas estes desvelos científicos não se propõem encontrar plantas mais resistentes às pragas sem ajuda química, procuram sim novas plantas capazes de resistir aos praguicidas e herbicidas que esses mesmos laboratórios produzem. Das 10 maiores empresas de sementes do mundo, seis fabricam pesticidas (Sandoz, Ciba-Geigy, Dekalb, Pfiezer, Upjohn, Shell, ICI). A indústria química não tem tendências masoquistas.

A recuperação do planeta ou o que nos resta dele implica a denúncia da impunidade do dinheiro e a liberdade humana. A ecologia neutral, que se parece antes com a jardinagem, faz-se cúmplice da injustiça de um mundo onde a comida sã, a água limpa, o ar puro e o silêncio não sã direitos de todos e sim privilégios dos poucos que podem pagá-los.

Chico Mendes, operário da borracha, caiu assassinado em fins de 1988, na Amazônia brasileira, por crer naquilo que acreditava: que a militância ecológica não pode ser divorciada da luta social. Chico acreditava que a floresta amazônica não poderá ser salva enquanto não se fizer a reforma agrária no Brasil. Cinco anos depois do crime, os bispos brasileiros denunciaram que mais de 100 trabalhadores rurais morrem assassinados a cada ano na luta pela terra, e calcularam que quatro milhões de camponeses sem trabalho vão para as cidades abandonando as plantações do interior.

Adaptando os números de cada país, a declaração dos bispos retrata toda a América Latina. As grandes cidades latino-americanas, inchadas até arrebentar pela invasão incessante de exilados do campo, são uma catástrofe ecológica: uma catástrofe que não se pode entender nem mudar dentro dos limites da ecologia, surda perante o clamor social e cega perante o compromisso político.

4. A natureza está fora de nós.

Nos seus 10 mandamentos, Deus esqueceu de mencionar a natureza. Dentre as ordens que nos enviou do monte Sinai, o Senhor teria podido acrescentar, por exemplo: "Honrarás a natureza da qual fazes parte". Mas isso não lhe ocorreu.

Há cinco séculos, quando a América foi apresada pelo mercado mundial, a civilização invasora confundiu a ecologia com a idolatria. A comunhão com a natureza era pecado. E merecia castigo. Segundo as crônicas da Conquista, os índios nômades que usavam cascas para se vestir jamais descascavam o tronco inteiro, para não aniquilar a árvore, e os índios sedentários plantavam cultivos diversos e com períodos de descanso, para não cansar a terra.

A civilização que vinha impor as devastadoras monoculturas de exportação não podia entender as culturas integradas na natureza, e confundiu-as com a vocação demoníaca ou a ignorância. Para a civilização que se diz ser ocidental e cristã, a natureza era uma besta feroz que era preciso domar e castigar a fim de que funcionasse como uma máquina, posta ao nosso serviço desde sempre e para sempre.

A natureza, que era eterna, devia-nos escravatura. Muito recentemente soubemos que a natureza se cansa, como nós, seus filhos, e soubemos que, como nós, pode morrer assassinada. Já não se fala em submeter a natureza, agora até os seus verdugos dizem que há que protegê-la. Mas tanto num como noutro caso, natureza submetida e natureza protegida, ela está fora de nós.

A civilização que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o desenvolvimento e o grandote com a grandeza, também confunde a natureza com a paisagem, enquanto o mundo, labirinto sem centro, dedica-se a romper o seu próprio céu.

Eduardo Galeano, escritor uruguaio, é autor de “As veias aberta da América Latina”, entre outros livros.

-- 
Atenciosamente,

Alberto Feiden
Agroecologia
Embrapa Pantanal



------------------------------------------------------------------------

Aviso de confidencialidade:

- Esta mensagem da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), empresa pública federal regida pelo disposto na Lei Federal
nº 5.851, de 7 de dezembro de 1972, é enviada exclusivamente a seu
destinatário e pode conter informações confidenciais, protegidas por
sigilo profissional. Sua utilização desautorizada é ilegal e sujeita o
infrator às penas da lei. Se você a recebeu indevidamente, queira, por
gentileza, reenviá-la ao emitente, esclarecendo o equívoco.

Confidentiality note:
- “This message from Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa) a government company established under Brazilian law
(5.851/72) is directed exclusively to its addresse and may contain
confidential data, protected under professional secrecy rules. Its
unauthorized use is illegal and may subject the transgressor to the
law's penalties. If you're not the addresse, please send it back,
elucidating the failure”.

--------------------------------------------------------------------------------



--
"Gentileza Gera Gentileza..."
    Profeta Gentileza



Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes

cos...@terra.com.br

unread,
Mar 2, 2010, 10:07:57 AM3/2/10
to rem...@googlegroups.com
Olá compadre, bom dia,

só pra compartilhar porque tb achei muito bom, veja es fala de  David Harvey


Dilma



On Seg 1/03/10 22:03 , Laudemir Luiz Zart laudemi...@yahoo.com.br sent:

Vale a pena reproduzir esta reflexão, constestação.


Laudemir


--- Em seg, 1/3/10, solange ikeda escreveu:
--
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "REMSOL - Rede Matogrossense de Educação e Socioeconomia Solidária" dos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para rem...@googlegroups.com.
Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para remsol+un...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, visite esse grupo em http://groups.google.com/group/remsol?hl=pt-BR.


E-mail verificado pelo Terra Anti-Spam.
Para classificar esta mensagem como spam ou não spam, clique aqui.
Verifique periodicamente a pasta Spam para garantir que apenas mensagens
indesejadas sejam classificadas como Spam.


Esta mensagem foi verificada pelo E-mail Protegido Terra.
Atualizado em 01/03/2010


FSM DAVID HARVEY.doc
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages