O novo amanhã é dos jovens,
Tal como a exuberância dos
verdes campos de trigo
Na manhã clara de geada.
Mesmo em
março,
O frio é rigoroso
No Fuji escarlate na alvorada.
A convocação repentina
Como o lampejo de um relâmpago,
Seis mil companheiros emergidos da terra
Lá compareceram.
Branco se tornava o ar expirado,
E os passos no chão
adormecido
Ecoavam pelo bosque ainda escuro.
Havia moças
de rosto ruborizado,
Como também adolescentes de uniforme escolar
E jovens que inflavam o peito imponentemente
Apesar de
desprovidos de roupas próprias de frio.
No ambiente gelado e
ainda escuro,
Seus olhos cintilavam num pulsar precioso
Prestes
a receber o majestoso “tempo”
Com o raiar da alvorada.
Ah! A expressão da genuína vida dos jovens,
Pura e
vigorosamente,
Anunciavam a ascensão do Sol novo e fulguroso.
Oh! Dezesseis de março —
Eternizado ficará para sempre.
Nesse dia,
Em torno do venerado mestre,
Delineou-se o modelo do Kossen-rufu
E tornou-se o “Dia do
Juramento”,
Inalterável por todo o eterno futuro,
Da luta
conjunta de mestre e discípulo.
Assim, preservando o profundo
significado desse dia,
Este foi denominado de
“Dia Comemorativo
do Kossen-rufu”.
Decorrida a terrível batalha deste século
Como tempestade para a humanidade,
O pulsar da correnteza do
Kossen-rufu
Emergiu no bailar imbatível
Do herói que se levantou
resoluto
Envolto pela chuva e escuridão.
Dia 3 de maio
de 1951 —
“Atirem meus restos mortais na Baía de Shinagawa
Se eu
não concretizar 750 mil famílias” —
Ante esta declaração que ressoou
pelo chão,
A chama, no peito dos companheiros, expandiu-se.
No desenrolar dos sete anos,
Árduas lutas se sucederam
Desgastando a própria vida
Numa demonstração de que
Não
há outro momento para lutar
Do que agora,
E que todo o esforço
ora canalizado
Encerra o valor de milhares de anos.
Ah!
Nos dias que se sucederam,
A onda de júbilo dos companheiros
revivescentes
Formou finalmente
A fileira de 750 mil heróis
emergidos da terra.
Setecentos anos se passaram
Desde o
levantar do Grande Filósofo.
Foi o tempo que amadureceu
Ou o
tempo foi atraído e criado?
Místico é o assentamento do alicerce do
Kossen-rufu de Mappo.1
Primeiro de março de 1958 —
O ardor da proteção
Transformou-se na inauguração
Do
grande Auditório do Ensino Essencial do
Sutra de Lótus,
Que
havia muito não se via igual,
E assim se concretizou uma das aspirações
do mestre.
Naquela ocasião,
Por providência das entidades
budistas
Ou foram Bonten e Taishaku que desceram à terra,
Uma
notícia se espalhou:
O primeiro-ministro compareceria
No dia 16
de março.
E o mestre propôs
Tornar esse dia
Uma
Cerimônia de Demonstração do Kossen-rufu.
Os jovens emergidos da
terra,
Considerados por ele atores principais da
Grande
cerimônia
Seis mil se reuniram ante a repentina convocação.
Lá
estavam os jovens musicistas do Kossen-rufu
E também os “Anjos da Paz”
Abrilhantando a marcha com valentia e beleza.
Na manhã
enregelada
Juntos saborearam a sopa quente de leitão,
Fazendo
penetrar no corpo e na alma
O sentimento do mestre.
Mesmo trajados pobremente
Transbordavam de felicidade e
orgulho
Por viver pela nobre missão.
A alegria de viver juntos
ao lado do mestre
E de juntos avançarem com o mestre
Compôs o
sorriso de profunda satisfação.
Sem buscar fama nem abrigo
Fortuna e nem mesmo benefícios,
Elevando o espírito valente e
cristalino
Com o desejo único de tudo consagrar
Junto com o
mestre
Em prol da Grande Lei.
Nesta propagação
alicerçada no juramento,
Transcendendo a vida e a morte,
E de
acordo com os sagrados ensinamentos,
Foi assentada a história de
absoluta vitória
Que mesmo as ondas das maldades
Não puderam
impedi-la.
No alvorecer do ano de 1958,
No meio do
turbilhão contra a fúria da doença,
O indomável mestre em seu brado
revelou:
— Quero lutar por mais sete anos,
Até alcançar dois
milhões de famílias.
Compreendendo seu sentimento
Sozinho e na profunda tristeza,
Jurei naquele dia herdar
inteiramente
A tocha da concretização do
Kossen-rufu por toda a
vida
Mesmo que preciso fosse atirar meu corpo ao chão.
Muitos companheiros
Pouco sabiam da gravidade da saúde
do mestre
E otimistas estavam por sua recuperação.
Sozinho,
visualizando o futuro do Kossen-rufu,
Dispus-me profundamente
determinado
A jamais esquecer os ensinamentos do mestre
Mesmo
deitado, imerso em meus sonhos.
O mestre, por sua vez, não permitindo
Que me afastasse,
Treinou-me em meio ao rigor,
Dedicando
todos os seus esforços.
Não esquecerei o brado do âmago de meu mestre:
— Nada mais quero.
Somente busco valores humanos de confiança!
Ah! Dia 16 de Março —
O primeiro mandatário não
compareceu,
E a cerimônia teve início
Com a presença de sua
esposa e genro.
O venerado mestre,
Arrastando seu corpo
doente,
Levantou-se na liderança pessoal
Dos jovens emergidos da
terra,
Assentando aí o espírito da
Concretização do Kossen-rufu.
Misticamente,
A radiante cerimônia tornou-se
O
momento solene da transmissão,
Do estandarte dos herdeiros,
Do
mestre para o discípulo.
O mestre e pai,
Carregando seu
corpo debilitado,
Resoluta liderança tomava.
Ante o
palanquim construído pelos discípulos,
Repreendeu-os com rigor:
— É demasiado grande!
Não serve para a batalha!
Porém,
nele subiu
Louvando a preocupação dos discípulos,
Suas palavras
tocaram
As profundezas de seus corações.
Sucesso ou fracasso,
quem irá empreendê-lo?
A verdade da vida devotada até a morte
Tal como o aspecto imponente
De Komei contado no Gojoguen,2
A figura do venerado mestre sobre a plataforma
Parecia lançar
raios de luz eternos e indestrutíveis.
— Nós somos soberanos do
mundo da religião!
O brado vigoroso do grande herói,
Que nasceu
para o Kossen-rufu,
Ecoou por entre os gigantescos cedros de 700 anos.
Eu declaro —
Aquele brado triunfante
Do
grandioso soberano dos povos,
Que ressoou por todo o mundo
E por
toda a eterna era de Mappo,
Parecia obscurecer até mesmo
A
brilhante jornada do Grande Rei Alexandre.
A enfermidade do
mestre
Era demais grave.
A mim, que o sustentava nos braços,
Ele espremeu da sua vida
As intrépidas palavras:
—
Daisaku! Eu conclui todo o meu trabalho.
Já posso morrer quando quiser.
O resto deixo com você! —
Aquelas palavras,
Em meus
ouvidos,
Ainda ressoam nitidamente.
O mestre estava com
58 anos
E o discípulo, com 30.
Talvez, por ter herdado a sua
vida,
Pude receber os 60 anos em seu lugar.
Meus caros
jovens!
Agora, com o mesmo sentimento do mestre,
Peço-lhes que
me sucedam.
Ah! Ainda hoje
Lembro com profunda gratidão
A benevolência grandiosa do
65º sumo prelado, Nitijun Shonin,
Que nos assistiu do começo ao fim.
Na conclusão de sua
liderança
De inúmeras e árduas batalhas,
O mestre, agora deitado
enfermo em seu leito,
Perguntou-me:
— Que livro está lendo?
Estude! Estude! Estude!
Repreendia-me com rigor e benevolência.
Disse-me num outro momento:
— Sonhei que fui ao México.
No calor de seus olhos benevolentes
Podia-se ler:
— Em
tuas mãos confio o mundo!
Fazendo do coração do mestre
O
meu próprio coração,
Jurei voar em prol do Kossen-rufu mundial
Por este céu imenso
Como o grande pássaro da lenda chinesa.
Quatro dias antes do falecimento —
O leão rugiu severa e
rigorosamente:
— Não afrouxem as mãos do ataque!
Cravando assim
o pilar do avanço dos discípulos
Como vagas furiosas.
Ah! Inesquecível 2 de abril...
Cercado pela exuberância
das cerejeiras
O venerado mestre partiu para o Ryozen.3
A parte
de sua vida que aqui ficou
Iniciou o ataque inabalável
Rumo à
concretização do Kossen-rufu.
Na época
Assim escrevi em
meu diário:
“Um jovem discípulo de Toda
Avança sozinho e
imponente
Contra os ventos do norte.”
Nos trinta anos
que se seguiram,
Fazendo frente aos tormentos das ventanias
E me
expondo só debaixo do sol escaldante,
Movido pelo desejo único de
proteger
Os meus queridos companheiros,
Dispus-me no combate a
todos os
Obstáculos e maldades
Sem retroceder um passo sequer
Dia após dia.
Por estar ciente
De que o budismo
é vitória ou derrota,
Não me permiti,
Em meio às ondas bravias,
Um momento de estagnação ou hesitação
Para provar à posteridade
A figura autêntica e valente
Tal como Ashura.
Os
saudosos irmãos,
Que estiveram no glorioso 16 de março,
Viveram
também a jornada de trinta anos
Sem nunca retroceder,
Registrando junto comigo,
Corajosa e valentemente,
A
sinfonia da gloriosa jornada.
A tempestade dos três fortes
inimigos
Por várias vezes
Tentou se levantar à nossa frente.
Houve dias turbulentos de intensos ataques
E traição de
astutos e perversos.
Entretanto, com toda a radiância,
Nós os
vencemos completamente.
As jovens daquela época
Que
transpuseram as inúmeras intempéries
Com as asas da esperança,
São hoje rainhas acariciadas
Pelas douradas brisas da
felicidade.
Os jovens,
Como pilares da sublime fortaleza
da paz
Para a grandeza do ser humano,
Assentaram imponentemente
seu alicerce inabalável.
A mística relação dos companheiros
Concebida no passado infinito de kuon,
A força da união que
converte o itai em doshin,
O austero laço de devoção da vida
Pelo ideal dos sagrados ensinamentos —
Em torno desse eixo
diamantino e indestrutível
Estabeleceu-se para toda a posteridade
O alicerce do Kossen-rufu.
O ardor dos jovens que se
sucedem ilimitadamente,
Emerge como nuvens brancas
Hoje e amanhã
também
Lá no azul do horizonte.
Quando novamente
percorrer
O espaço celestial do novo século,
Não haverá mais
nuvens escuras
De obstáculos e maldades.
O rosto dos jovens
filhos do Buda
Resplandecente estará com todo o vigor
E as
pétalas irão bailar
Ao vento da fragrância de sua jornada.
O jovem é o tesouro imensurável.
Todo labor e
dificuldade,
Até mesmo vitórias e derrotas,
Tudo é trampolim
para o maravilhoso dinamismo.
Meu jovem! Meus caros jovens!
Peço-lhes que se encarreguem
Do novo e segundo “Sétimo Sino”.
Na propagação gradativa para o Leste
De acordo com o seu próprio
princípio,
O budismo chegou ao Japão
E 700 anos se passaram
Para o Grande Filósofo aqui emergir
Com toda a imponência do
Sol.
Passados sete séculos desde então
Uma mística
organização nasceu,
Revertendo as ondas do Kossen-rufu da Verdadeira Lei
Para a propagação gradativa para o Oeste
Banhando as praias da
Ásia e de todo o mundo.
Agora, a Lei Mística —
O supremo
raiar da grandiosa luz da vida —
Está prestes a cobrir
Toda esta
Terra azul.
Meu jovem,
Não questione se a grandiosa
Correnteza do Kossen-rufu
É ou não uma certeza no curso da
história.
Questione sim, a todo momento,
Se possui ou
não a paixão
De tornar o Kossen-rufu numa certeza
Em seu próprio
coração
Com o labor e suor de si mesmo.
Kossen-rufu é
Implantar o supremo estado de vida do Buda
No coração da
humanidade
Seguindo o testamento de Daishonin,
Cobrindo esta
grande Terra eternamente
Com o desabrochar exuberante
De flores
da renascença da vida.
Tient’ai declarou:
“O azul é mais
azul que o anil!”
A você, meu jovem,
Oro ardentemente
para que,
Abraçado à Lei básica
E emitindo ilimitados raios de
luz
Do interior de sua própria vida,
Trace com audácia
Todo o curso da grandiosa história
Do triunfo da sinfonia do
povo.
Para todo compromisso,
No raiar da “Era dos
Jovens”
Heróis da missão
Haverão de emergir em sucessão.
Ah! A grande expedição para os próximos trinta anos
Assinala
agora a sua partida.
Eu acredito que vocês,
Meus jovens
e minhas jovens,
Haverão de transpor valentemente
Os
desconhecidos picos das intempéries
Para tocar solene e vigorosamente
Os sinos da alvorada do novo século.
O tempo retorna
E aqui recebemos
O “Dia Comemorativo do Kossen-rufu”.
Este dia não é senão
A manhã de renovada esperança
Dos
meus queridos discípulos.
Meus jovens,
Haja o que
houver,
Avancem sempre!
Agora é o tempo
Que não devem
Recuar um passo sequer.
Jovens!
Haja o que
houver,
Desafiando resolutamente
O labor no aprimoramento
diário,
Cantem, cantem altivamente
Os versos da juventude alegre
e vigorosa.
Com a harmonia de ouro
Indestrutível por
toda a existência,
Desbravem com todo o ardor
A nova manhã da
história da humanidade
E completem por mim o sagrado empreendimento.
Agradecendo sinceramente a todos os
companheiros que
compareceram à cerimônia
em meio ao vento gelado desde as primeiras
horas da manhã do dia 16 de março de 1958,
elevo minhas orações
formulando votos de
felicidade e de longa vida.
De mãos postas em oração...
O Poeta Laureado
Em 9 de março de 1988
NOTAS 1. Mappo: Também conhecido como Últimos Dias da Lei. Época em que o Budismo de Sakyamuni perde completamente a capacidade de salvar as pessoas e em que Nitiren Daishonin estabelece seu budismo como o único meio capaz de conduzir toda a humanidade à iluminação. Não é possível, todavia, fazer uma divisão cronológica devido às divergências existentes quanto à época em que Sakyamuni viveu, assim como quanto ao ano de sua morte. Entretanto, segundo a tradição budista da Ásia Oriental, Sakyamuni faleceu em 649 a.C. Considerando válida essa data, o primeiro ano dos Últimos Dias da Lei seria 1052 d.C. 2. Hoshi Otsu Shufu Gojoguen (Colina de Gojô dos Ventos de Outono e das Estrelas Cadentes): Canção que louva a vida de Shokatsu Komei, grande estrategista chinês. Foi uma das canções preferidas do segundo presidente da SGI, Jossei Toda. 3. Ryozen: Ryojussen ou Pico da Águia, que simboliza a terra do Buda ou o estado de Buda.
-----Mensagem original-----
De: regi...@googlegroups.com [mailto:regi...@googlegroups.com]Em nome de Alesse
Enviada em: quarta-feira, 8 de março de 2006 11:37
Para: rmc...@bol.com.br
Assunto: [RM1 e Regionais] Pesquisa - 16 de Março - Dia do Kossen-rufu